Escola de Redes

Esta plataforma da E=R foi criada em 17/12/2008. A cada seis meses se conectam, em média, pouco mais de 1.000 pessoas novas (o que - ao longo de três anos - dá um pouco mais do que 6 pessoas/dia).

Atingimos na manhã de 23 de fevereiro de 2009 a marca de 1 mil conectados. E na noite de 19 de julho de 2009, a marca de 2 mil conectados. E na tarde de 04 de janeiro de 2010, a marca de 3 mil conectados. E na manhã de 04 de março de 2010, a marca de 4 mil conectados. E ao meio dia de 22 de julho de 2010 a marca de 5 mil conectados. E na manhã de 10 de março de 2011 a E=R atingiu 6 mil pessoas conectadas. Estamos neste momento com 6.922 pessoas conectadas. Tudo indica que no início de outubro de 2011 teremos 7 mil conectados.

Esses números indicam alguma coisa? É claro que indicam. Os intervalos constantes de afluência (ou a constância do número de registros nos mesmos intervalos de tempo) sobretudo. Mas não sabemos exatamente o que isso significa. É necessário fazer uma análise mais acurada. E talvez 3 anos (ainda incompletos, na verdade 33 meses) sejam um período muito curto para permitir alguma conclusão.

Ontem uma pessoa respondeu um apelo feito aqui em 16 de agosto de 2009. O apelo era mais ou menos o seguinte: "Se você estiver vivo, dê um OK no campo de comentários". O Valdemar atendeu ao apelo, 2 anos depois...

O apelo estava no blogpost POR FAVOR, DÊ UMA RESPOSTA A ESTA MENSAGEM. Em 72 horas recebeu cerca de 400 retornos. Na época a E=R tinha cerca de 2 mil pessoas conectadas. No dia 19 de agosto de 2009 aduzi o seguinte comentário:

O post POR FAVOR, DÊ UMA RESPOSTA A ESTA MENSAGEM, que pediu um pequeno sinal ou menção de compartilhamento dos conectados à Escola-de-Redes - nem que fosse um "OK" de 10 segundos - recebeu até agora (72 horas depois de enviado e reforçado por um aviso geral) cerca de 400 retornos (entre comentários, mensagens no próprio Ning e mensagens de e-mail). Onde será que estão os outros 1.700 conectados? Registraram e-mails que raramente (ou nunca) verificam? Estão tão assoberbados de trabalho que não dispõem nem dos 10 segundos necessários para digitar "OK" e enviar? Estão viajando, acamados ou impossibilitados, por outros motivos de ter acesso à internet ou de responder? Viram as mensagens mas, por algum motivo, não quiseram ou não puderam abri-las? As mensagens enviadas pela E=R estão sendo consideradas como span pelos seus programas de e-mail? São dúvidas, sim, são dúvidas realmente.

Estou me preparando agora para uma viagem e interrompo este post. Na volta ou durante a viagem espero concluir. OK, Voltei. Continuando então em 16/09/2011:

Pois é. Já apareceram muitas "teorias" sobre índices de participação em plataformas de rede. Tem toda aquela história do misterioso 1%, a hipótese dos 10% como massa crítica, aquele papo prosaico das borboletas etc.

Depois de muito refletir e conversar sobre isso cheguei a conclusão de que índices de participação não são relevantes para ambientes interativos (e redes são ambientes interativos, não participativos). Relaxei quando descobri que as plataformas de rede (inclusive o Ning) foram desenhadas para a participação e não para a interação. São p-based e não i-based, quer dizer, não são plataformas interativas. Abrimos até um grupo aqui sobre isso, intitulado Pensando uma plataforma de netweaving. Especulamos sobre Indicadores de interatividade. Dois anos depois do início desta inquietação, surgiu uma iniciativa importante, após o Terceiro Simpósio na E=R (2011), intitulada Plataforma Fluzz.

