Escola de Redes

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Antes de qualquer coisa é preciso pensar na cidade. Foi na cidade murada e fortificada, governada autocraticamente, que nasceu a Universidade como univercidade meritocrática. Será na cidade-rede, a cidade horizontalizada e democratizada, a cidade como rede de múltiplas comunidades, que poderá surgir a multivercidade como expressão de processos de Multiversidade. As novas Atenas onde brotará Multiversidade serão zilhões de comunidades (14).

Não é de um futuro longínquo que se fala aqui. O reflorescimento das cidades é um fenômeno contemporâneo, acompanhante da transição para uma sociedade-em-rede (15). Em outras palavras, é parte da glocalização em curso neste momento, pela qual o mundo, ao contrário do que previu McLuhan, não virou uma aldeia global, mas miríades de aldeias globais, desde que se tornou possível a conexão local-global e o local conectado virou o mundo todo, ou melhor, uma infinidade de mundos interconectados em termos sociais.

Bem... a Multiversidade será rede social, não instituição hierárquica. Isso diz tudo, mas apenas para quem já se desvencilhou das três confusões que impedem o entendimento das redes sociais: i. entre descentralização e distribuição; ii. entre participação e interação; e iii. entre a mídia social (o meio, a ferramenta, o site da rede) e a rede social (as pessoas interagindo por quaisquer meios, físicos ou digitais, segundo um padrão mais distribuído do que centralizado) (16). Tal entendimento é necessário para a compreensão do que vem a seguir, mas, infelizmente, não cabe nos limites do presente texto um tratamento mais detalhado da questão.

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Não há entrada na Multiversidade

Em uma rede, “entrar” é sinônimo de se conectar e interagir voluntariamente. Então “entrará” em um processo de Multiversidade quem estiver disposto a interagir. Não precisa haver qualquer barreira de entrada (como vestibulares, exames de currículo escolar ou provas de títulos). Quem não estiver em condições de interagir, não conseguirá interagir e, consequentemente, não fará parte do processo, não estará “dentro”. Simples assim.

Mais do que isso, como a “entrada” é voluntária, “entrará” quem tiver algum propósito específico. O propósito genérico que levava todos (os que podiam) para as universidades decorria, por um lado, de uma coação social (sobretudo e primeiramente familiar) derivante da expectativa geral de que era preciso “concluir os estudos”, o que só aconteceria com a ultrapassagem dos três obstáculos: do ensino fundamental, do ensino médio e do ensino superior (agora espichado para a pós-graduação e o pós-doutorado – um quarto e um quinto obstáculos adicionais). E, por outro lado, decorria das exigências de empregabilidade. Sem curso superior não se conseguia “um bom emprego” (quer dizer, ser um empregado – preste-se bem atenção: um subordinado! – bem remunerado). Para os empregadores tais exigências nunca foram problema: como os antigos membros da nobreza, que não sabiam ler e escrever mas empregavam pessoas letradas, colocando-as a seu serviço, os empregadores modernos (com diplomas ou sem diplomas) continuam contratando pessoas (com diplomas) para ajudá-los a comandar e controlar outras pessoas (com diplomas e sem diplomas).

Então as pessoas, quando concluíam o ensino médio, ficavam angustiadas sem saber por qual curso superior deveriam optar, mas (as que podiam) praticamente não tinham a alternativa de optar por não fazer curso algum. Em sua esmagadora maioria, não entravam nas universidades para aprender alguma coisa que ardentemente desejassem ou da qual precisassem para desenvolver uma idéia ou concretizar um projeto e sim para conseguir, como diz o samba de Martinho da Vila, um “canudo de papel”, que representava status diferenciado, prestigio e, em alguns casos, privilégios odiosos (como foi o caso, no Brasil e em outros países, da prisão especial para quem tinha curso superior – aliás, mais uma evidência da relação incestuosa entre corporações e Estado e da confusão entre privado e público). E entravam nas universidades fundamentalmente, como já foi dito, para ter mais chances de conseguir “um bom emprego” ou para subir de posto nas carreiras (subalternas) em que já estavam.

