Escola de Redes

EXPLICANDO MINHAS PROVOCAÇÕES SOBRE O TWITTER

Tuitei ontem:

@augustodefranco #provocação Se você tem mais de 15 mil seguidores alguma coisa está errada! O netweaving sucumbiu ao broadcasting?

É claro que isso era apenas uma provocação mesmo. O objetivo era chamar a atenção para o uso do Twitter como broadcasting. Sim, o Twitter foi pensado originalmente como instrumento de broadcasting. Foram os usuários que introduziram a interatividade. Depois os desenvolvedores foram incorporando, aqui e ali, essa dimensão. Vieram em seguida as listas (uma boa funcionalidade, mas que ainda não funciona muito bem).

O fato é que hoje o Twitter não é mais como foi pensado. Gosto de dizer que ele está a meio caminho entre uma plataforma p-based (baseada na participação, que caracteriza as ferramentas da chamada Web 2.0) e uma plataforma i-based (baseada na interação, como serão provavelmente as novas ferramentas que ainda vão surgir para apoiar o netweaving).

Não, o Twitter ainda não é isso. Mas devemos reconhecer que o seu forte é a interatividade e a sua simplicidade. Sim, as ferramentas do Twitter são simples, ainda que nem sempre eficazes (por exemplo, buscas sobre um mesmo assunto feitas a partir de tags (#), perfis (@) e retweets (RT) revelam, não raro, resultados discrepantes).

Então, na minha provocação, quando dizia que deve haver alguma coisa errada com uma pessoa que tem mais de 15 mil seguidores, queria dizer 'errada' do ponto de vista do que eu acho que o Twitter deveria ser: um instrumento de netweaving (e não uma plataforma para fã-clubes, para bisbilhotar a vida de celebridades ou para cultuar personalidades de sex symbols, poderosos e ricos que ficaram famosos e vice-versa). É claro que a maioria dos que têm mais de 15 mil seguidores são pessoas ou marcas difundidas pelo broadcasting. Ninguém consegue atingir facilmente esse número apenas a partir da disseminação molecular (no sentido levyniano do termo), entre seus amigos, os amigos dos seus amigos e os amigos dos amigos dos seus amigos. Considerando apenas dois graus de separação, se uma pessoa tem relações recorrentes de primeiro grau com 150 pessoas (o máximo possível, se acreditarmos em Dunbar) e se cada uma dessas pessoas tem relações de primeiro grau com 100 pessoas, chegamos ao número 15 mil. É claro que isso não está matematicamente correto pois que muitos dos conhecidos dos conhecidos de várias pessoas são as mesmas pessoas. Mas... vá lá! O número serve para chamar a atenção para o problema.

Mas há aqui realmente um problema? E qual seria esse problema?

Sustento que há um problema do ponto de vista do Twitter como ferramenta de netweaving. E esse problema se revela também no descompasso entre o número de seguidores e o número de seguidos para pessoas e marcas que têm muitos seguidores. Tentei fazer uma segunda provocação, estabelecendo um número (ou um intervalo) razoável para a razão seguidores/seguidos, mas minha especulação não resultou razoável.

Porque tudo isso depende de muitas variáveis: o tempo de Twitter, o número de tweets, a sua freqüência ou regularidade e, é claro, a sua qualidade (aliás, sobre as duas últimas variáveis já se escreveu bastante: não faltam manuais com recomendações para alguém ser muito seguido ou retuitado).

Assim, não se pode comparar alguém que está no Twitter desde 2007 com alguém que entrou somente em 2010. Quem está há mais tempo tende (inercialmente) a ter mais seguidores, mesmo que não se esforce muito, do que quem entrou bem depois.

Isso não vale, é claro, para os famosos (para os quais o Twitter, diga-se o que se quiser dizer, foi originalmente pensado). Artistas de cinema, desportistas, apresentadores de TV, escritores de best sellers, líderes políticos e religiosos e outras VIPs que já eram ou ficaram massivamente conhecidas via broadcasting, atingem rapidamente milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, milhões de followers. O tal de @aplusk tem 4.875.795 seguidores; @britneyspears, quase a mesma coisa; @TheEllenShow, 4,5 milhões; a impagável @ladygaga, 3,9 milhões (empatando com @BarackObama); em seguida vem a @Oprah (com 3,5 milhões); todos na frente do próprio @twitter (com 3, 1 milhões).