Bem, mas a questão continuará em tela, pelo menos enquanto não temos uma plataforma i-based. A Escola-de-Redes é de fato uma organização em rede que se realiza toda vez que acontece algum evento presencial ou virtual: uma conversa, uma iniciativa conjunta etc. Mas esta plataforma Ning que utilizamos como ferramenta de netweaving da E=R não é uma rede. Como já foi dito mil vezes aqui (e agora o dístico está até no alto da homepage) "o site da rede não é a rede". A mídia (ferramenta tecnológica) não pode ser confundida com a rede (pessoas interagindo).

A E=R deu certo. Esta plataforma Ning da E=R também deu certo. Está viva. Cumpre seus objetivos fundantes. Mesmo assim... permanece um certo incômodo, uma sensação de que há alguma coisa errada com a possibilidade de uma pessoa fazer um registro aqui e desaparecer.

Estive pensando se a condição para uma pessoa se conectar a uma plataforma não deveria ser ela propor alguma coisa que implicasse compartilhamento de agenda. E aí seu registro seria sempre provisório, enquanto pelo menos mais duas outras pessoas não aderissem à sua proposta (ou ela não aderisse a uma proposta feita por outra pessoa que tivesse contado com a adesão de pelo menos mais duas pessoas). Essa proposta poderia ser qualquer coisa dentro do escopo da rede que foi voluntariamente articulada: ler um livro, escrever um livro, traduzir um texto, fazer um vídeo, organizar um evento presencial ou virtual etc. Uma vez compartilhada uma agenda (por, pelo menos, três pessoas), o registro da pessoa entrante seria efetivado. É claro que isso não resolve tudo, pois a pessoa pode propor um empreendimento ou aderir a um empreendimento já proposto e, depois, desaparecer. Mas serve como um sinal de que é necessário "pagar" alguma coisa para se conectar a uma plataforma de rede, sendo que a moeda, no caso, é a interação (ou ao menos uma intenção de interação).

É simples e faz sentido: se você não interage, não está em rede. Se não está em rede, não pode se registrar em uma plataforma de rede. Neste caso, o recomendável é que vá para o Facebook, para o Twitter ou para o Google+ e se contente em ficar nesses sites de relacionamento batendo papo, curtindo, fazendo relações públicas, divulgando suas realizações ou propostas, fazendo marketing disfarçado para vender a si mesmo ou vender seus produtos ou serviços ou, até mesmo, tentando articular e animar redes sociais (sim, isso ocorre com frequência também nessas plataformas p-based, proprietárias e egonetizadas, a despeito de elas não serem ferramentas adequadas para o netweaving; recentemente propus inclusive uma discussão sobre índices de interatividade no Twitter).

Claro que não penso em propor essa nova condição para o registro nesta plataforma da Escola-de-Redes. Esta plataforma E=R é uma imagem de um mundo configurado de um jeito particular e assim deverá continuar enquanto não se esgotarem suas possibilidades. E ao que tudo indica estamos longe desse esgotamento: nossa trajetória é ascendente, não apenas em virtude da entrada diária de novas pessoas (embora este não seja um indicador desprezível), mas fundamentalmente em virtude do fluxo da nossa timeline (que é caudaloso e crescente).

Mas se hoje fosse propor a articulação de uma nova organização-em-rede, adotaria o critério mencionado acima para o registro em sua plataforma (se é que essa nova rede deveria ter uma plataforma e se é que essa plataforma deveria funcionar na base de registro - desconfio que não, mas isso é outra história). Você quer entrar? Ah! Ótimo. Então pague em interação. Não está disposto a pagar? Quer só sapear de vez em quando? Ótimo também! Pode espiar à vontade. Mas saiba que, neste caso, você nunca estará na organização. Você só está em rede enquanto interage. É aquela coisa do fluzz: a fonte que só existe enquanto fluzz só pode ser conhecida enquanto interagimos, quer dizer, enquanto estamos nela. 