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A pesquisa e a aprendizagem-criação

Como a Multiversidade não distribui “canudos”, nela só interagirá quem quiser de fato aprender ou criar, desenvolver ou se integrar ao desenvolvimento de uma idéia, sua ou de segundos e terceiros do seu emaranhado de relacionamentos, assim como quem quiser realizar compartilhadamente algum projeto, em termos teóricos ou práticos. Não porque será proibido entrar sem idéia ou sem hipótese de trabalho (de pesquisa, criação ou empreendimento) e sim porque não se poderá nela permanecer sem interagir em uma comunidade de aprendizagem-pesquisa com propósito específico. Não se trata mais de se submeter a um sistema de ensino com o propósito genérico de sair dele com um atestado de curso superior. Não há mais ensino, não há mais curso e não há mais o status de superior.

Ora, isso muda tudo. Devolve ao desejo o seu papel de sondar e antecipar futuro. E abre ao aprendente-criador a possibilidade de explorar outros mundos e de construir seus próprios mundos em rede. Isso significa permanecer aberto à interação com o outro-imprevisível: você não sabe quem poderá se juntar a você no desenvolvimento da sua idéia e na realização do seu projeto. Você pode sempre abandonar sua idéia original e se dedicar ao desenvolvimento de ideias de outros, juntamente com eles. Você pode compartilhar os seus projetos ou se integrar à realização de projetos alheios. Suas ideias e seus projetos serão polinizados pelas ideias e projetos de outras pessoas. Seu conhecimento, ao ser repartido, será multiplicado. E tudo isso será livre-aprendizagem por co-criação.

Em suma, você aprenderá o que quiser, do jeito que quiser, quando quiser. Como foi dito na Introdução deste texto, você não tem mais que aprender o que querem lhe ensinar e sim o que você precisa para realizar qualquer coisa.

E você será orientado pelos que estão dispostos a lhe ajudar. Se você conseguiu se conectar a uma comunidade de aprendizagem-pesquisa que encontrou um caminho alternativo para esclarecer, por exemplo, certos aspectos ainda obscuros nas teorias da inflação cósmica, você pode estabelecer conexões com Stephen Hawking, Andrei Linde, Paul Steinhardt e Alan Guth. Por que não? Se seu trabalho for consistente, eles serão seus interlocutores. Ou, para dar outro exemplo, se sua comunidade de aprendizagem estiver com dificuldade de compreender o equilíbrio pontuado, não será difícil conseguir ajuda do próprio Niles Eldredge. Nada disso, aliás, esteve proibido no passado e pessoas abertas e inteligentes, realmente interessadas nos assuntos que estão sendo investigados e não na manutenção de alguma ordem pretérita, jamais prestam atenção aos títulos acadêmicos do interlocutor para estabelecer uma conversação com ele e sim ao que ele está dizendo. Mesmo que estejam na Universidade (e quase todos os pesquisadores ainda estão: por falta de alternativas), eles sabem, como disse Plínio Sussekind Rocha (1971), que (mesmo estando em universidades) “você tem que aprender apesar da Universidade” (17).

E agora você já pode pesquisar, elaborar teorias, criar qualquer coisa, fora da Universidade, se tiver os meios para tanto (meios estes que, muitas vezes, não estão disponíveis dentro da maioria das universidades). Mas os recursos fundamentais de que você precisa para fazer qualquer coisa são, fundamentalmente, as pessoas que estão dispostas a interagir voluntariamente com você: seja seus colegas de comunidade de uma aprendizagem sobre, por exemplo, biologia da evolução, seja Richard Dawkins ou Humberto Maturana, se aceitarem ser seus orientadores.

Seus orientadores, sendo partes de uma relação voluntária, podem lhe aconselhar, mas não podem mandar em você. Eles podem até mesmo se recusar a continuar colaborando com você se avaliarem que sua dedicação não está retribuindo o esforço aplicado, podem condicionar sua ajuda ao cumprimento de certas condições, mas não podem exigir obediência.

