Escola de Redes


Ôpa! Um consultor entregando o "caminho das pedras"? Mais ou menos. Faço esse tipo de coisa por vingança, como diz meu amigo José Pacheco (referindo-se às suas experiências inovadoras de educação). Enquanto a turma dos consultores cultiva uma certa ética corporativa do segredo - que poderia ser descrita assim: "Não revelo nada do que faço, disputo palmo-a-palmo com você, mas não lhe ataco abertamente (não seria "ético") e assim mantemos a coexistência pacífica entre nós num sistema de equilíbrio competitivo" - faço o inverso. Por teimosia, que seja. Ou talvez porque queira mesmo fazer redes e não bunkers para me proteger do meio exterior. Não acho que o meio seja exterior. 

Em geral a galera que anda um pouco obcecada por monitorar redes sociais inventa métricas de rede inúteis, quando não prejudiciais. Acho que isso acontece por dois motivos.

O primeiro motivo é que os que fazem isso não sabem bem o que é rede: a) confundem descentralização com distribuição; b) confundem participação com interação; e c) confundem o site da rede com a rede (ou seja, tomam - equivocadamente - as ferramentas, as mídias, as plataformas, pelas pessoas interagindo). Quando falam em monitorar as redes sociais, em geral essas pessoas querem medir a audiência de uma mídia qualquer (um site, um blog, uma plataforma) e aí ficam fazendo besteiras (como contar clics).

O segundo motivo é que os que fazem isso tomam as redes, instrumentalmente, como um artifício organizativo para alcançar e influenciar mais gente, não raro para ter mais poder, riqueza, conhecimento atestável por títulos ou fama; em suma, para produzir um resultado (esperado). Mesmo os que estão querendo mudar o mundo, salvar o planeta, transformar a sociedade, têm essa visão instrumental das redes. Acham que as redes são algum tipo de instrumento para produzir a mudança e então não podem ver que elas já são a própria mudança. Usar a rede para alcançar um resultado esperado é, de certo modo, se fechar para os resultados inesperados (como dizia Heráclito - ou a ele se atribui o dito - "espere o inesperado ou você não o encontrará"). 

Quem tem um resultado esperado precisa de um indicador (e, portanto, de métricas) para saber se tal resultado foi alcançado. É daí que vem essa mania de forjar indicadores de rede. Indicadores que, em geral, indicam tudo - menos o que é próprio da rede: o resultado inesperado que emerge, que se configura a partir da interação fortuita (não planejada), que brota da auto-organização.

Muito bem. Mas digamos que uma rede social propriamente dita - quer dizer, composta por pessoas interagindo - tenha como um de seus instrumentos de netweaving uma plataforma. Neste caso, o que se pode medir nessa plataforma?

Costumo dizer que a única coisa que se pode (e se deve) medir é a interatividade. Vejamos alguns exemplos. Tréplicas indicam mais interatividade do que réplicas. Réplicas indicam mais interatividade do que posts não comentados. Alta velocidade com que roda a timeline (ou registro de atividades) indica mais interatividade do que baixa velocidade (pouca renovação), desde que tais atividades sejam realizadas por pessoas diferentes (e aí podemos ter um outro indicador: a diversidade das pessoas que interagem num dado intervalo de tempo). Porcentagem das pessoas que leem mensagens difundidas (ou responsividade, que pode ser sofrivelmente medida por views por dado intervalo de tempo), embora tal indicador seja fraco: num gradiente de interação (adesão => participação => interação), essa métrica capta mais adaptação e participação do que propriamente interação (ainda que toda adesão e toda participação impliquem algum grau de interação).

Outra maneira de medir a interatividade é pelo avesso, identificando os bloqueios de fluxos, número de filtros ou estações intermediárias que uma pessoa tenha que passar para chegar a qualquer outra pessoa conectada à mesma plataforma. Na verdade, aqui estamos medindo a fenomenologia da interação chamada crunching (amassamento ou efeito Small World Networks). O número de intermediários fornece o comprimento da corrente, a extensão característica de caminho ou os graus de separação. Parece que no Facebook esse número era algo em torno de 3,8 ou 3,9 no final de 2011 (salvo engano). Quanto menores os graus de separação, mais interatividade. Como não há uma equação para calcular isso, teremos que chegar a esse número empiricamente, a partir de experimentos.

Sabemos, porém, que a interatividade é função direta da conectividade que, por sua vez, é função direta do grau de distribuição. Em 2009 propus uma equação - para efeitos exclusivamente demonstrativos (não analíticos) - capaz de medir os graus de distribuição de uma rede a partir do número de conexões, do número de nodos desconectados com a eliminação do nodo mais conectado e do número de conexões eliminadas com a eliminação do nodo mais conectado. O número de conexões - a única variável inequívoca nesta equação, demonstrável matematicamente - pode ser calculado, como se sabe, pela equação trivial (N - 1).N/2, onde N é o número de nodos (1). De qualquer modo, quanto maior o grau de distribuição, mais interatividade.

