Escola de Redes

Neste fórum proponho aos que, como eu, são membros deste grupo (Ajudando a realizar a CIRS) respondam a algumas perguntas sobre o formato e o processo de organização desse evento. As respostas ficam à disposição para produção de outros textos de divulgação da CIRS, assim como todo o conteúdo divulgado na E=R.

Pensei neste formato como um meio de contribuir com a divulgação da CIRS seguindo a mesma lógica de construção coletiva, em rede, também para os conteúdos e a comunicação. Outras perguntas podem e devem ser acrescentadas às que publico agora.

Posso garantir a publicação de uma matéria na seção notícias do site do Programa de Desenvolvimento Local para América Latina e Caribe (www.sp.senac.br/dlamericalatina), e sua réplica no site do Programa Rede Social (www.redesocial.com.br) e no portal Setor3 (www.setor3.com.br). Para a elaboração desse texto vou considerar as respostas postadas até o final do dia 1/3, certo!

Abraços,
Juliana

QUESTÕES (NÃO É NECESSÁRIO RESPONDER A TODAS, MAS É NECESSÁRIO, AO RESPONDER, COLOCAR O NÚMERO DA QUESTÃO CORRESPONDENTE ANTES DA RESPOSTA):

1. Você acha que a proposta expressa na máxima “Organizar sem organização” está se dando de fato na organização da CIRS (justifique a resposta)? Qual dificuldade você encontra para fazer isso acontecer?

2. Na prática, o quê você identifica como maiores dificuldades quando a proposição é a do “construir com” as pessoas?

3. Você participou da escolha dos palestrantes internacionais? E da escolha dos assuntos que serão debatidos na CIRS? De que forma?

4. Para você, esta ferramenta tecnológica (NING) facilita esses processos de proposição e construção conjunta de algo? De que forma? Você teve ou tem dificuldades na utilização desta ferramenta (em caso positivo, cite quais)?

5. Para você, o termo redes sociais como sinônimo de ferramentas tecnológicas digitais contribui para confundir alguma forma o conceito de rede social como prática independente de uso ferramentas? (justifique sua resposta)

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Respostas a este tópico

Em outro lugar vou tratar de algumas questões propostas para mim, em mensagem privada pela Juliana. Neste comentário respondo às questões acima. Não sei se esse tipo de reflexão pode ajudar na divulgação da CIRS, agora, faltando duas semanas para o início do evento. Mas, com certeza, elas servem, e muito, à reflexão coletiva da Escola-de-Redes.

1. Você acha que a proposta expressa na máxima “Organizar sem organização” está se dando de fato na organização da CIRS (justifique a resposta)? Qual dificuldade você encontra para fazer isso acontecer?

Acho que apenas em parte. A CIRS - proposta aqui há mais de um ano - só pode se realizar porque aproveitamos a oportunidade de pegar uma carona na CICI2010 - o evento maior onde estamos constelados. Todo o processo de divulgação da CIRS tem sido distribuído, a partir da cooperação voluntárias de pessoas da Escola-de-Redes. O temário da parte principal da CIRS - o Open Space, hoje com 12 temas - também foi inteiramente construido pela iniciativa distribuída das pessoas. No entanto, o formato inicial do evento no que tange às conferências e duas outras atividades, foi a proposição de poucas pessoas a partir de uma proposição feita por mim. Não tínhamos recursos para trazer palestrantes internacionais? Aproveitamos os que já haviam sido contratados pela CICI2010! Não tinhamos recursos para a infra-estrutura e a logística (incluindo a caríssima tradução simultânea)? Aproveitamos os investimentos já feitos pela CICI2010.

2. Na prática, o quê você identifica como maiores dificuldades quando a proposição é a do “construir com” as pessoas?

Vejo aqui oportunidades para ensaiarmos novas maneiras de fazer as coisas, de modo cada vez mais distribuído (mas não totalmente distribuído, o que só se consegue em clusters com grau máximo de distribuição-conectividade).

3. Você participou da escolha dos palestrantes internacionais? E da escolha dos assuntos que serão debatidos na CIRS? De que forma?