Relações de colaboração são voluntárias e não implicam obediência. Mas a Universidade – como as demais instituições de manutenção do mundo único hierárquico – se baseia na obediência. Cursar um caminho determinado por outrem é obediência. Se sujeitar a um exame de admissão, se subordinar a um currículo, aos seus pré-requisitos e provações, engolir as ordens de um orientador ex officio, compulsório, se submeter a uma banca – tudo isso é obedecer. Sim... tudo isso ainda é sobre obediência (18).

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A avaliação na Multiversidade

O mesmo vale para a avaliação. Você será avaliado por seus próprios pares ou pelas pessoas – quaisquer pessoas – que tomarem conhecimento de suas ideações e realizações. E agora você também pode escolher seus avaliadores, que poderão aceitar ou não os seus pedidos. Basta que pessoas – com reputação na área de conhecimento em que você está trabalhando – se interessem por seu trabalho e, por exemplo, teçam comentários a ele, para que isso faça parte da sua “wikipedia”, do seu currículo vivo de interações.

Nos processos Multiversidade não haverá instrumentos pelos quais uma instância superior valida o conhecimento e a aprendizagem de um sujeito subordinado após o término de um curso pré-fixado. Haverá, sim, instrumentos pelos quais os sujeitos compartilham, durante seus percursos únicos de aprendizagem-criação, registros de interações e de instantes de trajeto. Esses registros poderão ser veiculados por fotos, podcasts, vídeos, textos longos ou curtos, tweets, enfim, por qualquer via de expressão que os interagentes julguem, cada um deles mesmos, não necessariamente sob nenhum consenso, adequados.

Esses registros interacionais não serão produzidos tampouco com objetivos pré-determinados, nem mesmo para a auto-avaliação ou para a avaliação entre pares. Os registros serão, antes de qualquer coisa, necessidades orgânicas desses processos se conectarem a outras interações. Quanto mais um processo de fazer-aprender desenvolver-se de modo aberto, transparente e público, mais eficiente será um processo Multiversidade.

Aprender em processos de Multiversidade é fazer-compartilhado; fazer-compartilhado é permitir, em qualquer etapa do processo, que novos interagentes “entrem” e “saiam”, clonem ou mutem o processo; os registros interacionais são as materializações, as emanações concretas, do fazer-compartilhado; são as pegadas na areia impressas naturalmente quando um viajante caminha na praia.

Se surgirem pessoas com o interesse de avaliar algum processo singular de fazer-aprender, por qualquer motivo que aflore a essas pessoas, pelos critérios que lhe convierem, essas pessoas poderão ter acesso aos registros interacionais. Pois em Multiversidade não se trata da criação de processos obscuros e alheios à avaliação externa ao grupo interagente, mas justamente seu contrário: aberto e afeito às novas interações, entre elas aquelas sob a forma de julgamento ou juízo de valor. Mas em nenhum momento uma avaliação adquire status privilegiado e valor universal. Nem tampouco terá qualquer poder outorgado para interditar ou “indeferir” o processo avaliado. Portanto não se reedita os “tribunais epistemológicos” do modelo Universidade.

Assim como na vida do formigueiro as formigas secretam feromônios, não como mensagens ou conteúdos, mas como pegadas fugazes de suas interações, induzindo, em um modelo caótico e não-determinístico, as futuras interações do formigueiro, os interagentes dos processos Multiversidade secretam registros interacionais, não para avaliações pré-determinadas, para arquivo-memória ou para obter licenças para “prosseguir”, mas sobretudo para potencializar futuras interações e aumentar a inteligência coletiva da comunidade interagente (19).

Ademais – o que muda tudo, completamente – as avaliações, em grande parte, não serão mais apenas individuais. As comunidades de aprendizagem-criação serão avaliadas pela sua inovatividade e pela sua capacidade de gerar configurações favoráveis à realização de uma atividade. Por exemplo, ainda que médicos tenham sempre que passar por residências médicas e serem avaliados, inclusive por seus pares, antes de poderem exercer suas profissões, teremos comunidades de saúde que serão avaliadas na sua totalidade, como órgãos coletivos capazes de exercer certos papéis.

