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Gregory Bateson nasceu 1904, na Inglaterra, em uma família acadêmica e de alta burguesia. Devido sua postura científica de estilo ‘outsider’, não conquistou, em vida, sucesso acadêmico. Terminou sua carreira como professor visitante em várias Universidades norte-americanas, a convite dos já muitos seguidores e, só por isso, conseguiu sustentar-se economicamente. Faleceu 1980, vítima de um câncer de pulmão.

Sua carreira acadêmica e profissional é, portanto, bastante particular. Começa em Cambridge com o estudo de biologia, com especialização em taxonomia. Com 20 anos, já graduado, viaja para Galápagos interessado em Darwin. Focando-se em antropologia vai para Nova Guiné em 1929 onde realiza estudos de campo de características transculturais que são publicados em 1936. Embora considerados então problemáticos, nestes surgem questões como as relações entre o indivíduo e a sociedade, numa perspectiva analítica da psicologia social, psiquiatria e ciência política, o que viria a ser a base de sua perspectiva de trabalho até o fim de sua vida. Realiza estudos de campo em Nova Guiné e Bali, junto a sua esposa Margaret Mead, cujo resultado científico é inovadoramente totalmente traduzido em fotos. Abandona, então, a etnologia e passa a dedicar-se a uma nova epistemologia da comunicação.

Em 1942, toma contato com a com os conceitos de “feedback“, “feedback-negativo”, “digital”, “análogo” e com o conceito de “autodeterminação”, e passa se interessar por “cibernética”, com ênfase em comunicação. Em 1952, começa a trabalhar com os paradoxos da comunicação, fundando o grupo ‘Palo Alto’, de características multidisciplinares. No ano de 1956, este grupo publicou a famosa teoria do ‘double-bind’ ou duplo vínculo, como uma causa possível da esquizofrenia. Deixa o grupo dez anos depois e passa a dedicar-se exclusivamente à epistemologia da comunicação, trabalhando com a comunicação entre baleias, mas enfrenta problemas de resistência acadêmica. Segue nesta linha de trabalho até o final de sua vida.

Bateson não publicou muito, sendo sua obra impressa resumida a ‘Steps to an ecology of minds’ (1972) e “Mind and nature: A nececessary unity” (1979). Existem ainda as publicações póstumas: “Angels Fear” (1987) – por sua filha Mary Bateson, “The individual, communication, and society: Essays in memory of Gregory Bateson” (1989) – por Robert Rieber e “A Sacred Unity. Further Steps to an Ecology of Mind” (1991) – por Rodney Donalson.

Exibições: 191

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Comentário de Amauri Lobo em 18 fevereiro 2009 às 15:21
Infelizmente, não há publicações de Bateson em português. Mas, existem ótimas publicações argentinas de "Passos para uma ecologia da mente" e "Medo dos Anjos".
Comentário de Carlos Boyle em 18 fevereiro 2009 às 14:42
Bateson es uno de esos autores que si bíen uno no ha leido mucho, está presente en toda la bibliografía que llega a mis manos. Especialmente por Maturana y los constructivistas readicales

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