Sim, esta questão 3 já está respondida na resposta à questão 1 (acima). Os palestrantes internacionais foram aproveitados dentre aqueles que já viriam para a CICI2010 (para falar de outros assuntos). Então apenas pautamos um outro assunto para cada um deles, mas esta proposição não foi inventada tão arbitrariamente: Shirky está falando do seu último livro "Here Comes..."; Johnson está falando do seu best seller "Emergência"; e Lévy está falando da sua visão sobre o futuro da investigação sobre redes (o que é uma maneira dele falar a partir das suas investigações atuais sobre IEML). Agora, seria ótimo, tal como ocorreu na escolha dos temas para o Open Space, que as pessoas sugerissem tudo (inclusive quem seriam os palestrantes internacionais): mas, neste caso, elas também teriam que prover a remuneração, as passagens aéreas de primeira classe ou classe executiva, a hospedagem, o transporte local, a alimentação, a tradução simultânea e a recepção. Talvez, neste caso, não tivéssemos conseguido, em tão pouco tempo, juntar tais recursos de forma distribuída.

Mas aproveito esta questão para propor uma reflexão. A CIRS não foi organizada de modo "democrático", entendendo-se por democracia (usada aqui entre áspas, et pour cause) alguma forma de regulação de conflitos envolvendo participação e decisão coletiva. A E=R não se guia por esse tipo de "democracia". Os métodos aqui são mais pluriarquicos, o que significa não propriamente participação condicionada ex ante por um campo delimitado de possibilidades ou "colégio eleitoral", mas livre interação; e nada de decisão coletiva e sim livre proposição que se agrega (ou não) sem necessidade de regulação baseada em administração de escassez. Para entender esse tipo de funcionamento recomendo a leitura do pequeno post "A lógica da abundância".

4. Para você, esta ferramenta tecnológica (NING) facilita esses processos de proposição e construção conjunta de algo? De que forma? Você teve ou tem dificuldades na utilização desta ferramenta (em caso positivo, cite quais)?

Sim, para mim a plataforma NIng facilita, embora tenha muitas limitações ainda.

5. Para você, o termo redes sociais como sinônimo de ferramentas tecnológicas digitais contribui para confundir alguma forma o conceito de rede social como prática independente de uso ferramentas? (justifique sua resposta)

Sim, para mim contribui muito para confundir. A mídia é o meio. A rede é o padrão de organização. Transcrevo para cá um comentário que fiz ontem a um post do @idegasperi "a rede é o padrão de organização, não o meio (a midia). Pode-se fazer redes sociais até com cartas escritas a mão e levadas a cavalo (como ocorreu no chamado Network da Filadélfia, que construiu em rede - a várias mãos - a Declaração de Independência dos USA). Pode-se fazer redes sociais, no limite, com sinais de fumaça, telefone fixo, celular, grupo de e-mail. Existem ferramentas interativas que facilitam bastante o netweaving: por exemplo, o Ning, o Elgg, o Noosfero, o Wordpress B etc. Mas essas plataformas não criam as redes. As redes, reafirmo minha opinião, não são objetos ou instrumentos: são modos de conexão entre pessoas, modos estes que podem ser mais centralizados ou mais distribuídos. Quando mais distribuídos do que centralizados, chamamos de redes às configurações de fluições que se processam. Neste sentido, rede social é o contrário de hierarquia (centralização)".

Enfim, aqui não buscamos aferir a opinião majoritária, nem nos dedicamos à construção administrada do consenso. Nada que produza artificialmente escassez.
Grata, Augusto, pelas respostas e recomendações, que vou seguir.
Abraços, Juliana
Juliana, gostei das perguntas. Como disse o Augusto, conduz a uma boa reflexão.

1. Não percebo que ela aconteça desta forma, porque foi visivel a importancia do Augusto e sua rede de relacionamento. O que não aconteceu foi a hierarquização de tarefas que, confesso, foi uma experiencia nova para mim. A dificuldade e, vou falar da minha experiencia, foi me fazer entender pelos amigos. Tipo - "como assim, um evento realizado desta forma?". Continuo acreditando na minha escassez de vocabulario.

2. A disponibilidade de tempo e a distancia. Sim, de novo na minha experiencia, a conversa mais proxima facilita o entendimento.

3. Respondida pela Augusto

4. Facilita. A troca de experiencia e conhecimento acontece de forma mais disseminada e, não é conflituosa quanto a resposta dois, aproxima pessoas. Vejo nesta plataforma a possibilidade de redes motivadas, seja por valores, seja pelo conhecimento crenças ou outro fator que sirva de amalgama.

5. Sim, provoca confusão. Voltando a minha experiencia, há uma grande dificuldade para se dissociar os conceitos e as ferramentas.
Guaraciara, agradeço sua participação no fórum. Gostaria que publicasse também algumas informações sobre você (trabalho, formação, atuação, como conheceu a E=R e porque se integrou a ela???), você pode fazer isso?
bJUs

Guaraciara de Lavor Lopes disse:
Juliana, gostei das perguntas. Como disse o Augusto, conduz a uma boa reflexão.

