Escola de Redes


É claro que todos nós trabalhamos. E muito. Cada qual no seu mister. Mas o convite que lhe faço agora é para o trabalho criativo-coletivo que constitui propriamente um dos objetivos precípuos da Escola-de-Redes.

Já atingimos nesta manhã de domingo 1.464 registrados nesta plataforma interativa. Penso que é um bom patamar para começar a materializar o projeto da escola como rede de clusters de inovação.

Mas de que tipo de inovação estamos falando? Estamos falando daquilo que não foi inventado ou descoberto e daquilo que não foi ainda suficientemente desenvolvido na teoria e prática de redes sociais distribuídas.

Dois exemplos para começar:

1 - Tecnologias de Netweaving | Ainda não temos metodologias formatadas de articulação e animação de redes sociais. Existem, é claro, muitos conhecimentos tácitos sobre isso, mas que carecem de justificação teórica e de análise capaz de separar o que é particular, o que se aplica apenas a uma situação específica, do que pode servir - dentro de certos limites - para várias situações semelhantes. Ou seja, é necessário produzir conhecimento novo sobre o assunto e recolher os conhecimentos já existentes. Assim, é necessário sistematizar tais conhecimentos, justificá-los à luz dos mais recentes avanços da nova ciência das redes e submetê-los à experiência.

2 - Transição Organizacional | A transição da organização piramidal para a organização em rede ainda está imersa no nebuloso estágio das especulações. Mas essa será, daqui para frente, uma das principais aplicações da ciência das redes. Na medida em que se afirma a evidência de que tudo que é sustentável tem o padrão de rede, cada vez mais organizações - inclusive empresariais - vão descobrir que a sustentabilidade não depende de seu ativismo social ou ambiental, nem do exercício de sua responsabilidade corporativa no campo econômico e sim da maneira como elas interagem com o "ecossistemas" (as redes - ou comunidades - de stakeholders) em que estão inseridas e da maneira como integram os estímulos provenientes do meio com seus esforços internos de preservar o seu padrão de organização ao mesmo tempo em que são capazes de mudar e conservar seus modos de adaptação. As organizações hierárquicas não tardarão a descobrir que sua sustentabilidade depende dos graus de distribuição e conectividade das suas redes "interna" e "externa" (e que, na verdade, essas redes só são compreendidas como duas redes em razão dos padrão piramidal adotado). Roteiros para implementar processos de transição de organizações-mainframes para net-orgs, quase não existem ainda; ou, se foram porventura aventados, não foram adequadamente justificados e suficientemente testados. Portanto, esse é um segundo campo imenso de investigação, aberto à inovação.

A investigação desses temas é útil para todos nós que estamos conectados à Escola-de-Redes. É útil para os que estão trabalhando na academia, assim como é útil para os que estão participando de redes de desenvolvimento comunitário. É útil para os que estão envolvidos há mais tempo com a experimentação de redes sociais distribuídas, assim como é útil para os que estão apenas exercitando a convivência em rede em comunidades de projeto ou de prática. E é útil, inclusive, para os que começam agora a se interessar pelas redes sociais e estão dispostas a estudar o assunto.

Mas o melhor disso tudo é que todos nós - sem exceção - podemos contribuir para o desenvolvimento desses temas. Não é necessário ser um cientista de redes para construir esses conhecimentos necessários sobre netweaving e sobre a transição. Quem não tem vivência suficiente de redes sociais, mas auferiu conhecimentos de gestão de organizações hierárquicas e tecnologias de comando-e-controle, pode ajudar e muito (desde que esteja disposto e aberto à inovação). Todos nós temos o hardware necessário. O problema - aqui como em qualquer lugar - é de software... Mesmo quando falamos em modelo mentais, estamos falando de softwares que "rodam" em alguma rede social, ou seja, não estamos falando de um virus cultural que infectou algum cérebro e sim de algo que se estabelece nas fluições recorrentes - ou nas circularidades inerentes às redes de conversações - que se configuram em algum cluster.

Uma nova etapa na Escola-de-Redes

Os dois exemplos citados acima são apenas exemplos. Existem muitos outros campos teóricos abertos à investigação inovadora, tais como a análise dinâmica de redes, as redes como sistemas complexos, as redes como estruturas que se desenvolvem. E existem também muitos outros campos práticos, como, por exemplo, a aplicação de metodologias inovadoras para a articulação e animação de redes de comunidades de aprendizagem (ou arranjos educativos capazes de ensejar aquilo que a escola burocrática tradicional não faz bem: aprender a aprender e aprender a conviver) ou de redes sócio-produtivas (ou arranjos produtivos que de fato funcionem e não sejam apenas adensamentos de empresas do mesmo ramo).

Estou propondo uma nova etapa na Escola-de-Redes. Uma etapa em que a nossa rede tentará funcionar (mal comparando) como uma espécie de "computador" coletivo ou como núvem de elaboração cooperativa. Talvez nosso número de conectados ainda não seja suficiente. Alguns estimam em 5 mil o número de nodos para uma boa base de crowdsourcing. Mas nada nos impede de começar (e daqui a um ano, em abril de 2010, já deveremos ter alcançado esse número).

Para começar, portanto, estou propondo a criação de dois grupos aqui no Ning, como ferramentas de netweaving de duas comunidades de investigação, mas constituídas já a partir de uma agenda compartilhada de atividades. Ou seja, dois grupos que terão trabalhos concretos a fazer e nos quais, para entrar, não basta se registrar e sim assumir um tópico da agenda. Quem não quiser assumir nenhuma tarefa não deverá se registrar nesses grupos.

