Escola de Redes

Quando a Escola-de-Redes foi fundada, em junho de 2008, nos arredores de Curitiba, uma das dificuldades principais foi determinar qual seria exatamente o seu papel. O assunto (redes) é vastíssimo e isso dificultava a delimitação de um campo de investigação e de experimentação. Afinal, depois de uns 6 meses de brainstorming, simultaneamente ao lançamento da plataforma http://escoladeredes.net, surgiu a definição para a E=R (a escola é a rede): "uma rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving". O foco foi estabelecido não pela investigação genérica sobre redes (posto que óbvio numa escola-não-escola de redes) e sim pela criação e transferência de tecnologias sociais (que devem ser entendidas não como tecnologias apropriadas para os pobres e sim como tecnologias de articulação e animação de redes, ou seja, netweaving, como foi explicado no artigo O que são tecnologias sociais: https://goo.gl/6wmAAI)
 
Até chegarmos aos dias de hoje - quando a plataforma da Escola-de-Redes já conta com 12.099 pessoas conectadas - muitas tentativas foram feitas de desenvolver tecnologias de netweaving, em todos as áreas, de processos de rede em empresas até o desenvolvimento de padrões distribuídos de organização comunitária. Na verdade, como a E=R é, realmente, uma rede distribuída, não podemos fazer ideia de quantas iniciativas neste sentido foram desenvolvidas. Simplesmente não sabemos. E nem temos como saber. Tudo que interage clusteriza e só podemos atestar aquilo que nos afeta, ou seja, o que ocorre nos aglomerados em que interagimos com certa recorrência. De minha parte poderia citar numerosas experiências que foram ensaiadas nestes mais de 7 anos, mas gostaria apenas de lembrar uma delas, a mais recente por sinal, a iniciativa de Nabucodonosor: sistemas alternativos ao controle hierárquico.
 
A ideia inicial foi desenvolver tecnologias de rede para ajudar as pessoas a fazer coisas que, em geral, fazemos de modo hierárquico e sob controle de algum centro de comando-e-controle. Todos os sistemas hierárquicos existem para controlá-lo. Em todas as áreas ou dimensões da vida social: finanças, alimentação; saúde; educação; moradia; vestuário; transporte; viagens e hospedagens; comunidade e vizinhança; relacionamentos; entretenimento; comunicação; empreendimentos; política; filosofia, ciência e tecnologia; arte; e espiritualidade.
 
Qual era a nossa hipótese de trabalho? Independentemente da área onde o controle sobre você se exerce, a única coisa capaz de protegê-lo desse controle das organizações hierárquicas são as redes distribuídas. Nada mais. Foi com base nessa hipótese - corroborada por múltiplas evidências - que começamos a pensar em sistemas alternativos ao controle hierárquico em todas as áreas mencionadas acima. Batizamos essa família de sistemas de NABUCODONOSOR, não propriamente em referência ao autocrata que reinou na Babilônia entre 604 e 562 a.C. e sim àquela nave, pilotada por Morpheus na trilogia das Wachowski sisters (1999-2003) The Matrix, que navegava pelos esgotos, esgueirando-se do controle centralizado... Resolvemos começar por finanças e criamos então o sistema chamado NabucoFin (de fintech): um programa de educação financeira (entendida como livre-aprendizagem do uso de instrumentos, operações e tecnologias de rede) que permite a qualquer conjunto de pessoas em interação recorrente aumentar a sua autonomia em relação ao controle hierárquico dos bancos.
 
Se você ficou interessado, dê uma espiada lá: http://nabucodonosor.com.br/

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