Escola de Redes

Estou bastante animado com as novas perspectivas pessoais e comunitárias que se abrem para 2009.

Me preparo no momento – juntamente com algumas pessoas do Nodo-Curitiba da Escola-de-Redes – para começar um novo projeto envolvendo (e envolvido por) redes sociais.

Esse novo projeto, que vai demandar muito netweaving, ainda não tem um nome definido, mas vai se materializar, talvez, por meio de Arranjos Educativos Locais, ou seja, comunidades de aprendizagem (clusters) voltadas para o que chamei de sete alfabetizações: 1) a alfabetização propriamente dita, na língua natal (ler e escrever e interpretar o que leu: no caso, em português); e as outras seis “alfabetizações”: 2) em uma segunda língua da globalização (pelo menos ler, em inglês ou espanhol); 3) matemática (dominar as operações matemáticas elementares e aplicar esses conhecimentos básicos na vida cotidiana); 4) lógica (aprender a argumentar e identificar erros lógicos em argumentos simples); 5) digital (navegar e publicar na Internet e operar as ferramentas digitais de inserção, articulação e animação de redes e blogosferas); 6) em sustentabilidade (incluindo alfabetização ecológica e alfabetização para o empreendedorismo – a pedagogia empreendedora – e para o desenvolvimento humano e social sustentável local ou comunitário); e 7) democrática (para a vida comunitária e para as formas de relacionamento que ensejam a regulação social emergente; i.e., as redes sociais distribuídas).

O objetivo dessas comunidades de aprendizagem (que poderão, talvez, ser divulgadas e reconhecidas com o nome de AEL – Arranjos Educativos Locais) serão dois: i - aprender a aprender (para seguir andando com as próprias pernas) e ii - aprender a conviver (com o meio natural e com o meio social).

A base conceitual de tal projeto será uma combinação de autodidatismo, homeschooling, unschooling e, sobretudo, communityschooling e o conectivismo como nova teoria da aprendizagem (daí as redes sociais, que constituem o padrão de organização dessas comunidades de aprendizagem).

Formulado e desenvolvido o conceito, vamos buscar então elaborar e testar metodologias compatíveis com processos de inteligência coletiva (“Learn from your neighbours”; “I store my knowledge in my friends”), baseadas na idéia de Cidade Educadora (reconceitualizada como cidade-rede de comunidades que aprendem) e aproveitando experiências voltadas ao estímulo ao autodidatismo, como o método Kumon (expandido, porém, com novos conteúdos e adaptado às novas formas de interação educativa extra-escolares, mencionadas acima).

A idéia é fascinante, não? E materializa o slogan da Escola-de-Redes: ‘a escola é a rede!

Quem quiser colaborar, por favor deixe sua contribuição aqui ou no www.redes.org.br

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Comentário de Augusto de Franco em 24 maio 2009 às 8:59
Pois é, pessoal. O projeto vingou. Arranjos Educativos Locais (AEL). E já vai começar a sua fase piloto agora no primeiro semestre de 2009. Depois darei mais detalhes.
Comentário de João Beauclair em 14 dezembro 2008 às 10:12

Caros: Sou especialista e Mediador do PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) níveis I E II, com certificação do ICELP (International Center of Enhancement to Learning Potential) de Israel, Tal Programa enfatiza a EAM Experiência de Aprendizagem. Recentemente (segundo semestre de 2008)publiquei pela WAK Editora , Rio de Janeiro, o livro "Do fracasso escolar ao Sucessso na Aprendizagem", onde trato das proposições pedagógicas e psicopedagógicas dos 12 critérios da EAM (Experiência de Aprendizagem Mediada): intencionalidade e reciprocidade, significado e transcendência. competência, auto-regulação e controle de comportamento, compartilhamento, individuação, planejamento de objetivos, desafio, automodificação, otimismo e sentimento de pertença. Abaixo, coloco o sumário do livro e a introdução para quem se interessar pelo assunto.

Sumário:
Apresentação: Maria Isabel S. P. Rezende
Prefácio: Rose Mary Bueno de Paiva Alcântara Cunha
Introdução
Capítulo I - Aprendizagem: afinal, do que se trata?
Capítulo II - Do fracasso escolar ao sucesso: mudando significados e ganhando outros sentidos com os critérios da EAM: Experiência de Aprendizagem Mediada.
Capítulo III - Proposições psicopedagógicas: o sucesso na aprendizagem a partir da autoria de pensamento.
Conclusão: Idéias nos movimentos de possíveis (in)conclusões.
Para refletir:
Posfácio: Sonia Bellardi.
Relações de Workshops e temas de palestras e conferências do autor.
Bibliografia.