Continuando em 30/09/2011

É claro que não acredito que as 7.011 (sete mil e onze às 11h00 de 30 de setembro de 2011) pessoas registradas aqui estão interagindo em rede, se organizando em rede, atuando em rede, convivendo em rede (se entendermos por 'rede', redes mais distribuídas do que centralizadas). São pessoas registradas numa plataforma virtual. Algumas interagem na plataforma regularmente e algumas apenas de vez em quando; algumas se registraram e sumiram; algumas interagem fora da plataforma; algumas interagem fora e dentro da plataforma. Tudo isso é aceitável aqui e não será alterado por qualquer norma ou regra exarada pelo "criador" da plataforma. Mas não por isso nos impede de refletir.

Começo com uma bateria selecionada de tweets de hoje de manhã:

Plataformas virtuais (chamadas "redes") são fonte de auto-engano. A pessoa se registra em várias, mas quando é para atuar em rede pula fora.

A confusão entre midias sociais e redes sociais é horrível. Seus efeitos são muito mais maléficos do que se pensa.

Quando alguma coisa envolve custo, risco, trabalho, as pessoas temem fazer em rede. Voltam correndo para suas estruturas proprietárias.

Você pensa que sua segurança está na família, no emprego, no negócio proprietário ou na organização hierárquica. Por isso o mundo é como é.

Você acredita num negócio sem dono, numa organização sem chefe, num movimento sem lider? Não? É por isso que você não entende o que é rede.

Bem, estes foram os tweets. Mas eles sairam de outro texto que publiquei hoje cedo:


Na verdade, mesmo quando estamos totalmente convencidos da emergência das redes, temos impedimentos fortíssimos de experimentar redes em nossas organizações... O grande problema que remanesce é o da remuneração. Inovadores sempre estão vivendo no tempo errado. Leonardo e outros inovadores renascentistas tinham lá seus Ludovico Sforza e seus Francisco I. Hoje esses mecenas são mais fugazes, porque seu poder também é mais volátil. Só podem nos ajudar por períodos muito curtos. Então o cara tem que virar funcionário de alguma burocracia sacerdotal do ensinamento (universidade ou centro formal de pesquisa) para continuar inovando. Ou tem que se subordinar a um Jobs qualquer. Se não fizer isso (e não for rico) viverá preocupado (e atormentado) com a própria sobrevivência. Não é a toa que montará logo uma empresa proprietária ou hierárquica, seguindo o modelo geral que "dá certo". E, fazendo isso, acabará aprisionado no seu próprio quadrado (o que constituirá um impedimento à sua criatividade).

Outro problema das iniciativas em rede é, por incrível que pareça, a deformação introduzida pelas plataformas virtuais. Ficou tão fácil se conectar nessas plataformas (confundindo-as com as redes) que a gente acaba se registrando em dezenas delas e usando-as como meio de obter informação, acompanhar as novidades e se relacionar. Mas quando se trata de fazer alguma coisa junto com outras pessoas (ou seja, quando se trata de compartilhar uma agenda concreta, experimentando para valer as redes sociais), caímos fora.

Adoramos borboletear pelas "redes", mas quando a coisa é para valer voltamos às nossas estruturas pretéritas de relacionamento: a família, o emprego, a empresa proprietária, a organização hierárquica... Quando a coisa é para valer, quando dependemos dela para sobreviver, vamos logo montar uma iniciativa proprietária (e via de regra hierárquica). Quando é para especular, sem custos, sem riscos, aí topamos “fazer em rede”. É uma forma de auto-engano.


Continua algum dia...

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Comentário de Raciel Gonçalves Junior em 22 outubro 2011 às 11:39

Completando o post abaixo...

(...)

Foque suas ações

Independentemente da prática que você escolher para incentivar a multidão é preciso prestar bastante atenção aonde você quer chegar. Mantenha seus objetivos claros para que isso aconteça. Preste atenção em quais ações irão construir uma próspera e robusta comunidade.