O caso mais exemplar - e caricatural - de uso do Twitter como broadcasting, instrumental a não mais poder, é o do presidente da Venezuela, Hugo Chavez @chavezcandanga, que começou em abril de 2010, acumulou 284 mil seguidores (seguindo 5 pessoas) e declarou que vai contratar 200 auxiliares para responder por ele os apelos, críticas e sugestões que recebe no Twitter. Mas há inumeráveis outros casos. Por exemplo, o de Tenzin Giatzo, o XIV Dalai Lama do Tibet @dalailama que começou no Twitter em fevereiro de 2009, ficou muito tempo inativo e só tuitou 124 vezes (e é muito provável que nunca tenha sido ele realmente a tuitar, nem uma única vez), atingiu a cifra de 317 mil seguidores (e não segue nenhuma pessoa = 0).

No Brasil temos o apresentador de TV e blogger superpremiado Marcelo Tas @marcelotas que começou a tuitar em junho de 2007, atingindo a extraordinária cifra de 578 mil seguidores (seguindo 450 pessoas). Temos também o Paulo Coelho @paulocoelho (que tuita em inglês e português), que começou em abril de 2007 e tem 406 mil seguidores (um caso curioso: ele parou de seguir centenas ou milhares de pessoas e começou tudo de novo seguindo hoje apenas 53 pessoas).

Pessoas que ficam super-expostas à mídia também acumulam milhares de seguidores em pouco tempo. Por exemplo, o candidato brasileiro às eleições presidenciais de 2002 e 2010, José Serra @joseserra_ começou no Twitter em abril de 2009 (quando ainda era governador de São Paulo) e alcançou neste curto período (até 10/05/10) 227 mil seguidores (conquanto siga cerca de 5 mil pessoas). Outra candidata, Marina Silva @silva_marina, que começou somente em janeiro de 2010, já chegou a 39 mil seguidores (seguindo apenas 123 pessoas).

Excluindo-se porém as VIPs, o número de seguidores depende também da atividade do tuiteiro: professores com muitos alunos, líderes de movimentos de massa ou ditos "sociais" e dirigentes de grandes organizações hierárquicas (incluindo centrais sindicais, sindicatos e partidos) tendem a ter mais seguidores em virtude de outros fatores (que não os estritamente ligados à freqüência ou regularidade ou à qualidade de suas mensagens). As pessoas tendem a achar que seguindo os que ocupam algum cargo ou função diretamente relacionado à sua própria atividade, ficarão mais próximas dos que "sabem mais" ou têm "mais poder" ou obterão informações importantes em primeira mão.

O professor e palestrante, especialista em Internet, Luli Radfahrer @radfahrer que começou no Twitter em março de 2007, chegou a 11.400 followers (seguindo 199 pessoas). A professora, palestrante, escritora em Marketing Digital e New Media Artist Martha Gabriel @marthagabriel que começou em setembro de 2008, atingiu cerca de 6 mil seguidores (seguindo 117 pessoas). Retiro esses exemplos da lista das pessoas que sigo. É claro que, no caso desses dois, junta-se à sua influência (em virtude das múltiplas atividades que exercem), a regularidade e a qualidade de seus tweets.

Quem não é VIP e não tem motivos especiais para induzir outras pessoas a seguí-lo(a), angariando followers apenas a partir do qualidade de seus tweets e da sua dedicação em publicar regularmente, acumula seguidores mais lentamente.

Por exemplo, o empreendedor e blogger Bob Wollheim @bobwollheim, que começou no Twitter em janeiro de 2007, chegou a 2.300 seguidores (e segue 500 pessoas). No mesmo caso está a Venessa Miemis @venessamiemis que começou a tuitar em dezembro de 2008 e já alcançou 3.400 seguidores (seguindo 928 pessoas). É claro que tudo isso depende também de uma outra variável que não foi mencionada até agora: o país. Em países com mais usuários de Twitter, é óbvio que as pessoas tendem a ter uma taxa de adesão maior. Também retirei esses exemplos da minha lista following. Eu mesmo @augustodefranco, que só comecei em março de 2009 cheguei a 1.500 seguidores (seguindo pouco mais de 300 pessoas).