1. Não percebo que ela aconteça desta forma, porque foi visivel a importancia do Augusto e sua rede de relacionamento. O que não aconteceu foi a hierarquização de tarefas que, confesso, foi uma experiencia nova para mim. A dificuldade e, vou falar da minha experiencia, foi me fazer entender pelos amigos. Tipo - "como assim, um evento realizado desta forma?". Continuo acreditando na minha escassez de vocabulario.

2. A disponibilidade de tempo e a distancia. Sim, de novo na minha experiencia, a conversa mais proxima facilita o entendimento.

3. Respondida pela Augusto

4. Facilita. A troca de experiencia e conhecimento acontece de forma mais disseminada e, não é conflituosa quanto a resposta dois, aproxima pessoas. Vejo nesta plataforma a possibilidade de redes motivadas, seja por valores, seja pelo conhecimento crenças ou outro fator que sirva de amalgama.

5. Sim, provoca confusão. Voltando a minha experiencia, há uma grande dificuldade para se dissociar os conceitos e as ferramentas.
Olá Juliana,
As perguntas me fizeram refletir bastante, muito legal!!! Segue a minha contribuição!!!

Um abração pra ti,
Bel Miranda

-------------------------

1. Em parte, sim. Várias ações realizadas foram feitas de forma descentralizada e isso é ótimo. Percebi que muitas pessoas estavam (e estão!!!) dispostas a dar a sua contribuição, já que a CIRS é um evento das pessoas que fazem parte da Escola de Redes. Como disse muito bem Guaraciara, é inegável que a atuação mais forte do De Franco é determinante para que a Conferência se realize.
Não foi uma experiência nova pra mim, já havia participado de outros processos semelhantes e os resultados são sempre bons.

2. Não acho que sejam “dificuldades” em si, são os desafios de pensar fora do quadrado e motivar as pessoas para que participem dos processos. Afinal de contas, as pessoas precisam se sentir parte FUNDAMENTAL da rede. Sempre vale a pena pensar com as pessoas, construir coletivamente e isso dá muito trabalho. O grande desafio, a meu ver, é a participação efetiva dos nodos da rede.

3. O De Franco respondeu lindamente essa questão. :)

4. O NING é uma ferramenta razoável, mas tem imensa limitação. Gostaria de trocar mais com as pessoas da Escola de Redes sobre isso. A temática “Plataformas Virtuais” foi uma proposta de fiz para o Open Space. Acho que dará um ótimo debate.

5. Sem dúvida que provoca uma confusão danada. As redes sociais devem ser entendidas como as conexões que fazemos, toda essa riqueza que envolve o universo de cada pessoa e suas trocas, diálogos, construções (e desconstruções!) de conceitos etc. A plataforma virtual usada é apenas um meio que facilita tais conexões.
Que bom, Isabel. Te agradeço pela participação. Você poderia me enviar uma mensagem pra mim com alguns dados seus? (trabalho, formação, atuação, como conheceu a E=R e porque se integrou a ela???).

Isabel Miranda disse:
Olá Juliana,
As perguntas me fizeram refletir bastante, muito legal!!! Segue a minha contribuição!!!

Um abração pra ti,
Bel Miranda

-------------------------

1. Em parte, sim. Várias ações realizadas foram feitas de forma descentralizada e isso é ótimo. Percebi que muitas pessoas estavam (e estão!!!) dispostas a dar a sua contribuição, já que a CIRS é um evento das pessoas que fazem parte da Escola de Redes. Como disse muito bem Guaraciara, é inegável que a atuação mais forte do De Franco é determinante para que a Conferência se realize.
Não foi uma experiência nova pra mim, já havia participado de outros processos semelhantes e os resultados são sempre bons.

2. Não acho que sejam “dificuldades” em si, são os desafios de pensar fora do quadrado e motivar as pessoas para que participem dos processos. Afinal de contas, as pessoas precisam se sentir parte FUNDAMENTAL da rede. Sempre vale a pena pensar com as pessoas, construir coletivamente e isso dá muito trabalho. O grande desafio, a meu ver, é a participação efetiva dos nodos da rede.

3. O De Franco respondeu lindamente essa questão. :)

4. O NING é uma ferramenta razoável, mas tem imensa limitação. Gostaria de trocar mais com as pessoas da Escola de Redes sobre isso. A temática “Plataformas Virtuais” foi uma proposta de fiz para o Open Space. Acho que dará um ótimo debate.