Continue instigando

O único meio de achar o mix certo de incentivos é experimentar os diferentes métodos e premiações. Enquanto alguns métodos funcionam muito bem para uma comunidade, podem não funcionar para outra. Fique atento!

Diga-nos você, quais outras formas de incentivar a multidão?

Source dailycrowdsource.com | (via Open The Crowd)
Comentário de Raciel Gonçalves Junior em 22 outubro 2011 às 11:36

Encontrei o abaixo lá no "OpenTheCrowd" (Crowdsourcing Learning Center) que é um canal que tem como intuito fazer com que as pessoas entendam a "Crowd Economy" e como esta impacta a sua realidade e a de todos ao seu redor.

5 maneiras de incentivar a comunidade a colaborar!

Incentivos são ferramentas essenciais no momento de engajar comunidades que irão colaborar e fazer um projeto de crowdsourcing ter sucesso. A partir do momento que uma organização consegue criar um ambiente motivador com objetivos claros e prêmios bem desenhados, têm-se em mãos uma comunidade que irá contribuir da melhor forma possível. Aqui estão algumas dicas dos melhores incentivos que instiguem a multidão a colaborarem.

Permita que os colaboradores “subam de nível”

“Subir de nível” não é um termo somente utilizado para jogos e video games. Algumas organizações de crowdsourcing estão incentivando a participação de seus usuários concedendo a eles “pontos” conforme seu nível de interatividade na plataforma, seja pelo volume de artigos lidos, blogs visitados, comentários em fóruns, procura por sites ou por simplesmente o usuário se logar por mais de uma vez na plataforma no mesmo dia. Conforme os usuários ganham mais pontos, eles são reconhecidos através de badgets que ficam expostos em seus perfis.

Permitir ao usuários que eles “subam de nível” os leva a serem mais engajados. Ganhar badgets em reconhecimento dos pontos acumulados é uma forma do usuário se sentir membro importante e imprescindível à comunidade, representando seu comprometimento e dedicação com os objetivos e em ajudar os outros membros da comunidade.

Conquistas/Milestones

Outra estratégia, similar ao “subir de nível” é premiar o usuário pelas suas conquistas, seja por completar determinada tarefa ou por atingir algum objetivo. Alguns sites assimilam à conquista o simples ato do usuário completar devidamente o seu perfil. Uma vez tendo feito isso, ele é premiado. Outro exemplo é quando o usuário é premiado por fazer determinado número de comentários em fóruns.

Uma diferença básica entre “subir de nível” e milestones é que milestones são mais focados em atividades de curto-prazo e “subir de nível” está associado a uma série de atividade e comportamentos que o usuário desempenha na plataforma. Milestones são mais apropriados para instigar os usuários a participarem de ações pontuais, enquanto que a prática de “subir de nível” está mais relacionada à construção de um sentimento de lealdade do usuário para com a plataforma.

Competições

Competições são ótimas para motivarem os usuários a participarem, além de deixá-los entusiasmados para atingirem os objetivos que lhe foram propostos. Ao mesmo tempo competições também instigam os usuários a se engajarem mais com o restante dos membros da comunidade. Competições também são ótimas para re-ativar a participação de alguns membros da comunidade assim como a popularidade dela mesma.

Os prêmio para os ganhadores não são necessariamente prêmios em dinheiro ou de grande valor monetário. Em muitas ocasiões ser reconhecido perante a comunidade já é uma ótima motivação para o participante da competição.

Eventos (presenciais ou virtuais)

Eventos são ótimos para aproximarem os membros e criar laços maiores entre eles, aumentando sua dedicação e motivação. O evento não precisa ser muito elaborado, contato que permita uma interação cara-a-cara que construa laços mais fortes. Se você tiver uma restrição geográfica, organizar grupos em chats também é uma opção para criar mais conexões.