Voltemos, porém, ao uso do Twitter como plataforma de transição entre ferramentas p-based e i-based. Neste caso o número total de followers pouco importa. Se o Twitter está sendo usado como um instrumento de articulação e animação de redes sociais, dificilmente se conseguirá ter mais do que 15 mil seguidores, como dizia em minha primeira provocação. Na verdade, em geral, muito menos do que isso. Dificilmente teremos redes sociais (e me refiro aqui às redes voluntariamente tecidas) com um número muito grande de pessoas conectadas; ou, se tivermos, dificilmente essas redes poderão ser distribuídas (a rigor, mais distribuídas do que centralizadas). Haverá necessariamente alta clusterização (que é a única maneira de manter, pelo menos dentro de cada cluster, uma topologia mais distribuída do que centralizada). Se quisermos manter um índice máximo de distribuição-conectividade (todos-com-todos), então é improvável que consigamos manter clusters com mais de 150 pessoas (é o espectro de Dunbar, nos perseguindo novamente). Neste caso limite, se você é seguido por 150 pessoas, deve seguir as mesmas 150 pessoas.

Como o Twitter não é isso (uma ferramenta i-based de netweaving), então isso que acabei de escrever no último parágrafo, a rigor, não vale. Mas é óbvio que se o número de seguidores é muito maior do que o número de seguidos, alguma coisa está errada mesmo. Há um ab uso da ferramenta, uma deformação da sua natureza (por assim dizer), um definhamento da sua dimensão interativa e uma exacerbação da sua dimensão broadcast.

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Comentário de Marcelo Estraviz em 12 maio 2010 às 18:35
Chegamos à nossa grande concordação! hehe! ficar vulnerável à interação, vulnerável ao outro. isso!

Sorry pelo juntos. confundi mesmo. é #junto. aliás, fiquei curioso. o que se escreveu que todos riram no final? bonita cena daquela risada síncrona!

o ruim de quando concordamos tanto é que a conversa se encerra... então proponho mais uma coisa, daquelas difíceis de explicar mas fáceis de desenhar num guradanapo. eu estou pra tentar escrever sobre as inter-interações dessa nossa presença na web. veja: estou no twitter, facebook, blip (música! música é ótimo!), friendfeed, youtube, flickr, slieshare, buzz ... várias pessoas me seguem em quase todos, mas existem aquelas que só me seguem em uma coisa e nem sabem da existência das outras. meus seguidores do blip por exemplo me acompanham pelas músicas que escolho, e é só. eu, pra confundir (esse é meu lema) ainda vinculei blip com twitter e facebook e friendfeed. o que escrevo num, sai nos outros. numa tentativa de atingir a todos ou o máximo deles.

e porque estou dizendo tudo isso? porque acho que independentemente dessas ferramentas, o que existe é um desejo meu de ser i-based netweaving. com o seu ferramentas, esse desejo estaria presente. daí minha questão retorna: promover interação, ou, como disseste, promover não estar separado, gerará atitudes mais i-based?

eu, quando escrevi o linkania em 2001 achava que sim. que falar a respeito ajudava no incentivo à interação, ao linkarmo-nos. hoje tendo a exercer linkania, educar pelo exemplo, como fiz com filhota. estamos agora debatendo isto. e muitos estão lendo, mas pouquíssimos escreverão. antes eu achava que era só convidá-los. mas, oras. o convite está feito! então o que falta? tempo? como disse no artigo? Oo o medo à vulnerabilidade? Medo de errar, de falar uma coisa sem graça, de não repercutir, de ser pouco interessante... oras... é coisa pra se desistir de sentir não? Aí que vem minha desistência como ativismo. Que aliás, tá meio paradinha lá. Dificil desistir hein? :)
Comentário de Augusto de Franco em 12 maio 2010 às 17:48

Incrustei aqui. Junto (no singular). Não juntos (no plural). Interagir, ao contrário de participar, não-é estar muitos juntos. E não-é estar separado. Eis o mistério da interação...