Em geral, os que são mais obcecados em medir tudo - inclusive as redes - para "entregar resultados", são os gerentes as empresas. Sim, são os gerentes de empresas, que desperdiçam tempo e dinheiro tentando inventar e aplicar métricas de rede. Em abril deste ano (2013), escrevi um texto chamado Métricas de rede em empresas (2), no qual assinalo que "a rede é um "bicho vivo", quer dizer, autocriativo. Métricas de rede não podem avaliar o que a rede não é. Não podem avaliar o produto... e sim o processo que mantém o corpo-vivo (segundo um padrão alostático de explicação). Não podem avaliar o desempenho de um instrumento, a eficiência de uma ferramenta, a eficácia de uma ação, a efetividade (ou o impacto) de uma iniciativa planejada ou a obtenção de um resultado esperado. Mil vezes melhor seria jogar tudo isso no lixo para observar o surgimento de resultados inesperados. Sim, a criação (ou a inovação) é sempre um resultado inesperado. E a inovação refrata sempre um processo de rede acontecendo no íntimo de um emaranhado humano: subterraneamente, crescendo escondido como um grão germinando".

Depois de várias investigações teóricas e práticas cheguei à conclusão de que avaliar a percepção que os membros da rede têm dos bloqueios de fluxos a que estão submetidos, pode fornecer indicações importantes de (falta de) interatividade. Elaborei então um questionário de múltipla escolha capaz de ser aplicado a um empresa para medir, pelo avesso, a interatividade nos seus ambientes virtual, físico e de desenvolvimento (ou inovação; sim, é a mesma coisa).

AMBIENTE VIRTUAL

1 - Você consegue assistir em qualquer lugar da empresa um vídeo no Youtube sem interrupção (usando a conexão da empresa)?
1. Nunca
2. Algumas vezes
3. Na maioria das vezes
4. Sempre
5. Não sei

2 - Você pode usar seu notebook, seu smartphone e seu tablet em qualquer lugar da empresa?
1. Não
2. Somente em alguns lugares
3. Sim, mas apenas utilizando minha própria conexão
4. Sim, utilizando minha própria conexão ou a conexão da empresa
5. Não sei

3 - Você pode usar o Twitter, o Facebook ou outra mídia social de sua escolha no ambiente de trabalho?
1. Não
2. Sim, mas não utilizando a conexão da empresa
3. Sim, mas somente em períodos fora do meu horário de trabalho
4. Sim
5. Não sei

4 - Você pode fazer download e upload de conteúdos no ambiente de trabalho nos equipamentos da empresa (usando Dropbox, Google Drive e assemelhados, 4Shared, Slideshare, Torrent etc.)
1. Não
2. Download sim, mas upload não
3. Sim, com restrições (somente em alguns sites)
4. Sim
5. Não sei

5 - Você pode baixar aplicativos usando a conexão da empresa?
1. Não
2. Sim, mas somente os previamente autorizados
3. Sim, mas tenho que pedir permissão antes
4. Sim
5. Não sei

6 - Você pode acessar Youtube, Vimeo ou outra plataforma de vídeos (streaming) de sua escolha no ambiente de trabalho (usando a conexão ou as máquinas da empresa)?
1. Não
2. Não, somente nos sites previamente autorizados
3. Sim, mas tenho que pedir permissão antes
4. Sim
5. Não sei

7 - Você pode usar vários navegadores (além do IE; e. g., Chrome, Firefox, Safari etc.) nas máquinas da empresa?
1. Não
2. Sim, mas somente os previamente instalados
3. Sim, mas tenho que pedir permissão antes
4. Sim
5. Não sei

8 - Você pode acessar qualquer site nas máquinas da empresa?
1. Não, há uma lista de sites proibidos (bloqueados)
2. Sim, mas ficarei responsáveis pelos eventuais prejuízos causados ao sistema
3. Sim, com exceção daqueles que violam a lei
4. Sim
5. Não sei

9 - Sua empresa adota algum programa de e-mail web com mais de 5GB (como, por exemplo, o Gmail ou o Ymail)?
1. Não
2. Não adota mas permite que eu use qualquer programa de e-mail de minha escolha nas comunicações internas
3. Adota um programa proprietário de e-mail web mas com menor capacidade
4. Sim
5. Não sei

10 - Sua empresa adota alguma plataforma de rede aberta à interação de seus funcionários?
1. Não adota nem permite a utilização de qualquer plataforma
2. Não adota mas permite a utilização em certas áreas ou departamentos
3. Adota mas não a utiliza como meio ("oficial") de comunicação interna ou como canal precípuo para o fluxo de gestão
4. Sim 
5. Não sei