Foque suas ações

Independentemente da prática que você escolher para incentivar a multidão é preciso prestar bastante atenção aonde você quer chegar. Mantenha seus objeti

Comentário de Stefano Carnevalli em 5 outubro 2011 às 11:55

Em uma recente entrevista numa rádio local, me perguntaram quais são os primeiros passos para se tornar voluntário. A minha resposta foi bem clara: primeiro identifique sua causa (o que faz sentido para você), segundo identifique com o que você pode contribuir realmente(seus potenciais), terceiro faça em rede.

E fazer em rede não significa apenas abrir uma conta no Facebook, mandar uma mensagem e aguardar respostas. Significa estar presente, compartilhar, ouvir, é algo realmente mais humano, de estar conectado, de se tocar. E infelizmente grande parte das pessoas ampliam seu universo apenas digitalmente!!!!

 

Incomoda ver o termo "rede social" como sinônimo de interação (de agenda de contatos, de inércia social). 

 

Acredito  que podemos sim criar empresas em rede, e uma sociedade em rede é que fará o mundo funcionar. Recomendo o livro de administração de Otto Scharmer "Teoria U" (mente aberta, coração aberto, vontade aberta) que me ajudou a fazer as pessoas compreenderem melhor o que é atuar em rede. abs

Comentário de Augusto de Franco em 1 outubro 2011 às 4:56

Paulo, em primeiro lugar, a interação na Escola-de-Redes deve ser separada da interação nesta plataforma Ning que usamos como ferramenta de netweaving. Vou dar um exemplo concreto: fizemos no início de agosto um simpósio (o Terceiro Simpósio de Inverno na E=R). Foram poucas pessoas, se tomarmos como referência o número total de registrados nesta plataforma. No entanto, quem disse que esse número é uma variável significativa? Pois bem. O que aquele "pequeno" simpósio gerou de interação não está no gibi. Ele desencadeou numerosas interações: sugiram iniciativas conjuntas, projetos, empreendimentos novos que continuam neste momento se realizando e que jamais foram registrados nesta plataforma. Isso pode ser atestado pelas pessoas que compareceram e, sobretudo, pelas pessoas que não compareceram mas entraram nos novos emaranhados que se configuraram. Agora vem o mais surpreendente: este resultado foi, de certo modo, mais significativo em termos de interação do que os resultados da CIRS, a primeira conferência internacional sobre redes sociais, promovida por pessoas da E=R, na qual estavam presentes centenas (sim, centenas) de pessoas da E=R. Ora, como é que vinte pessoas podem desencadear mais interação do que várias centenas? Pois é. Não dá para medir com indicadores que utilizamos a partir da observação do que ocorre nesta plataforma. Então este é o primeiro ponto: indicadores de interatividade na plataforma não são os mesmos indicadores de interatividade na rede. 

Mas a gente confunde porque, mesmo quando estamos convencidos do contrário, confundimos o site da rede com a rede.

O que soou como reclamação foi na verdade uma constatação sobre essa discrepância. Mas, sim, você tem razão, havia um incômodo no meu post. O incômodo permanece. O incômodo, porém, é com as plataformas, aliás, um tema central do simpósio mencionado, que dedicou grande parte do tempo disponível em conversações sobre o que seria uma plataforma interativa (ou i-based) e daí saiu reforçado o projeto do que foi chamado de "plataforma-fluzz" (que está em franco desenvolvimento por fora desta plataforma).

Por outro lado, deixando por ora de lado as plataformas, temos que ver o que é interação. Sabemos - e os biólogos foram talvez os primeiros a saber disso - que adaptação, imitação, co-operação são interação. Sabemos que a fenomenologia da interação compreende fenômenos - como clustering, swarming, cloning, crunching, loops, reverberações etc. - que não podem ser captados adequadamente pelos indicadores de interatividade que usamos habitualmente (que são, na verdade, indicadores deslizados, de participação). Grande parte desses indicadores, que se referem a quantidades e a razões entre uma variável qualquer e o número total de pessoas que compõe o universo no qual tal variável é observada, não são relevantes para captar a fenomenologia da interação (nem mesmo as categorias sociológicas dão conta disso). Mas são tais fenômenos que explicam o 11 de fevereiro de 2011 na Praça Tahir, no Cairo. E que explicam porque engordamos quando há "engordamento" em nosso emaranhado. E que explicam porque tendemos a casar com alguém que está numa distância social igual ou menor a três graus de separação. E que explicam porque está mudando neste momento, aceleradamente, a natureza daquilo que chamávamos de sociedade humana.

