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Comentário de Augusto de Franco em 11 fevereiro 2009 às 10:47
Três pontos apenas Clara. Por hora.
1) As redes, quando se instalam, já são a mudança. Não importa para nada o conteúdo do que flui, a cultura das pessoas etc. Importa, somente, o grau de distribuição e o grau de conectividade.
Sei que é difícil aceitar isso.
2) Uma empresa, a meu ver, jamais deveria se preocupar com o tema redes para enfrentar a concorrência, vender mais, aumentar a qualidade e a produtividade. Inclusive toda essa história de marketing viral não passa de uma enganação (pois se fosse possível conhecer o tipping point de antemão, estaria abolida esse tipo de agenciamento que chamamos de mercado) As redes têm uma única "utilidade" para as empresas: se elas quiserem alcançar melhores condições de sustentabilidade.
3) A análise de redes é útil - como você assinalou e inclusive pelos motivos que você assinalou - mas o que quis salientar em meu comentário é que precisamos avançar para uma dinâmica de rede. Para tanto, é necessário investigar o que chamei de espaço-tempo dos fluxos.
Mas tudo isso, como dissemos, merece longas conversas. Abraços.
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 11 fevereiro 2009 às 8:43
Entendo que uma análise é como uma tomografia cerebral, dá pra saber o que está acontecendo com a mente coletiva de uma empresa no momento da análise. Claro que uma rede está em constante mutação. Mas, no geral, a estrutura global permanece a mesma durante um certo tempo apesar das transformações "periféricas". Faço minhas análises sem conhecer a dinâmica interna da empresa. E, apesar disso, quando olho os resultados a dinâmica se apresenta com toda a clareza. Chegam a me chamar de "bruxa" (o que me incomoda imensamente, cá entre nós) tal a precisão que se atinge na análise. Acho que nossa grande dificuldade aqui é que não dá para mostrar uma análise pois tudo ficaria mais claro.

Sim, concordo com o fato de que uma análise é coletiva, não se analisam relações em particular, até porque o índice de imprevisibilidade cresce imensamente, mas entende-se a dinâmica do todo.

Também compreendo que a análise não é, obviamente, um instrumento de mudança é apenas uma compreensão do que ocorre em dado momento. Mas a visão da rede "alavanca" a percepção da dinâmica da rede. Uma rede centralizada em poucos nodos é um grande risco para uma organização. E se por qq motivo se perde um desses nodos, de repente? A rede certamente se regenera, mas até lá (o tempo de "regeneração" é contextual) os teus concorrentes já se beneficiaram. A centralização também pode indicar um delay no tempo de resposta da organização ao mercado. E sem dúvida indica que há pouco aproveitamento da inteligência coletiva.

O que tenho notado é que quando as pessoas vêem os resultados de uma análise começam a compreender o que é uma estrutura de redes e que estão inseridos numa dinâmica coletiva. É mais fácil, a partir daí, começar a falar a linguagem das redes e a buscar "soluções" em rede.

Penso que fundamentalmente as redes ainda não sao a mudança, pois a lógica que permeia as estruturas sociais não é uma lógica de redes. A rede será a mudança quando a lógica dos nodos que a compõem for a lógica de redes. Tanto isso é verdade que aqui mesmo na escola vivenciamos isso. Apesar de todo o conhecimento e discurso que compartilhamos, ainda estamos longe da coerência na nossa vivência. Nossa lógica ainda não é pensar em rede. Aí entra todo o estudo da neurociência/cognição que mostra como processamos/associamos informações e que, penso, devem ser levadas em consideração.

Quando me refiro a "soluções" aplicadas a redes, estou na verdade falando de estímulos. Como é que criamos um novo centro atrator que possa crescer e englobar todo o grupo. Você falou do 1% Augusto, sim talvez seja por aí! Aí vem toda uma discussão de que 1% seria esse...

Concordo que este assunto dá uma conversa muito comprida e rica. Não vejo hora de poder conversar pessoalmente sobre esses temas.
Comentário de Augusto de Franco em 11 fevereiro 2009 às 7:24
Olá pessoal. Bem, como já disse à Clara, não trabalho propriamente com análise de redes. Deixei claro no meu último livro que trato de visões, não de análise. Não que eu não ache útil a SNA. Mas, pelos mesmos motivos já apresentados en passent pela Clara, tudo isso abre margem para um uso instrumental do "mapeamento das conexões", sobretudo quando feito em organizações que se alimentam de um ânimo competitivo ou adversarial. Tenho insistido em um ponto: as redes não são um instrumento para fazer a mudança: elas já são a mudança. Tirar todas as consequências dessa afirmação nos leva para um outro ponto de vista sobre o estudo e a experimentação das redes sociais (distribuídas).

