Escola de Redes

Desespero em looping

Muito difícil forçar uma clusterização cooperativa. As pessoas privadas priorizam, em primeiro lugar, o seu trabalho privado (sua fonte de renda, com isso não se brinca), em segundo lugar os seus relacionamentos privados (namorado, namorada, esposa, esposo, filhos, família), em terceiro lugar a sua carreira privada (fazer seu nome, construir e divulgar sua persona, investir na sua reputação, perseguir a fama e, em alguns casos, conquistar riqueza, poder ou títulos). No tempo que sobra, se sobrar, as pessoas privadas cultivam, seletivamente, seus relacionamentos de amizade. Mas o amigo - aquele que amamos incondicionalmente, sem instrumentalizá-lo para manter ou alcançar qualquer um dos objetivos mencionadas acima - é o que nos salva, é aquilo que escapa de propriamente humano nisso tudo (sim, em todo o restante repetimos padrões da sociedade hierárquica). Agora imaginem como seria fantástico termos amigos não privados, não escolhidos seletivamente, mas escorridos ao acaso, do fluxo interativo da convivência social, para o nosso colo Amigos nossos que fossem também amigos entre si, mas sem nunca conformar um grupo proprietário e fechado. Amigos que não fossem uma espécie de recreio ou respiro de um trabalho vivido como pena. E que o nosso trabalho fosse realizado como amizade: o trabalhar como se comprazer na convivência com os amigos, já pensaram? E que nossos namorados e namoradas, esposos e esposas, filhos e pais fossem também e primeiramente nossos amigos e amigos de nossos amigos. E que aquilo que chamamos de nossa carreira fosse nada mais do que uma trajetória de experiências pessoais, intransferíveis e únicas para cada um de nós, porém compartilhadas - e convividas - com nossos amigos. Amigos sem os quais não poderíamos saber quem somos. Para mim este é o sentido da migração que poderemos fazer, se quisermos, de mundos sociais (ou antissociais) povoados por pessoas privadas para clusters de convivência cooperativa configurados por pessoas comuns. Mas é muito difícil forçar uma clusterização cooperativa. As pessoas privadas priorizam, em primeiro lugar...

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Comentário de Solange das Graças Seno em 31 janeiro 2016 às 9:01

Olá Augusto!! Muito bom seu texto. Tive que pesquisar sobre a palavra clusterização, que para mim é um termo novo. Amei seu significado e fiquei pensando na maravilha desse processo de clusterização cooperativa. Quando lançamos na rede nossos pensamentos que se formam através de nossas experiências, aproximamos pessoas que se atraem por eles e muitas vezes perdemos a dimensão da influência que podemos ter na vida de pessoas totalmente desconhecidas e como a troca pode ser enriquecedora. Nesse contexto podemos falar de amizades que se formam e fogem ao convencional, sendo tão prazerosas,  que a criação de um espaço como esse não se força o trabalho num objetivo comum, mas ele floresce de maneira natural e amena. Talvez num tempo diferente daquele que o idealizador se impõe, mas de maneira como deve ser. Um abraço fraterno

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