Não é para interagir mais, Marcelo (com mais pessoas, com mais freqüência, com mais conteúdo, com mais...). É apenas para ficar vulnerável à interação.
Comentário de Marcelo Estraviz em 12 maio 2010 às 17:23
O Juntos é mesmo legal. Faboano já havia me comentado a respeito. Mas (eita, esse "mas" sempre...) queria botar aqui mais um ingrediente pra sopa, proveniente da ideia do Juntos e inclusive da colocação da Raquel aqui abaixo.

Faz quase 10 anos, quando eu era um blogueiro heavy user, discutíamos, entre muitas coisas, o fascinante mundo assíncrono acontecendo junto com o síncrono. E como poderiamos aprofundar esses estudos. Porque aquela vida de blogueiro gerava um envolvimento do outro em momentos díspares. Tinha o cara que lia assim que você postou (hoje com RSS isso é ainda mais instantâneo, e antes não tinha), assim como tem aquele ilustre desconhecido que busca algo no google e cai num post de seu blog que escreveste faz 6 meses. E comenta, opina, interaje. Acontece que interaje com um "eu" que já foi, diferente do "eu" que escreve algo agora.

O twitter aprofunda esse sincronismo, mas não descarta o assincronismo. Eu as vezes leio algo que o cara escreveu hoje de manhã, mas já se passaram quase 20 horas. Com blogs sem RSS isso podia ser de 6 meses atrás. Acho curioso que do blog para o twitter para o juntos vamos chegar ao maravilhoso, incrível e inacreditável... papo ao vivo. hehe. Por isso acho o juntos não o filhote da vez, mas um dos filhotes prováveis dos 101 dálmatas.

Os 150 de Dunbar, esses sim me fascinam. Assim como os 7 minutos de atenção plena, as 5 ações do reiki ... tenho um gosto americanóide por esses números. Me ajudam, e os testo. Eu ainda acho que quem segue mais de 150, não está seguindo ninguem.

E é vero, querido Augusto: mais concordamos do que discordamos. Mas eu precisava usar o disconcordo porque acho a palavra bonitinha (dita uma vez por minha filha aos 4 anos). Pra ampliar a conversa aqui e também nossos concordismos, proponho aprofundarmos a ideia de interação e não interação. Eu acho que a Meta (assim com maiúsculas) não deve ser a plena interação, nem "mais" interação. Acho que a meta (assim com minúscula) é acharmos, cada um, seu número, seu algoritmo, onde se sente a vontade. Eu, depois de 3 anos (e somada á experiencia de blogueiro faz quase 10), optei pelo 1/4. E essas opções são conscientes sim: por um lado não pretendo lançar uma banda nem serei ator da globo, o que me fará nunca ter muita gente me seguindo, mas um número bacana que alberga amigos, ex-alunos e voyeurs. Por outro lado, não pretendo seguir mais do que eu consigo ler. Tentei até colocar aqueles sisteminhas tipo twitfox e similares, mas na prática, se separo alguns, significa que não estou lendo outros, então preferi deiar de seguir gente até um número possível de leitura.

Fica então a dúvida que esta net nos traz: se a web gera interação, precisamos promover mais e mais interação? faço essa pergunta como dúvida mesmo, querendo refletir. acho que tem tudo a ver com nossas discussões sobre redes.
Comentário de Raquel Marques em 12 maio 2010 às 13:46
Marcelo

Gostei muito de seu índice de broadcast. Twitter é como aqueles livros que cada vez que relemos, entendemos um novo significado. Diferente do LinkedIn que restringe e diz muito especificamente a que se propõe e como usar, o Twitter é polissêmico.

Se vamos usar para participar ou interagir ou ambos (eu faço isso) não importa. O Twitter permite tudo isso e pode ser útil em todas estas situações.