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Não há saída da Multiversidade

E, talvez o mais importante: não há, jamais, avaliação final. Como você não entrou em uma instituição, você nunca sairá da Multiversidade. Como não há curso (pré-fixado) também não há fim (pré-determinado). Ou seja, não há um obstáculo final, uma barreira de saída. A aprendizagem-criação é permanente ou intermitente, faz parte do “metabolismo”, da vida desse “organismo-vivo” que é o aprendente-criador. Só quem é ensinado pode receber, de quem ensina, o atestado final de que se tornou apto a reproduzir o ensinamento que nele foi instalado. Esta é a expressão final do heterodidatismo: a colação de grau é o rito terminal da igreja do conhecimento, pelo qual os representantes de cada clero acadêmico conferem aos seus adeptos os poderes inerentes à sua nova posição na hierarquia meritocrática e a carta de recomendação para que eles possam assumir certas funções (sempre subordinadas) nas atividades da cidade que estão sob a influência da corporação dos “sábios”. Para o autodidata-alterdidata nada disso faz sentido. Seu currículo estará sempre inacabado, sempre em construção, pois será, como vimos, a história viva das suas interações.

É claro que isso não lhe garantirá “um bom emprego”. Mas se o seu negócio for este, abandonar seu próprio sonho para se subordinar à realização do sonho alheio (que, em geral, nem é compartilhado com você; sim, você não passa de um instrumento, um objeto nas mãos de quem o contratou e a qualquer momento pode descartá-lo), então toda essa conversa, provavelmente, não lhe interessará.

Agora, se você quer ser um investigador, um explorador, um criador, um empreendedor, se você tem ideias, sonhos, disposição para correr atrás deles e realizá-los, então você não precisa de uma universidade para lhe garantir “um bom emprego”. Pode precisar, é claro, para aprender na interação com outras pessoas que já trilharam caminhos de investigação nos temas de seu interesse ou para contar com a ajuda dessas pessoas para realizar seus projetos. Mas, neste caso, você precisa mesmo é da interação, não da instituição. Se houver uma rede que torne possível a realização do seu desejo, ela certamente será um ambiente mais adequado à sua aprendizagem-criação interativa.

Pois bem. Tal rede já existe. É a rede social que conforma as sociosferas em que você vive e se relaciona. Antes você tinha poucos atalhos entre o cluster em que existia e os outros clusters. Não conseguiria, por exemplo (se estivesse vivo na terceira década do século passado), entrar no Círculo de Viena, ainda que dedicasse a isso grande parte da sua vida. Agora, porém, com o aumento vertiginoso dos índices de distribuição, conectividade e interatividade, multiplicaram-se os caminhos. Os mundos ficaram menores em termos sociais. São small-worlds networks. Dependendo dos graus de clusterização dos mundos com os quais você quer se relacionar, os graus de separação se reduzem drasticamente. E você pode encontrar pessoas que terão chances de compartilhar com você temas de aprendizagem e pesquisa ou criação de sua escolha, muitas vezes com menos de três intermediários (embora para a abstrata sociedade global os graus de separação, em dados de 2002, permaneçam em torno de seis) (20).

Não existem somente poucas pessoas que “valem a pena”, como acreditavam os que organizavam inner circles, clubes seletos de investigadores e criadores. Tal impressão era consequência dos baixos graus de interatividade do mundo fracamente conectado. Agora podemos ter não apenas um (ou alguns poucos), mas uma multiplicidade de “Círculos de Viena”.

