Escola de Redes



Desde q li que a palavra do ano selecionada pelo dicionário Oxford é unfriend estou fazendo uma conexão entre recorrência no uso da expressão (q refere à ação de remover um "amigo" de uma rede social) com a idéia de uma dinâmica de "dessocialização" nas redes sociais. (Dessocialização - não sei é uma boa expressão...).

A American Dialect Society escolheu a palavra “google” como a mais utilizada em toda última década. O anúncio acontece após o Bing declarar que “Twitter” foi a palavra mais popular de 2009 e do dicionário Oxford escolher a palavra “unfriend” (remover um amigo de uma rede social) como a palavra do ano.

Há alguns dias, falei ligeiramente no assunto num comentário à postagem sobre o número de Dunbar, aqui na Escola de Redes. Li sobre o tema no blog de Krystal D'Costa - anthinpractice. A antropóloga comenta painel q aconteceu no dia anterior, Social Graph Optimization, na rodada de conversações sobre mídia social em Nova York. O conceito de gráfico social, q não está bem claro para mim, refere-se ao monitoramento da rede social pessoal, com as informações organizadas pela relevância do relacionamento. A grande maioria de pessoas pertence a mais de uma rede, simultaneamente. Acontecem naturalmente (talvez o número de Dunbar), classificações dos relacionamentos por graus de relevância.

Pesquisadores indicam como uma tendência atual nas redes sociais o comportamento de classificação dos relacionamentos. Daí que unfriend ser escolhida como palavra do ano não é tão estranho, pois usar relevância como valor organizativo leva a seleções, exclusões, inclusões.

Os estudos mostram q as pessoas, no geral, mantêm suas redes separadas (Facebook, Twitter, Linkedin, etc.) com poucas conexões comuns. As interações sociais têm regras que variam conforme a plataforma em que acontecem. No Facebook e no Ning precisamos da aceitação do pedido de amizade, é uma relação bilateral; já no Twitter eu posso segui-lo sem que vc me siga (ou me adicione).

Observou-se que as pessoas são realmente interessadas apenas nas opiniões e sugestões de uma pequena porcentagem de suas conexões. A especialista Anna O'Brien acredita que a próxima evolução na mídia social será o reconhecimento de vários graus de relacionamento nas interações telemáticas. No Facebook já podemos definir restrições de acesso às nossas informações.


Segundo Mark (um dos caras do painel), atualmente vivemos a fase em que procuramos ser mais conectado possível, momento de intensa socialização Queremos seguidores no Twitter, amigos no Facebook, leitores no blog. Ainda estamos no processo de produção de informação e apenas começando a explorar triagem e gerenciamento de informações, de distinguir o que importa para nós em diferentes círculos.

Desenvolver a competência e formas de gerenciar as informações e os relacionamentos, me parece um movimento natural para que possamos administrar nossas vidas. Krystal D'Costa acha q se as pessoas se
tornam mais conscientes do gerenciamento do gráfico social pessoal, a seleção e a organização dos relacionamentos serão seqüências naturais.

"... os usuários redescobriram as redes sociais. Eles passaram do nível de simplesmente enviar e receber mensagens, para começar a entender as intersecções de interesse entre as pessoas cadastradas nesses serviços”, afirmou ao G1 Alexandre Hohagen, diretor-geral do Google Brasil. Ele define essa possibilidade de os usuários acompanharem as ações de seus amigos ou das pessoas que admiram como “gráfico social”.

Tudo isto vai resultar em sistemas de buscas baseados em escalas de relevância no universo das redes pessoais. O amigo, o amigo dos amigos, os vizinhos por afinidades, os influenciadores, a multidão, são categorias já existentes. Veja em O Futuro das Ferramentas de Pesquisa na Internet e a Relevância Social .

E vc, já sentiu o peso de administrar extensas redes de interações?

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Comentário de jotaesse em 22 fevereiro 2010 às 14:19
excelentes colocações, as tuas, Viviane...
tenho encontrado dificuldade em me manter "amigo" de pessoas que quase não se comunicam comigo, que não visitam minha pagina nas redes sociais, etc.
E quando "deleto" esta pessoa, elas não entendem, porque o termo "amigo" prá ela, na rede social, é a
mesma coisa que "amigo" na vida real... me refiro mais especificamente ao Facebook que é a rede que mais estou frequentando (apesar de tambem registrado no multiply, myspace, twitter, ning, friendfeed, etc., e ter varios blogs, por gostar de pesquisar o tema "social web"...).
e tu mataste a charada: este problema só poderá ser resolvido quando as plataformas criarem escalões de contatos virtuais baseados na palavra mágica: relevancia...
vou te seguir prá aprender mais sobre isto e ajudar a "evangelizar" as massas...
um abraço
j.p.sartori (aka jotaesse)
Comentário de Angela Regina Pilon Vivarelli em 17 fevereiro 2010 às 6:16
"Os estudos mostram q as pessoas, no geral, mantêm suas redes separadas (Facebook, Twitter, Linkedin, etc.) com poucas conexões comuns."

Qual o significado emocional de "estar conectado"?
Percebo uma variedade incrível se sentidos...
A rede reflete aspectos facinantes do humano.
Viviane, o que escreveu suscitou grandes reflexões dentro de mim.
Obrigada por compartilhar.
Abraços.

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