Pessoalmente uso para interagir com pessoas que estão do meu lado, com pessoas que pouco contato ou abrir novas relações com pessoas que nunca havia contatado. Já acessei pessoas completamente fora do meu círculo de amizades, conversei e acabei almoçando com figurinhas raras e disputadas do Twitter. De que outra maneira eu teria acesso a estas mini-celebridades? De repente o Twitter te permite estar e conversar com pessoas que de outra forma nunca ouviriam uma palavra sua, você nunca teria a oportunidade de dizer algo de valor e estabelecer vínculo.

Também uso simplesmente para participar. Gosto de utilizar para transbordar as relações pessoais de questões profissionais e inocular aspectos pessoas e humanos nas relações estritamente comerciais, profissionais. Tenho gostado muito do resultado. Sem spam ou forçada de barra (uma vez que só lê quem quer e quando quer e de maneira muito rápida), pessoas de meu círculo de contatos profissionais percebem que existe uma pessoa além daquele AVATAR com sobrenome corporativo e algumas vezes encontramos afinidades. Já as pessoas de meu círculo de amizades passam a ter uma melhor idéia do que faço e, de repente, algo profissional acontece.

Esta mágica do Twitter me encanta. Ele é o que se faz dele.
Comentário de Augusto de Franco em 12 maio 2010 às 11:45
Escreva mais sobre isso, Boyle. Desconfio que estamos falando a mesma coisa desde lugares diferentes. Se você fala a partir do indivíduo conectado é claro que há a expectativa de um conteúdo. Se você fala da rede, continua havendo um conteúdo, é claro, mas ele não é relevante para o padrão de interação.

Existem coisas que acontecem com o indivíduo (desde já fique claro que o indivíduo, a rigor, não existe, é uma abstração, o que existe é a pessoa, quer dizer o indivíduo-conectado, sobre cujo comportamento nada podemos dizer de definitivo a não ser explicando as suas relações com outros indivíduos), mas, dizia, existem coisas que acontecem com o indivíduo e existem coisas que acontecem com o sistema. A visão i-based diz que são outras características da interação (além da substancialidade do que flui e do significado que cada qual lhe atribui) que são relevantes para explicar o comportamento coletivo (e, a rigor, o comportamento da pessoa). A chamada hidden influence of social networks não pode ser totalmente explicada a não ser de uma perspectiva i-based.
Comentário de Carlos Boyle em 12 maio 2010 às 8:23
Aquí decíamos :
Podríamos hablar horas de estos comportamientos agregados por el número ( de Dumbar), solo diremos que cuando definimos los postulados informacionales de la espiral del silencio no tuvimos en cuenta la cuestión del número, cabría entonces recordarlos para luego hacer las consideraciones necesarias para poderlos ponderar. Recordemos la interpretación que hacíamos de los postulados de Noelle-Neuman.

1- Existe en la red una amenaza permanente de cese del flujo de información que enlaza a los agentes unos con otros, una posibilidad latente del cese de la comunicación, de quedar en el aislamiento.

2- Cada agente recibe un nivel de flujo de información (streaming) que percibe como normal, la disminución o perdida de ese flujo es interpretado como un miedo a quedar incomunicado, aislado, fuera del juego. El aislamiento es el lugar por donde no circula los mensajes.

3- El temor a la incomunicación hace que cada agente vigile permanentemente la integridad de sus vínculos corroborando sus enlaces. Constata que por ellos circule información enviando mensajes y esperando respuestas.

4- El resultado de esa evaluación le da una autorreferencia sobre donde está ubicado dentro de la topología de su red y de acuerdo a ella se va reposicionando.

5- Los distintos reposicionamientos en el tiempo configuran un Equilibrio de Nash que le confieren estabilidad como conjunto mientras que en su interior se operan continuos cambios. Es la homeostasis.


