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Especialistas descartam título de 'gênio' ao analisar Mark Zuckerberg, o 'homem do ano'



A foto acima foi colocada por mim e não pertence à matéria do UOL reproduzida abaixo:

 

24/12/2010 - 07h00 / Atualizada 24/12/2010 - 10h23

Especialistas descartam título de 'gênio' ao analisar Mark Zuckerberg, o 'homem do ano'

JULIANA CARPANEZ||Do UOL Tecnologia
 
  • Jose Sanchez/AP

    Mark Zuckerberg criou em 2004, aos 19 anos, aquela que se tornaria a rede social Facebook

Mark Zuckerberg criou em 2004, aos 19 anos, aquela que viria a se tornar a rede social Facebook, hoje com mais de 500 milhões de usuários. A revista “Fortune” estima que sua fortuna seja de US$ 6,9 bilhões, a “Time” o elegeu o homem do ano e há, em cartaz, um filme contando a história da origem de sua empresa. Em 2010, Zuckerberg é “o cara” quando se fala em redes sociais. Mas especialistas brasileiros nessa área, ouvidos pelo UOL Tecnologia, preferem deixar de lado adjetivos como “gênio” e “visionário” ao tratar do jovem de 26 anos. Para eles, o norte-americano soube como oferecer aos internautas uma ferramenta de qualidade, quando o público já estava interessado em conectar-se virtualmente com seus amigos, parentes e conhecidos. Para os especialistas, Zuckerberg é o “cara”, sim. Mas aquele cara da hora certa e do lugar certo.


“Ele foi um sortudo competente. Sua plataforma, por exemplo, não é inovadora: do ponto de vista de arquitetura, seu recurso mais potente é a narrativa sequencial, algo criado pelo Twitter. O Facebook ganhou força mesmo quando outras redes sociais já haviam quebrado a primeira resistência das pessoas em usar essas ferramentas”, explica Luiz Algarra, consultor de inovação e fundador da Papagallis (empresa que promove ativação de redes sociais).

“O site surgiu com um formato enxuto, objetivo e com bom desempenho [quando os brasileiros, por exemplo, ainda enfrentavam quedas com o Orkut]. Ele observou o que já existia no presente digital e estruturou tudo isso de uma boa forma para os usuários. Ainda assim, a sorte contou: alguém tomaria esse lugar que foi ocupado pelo Facebook.”

É meu!
Augusto de Franco, um dos articuladores da Escola de Redes, afirma que, se considerado o número de usuários, o Facebook é realmente um site de sucesso. Mas, se levadas em conta as tendências, a história é outra. “Ele vai contra o que chamamos de distribuição da rede social e centraliza as informações. Não devemos caminhar para colocar os dados nas mãos de uma única pessoa ou empresa, que terá então a posse e controle de nossos dados”, defende. “O Facebook gaba-se de ter 500 milhões de usuários. Seria preferível ter 1 mil Facebooks com 500 mil pessoas cada.”

  • Reprodução/Facebook

    Foto de Mark Zuckerberg, divulgada pelo Facebook, quando o site atingiu de 500 milhões de usuários

O especialista cita declarações de Tim Berners-Lee, fundador da web, segundo quem as redes sociais querem os dados de internautas, mas não os compartilham com outros sites. "Quanto mais esse tipo de arquitetura ganhar espaço, mais a web se tornará fragmentada e, consequentemente, menor será o ambiente onde as pessoas poderão compartilhar conteúdo de modo universal", afirmou Berners-Lee. Por isso, conclui Franco, o Facebook está na contramão das tendências e, se continuar assim, pode mostrar-se um (grande) sucesso momentâneo.

Luiz Algarra, da Papagallis, é da mesma opinião. “Não consigo pensar nas pessoas daqui a dez anos usando o mesmo Facebook. Por outro lado, não imagino o site se reinventando para transformar-se completamente. Pode se tratar de um sucesso momentâneo, mas não dá para dizer quanto ele vai durar.” Ainda segundo o especialista, a rede vai agregar uma massa enorme de usuários, mas não tem a plasticidade necessária para acolher “idéias e sacadas” que jovens desenvolvedores estão produzindo em todo o mundo, a todo momento. É possível criar aplicativos para o site, mas as limitações seriam menores caso a plataforma não fosse controlada por uma única empresa.  

“Do ponto de vista da sociedade em rede, o Facebook não é um sucesso. O mundo não está voltado à unificação, mas sim à multiplicação. Baseado na redundância, o modelo do site não será sustentável. Mas Mark Zuckerberg não deve estar pensando nisso: ele é um programador”, reforça Franco, da Escola de Redes.

Motivo de sucesso
O Facebook pode, sim, ter sugido na hora certa, no lugar certo. Mas é claro que, para reunir 500 milhões de pessoas, o site de relacionamentos também tem seus méritos. De Franco acredita, por exemplo, que o visual fácil e amigável da página é um dos principais responsáveis pelo efeito exponencial do crescimento na quantidade de usuários. “Quanto mais pessoas estiverem lá, mais você vai precisar dele e maior será sua utilidade. Foi assim com o telefone e com o fax, por exemplo.” Ele afirma ainda que essa interface atrativa permitiu o desenvolvimento de aplicativos de uso muito fácil.