11 - Sua empresa utiliza recursos digitais disponíveis na nuvem para realizar reuniões virtuais (áudio e vídeo), compartilhar conteúdos e atender clientes (e outros stakeholders) ao vivo?
1. Não permite a utilização de recursos na nuvem para qualquer fim
2. Não, mas permite a utilização eventual com autorização prévia
3. Sim, mas somente para alguns fins predeterminados
4. Sim
5. Não sei

12 - Sua empresa utiliza o Twitter, o Facebook e outras mídias sociais (gratuitas ou não) de modo contínuo (ou com regularidade)?
1. Não
2. Sim, mas não de modo contínuo (ou com regularidade)
3. Sim, mas apenas para fazer marketing e RP
4. Sim, inclusive para interagir com os clientes e stakeholders em geral e com o público
5. Não sei

AMBIENTE FÍSICO

13 - Existem nas instalações da empresa espaços livres ou ambientes compartilhados nos quais os funcionários possam desenvolver individual ou coletivamente as atividades que desejam?
1. Não
2. Sim, mas somente podem ser usados com autorização e agendamento prévio fora dos horários de trabalho
3. Sim, mas somente podem ser usados com autorização prévia
4. Sim
5. Não sei

14 - Existem nas instalações da empresa espaços e equipamentos de recreação e/ou apropriados para descanso, leitura, reflexão, meditação.
1. Não
2. Sim, em parte, mas somente podem usados fora dos horários de trabalho
3. Sim, mas somente podem ser usados com autorização prévia
4. Sim
5. Não sei

15 - Do ponto de vista da arquitetura do interior, da decoração e dos equipamentos e mobiliário disponíveis, as instalações de sua empresa configuram um ambiente agradável?
1. Não, os espaços físicos são monotonamente semelhantes e não configuram ambientes onde eu gostaria de passar a maior parte do meu tempo
2. Sim, o ambiente é bem decorado (de bom gosto), mas falta escala e feição humanas
3. Sim, o ambiente é tão agradável que gosto de passar lá boa parte do meu tempo
4. Sim, se pudesse eu até moraria lá pois é tão agradável ou mais do que minha própria residência
5. Não sei

16 - Existem restrições quanto à indumentária (por exemplo, obrigatoriedade de uso de termo, gravata ou proibição de uso de bermudas e tênis, bonés, camisetas etc.)?
1. Sim, o uniforme e obrigatório
2. Sim, há restrições quanto à indumentária (como as citadas na pergunta ou algumas delas)
3. Não, com exceção do que pode colocar em risco a segurança no trabalho ou prejudicar o desempenho de funções necessárias ao cumprimento dos objetivos do negócio
4. Não
5. Não sei

17 - Existe controle de presença e horário?
1. Sim
2. Sim, existe controle de entrada e saída (exigência de comparecimento ao local de trabalho verificado por crachá magnético, cartão de ponto ou livro de registro).
3. Sim, mas apenas banco de horas (ou mecanismo assemelhado)
4. Não, o controle é exercido coletivamente pelas próprias equipes de trabalho
5. Não sei

18 - Os funcionários podem circular livremente por todos os espaços da empresa?
1. Não
2. Sim, salvo nos casos em que isso pode prejudicar o desempenho de funções vitais para a realização do negócio
3. Sim, salvo nos casos em que isso coloca em risco a segurança no trabalho
4. Sim
5. Não sei

AMBIENTE DE INOVAÇÃO

19 - Reuniões de alinhamento (ou assemelhadas) consomem, em média, quanto do seu tempo de trabalho diário?
1. Mais de 80%
2. Mais de 60%
3. Mais de 40%
4. Mais de 20%
5. Não sei

20 - A empresa permite que funcionários trabalhem fora de suas instalações (home office, out office, coworking externo etc.).
1. Não
2. Sim, mas somente por determinação dos chefes, em locais previamente designados
3. Sim, desde que com autorização prévia a partir de solicitação com exposição de motivos
4. Sim
5. Não sei

21 - A empresa adota sistemáticas de trabalho por projeto (realizado por equipes)
1. Não
2. Sim, em alguns casos, com equipes autorizadas (constituídas por membros nomeados) e dirigidas por coordenadores (líderes) designados
3. Sim, em algumas áreas ou departamentos, sempre sob supervisão das respectivas diretorias
4. Sim
5. Não sei

22 - A empresa adota indicadores de inovatividade (ou criatividade) para avaliar funcionários e equipes?
1. Não
2. Sim, adota indicadores de resultado que levam em conta a inovação e outros fatores sempre relacionados, porém, à metas de crescimento e de produtividade (ou lucratividade)
3. Sim, adota indicadores de resultado e desempenho que levam em conta a inovação e outros fatores sempre relacionados, porém, à metas de crescimento e de produtividade (ou lucratividade)
4. Sim, adota indicadores de inovatividade (ou criatividade) relacionados a outros fatores como a satisfação dos colaboradores e demais stakeholders, a reputação da marca, a organicidade do ecossistema empresarial, o aumento das chances de sustentabilidade do negócio (aptidão para mudar tempestivamente em congruência com a mudança das circunstâncias) e capacidade de geração de novas constelações de negócios
5. Não sei

