Escola de Redes

Estou postando um Blog de um Blog é da Patrícia Kogut. Bagunça um pouco mais as redes e as tais das eleições que vem aí.

O BBB ampliou o alcance da TV; e dizer isto é pouco.

O que mais impressiona no “Big Brother 10” não é o elenco eclético, a torcida douradista (e a anti Dourado) inflamada, a quantidade de merchandising, o charme inigualável dos penteados de Serginho, ou as edições inspiradas da equipe. Embora tudo isso impressione, o mais me admira é a presença tão massiva do reality em outras mídias. Verdade que o programa já nasceu multiplataforma, então por que este assunto a esta altura do campeonato, na décima edição?

Simples: o que se vê neste momento é a concretização de algo que foi sendo construído e chegou, finalmente, a um vigor impressionante. O site do “BBB” teve mais de 1 bilhão de page views só em fevereiro. Desde a estreia do programa até dia 3 de março, foram mais de 216 milhões de visitas, 10% a mais do que no mesmo período da edição passada. Sabe lá o que é isso? No último paredão (Cláudia, Dourado e Lia), foram mais de 90 milhões de votos pelo site, um recorde histórico.
O “BBB” já não é uma promessa de produto transmídia. É o futuro estabelecido, um exemplo que não pode ser desprezado por ninguém que faz televisão. Nenhuma outra atração com números de audiência equivalentes (ou até maiores) conseguiu isso.

Uma adolescente muito esperta com vivo interesse pelo programa me disse outro dia que “hoje aconteceu muita coisa no ‘BBB’ na Globo.com”. Ou seja: mesmo sendo telespectadora assídua, ela não considera que o reality “pertença” à TV. Ele “acontece” o dia todo na internet e, para a minha amiga de 16 anos, é tudo a mesma coisa, um grande e ilimitado território.

Quase todas as atrações da TV aberta e fechada têm um site oficial. O “BBB” também, mas vai muito além. Se espalhou pela rede atraindo a atenção de milhares de internautas, em diversos sites e blogs. No Twitter, se acompanha a movimentação dos bastidores. O público vota, twitta, zapeia, entra e sai de sites.

Neste caso, já não dá mais sequer para dizer que são as plataformas que convergem. São, isso sim, as pessoas que convergem para elas e fazem o grande trançado de mídias. Não é à toa que uma das grandes interrogações dos institutos de pesquisa dizem respeito a novas métricas. Como somar a presença do público em várias mídias simultaneamente? E olha o impasse semântico: como chamar este público? É espectador, internauta, é o quê? É isso que estamos todos descobrindo.
Patrícia Kogut em 08 de março de 2010, no jornal O Globo.

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