Agora, abstraindo tudo isso para observar o fluxo nesta plataforma também podemos dizer que ele é caudaloso. Dificilmente uma plataforma aberta para um assunto específico e tão abstruso (investigação sobre redes sociais e criação e transferência de tecnologias de netweaving) tem uma timeline (número de eventos por intervalo de tempo) tão veloz. Me mostre uma que se comporte assim (é possível que você encontre, mas terá dificuldade de achar).

Mas não quero atrapalhar as suas férias. Forte abraço.

Comentário de Paulo Ganns @pganns em 30 setembro 2011 às 23:34

Augusto,

 

Lendo o sua introdução ai em cima, me passa a impressão de que há um incomodo pela baixa interação, mas é minha leitura.

Como venho da área de exatas, tenho a mania de tentar colocar números nas minhas avaliações, para balizar análises. Numa simples conta, colocando o Jornal da E=R como fonte de um indicador primário, elenquei os seguintes apontamentos.

 

Foram 13 meses de funcionamento > Twittes gerados no período = 1898 > Twittes/dia = 4,9 (aproximado)

 

Destes 4,9 twittes/dia, algo próximo de 15% são ruídos do feed do Google Notícias e chutando, 10%, devem compor a interação do tipo "saudações", o que é saudável, mas num rigor acadêmico, desconsideráveis. Então, este número de interações dia deve cair para próximo de 4 twittes/dia, perfazendo 1560 twittes válidos.

Se considerarmos, minimamente, que numa conversa interativa, exige-se que haja pelo menos 3 twittes para que ocorra um aprendizado cíclico (emissor->receptor->emissor) e que potencialmente temos neste período, uma média de 6000 membros capazes de interagir dentro da plataforma, projetando-se essa interação por membro, sem nenhum tipo de qualificação sobre como ela aconteceu, teríamos uma meta de 234.000 twittes neste mesmo intervalo de 13 meses. Se apenas 1% do total de membros está efetivamente enredado, poderíamos então esperar algo como 2.340 twittes replicados no Jornal da E=R.

Logo, dos 2340 twittes possíveis, foram gerados 1560 twittes, ou seja, 66% da meta. Evidentemente,  grande parte das interações geradas dentro da E=R, ocorrem dentro uma coleção de aproximadamente 10 pessoas. 

 

Então, para avaliação de todos e análises subjetivas, estes são os números frios que podem indicar um "norte".

 

Quanto a rainha da colmeia, a projeção ocorreu no momento em que o taxonomista popular, perdido lá no passado, achou interessante batizá-la assim. No meu caso, faria diferente. Batizaria de abelha-matriz, uma projeção fabril. Mas quem disse que "biólogos" também não causam confusão? :>)

 

Comentário de Augusto de Franco em 30 setembro 2011 às 20:30

A rainha da colmeia não tem as funções da rainha entre humanos @pganns. Foi uma projeção. Recomendo a leitura de Deborah Gordon (sobre formigueiros, mas é a mesma coisa). Aliás, conversamos muito aqui sobre isso. Parece que não tem a ver com o que você disse que não disse, mas tem. Você disse.

Por outro lado, não há baixa interação na E=R, se compararmos com outras redes assemelhadas. A interação aqui é relativamente muito alta. Nunca vi uma rede mais interativa (se tomarmos parâmetros comparáveis, é claro). As plataformas ainda não ajudam porque foram planejadas para a participação, não para a interação. Por outro lado, as plataformas atrapalham porque levam à confusão entre a mídia e a rede, como tenho argumentado insistentemente. Esta não é qualquer confusão: para os nossos propósitos ela é devastadora.