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Multiversidade é co-criação

O florescimento nos últimos anos de ambientes de co-criação é um dos sintomas da emergência dos processos de Multiversidade. Esses ambientes estão brotando, sob diferentes formas, em vários lugares. A única condição para neles interagir é o desejo de interagir a partir da apresentação de uma idéia ou da livre adesão a uma ideia já apresentada. Configura-se, a partir daí, uma comunidade de aprendizagem-criação que vai desenvolver a idéia. Ideias análogas ou congruentes se relacionarão, polinizando-se mutuamente, reconfigurando as comunidades originais. As novas ideias combinadas são transformadas em projetos (uma espécie de design thinking, mas sem metodologia ou sequência de passos pré-determinada). E os projetos resultantes, teóricos ou práticos, vão então ser realizados, muitas vezes em interação com outros projetos semelhantes ou convergentes. O aprendizado que tal processo proporciona é incomparavelmente maior do que aquele que se pode obter subordinando-se a uma instituição hierárquica de ensino e pesquisa controlada.

Lugares de co-creation tendem a proliferar nas cidades. A multivercidade emergirá na medida em que florescerem experiências glocais na cidade-rede.

O local físico não será abandonado, trocado pelo virtual. A tendência é a que surjam escolas-não-escolas físicas, localizadas e altamente conectadas, para dentro e para fora (e, portanto, globalizadas), em rede. Cada local será o (um) mundo (todo): este é o sentido de ‘glocal’.

A velha Universidade, se não quiser ficar obsoleta, se fragmentará ou se esporalizará, para brotar em muitos lugares físicos e virtuais, como uma rede miceliana, uma floresta de clones fúngicos subterrânea, toda interligada por hifas, imitando a vida, que, como percebeu Lynn Margulis (1998), é “uma holarquia, uma rede fractal aninhada de seres interdependentes” (21).

Mas lugares físicos são extremamente importantes. Lugares frequentados pelos mesmos emaranhados (as pessoas que – carregando sempre consigo suas conexões – comparecem recorrentemente nesses lugares) geram redemoinhos no espaço-tempo dos fluxos, sulcam veredas no território urbano e instalam programas organizadores de cosmos sociais. Ou seja, criam mundos!

É claro que esses mundos serão temporários. Nada dura para sempre e tudo o que tenta fazê-lo torna-se insustentável. Enquanto permanecer a supremacia das instituições hierárquicas, os processos de Multiversidade serão como aquelas zonas autônomas temporárias (TAZ) de Hakim Bey (22). Elas desobedecerão às ordens dos ensinadores. Elas cavarão seus próprios futuros ao removerem camadas e camadas, depositadas umas sobre as outras, em séculos, milênios, de entulho meritocrático, quer dizer, sacerdotal, hierárquico e autocrático.

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Enxames de comunidades na multivercidade

Nada do que foi dito aqui é contra o estudo. É por mais estudo. É pelo estudo autodidata e alterdidata que o heterodidatismo escolar-universitário sufoca ou não estimula.

Não é por menos conhecimento e sim pela multiplicação do conhecimento atualmente produzido. Quanto mais compartilhado, mais cresce e se desenvolve o conhecimento.

Não é por menos cultura, é por mais cultura: não ilhada ou fechada, como na perspectiva multiculturalista e sim aberta a miscigenação – única saída para evitar o seu apodrecimento.

Não é contra a pesquisa orientada. É por mais pesquisa compartilhada. E por superar a separação entre aprendizagem e pesquisa. Aprende-se mais pesquisando do que fazendo exercícios que abordam situações hipotéticas imaginadas por um professor (que muitas vezes nunca pesquisou realmente nada e, portanto, aprendeu pouco). O dito popular “Quem sabe faz, quem não sabe ensina” ilustra bem essa realidade.

Não é contra a chamada extensão universitária. É por torná-la atividade permanente e central, não eventual e lateral ao ensino e à pesquisa. Aliás, a palavra ‘extensão’ já revela uma incompreensão da origem da Universidade como univercidade. Se a instituição não fosse um quisto, uma congregação separada, nem seria necessário cogitar de sua ação “junto à comunidade” (que, aliás, pouca gente leva a sério). Ela estaria entranhada na comunidade. Ou melhor, ela seria enxames de comunidades de aprendizagem-criação, cada vez mais interconectadas. Mas aí não seria Universidade e sim Multiversidade.

Notas e referências

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