23 - A empresa recompensa os funcionários pelas inovações efetivas que tenham introduzido?
1. Não
2. Sim, por meio da distribuição de bonus ou por meio do aumento de rendimentos ou proventos ou, ainda, por meio de promoção funcional e reconhecimento
3. Sim, repartindo com eles parte dos ganhos obtidos com a adoção da inovação introduzida 
4. Sim, transformando-os em empreendedores associados aos novos negócios surgidos a partir da inovação introduzida
5. Não sei

24 - A empresa permite a formação de comunidades de projeto (equipes emergentes) por iniciativa dos próprios funcionários?
1. Não
2. Sim, mas somente com autorização expressa das respectivas chefias
3. Sim, mas somente em algumas áreas ou departamentos
4. Sim
5. Não sei

25 - A empresa toma iniciativas para convocar, recolher, encaminhar, prototipar e eventualmente implementar alguma mudança (ou invenção) de processo, produto, serviço ou gestão proposta pelos funcionários?
1. Não
2. Sim, mas somente no tocante àqueles processos, produtos ou serviços específicos demandados pelas direções
3. Sim, mas somente em algumas áreas ou departamentos em processos determinados e implantados pelas respectivas direções
4. Sim
5. Não sei

26 - A empresa adota algum processo de crowdsourcing?
1. Não
2. Sim, a partir de chamadas centralizadas feitas por áreas ou departamentos previamente autorizados para tal
3. Sim, mas os seus próprios funcionários não podem participar desses processos
4. Sim
5. Não sei

27 - A empresa adota algum processo de cocriação?
1. Não 
2. Sim, mas aberto somente à funcionários previamente designados
3. Sim, mas aberto somente à funcionários previamente designados e a outros stakeholders escolhidos
4. Sim, aberto inclusive ao público interessado
5. Não sei

28 - A empresa adota algum social game?
1. Não adota nem permite
2. Não adota
3. Sim, mas apenas para estimular a criatividade de seus funcionários
4. Sim, inclusive para converter algumas rotinas de trabalho em jogo
5. Não sei

29 - A empresa permite (ou estimula) que os funcionários se dediquem a seus próprios projetos pessoais durante uma parte do tempo de trabalho remunerado por ela?
1. Não permite
2. Permite e estimula que isso seja feito em até 1 dia por mês
3. Permite e estimula que isso seja feito em até 2 dias por mês
4. Permite que isso seja feito em mais de 2 dias por mês
5. Não sei

30 - A empresa permite que seus funcionários trabalhem em outras empresas?
1. Não
2. Sim, desde que trabalhem fora do tempo remunerado pela empresa em suas próprias empresas (mas não de terceiros)
3. Sim, desde que trabalhem fora do tempo remunerado pela empresa
4. Sim
5. Não sei

Essas perguntas, aplicadas aos funcionários e demais stakeholders de um empresa, têm como objetivo levantar elementos para avaliar os graus de interatividade, conectividade e distribuição a partir da percepção das pessoas que compõem a organização (incluindo o seu ecossistema mais próximo, em até 2 graus de separação). A partir daí elaborei uma equação - uma espécie de termômetro (ou fluxômetro) - capaz de medir, continuamente, se o ambiente é mais ou menos favorável à inovatividade.

Inovatividade? Sim, inovatividade, uma coisa que não tem a ver com o número de inovações e, muito menos, com índices de sucesso de vendas de inovações introduzidas (como, tolamente, ainda calculam as empresas). A inovatividade é a capacidade sistêmica de inovar tempestivamente, continuamente ou intermitentemente. E ela também vai na razão direta da interatividade. Mas este já é outro assunto.

REFERÊNCIAS

(1) Cf. http://www.slideshare.net/augustodefranco/o-poder-nas-redes-sociais...

(2) Cf. http://www.slideshare.net/augustodefranco/mtricas-de-rede-em-empresas

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Respostas a este tópico

 "o resultado inesperado que emerge, que se configura a partir da interação fortuita (não planejada), que brota da auto-organização." ...

Não tenho muito a acrescentar neste primeiro momento. Queria apenas dizer que a verdade, a força e a vitalidade do texto acima já se constituem em prova concreta sobre a eficiência e a eficácia do modelo de funcionamento em rede aqui defendido...

Acrescento tão somente minha concordância total com a visão descortinada neste texto a propósito do surgimento do novo, ou do inesperado. Bravo!

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