Outra coisa, não sei se entendi bem o que você quer dizer, Ivana. Redes sociais não são instrumentos de mobilização, não são ferramentas para se alcançar qualquer objetivo exterior à interação, por exemplo, para conduzir pessoas para algum lugar e outras perversões. Costumo dizer que a rede não é um instrumento para fazer a mudança. Ela já é a mudança.

Esta E=R, ainda bem, está longe, desde o seu nascimento, dessa história de movimento social, luta política (contra FHC ou contra Lula) etc. Somos uma rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving.

Comentário de Paulo Ganns @pganns em 30 setembro 2011 às 19:09

Parte III (Final)

 

Você pensa que sua segurança está na família, no emprego, no negócio proprietário ou na organização hierárquica. Por isso o mundo é como é.

Não acredito que seja tão simples assim. As pessoas não pensam somente, elas tem mesmo é certeza disso. É um dogma na mente da grande maioria. E tais estruturas, mesmo que conceituais, sem garantir de fato, a priori, a almejada segurança, são a única alternativa viável, porque já foram executadas, para sonhar em como se viver.
Dai, se pessoas conscientes do poder das redes sociais não produzem alternativas viáveis, contrapondo a argumentação de que as estruturas atuais impedem as pessoas de se enredarem, com a experimentação de fato, corre-se o risco de se construir mais uma utopia, no pior sentido, e a argumentação do “mundo é como é” passa a ser “a única verdade”.
 
Desta colocação, surge um paradoxo com a próxima colocação: Para construir uma alternativa, ou seja, um movimento de criação de um ambiente de rede social, é preciso liderança, mesmo que seja por um grupo pequeno de pessoas.
 
Você acredita num negócio sem dono, numa organização sem chefe, num movimento sem líder? Não? É por isso que você não entende o que é rede.
 
Não só acredito, tenho a certeza, porque é sistêmico e nem por isso me coloco como ignorante no entendimento do que é rede. (Posso estar enganado, mas não tenho medo de colocar o meu entendimento, afinal, vencer o medo do ridículo, faz parte da aprendizagem, não é?).
 
Seguindo, não existe negócio sem dono, porque um negócio, sistemicamente requer a figura do dono, por imposição das super-estruturas artificiais impostas pelo mercado, que exige a tal figura do mesmo. Para exemplificar, a burocracia jurídica e empresarial, exigem este papel de dono. É impossível tocar um empreendimento dentro das leis, sem a figura do(s) propretário(s).
 
Do contrário, seria acreditar que uma colmeia ainda seria uma colmeia sem a sua rainha. Sistemicamente, a colmeia só é uma colmeia, quando composta por uma rainha (no caso da Apis Mellifera), operárias, zangões em determinadas ocasiões, mel, geléia real, pólen e condicões ambientais adequadas. Caso falte um destes componentes, a colmeia deixa de existir. (Que fique claro que não estou aqui validando o negócio como estrutura natural porque a natureza das abelhas é assim. Se você tirou essa conclusão, leia de novo. Se continua achando isso, construa o seu argumento e podemos debater em outro momento.:>))
[]s
PGC

Comentário de Paulo Ganns @pganns em 30 setembro 2011 às 19:05
Parte II
Quando alguma coisa envolve custo, risco, trabalho, as pessoas temem fazer em rede. Voltam correndo para suas estruturas proprietárias.

Realmente, um dos maiores empecilhos ao desenvolvimento de qualquer ciência e também da sociedade, são as estruturas proprietárias que a mesma constrói para dar suporte à vida, mesmo que estas sejam puramente artificiais. Então, se para sustentar a vida, as pessoas tem que se submeter aos papéis de liderança e de liderados nestas tais estruturas, e acredita-se ainda, que elas temem fazer em rede, por lógica, é o mesmo que afirmar que tais estruturas, que não passam de pessoas arranjadas, segundo uma forma qualquer (hierárquica por exemplo), tem um poder para impedí-las ou coibí-las. Uma outra possibilidade de pessoas temerem fazer rede é meramente o medo do desconhecido, ou seja, a ignorância.
 
