Escola de Redes

Amigos

Falarei de um conceito que estou procurando refinar e aplicar: cadeias de conhecimento.

Em busca de uma estratégia de aprendizagem para melhor desempenho em meus projetos, me ocorreram as seguintes idéias/constatações:

1. me falta domínio sobre diversos conceitos em redes sociais. Mas há suficiente domínio sobre vários desses conceitos na minha rede social, e a Escola de Redes é um de seus componentes importantes.

2. então será que preciso aprender mais, por exemplo, sobre ARS? Sei o suficiente para saber como podem ser úteis, onde podem ser úteis, e como vender a idéia para meu cliente e colocar em seu orçamento. Não basta? O conhecimento mais profundo eu posso encontrar, por exemplo, aqui.

3. portanto, se eu construísse com amigos daqui uma cadeia que me garantisse acesso a esse conhecimento em cada momento no qual precisar, eu poderia focar na minha competência principal, que é a de ajudar o cliente a resolver seus problemas organizacionais, usando ARS ou BPM ou BSC ou wikis ou seja lá o que for.

4. aí me ocorreu a idéia de transpor esse conceito que, no meu caso pessoal, evidentemente se aplica, para a pergunta básica deste grupo, sobre os modelos para transição da organização burocrática para a organização em rede.

5. Aí, eu gostaria de discutir exatamente isso, com quem tenha lido o artigo linkado acima:
- na SUA organização seria aplicável o conceito de cadeias de conhecimento JÁ?
- poderia acontecer de forma pontual e gradual, sem uma mudança cultural profunda nas suas rotinas defensivas hierárquicas?
- como as cadeias de conhecimento produziriam conexões em rede que pudessem se multiplicar de forma viral?

Estou ansioso por refinar esse conceito, e também por contar com quem de vocês tope estar nas minhas cadeias de conhecimento pessoal, para se linkarem com os meus projetos. Por exemplo, já li demais sobre ARS, não quero aprender a usar Ucinet, nem algoritmos matemáticos etc. E nem dá tempo, pois o conhecimento que me falta sobre um outro tema (digamos, CMMI) é mais precário do que o que já tenho sobre ARS. Porém aqui nesta rede certamente há quem saiba tudo que eu gostaria de saber, e faça em 30 dias o que eu levaria 90 dias para aprender.

Meu aprendizado principal na Escola de Redes terá sido, neste caso, especialmente a construção de vínculos e capital social com essas pessoas, pois poderei contar com elas e vice versa.

Gostaria então de discutir este conceito aqui, e jogar para outro espaço, o de Profissionais, a discussão sobre quem pode fazer o que num projeto que envolva a ativação de redes sociais numa organização ou numa causa.


Um grande abraço
Sérgio Storch

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Respostas a este tópico

Olá Sérgio,
Entendi sua idéia e gostaria de dar uma contribuição rápida. Sim, precisamos saber onde o conhecimento está e fazê-lo fluir. Preocupo-me, entretanto, com a metáfora da cadeia. Uma cadeia de suprimentos, por exemplo, é muito diferente de uma rede de suprimentos. Existem muitas redes de suprimentos na natureza, como as que suprem as necessidades de uma árvore gigantesca no meio da floresta e elas são imensamente mais complexas em suas relações do que a cadeia de suprimento de uma organização (ou pelo menos do que a organização mapeia ...rsrsrs).
Por outro lado, é preciso que alguns processos aconteçam tanto nas organizações quanto na sociedade e eles podem ser entremeados por redes que os atravessam. Vejo que nas organizações, apesar da gestão por processos ser muito lógica e necessária, ela esconde as redes que afetam e são afetadas pelo processo.
Acho a idéia de saber o que o outro sabe essencial para trabalharmos aqui. Para mim, o insight básico da rede foi colocado por um colega americano: "eu guardo conhecimento nos meus amigos".
Sugiro prestarmos atenção ao que está sendo feito com TAGs. Não sou uma especialista no tema, mas me parece que se nossos conhecimentos fossem corretamente "tageados", seriam facilmente e acessáveis a partir de questões simples.
Acho que podemos analisar o movimento das tags semânticas. Não sei quão novo é, mas fiz uma breve pesquisa e há algumas definições no link http://www.w3.org/2001/sw/sweo/public/UseCases/Faviki/ que na verdade é um estudo de caso. Parece que já existe um movimento para uniformizar o uso de tags (Linked Open Data effort), evitando os erros comuns que acontecem com elas, como a confusão criada em torno de múltiplos significados para a mesma palavra .
No nosso caso, talvez o primeiro passo fosse acordar quais as tags fundamentais para o trabalho a ser desenvolvido e depois tagear nossos posts, cvs, etc. Como sempre, o desafio está em dar relevância a isso para todos os envolvidos.
Oi Luciana, grato pela ótima contribuição.
Vamos refinar?