Hay un broadcasting de gradiente de módulo (máximo) 150 que propala y espera feed back, por eso digo que "debe fluir algo por las conexiones". Lo de casting es llevar y traer, en realidad es un tiempo hermoso que ocupamos en saber si al alguien allí.
Comentário de Evaldo Bazeggio em 12 maio 2010 às 8:19
Augusto, estou pensando aqui com meus bor botões...
Várias plataformas (vou chamar o twitter) foram criadas com uma determinada finalidade e depois serviram a outros objetivos. Seria o caso do twitter? Creio que ainda vamos descobrir para que serve. Eu uso para receber dicas daqueles que sigo. Algumas dessas dicas são ótimas, outras eu desconsidero. Mas confesso que ainda não conseguir chegar a uma conclusão das razões pelas quais eu escrevo algo... Meus bor botões ainda vão me aguentar mais um pouco. abs.
Comentário de Augusto de Franco em 12 maio 2010 às 6:07
Ei Marcelo! Eu também disconcordo de você, hehe.

Não estava propondo que alguém seguisse 150 e fosse seguido por 150. Aliás, não estava propondo que ninguém fizesse nada.

O 150/150 foi apenas um exemplo de um caso limite (em termos matemáticos, considerando a hipótese de Dunbar). Seria assim se quiséssemos usar o Twitter exclusivamente como uma ferramenta i-based de netweaving (o que, está claro, pelos motivos que você mesmo expôs, ele não é).

O post todo foi para dizer que desisti de achar uma razão razoável followers/following, posto não tenho ainda todas as variáveis que comparecem na equação.

Mas pelo que vi você mais concorda do que discorda do que escrevi. Nós dois queremos, a despeito do que você diz, meio que subverter o Twitter e usá-lo para auxiliar o netweaving, sem chegar ao caso limite 150/150 que, nas circunstâncias de nossos relacionamentos atuais, seria meio chato, concordamos. Minhas tentativas nesse sentido não foram muito bem-sucedidas. Você também tentou rapidamente uma coisa assim, acho que com o Nodo Lapa, lembra?

Eu sigo 300 por um motivo simples. Combinei de seguir todo mundo que tuita com a tag #E_R (era aquela tentativa de usar o Twitter como um meio ágil de comunicação entre os conectados da E=R, que nunca prosperou, pois a maioria dos nossos 4.603 membros não têm perfil no Twitter; ou, se têm, não usam ou não revelam). Mas ainda vou acabar seguindo mais gente, neste Twitter-realmente-existente, pois andei estimulando os 300 agentes de desenvolvimento em processo de aprendizagem no Paraná a abrirem um perfil no Twitter (pelos mesmos motivos). E agora não posso mais desistir de seguí-los. Vou pular então para algo em torno de 600 seguidos (pois eles vão mesmo abrir um perfil). Também vai aumentar o número de meus seguidores a uma razão de 4 a 5 por dia em média (ou talvez mais, pois a taxa aumenta com o aumento de followers).

De sorte que... você entendeu. Ainda que, como dizíamos no Pedro II, o conde D'Eu, a rainha de Bag-Dá, os reis do Su-Dão e até o Barão de Avanhan-dava, me tomar como exemplo não vai dar!

Mas permanece válida a constatação de que, assim como os usuários do Twitter introduziram a interatividade (que não foi originalmente pensada pelos criadores da plataforma), vale a pena continuar introduzindo mais interatividade. Não acredito muito que isso vai acontecer neste Twitter, mas tudo que for feito nesse sentido vai contribuir para o desenho de novas ferramentas mais i-based e menos p-based (e menos broadcast, é claro). Aliás, algumas coisas já estão surgindo por quem percebeu - como a Venessa Miemis - as características promissoras do Twitter neste sentido. É o caso, me parece, do Junto.
Comentário de Marcelo Estraviz em 12 maio 2010 às 0:31
"disconcordo". e o neologismo faz sentido, olhe só:

eu concordo que o twitter não é uma ferramenta i-based de netweaving. concordo com dunbar (que sempre me lembra aqueles licores baratos) e os tais 150. mas discordo que exista uma exacerbação de sua dimensão broadcast. a exacerbação não é pela dimensão do twitter mas pelo jeito ou circunstância de uma pessoa tipo broadcast. todos nós temos um lado voyeur além do lado netweaving. eu não quero enredar-me com todos os meus cento e poucos que sigo. alguns eu quero só dar uma espiadinha, como diz o bial. e o mesmo ocorre com quem quer dar uma espiadinha "nimim". então eu considero voyerismo uma interação meio sórdida, mas interação. a ideia 150 pra 150 é boa para matemáticos, mas não pra vida real. drummond já dizia:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


a vida real é isso. se fosse 150 amando 150 isso seria a suruba total, a apoteose, ou o apocalipse.