Então, resta saber, como estas duas forças e em que graduação, fazem com que as pessoas temam fazer rede para poder mitigar tais barreiras. Se por um lado, o medo do desconhecido a gente enfrenta com a experimentação, saindo de uma posição de “conforto” autoimposto, concluí-se que não há como diminuir os temores sem se experimentar, realmente, um conviver em redes sociais. Por outro lado, o poder da coerção contra o enredamento existe e se camufla em diversas formas, deixando claro que não será nada fácil criar uma alternativa que não envolva o enfrentamento, porque para as pessoas construtoras das estruturas proprietárias, é "justo" impedir ações desestruturantes das condições atuais, por razões óbvias.
 
Então, para mim, tem que existir coerência com o discurso de enredamento e para tanto, deve se escolher um lado. Não é possível manter-se integro, sem incongruências com o discurso de libertação das redes, e ao mesmo tempo compor-se ao lado de pessoas que constroem tais estruturas proprietárias, que impedem o enredamento das pessoas.
Comentário de Paulo Ganns @pganns em 30 setembro 2011 às 19:00
Parte I 
Atendendo a última provocação para a reflexão, tenho:

Plataformas virtuais (chamadas "redes") são fonte de auto-engano. A pessoa se registra em várias, mas quando é para atuar em rede pula fora.

Acho mesmo é que a maioria das pessoas cadastra-se em plataformas virtuais por motivos tão diversos que seria impossível pressupor que "elas estão querendo participar ou atuar em rede", da forma como se imagina ser um ideal. No facebook por exemplo, pessoas se conectam porque é legal, está na onda, meus amigos estão lá, posso ganhar dinheiro, vou espionar meus filhos, quero compartilhar fotos, filmes e livros, etc. Então, o auto-engano é relativo. Dentro do que almejam, se o facebook entrega o valor que as pessoas procuram, embora qualquer um outro entenda que as mesmas não estão em rede, essa questão é irrelevante na perspectiva deles, descaracterizando o auto-engano.
 
Já no caso desta plataforma, a Escola de Redes, aqui se conectam por um valor que perceberam através do enunciado "Escola de redes", e muito provavelmente, pelo baixo nível de interação, suspeito que o valor  é "adquirir conhecimento", assim como um objetivo, uma meta, mesmo que seja nos moldes tradicionais, como fomos treinados desde nossas infâncias. Tem um livro ali, vou ler; tem um grupo acolá, vou participar pra ver o que tá rolando, e por aí vai. A interação para construção do saber, para a maioria, não é um valor e muito menos um driver de aprendizagem, sendo o estar em rede um mero detalhe. Neste caso, há sim um auto-engano, egoístico obviamente!

A confusão entre midias sociais e redes sociais é horrível. Seus efeitos são muito mais maléficos do que se pensa.

Confusão, seja em qualquer área do conhecimento, é uma droga. Então "Redes sociais" não é a única "coitadinha" e as causas disso, acredito eu, estão principalmente nas raízes da nossa educação e também, em menor grau, em outros fatores que infelizmente não são fáceis de se tratar e vou evitar agora (ou para sempre!:>)).
Comentário de Raciel Gonçalves Junior em 30 setembro 2011 às 18:30

Olá, Augusto!

 

Esse teu último comentário me levou a pensar (seus comentários sempre nos levam a pensar) em algo que fazemos na nossa vida presencial e de forma banal... Estou falando do famoso - "passa lá em casa!"-, que é um convite NÃO levado a sério pela maioria das pessoas, até que num determinado dia o "cara" é surpreendido pela pessoa, e você está de pijama... hehehe!

 

Bom fim de semana!

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