Escola de Redes

Usei o nome "técnico(s) do(s) time(s)", em função de algumas experiências pessoais em redes, nas quais me descobri fazendo algumas coisas que se diferenciam do que faz um facilitador, animador, moderador etc., sendo mais intrusivas do que esses papéis light normalmente são.

Exemplo: ao avaliar o andamento do um wiki de um projeto em rede, constatei o seguinte (nomes fictícios):

- José não respondeu a uma questão, que é da especialidade dela. Isso travou a discussão, e empacou o processo decisório. Quem é que pode dar um toque para ela? É fundamental realimentar a rede com uma resposta. Ah, seria tão bom se a Nádia fizesse isso, pois é amiga do José. Topa, Nádia? Sim? Então... pode ser até amanhã?

- o Ximenes, que colocou uma pergunta sobre a questão da Busca, não teve resposta até agora. Vai desanimar em relação ao nosso processo participativo. Poxa, mas a resposta tem que vir do João, que é daquele departamento que não gosta muito de dizer o que está fazendo antes de estar terminado, belo e faceiro. Será que dá para dar uma cantada no João para que venha trazer o alimento que a rede precisa? Quem é a melhor pessoa para dar essa cantada? Ah, é a Sílvia, que dá carona para o João.

Concordam que esse papel é fundamental?
Vejam que interessante: as ações não se dão todas no virtual, e o técnico do time é o cara que não se prende ao virtual, nem aos sucedâneos virtuais do antigo "memorando interno", mas zela para que as coisas andem. Vai empurrando o processo através de suas impedâncias e da viscosidade organizacional.

Alguém gostaria de trazer referências bibliográficas para esse papel, mais exemplos, mais elementos para o perfil?

São os meus principais questionamentos atuais.

Um abraço a todos
Sérgio Storch

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Respostas a este tópico

Oi Célia
Essa é uma de minhas discussões prediletas, e acho que temos muito a aprender com coisas bem mais antigas. Há um estudo lá dos anos 60-70 de um cara chamado Alex Bavelas, sobre os papeis que surgem numa reunião. Aliás, fucei agora pelo nome dele (li o artigo há 25 anos) e encontrei este verbete na wikipedia: Organizational Communication. Acho que ele traz mais elementos para nossa discussão.

Bem, eu creio que as redes no mundo virtual apresentam um leque de papeis bem mais extenso, e que vale a pena pesquisarmos nessa linha. Não acho que a arquitetura de informação traga respostas para isso, pois lida com a interface conteúdos-pessoas (que é também o campo da comunicação corporativa, certo?). Eu acho que o campo para o desenvolvimento da inteligência em rede está mais na interface pessoas-pessoas, e que há um longo caminho para identificar as competências necessárias para atuação em rede, e para criar ou abrir caminho para que emerjam os novos papeis. Está bem mais no campo da dinâmica de grupo e da antropologia do que na gestão de conteúdo.

Bem, é uma discussão interminável e cheia de links, e estou muito a fim de encontrar pessoas no cara-a-cara para trocar mais sobre isso, não em texto. Vamos nos encontrar?
Convido para que leia meu Cadeias de Conhecimento , me siga no twitter @sergiostorch, e venha a meu workshop sobre Wikis Corporativos, em 22/6. .

Adorei ver você falando em Gramsci, pois meu voto é gramsciano: Roberto Freire (dep federal SP).

Um beijo
Sérgio
Oi Sergio, obrigada pelo feedback. Não consigo ir ao curso, mas topo um encontro sim. Marcamos pela rede, ok?



Sergio Storch disse:
Oi Célia
Essa é uma de minhas discussões prediletas, e acho que temos muito a aprender com coisas bem mais antigas. Há um estudo lá dos anos 60-70 de um cara chamado Alex Bavelas, sobre os papeis que surgem numa reunião. Aliás, fucei agora pelo nome dele (li o artigo há 25 anos) e encontrei este verbete na wikipedia: Organizational Communication. Acho que ele traz mais elementos para nossa discussão.

Bem, eu creio que as redes no mundo virtual apresentam um leque de papeis bem mais extenso, e que vale a pena pesquisarmos nessa linha. Não acho que a arquitetura de informação traga respostas para isso, pois lida com a interface conteúdos-pessoas (que é também o campo da comunicação corporativa, certo?). Eu acho que o campo para o desenvolvimento da inteligência em rede está mais na interface pessoas-pessoas, e que há um longo caminho para identificar as competências necessárias para atuação em rede, e para criar ou abrir caminho para que emerjam os novos papeis. Está bem mais no campo da dinâmica de grupo e da antropologia do que na gestão de conteúdo.

Bem, é uma discussão interminável e cheia de links, e estou muito a fim de encontrar pessoas no cara-a-cara para trocar mais sobre isso, não em texto. Vamos nos encontrar?
Convido para que leia meu Cadeias de Conhecimento , me siga no twitter @sergiostorch, e venha a meu workshop sobre Wikis Corporativos, em 22/6. .

Adorei ver você falando em Gramsci, pois meu voto é gramsciano: Roberto Freire (dep federal SP).

Um beijo
Sérgio

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