1. sobre a metáfora da cadeia versus rede. Meu argumento: não são excludentes. Ao contrário, temos a CADEIA de conhecimento e AS REDES de conhecimento, superpostas. Por que? na medida em que o fluxo tem uma macrodireção predominante (da Embrapa para o agricultor), isso configura uma cadeia. Ela não é necessariamente linear, e o fluxo tem entupimentos cognitivos e motivacionais. Só as redes podem passar por cima disso. Não há processo estruturado que possa fazer o conhecimento fluir por cima das barreiras burocráticas, cognitivas e motivacionais. E não se trata de UMA rede, e sim de muitas, pois em cada região, por exemplo, podemos ter necessidade da comunicação em redes distintas, com linguagens distintas etc.

2. Processos escondendo as redes. É isso mesmo. Acho que temos o desafio de integrar à gestão de processos a organização em rede. As próprias ferramentas de automação de processos podem ser usadas para isso, definindo workflows com desvios condicionais. Por exemplo, você e eu podemos nos intersubstituir. Portanto, se a tarefa cai para mim e eu não respondo dentro de 30 segundos, ela é desviada automaticamente para você. Com isso temos processos mais inteligentes. Considere que os ambientes de redes de relacionamento poderão ser integrados a sofwares de workflow, ou BPM, seu irmãozinho mais jovem.

3. TAGS. Sem dúvida, tags são um recurso dos mais promissores, e nós os utilizamos ainda muito pouco. Há muito a ser melhorado, por exemplo a unificação dos tags de vários ambientes numa coisa só, e a personalização da nuvem de tags. Isso tudo está a caminho, mas a dificuldade com eles é a padronização em árvores conceituais hierárquicas (taxonomias, tesauros etc.). Um livro encantador sobre isso é do David Weinberger, "A nova desordem digital". Mas não há panacéias. Os tags não bombeiam perguntas como o que queremos que aconteça numa cadeia de conhecimento. Servem para filtrar o excesso de informação, mas não forçam o fluxo. O conhecimento não flui por si só.

4. O NOSSO CASO. Vc diz: "talvez o primeiro passo fosse acordar quais as tags fundamentais para o trabalho a ser desenvolvido e depois tagear nossos posts, cvs, etc. Como sempre, o desafio está em dar relevância a isso para todos os envolvidos.". Acho que não é o primeiro passo. O primeiro passo é termos uma multiplicidade de agendas compartilhadas, e a partir delas definir os tags relacionados com elas. Por exemplo, eu tenho projetos, e preciso capturar competências aqui na rede para me ajudarem. Tags certamente ajudariam, mas somente depois de haver uma massa crítica de pessoas que estejam sensibilizadas para este objetivo. No grupo que criei, PROFISSIONAIS, apareceu muito pouca gente, e aproveito para fazer aqui o seu marketing e poder captar VOCÊ também. Morde a isca? :-)

Adorei seu comentário. Conte mais sobre você, o que faz, o que busca etc., usando o blog da sua página pessoal. Assim nos conheceremos melhor, e essas coisas passam a rolar.

Um beijo
Sérgio





Luciana Annunziata disse:
Olá Sérgio,
Entendi sua idéia e gostaria de dar uma contribuição rápida. Sim, precisamos saber onde o conhecimento está e fazê-lo fluir. Preocupo-me, entretanto, com a metáfora da cadeia. Uma cadeia de suprimentos, por exemplo, é muito diferente de uma rede de suprimentos. Existem muitas redes de suprimentos na natureza, como as que suprem as necessidades de uma árvore gigantesca no meio da floresta e elas são imensamente mais complexas em suas relações do que a cadeia de suprimento de uma organização (ou pelo menos do que a organização mapeia ...rsrsrs).
Por outro lado, é preciso que alguns processos aconteçam tanto nas organizações quanto na sociedade e eles podem ser entremeados por redes que os atravessam. Vejo que nas organizações, apesar da gestão por processos ser muito lógica e necessária, ela esconde as redes que afetam e são afetadas pelo processo.
Acho a idéia de saber o que o outro sabe essencial para trabalharmos aqui. Para mim, o insight básico da rede foi colocado por um colega americano: "eu guardo conhecimento nos meus amigos".
Sugiro prestarmos atenção ao que está sendo feito com TAGs. Não sou uma especialista no tema, mas me parece que se nossos conhecimentos fossem corretamente "tageados", seriam facilmente e acessáveis a partir de questões simples.
Acho que podemos analisar o movimento das tags semânticas. Não sei quão novo é, mas fiz uma breve pesquisa e há algumas definições no link http://www.w3.org/2001/sw/sweo/public/UseCases/Faviki/ que na verdade é um estudo de caso. Parece que já existe um movimento para uniformizar o uso de tags (Linked Open Data effort), evitando os erros comuns que acontecem com elas, como a confusão criada em torno de múltiplos significados para a mesma palavra .
No nosso caso, talvez o primeiro passo fosse acordar quais as tags fundamentais para o trabalho a ser desenvolvido e depois tagear nossos posts, cvs, etc. Como sempre, o desafio está em dar relevância a isso para todos os envolvidos.
caro Sérgio