5. Sem dúvida que provoca uma confusão danada. As redes sociais devem ser entendidas como as conexões que fazemos, toda essa riqueza que envolve o universo de cada pessoa e suas trocas, diálogos, construções (e desconstruções!) de conceitos etc. A plataforma virtual usada é apenas um meio que facilita tais conexões.
Oi Juliana, não sei se vai aproveitar, mas só vi hoje a mensagem
1. Você acha que a proposta expressa na máxima “Organizar sem organização” está se dando de fato na organização da CIRS (justifique a resposta)? Qual dificuldade você encontra para fazer isso acontecer? A proposta de organizar sem organizações está de fato acontecendo pois se instalou um processo de divulgação e organização de tarefas autônomo e distribuído. A dificuldade é, individualmente, conseguir romper com o modelo de descentralização e delegação de tarefas e aprovação de propostas, reuniões.

2. Na prática, o quê você identifica como maiores dificuldades quando a proposição é a do “construir com” as pessoas? Romper a subordinação como prática de relação organizativa: sempre tem alguém que aprova, que define e as decisões por consenso, as quais sempre são geradoras de escassez de criatividade e auto-expressão. Ao aceitar o convite para organizar sem organização senti um “deslocamento”, sai de um lugar de protocolos comportamentais conhecidos e me encontrei em outro território, de grande liberdade, deu uma vertigem inicial.

3. Você participou da escolha dos palestrantes internacionais? E da escolha dos assuntos que serão debatidos na CIRS? De que forma?Não. Não.

4. Para você, esta ferramenta tecnológica (NING) facilita esses processos de proposição e construção conjunta de algo? De que forma? Você teve ou tem dificuldades na utilização desta ferramenta (em caso positivo, cite quais)?
O NIng é um boa plataforma para redes sociais e produção colaborativa. Não é tão boa para a gestão da informação e do conhecimento (ferramentas e design).

5. Para você, o termo redes sociais como sinônimo de ferramentas tecnológicas digitais contribui para confundir alguma forma o conceito de rede social como prática independente de uso ferramentas? Confunde, mas na fase atual do desenvolvimento da tendência do padrão organizativo rede na sociedade informacional as redes sociais como processo e as plataformas estão muito ligadas e se auto-influenciam.
Olá, Vivianne. Deu tempo sim. Ainda não conclui o texto. Assim como pedi para Isabel e Guara, peço a você que me envie uma mensagem com alguns outros dados: rabalho, formação, atuação, como conheceu a E=R e porque se integrou a ela?
Acha que consegue até o final do dia?
Abraço,
Juliana

Vivianne Amaral disse:
Oi Juliana, não sei se vai aproveitar, mas só vi hoje a mensagem
1. Você acha que a proposta expressa na máxima “Organizar sem organização” está se dando de fato na organização da CIRS (justifique a resposta)? Qual dificuldade você encontra para fazer isso acontecer? A proposta de organizar sem organizações está de fato acontecendo pois se instalou um processo de divulgação e organização de tarefas autônomo e distribuído. A dificuldade é, individualmente, conseguir romper com o modelo de descentralização e delegação de tarefas e aprovação de propostas, reuniões.

2. Na prática, o quê você identifica como maiores dificuldades quando a proposição é a do “construir com” as pessoas? Romper a subordinação como prática de relação organizativa: sempre tem alguém que aprova, que define e as decisões por consenso, as quais sempre são geradoras de escassez de criatividade e auto-expressão. Ao aceitar o convite para organizar sem organização senti um “deslocamento”, sai de um lugar de protocolos comportamentais conhecidos e me encontrei em outro território, de grande liberdade, deu uma vertigem inicial.

3. Você participou da escolha dos palestrantes internacionais? E da escolha dos assuntos que serão debatidos na CIRS? De que forma?Não. Não.

4. Para você, esta ferramenta tecnológica (NING) facilita esses processos de proposição e construção conjunta de algo? De que forma? Você teve ou tem dificuldades na utilização desta ferramenta (em caso positivo, cite quais)?
O NIng é um boa plataforma para redes sociais e produção colaborativa. Não é tão boa para a gestão da informação e do conhecimento (ferramentas e design).

5. Para você, o termo redes sociais como sinônimo de ferramentas tecnológicas digitais contribui para confundir alguma forma o conceito de rede social como prática independente de uso ferramentas? Confunde, mas na fase atual do desenvolvimento da tendência do padrão organizativo rede na sociedade informacional as redes sociais como processo e as plataformas estão muito ligadas e se auto-influenciam.

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