  • Reprodução

    Mark Zuckerberg, criador do Facebook, é eleito personalidade do ano de 2010 pela revista Time

Apesar de o Facebook ter a posse dos dados dos usuários, Luiz Algarra lembra que o site interage com outras redes [caso do Twitter e Linked In], aumentando de forma natural a lista de contatos dos internautas. “O Facebook percebeu que, para crescer, teria de chamar os irmãos mais velhos. E fez isso de forma rápida”, diz o especialista.

Rapidez também é o adjetivo usado por Raquel Recuero, professora e pesquisadora do programa de pós-graduação lingüística da Universidade Católica de Pelotas, para descrever a forma como Mark Zuckerberg abriu seu site para aplicativos de terceiros (com isso, desenvolvedores puderam criar ferramentas como “Farmville”, “Causes”, “Phrases”, “Que coisa de pobre você adora?” e outras -- mais ou menos úteis). Já populares na época dessa abertura, Orkut e MySpace não permitiam esse tipo de contribuição.

Por conta dessa iniciativa e de outras do tipo, Algarra acredita que Mark Zuckerberg soube bem como analisar o momento presente das redes sociais – refletido na adoção de uma estrutura parecida com a do Twitter, por exemplo, já tão bem aceita. “Ele faz direitinho uma ferramenta adequada para o tempo dele. Ele sabe o que está fazendo e chama pessoas parecidas para trabalhar”, define. “Isso não faz dele, no entanto, alguém que enxergue na frente, como é o caso de Steve Jobs.”

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Comentário de Marcilio Riegert em 6 janeiro 2011 às 14:09

Bom, além de concordar com o Augusto de Franco, acrescentoalgumas palavras, mas para não poluir o post, envio o link da RETS que deixaclaro algumas questões. Ser “o cara” não tem nada a ver com programar algocool; o sucesso do Facebook é responsabilidade dos colaboradores que estãousando e nada mais. E olha que ainda nem é útil e com um movimento decolaboração efetivo, são terabytes de ......(usem a imaginação).

 

Devemos lembrar.... se esse rapaz “não tivesse usado, e aquipoderia sair em negrito, usar mesmo,algumas pessoas, as idéias de algumas pessoas, seria provavelmente umprogramador de Harvard que na vida real só se entende com computadores e nãocom gente. Bom, para ilustrar minhas palavras, segue o link. http://www.rets.org.br/?q=node/806.

 

Gilber, não escrevi isso para ir contra o seu post,considero valido, mas o FB realmente precisa melhorar e de forma colaborativa enão em busca das informações para ofertar o que o sistema acha que o usuárioquer... uma rede é muito mais do que isso. Tanto é que estamos na Escola de Redes... para trocar e aprender. Abraços.

 

Comentário de Augusto de Franco em 24 dezembro 2010 às 15:02
Acabar vai, Gilber. Nada dura para sempre. Ficará como tantos outros. Como remanescência. Mas esta não é a discussão, não, pelo menos a que coloquei. Como já disse aqui em outra conversa:

Em termos tecnológico-sociais, o grande desafio hoje, ao contrário do que reza a metafísica que esse Mark Zuckerberg – o chefe do Facebook – quer nos empulhar – para torná-la, a sua plataforma proprietária única, a própria rede e não mais uma ferramenta –, é construir os inumeráveis interworlds que serão as novas internets.

O Facebook tem 500 milhões de usuários? É ruim. Seria melhor ter 500 mil plataformas com mil usuários cada uma, conversando entre si... Tudo que não precisamos agora é reeditar a ilusão hierárquica de um mundo único. Uma sociedade em rede é uma configuração de miríades de Highly Connected Worlds interagentes. Essa é a única mudança verdadeiramente sustentável: tudo que é sustentável tem o padrão de rede porque rede é redundância de processos e abundância (diversidade) de caminhos.
Comentário de Gilber Machado em 24 dezembro 2010 às 14:32

Gênio, empreendedor ou enganador! São apenas opiniões diante de um fato inquestionável: 500 milhões de usuários e o mérito de sair na capa da Time.

 

Acreditar que o FB vai acabar é o mesmo papo de que o rádio, TV, Jornal Impresso vão acabar. A segmentação vai existir e a massificação também, novas modas vão pegar, e outras não... como foi dito no filme "Its like fashion, fashion never ends". E o capitalismo vai depender de um processo contínuo de produção de itens desnecessários de consumo, e tudo isso depende de muita moda! :)

 

Acredito q vamos manter o nosso perfil do FB em uso por muitos anos, porque nossos amigos vão estar lá, e as pessoas querem isso: comodidade para acompanhar a vida alheia e falar sobre o seu cotidiano. Por isso o Orkut com todas as suas limitações continua tão presente na vida do Brasileiro.

 

No mais, uma parcela menor da população vai buscar formas mais independentes de manter suas redes, como é o caso da E_R.

 

E aderindo ao pragmatismo contemporâneo, convenhamos, grande mérito do Mark que foi lá e fez!

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