- na SUA organização seria aplicável o conceito de cadeias de conhecimento JÁ?
acho que essa pergunta é providencial, porém, acredito que as organizações nem sabem o que são cadeias de conhecimento. É necessário exemplificar alguns cases para despertar o interesse e convencer que este conceito deve ser trabalhado e construído.

como você acha que as cadeias de conhecimento podem ser aplicáveis para pequenas e médias organizações?

outra pergunta que você fez:
- poderia acontecer de forma pontual e gradual, sem uma mudança cultural profunda nas suas rotinas defensivas hierárquicas?
acredito que não tem outra forma de implantar a cultura investigativa de cadeias de conhecimento. Este conceito, a meu ver, deve ser trabalhado de forma sistematizada e lenta.

outra pergunta providencial
- como as cadeias de conhecimento produziriam conexões em rede que pudessem se multiplicar de forma viral?
respondo com outra pergunta: será que o foco é utilizar as cadeias de conhecimento para criarem efeito viral. Será que é possível implantar um sistema de cadeia de conhecimento para pontuar estratégias focais, qualificadas?
Olá Josué, grato pelos comentários.

Exemplifiquei em meu artigo com o case do conhecimento agronômico que deve fluir desde a Embrapa até o Josevaldo, produtor de maçãs.
Vc questionou como o conceito de cadeias de conhecimento poderia ser aplicado a pequenas e médias organizações. Uma primeira resposta que me ocorre, muito parcial ainda, é a seguinte: bombeando conhecimento sobre normas técnicas desde os comitês técnicos da ISO, ABNT etc (dependendo do setor) para o PME, como já é feito de forma incipiente pelo Sebrae, por Associações de classe etc. Digo de forma incipiente porque conheço barreiras ao fluxo de conhecimento que existem em cada uma dessas organizações, e portanto a cadeia tem elos fracos que podem ser fortalecidos. Exemplifico com um caso pontual que observei num projeto: num programa do Sebrae, chamado Sebraetec, um dos benefícios mais apreciados por empresários foi a consultoria subsidiada do Senai. E vi um caso em que o consultor do Senai desenvolveu uma planilha bem simples em Excel para controle de custos de uma oficina de costura, e depois reutilizou esse conhecimento em outras oficinas. Porém a cadeia não ficou sabendo disso, e a planilha que poderia ter sido bombeada para outras localidades não o foi, embora esteja disponível em algum site do Senai, a uma distância de talvez 30 ou 40 clicadas, ou seja, o conhecimento fica estancado.

Na área de gestão do conhecimento fala-se de "sticky knowledge" (conhecimento grudado). É isso mesmo. O conhecimento tem viscosidade, e não flui com facilidade. É preciso bombeá-lo.

Não sei se o exemplo foi satisfatório, mas a discussão pode continuar.

Sobre a última pergunta. Não creio tê-la entendido. Talvez um exemplo possa torná-la mais clara.

Um abraço
Sérgio Storch


Josué de Menezes disse:
caro Sérgio


- na SUA organização seria aplicável o conceito de cadeias de conhecimento JÁ?
acho que essa pergunta é providencial, porém, acredito que as organizações nem sabem o que são cadeias de conhecimento. É necessário exemplificar alguns cases para despertar o interesse e convencer que este conceito deve ser trabalhado e construído.

como você acha que as cadeias de conhecimento podem ser aplicáveis para pequenas e médias organizações?

outra pergunta que você fez:
- poderia acontecer de forma pontual e gradual, sem uma mudança cultural profunda nas suas rotinas defensivas hierárquicas?
acredito que não tem outra forma de implantar a cultura investigativa de cadeias de conhecimento. Este conceito, a meu ver, deve ser trabalhado de forma sistematizada e lenta.

outra pergunta providencial
- como as cadeias de conhecimento produziriam conexões em rede que pudessem se multiplicar de forma viral?
respondo com outra pergunta: será que o foco é utilizar as cadeias de conhecimento para criarem efeito viral. Será que é possível implantar um sistema de cadeia de conhecimento para pontuar estratégias focais, qualificadas?

Oi gente, vamos retomar esta discussão de 2009? Eu a redescobri por acaso no Google, e as questões da Luciana estão hoje bem mais claras para mim. Uma luz nessa discussão é o conceito de Análise de Redes de Valor, de Verna Allee, que esteve aqui conosco no ano passado. Lá se sobrepõem os processos e as redes sociais. Dêem uma olhada.

PS.: É bem provável que a Verna Allee venha novamente em maio, e está tentando deixar a agenda livre para poder participar da CICI.

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