uma dimensão broadcast está num número xis. eu inventei um algoritmo singelo e não sei o que fazer com ele: 1 pra 4 é meu número e chamarei isso de mini-broadcast. porque? porque é o meu caso (112 que eu sigo pra 416 que me seguem). Seu número, Augusto, é 1/5 (300 pra 1500). Huck ou Tas tem um número 1/algo bem alto, o que significa alto índice de broadcast.

Teríamos diversões em usar esses números e fazer uma teoria.

Acho, por exemplo, que gente que segue 100 pessoas e é seguido por 20 é um frustrado (mas tem o mérito de não esconder isso de ninguem). É alguem que assumiu seu papel de sub-broadcast. Sabe que sua vida será mais para assistir do que pra atuar.

Tem gente que gosta de equilibrar: "Sigo 100 e 100 me seguem". Mas sabemos todos que essas pessoas não são exatamente as mesmas. Trata-se só de não querer parecer o que assiste, mas também não será o ator.

Tem os simpáticos, que querem seguir um monte de gente até porque um monte de gente o segue, numa espécie de gentileza virtual. Tem lá seu mérito. Lembro de achar bacana ao ver que Obama seguia aproximadamente 600 mil pessoas, próximo ao número de quem o seguia. Muito melhor do que a postura da Hillary Clinton, que não seguia ninguem (como nosso dalai hermético lama). É, como eu disse, só uma gentileza, pois sabemos que mais do que 150 pessoas (dunbar...dunbar) não há como.

E aí entra outro ponto que concluí faz um tmpo. Porque o tal licor (Dunbar) fez efeito pra mim. Mais de 150 pessoas eu não consigo seguir, aliás, tento sempre estar na faixa dos 100. As vezes passo a seguir alguém e imediatamente tiro outro, pois mais que isso, ficou comprovado pra mim (e pro licor) que nao rola. Já segui muito mais gente, e concluí que isso significa não seguir ninguém, na prática. E vi que isso é o modelo broadcast: falo com um monte de gente e não tô nem aí em ouvir ninguem. Perceba então que o modelo broadcast é tanto para os que são seguidos por milhares de pessoas como inclusive para quem segue mais de 150 pessoas. Ambos casos gera um padrão broadcast: "se sigo um monte de gente ou se sou seguido por um monte de gente, não estou nem aí pra você".

por isso "disconcordei" de ti. o twitter é legal se eu quero viver uma vida bacana, sem broadcast, sem numeros muito superiores aos 150, sabendo que rola um mini-broadcastzinho básico, que rola um voyerismo singelo, que se trata da vida de gente normal. uma ferramenta i-based de netleaving.

os broadcasters? ah, desisti deles faz tempo né? :)

mas peraí, qe também quero deixar minha provocação a você, queridão: se falamos tanto do lic... ops, do dunbar, porque segues 300 e não 150? :)
Comentário de Edna Costa em 12 maio 2010 às 0:29
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olá Augusto,

Conheço pessoas que têm grande número de seguidores apenas por vaidade pessoal. Para isso, utilizam aqueles sites que aumentam a quantidade, bug que o Twitter pegou ontem.

Por outro lado, há aqueles que eu chamaria de enganadores. Começam a nos seguir e quando retribuímos, param. Isso aconteceu comigo com o perfil da @silva_marina. Sei que quem faz isso é alguma assessoria, mesmo assim entendi como indelicadeza. Como ela veio a mim e não o inverso, esperava alguma interação, porém, quando percebi, estava sozinha na história.

Seguindo seus escritos e influenciada pela fala do Steven Johnson na CIRS, mudei o perfil dos meus "following". Não me incomoda ter ou não muitos seguidores, entendo que a qualidade é o mais importante.

abs.

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