Por outro lado quase toda a análise de rede ainda é estática. Estamos precisando de uma dinâmica de redes. Os métodos utilizados na teoria dos grafos reificam as conexões e criam uma névoa que dificulta a nossa compreensão do espaço-tempo dos fluxos (o espaço onde as redes existem propriamente). As arestas em um grafo, na verdade, não existem no espaço-tempo dos fluxos: a fluição que se estabelece entre dois nodos não deixa rastros (a não ser enquanto queiramos identificar um par ordenado emissor-receptor, o que é prá lá de discutível). É no espaço-tempo dos fluxos que as redes podem ser estudadas, vamos dizer assim, na sua intimidade. E precisamos descobrir as leis que são válidas nesse mundo.

Do ponto de vista físico, rigorosamente falando, o que há são bósons - partículas mensageiras de algum campo (como o foton no campo eletromagnético e outras partículas nos campos gravitacional, forte e fraco) espalhados, do contrário uma mensagem não poderia se "propagar" (coloco entre áspas porque a corrente aqui talvez seja muito mais de condução do que de deslocamento). A SNA contribui para nos fazer acreditar que o grafo é a rede, que o caminho perdura após a fluição ou que um bóson tenha uma trajetória registrável no espaço-tempo físico quando ele só pode ser estatisticamente registrado em/como uma nuvem de probabilidade.

A despeito de tudo isso, entrei neste grupo. Por que? Porque estou interessado em investigar a fenomenologia das redes sociais e que se manifesta em função dos graus de distributividade e conectividade. Estou interessado, particularmente, no clustering, no swarming e no crunch (este último aventado por mim a partir dos estudos do SWN). Desconfio que as duas variáveis realmente significativas aqui são a distribuição e a densidade (ou conectividade), muito mais do que aquelas que tentam captar configurações particulares que afetam cada nodo. Bom, mas isso é assunto para uma longa conversa.
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 9 fevereiro 2009 às 15:40
Caros,
Bem vindos, toda esta articulação virtual é muito nova para mim. Estou em processo de aprendizado, ainda!
Tenho um grande interesse em compartilhar métodos e tecnologias para análise de redes sociais.
Existem no mercado muitos softwares que podem ser utilizados para a análise de redes. A maioria tem como base a síntese feita por Wasserman&Faust no livro Social Network Analysis, Methods and Aplications. O Ucinet é o mais conhecido deles.

Mas, como creio todos sabemos, os softwares são o menor problema, o método de análise é que vai fazer a diferença. Tenho notado que estamos falando de algo que demanda uma nova lógica para a compreensão das relações sociais, e tentando aplicar soluções de desenvolvimento ainda com a velha lógica. A análise de redes pode ser utilizada para começar um processo de transformação organizacional ou como instrumento de poder para executivos. Tive um caso em que o executivo "embolsou" a análise e usou o conhecimento para uma articulação política (que foi bem sucedida, aliás). Penso que há aí toda uma discussão sobre a questão ética da análise de redes...

Outras questões que ponho em pauta são:
1.O que se depreende de uma análise baseada nos fluxos de informação que advém de tecnologias de comunicação? Em outras palavras, quando mapeamos a troca de e-mails (por exemplo) o que descobrimos?
2.O que é interessante investigar numa organização sobre os fluxos de informação?
3.Que estratégias usar na publicação dos resultados de uma análise?
Devem ser publicados integralmente? Apenas uma parte? Ou não devem ser publicados?
4.Quando os resultados apontam redes de baixa densidade relacional, com desconexão entre áreas (que teóricamente deveriam estar conectadas), que tipo de soluções se deve propor? Pontuais?
5.Quando os resultados apontam, por exemplo, numa rede de 100 pessoas, a centralização em dois ou três nodos, com baixo ponto de ruptura, que soluções se propõem?

Enfim, minha intenção com estas perguntas é começar o nosso "multiálogo"....
 

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