Assim, uma pessoa vai se encarregar de fazer um levantamento de tudo o que existe sobre determinado assunto; outra vai propor uma classificação; outra, ainda, vai tentar propor conceituações coerentes e encadear argumentações; outra vai submeter ao teste empírico essa ou aquela hipótese; e outra, por fim, vai tentar questionar o que está sendo construído. E quem não se sentir em condições de fazer nada disso mas quiser contribuir, poderá acrescentar depoimentos pessoais de sua experiência com redes ou com instituições hierárquicas.

Como se pode ver, isso tudo é pura aprendizagem. Aquele tipo de aprendizagem que nos inspirou a propor esta Escola-de-Redes. Aquela aprendizagem que visa a constituição de buscadores e polinizadores. Aquela aprendizagem que pode ser descrita pelo lema "quem não inventa nada não aprende nada" e que, portanto, é sempre invenção. E descoberta. E compartilhamento.

Fique atento a abertura desses novos grupos nas próximas horas. E não se acanhe de propor outros no mesmo espírito.

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Comentário de Amanda Ranuci em 1 maio 2009 às 17:54
Boa Noite! sou formanda do curso de Administração da Universidade Estadual de Londrina, tive acesso ao site atraves de um amigo que me indicou para que eu tivesse ideias sobre meu trabalho de conclusão de curso, li seus livros, Augusto, "Tudo que é sustentavel tem o padrão de rede" e "Novas visões" e daí tirei a ideia central do meu trabalho - Sustentabilidade em rede - ainda tenho muitas dúvidas sobre o assunto, principalmente neste aspecto da transição organizacional hierarquica para rede. não vejo a hora de poder participar e aprender sobre, até porque estou na busca de fontes para meu trabalho. Caso vocês tenham algum material que possa me ajudar, agradeço se compartilharem comigo... até a proxima.

Amanda Ranuci.
Comentário de Maria de Lourdes Karlinski em 17 abril 2009 às 14:15
Recente pesquisa publicada: sobre a Evasão Escolar ,de jovens entre 15 e 17 anos, remete a um aceleramento do processo, da Escola de Redes, para atender essa demanda, desasistida pela escola normal, o engajamento em um processo se faz necessário, para que estes não percam sua referência de aprendizagem continuada, e desvirtuem do processo.
Comentário de João Paulo Brandão Barboza em 8 abril 2009 às 19:30
Vamo que vamo... Gostei da proposta e estou disposto a somar naquilo que me for possivel !

Aloha,

João Paulo
Comentário de Milton Francisco da S. Moreira em 8 abril 2009 às 10:39
Mobilidade Urbana, é assunto pontual, e o será ainda por muito tempo. O maior entrave a mobilidade, são como diz o Prof. Augusto, as paredes, muros, portas, etc... Não sabemos até onde, nem como podemos ir, nem como trabalhar nossas deficiências que a meu ver actualmente são o nosso modelo representativo. Esgotado. Mobilização é a palavra de ordem? Imaginem uma rede que possa habilitar a sociedade reivindicar através dos Remédios Constitucionais (mandado de injunção, ação civil publica e outros) Acho que trabalhando intersetorialmente podemos avançar. Então quero me propor a lançar o assunto: Mobilidade, o Que nos Impede, nos Obstaculiza a Seguir em Frente.
Devemos lembrar (e isto começarei, depois da Páscoa, que é renovação, a dissecar o termo Mobilidade) que o fenomeno hoje, tem varias formas de acontecer, quer dizer Mobilidade Virtual, Física, Natural, Legal, de interesses... Vejo de antemão, três termos importantes, e isto e óbvio é só o começo, Alteridade, Participação Locomobilidade. Quem quiser que continue. Abraços.
Comentário de Rose Cidral em 7 abril 2009 às 17:00
Boa tarde. Gosto muito do tema ECONOMIA SOLIDÁRIA, sei que já existem muitos estudiosos nesta área, mas, penso que poderíamos formar um grupo de estudos para socializarmos este tema tão importante. Abraços solidários
Comentário de Carmen Caballeria Ferreira em 6 abril 2009 às 22:40
boa Noite,
Hoje deixo uma saudação, como muita luz e paz a todos!
Comentário de Alberto M Guedes em 6 abril 2009 às 20:46
estou com problemas de conxão de internet. As soon as possbile, poderei me conectar novamente e tentar dar alguma contrubuição
Comentário de Rejane Alexandre em 6 abril 2009 às 11:38
Com os pés e as mãos na terra, aprendemos a conhecer e a respeitar o meio ambiente, para que possamos atuar como cidadãos responsáveis nos processos de informação ambiental e social. E, assim, construirmos uma educação crítica, que possibilite um novo olhar, que vá além do que está à nossa volta.
Acredito que com projetos como o "Horta Viva" e "Viveiros Educadores" que têm metodologia apropriada, estaremos ampliando nossa Política Ambiental e Empresarial, que apresenta, entre suas principais propostas, "Contribuir com iniciativas educacionais que valorizem a consciêntização ambiental da comunidade".
Comentário de Sérgio Luis Langer em 6 abril 2009 às 9:09
Certamente, devido às potencialidades individuais que possuimos e os anseios comuns que motivam ao ajuste dos procedimentos para construir uma sociedade integrada, amenizando impactos diretos sobre as necessidades coletivas que preservam a sustentabilidade do seu desenvolvimento (norteado pela ética participativa), será muito significativo contribuir para esse trabalho. Muito obrigado pela oportunidade.
Comentário de Mário Salimon em 6 abril 2009 às 8:19
Coincido com a proposta e me comprometo com o tema de Transição organizacional, sobre o qual venho estudando e trabalhando. Grande abraço,

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