Introdução:
Diante da complexa realidade educacional de nosso país e no contexto da educação para o século XXI, este trabalho busca mudar o foco das discussões e apontar novas possibilidades de percepção sobre o fracasso escolar - tema infelizmente antigo em encontros, congressos e publicações, propondo uma revisão na maneira de olhar e analisar tal questão.
Os avanços das epistemologias pós-modernas, com seus novos paradigmas de interpretação da realidade, configuraram novos desafios aos que estão envolvidos com a tarefa do educar e, talvez, o principal deles seja a efetiva melhoria da qualidade e do acesso à educação. Os dados não são animadores – basta observarmos os índices internacionais e as posições que o Brasil ocupa em relação a eles -, mas independente disso, é preciso acreditar, sonhar, buscar e realizar mais e melhor: em cada escola, em cada prática, em cada um de nós.
Minha proposta aqui, a partir de referenciais do campo psicopedagógico, é refletir sobre o sucesso escolar nas conquistas cotidianas, ali no “miudinho do dia a dia”, expressão que aprendi recentemente com Márcia Miranda.
Teço um conjunto de idéias baseadas em minha produção teórica e em minhas vivências, modo que encontro para compartilhar meus movimentos de autoria e, assim, colaborar de alguma forma para que novas possibilidades e ações possam surgir.
Com os meus anos de trabalho como ensinante na educação básica, no ensino superior e na formação de professores, e atualmente com minhas experiências como autor de diferentes trabalhos e ensinante em cursos de pós-graduação em Educação e Psicopedagogia, - além de diversas outras experiências como psicopedagogo, consultor educacional, conferencista e palestrante internacional em diferentes congressos e eventos educacionais e psicopedagógicos -, tenho levado adiante um projeto maior, que é o de colaborar, com meus estudos e escritos, para a divulgação da Psicopedagogia e, com isso, ampliar possibilidades de compreensão diferenciada das questões que envolvem a educação e aprendizagem humana.
É a partir de todo este movimento que irei tratar aqui deste necessário tema. No primeiro capítulo, “Aprendizagem: afinal, do que se trata?” exponho minhas percepções sobre aprendizagem, colocando em cena uma questão importante: afinal, do que se trata quando falamos sobre o aprender? Se aprender é vital para o ser humano, quais são as efetivas possibilidades de aprender? E, além disso, onde reside o desejo de aprender, tão importante como energia motriz de tal ato humano? Qual o papel da afetividade em todo este processo?
No segundo capítulo, “Do fracasso escolar ao sucesso: mudando significados e ganhando outros sentidos com os critérios da EAM: Experiência de Aprendizagem Mediada” revisito idéias já presentes em minhas produções anteriores, ressaltando a clara necessidade de reconfiguração de nossas práticas, colocando novas perspectivas sobre a importância da parceira entre aprendentes e ensinantes na construção permanente do conhecimento, a partir de um estudo aprofundado sobre os critérios da aprendizagem mediada, proposto por Reuven Feuerstein em sua Teoria da Modificabilidade Cognitiva.
Proposições psicopedagógicas: o sucesso na aprendizagem a partir da autoria de pensamento é o terceiro capítulo deste trabalho, onde um conjunto de idéias é colocado em tela, objetivando a colaborar à construção de um cotidiano escolar onde processos de mediação favoreçam práticas efetivas que superem o fracasso e estabeleça uma perspectiva de empreendedorismo e sucesso na aprendizagem. A partir do conceito de autoria de pensamento e de mediação, destaco a importância de nossas ações como ensinantes neste sentido, trabalhando com os desafios que se apresentam e refletindo sobre as alternativas possíveis e presentes em nosso tempo.
Por fim, em Idéias nos movimentos de possíveis conclusões, retomo alguns pontos tratados nos capítulos anteriores, enfatizando a importância da formação inicial e continuada dos ensinantes do presente, reforçando o quanto é importante implementar políticas públicas que valorizem efetivamente a educação como importante tesouro a redescobrir, manter, validar e ampliar em nosso tempo, possibilidade de superarmos as mazelas presentes e construirmos um mundo mais justo, solidário, amoroso e, definitivamente, aprendente.
Aos possíveis leitores deste trabalho, comentários, críticas e sugestões sempre são bem vindas: acessem minha homepage, www.profjoaobeauclair.net deixem seus recados e façam contato: joaobeauclair@yahoo.com.br ou joao.beauclair@gmail.com

Professor João Beauclair
Vivenda dos Anjos
Boca do Mato
Cachoeiras de Macacu
Comentário de Cecília Tavares em 4 dezembro 2008 às 19:46
Caro Augusto instigante e desafiadora...muito interessante. conte comigo!
Comentário de Júlia Eugênia Gonçalves em 4 dezembro 2008 às 19:03
Oi Augusto,

Colocarei em minha página, aqui no ning, material sobre a EAM, de maneira que vocês possam ter uma aproximação deste conceito e da metodologia criada pelo psicólogo romeno Reuven Feuertein que dirige, atualmentente, um centro de pesquisas sobre o potencial de aprendizagem humana, em Israel.
Só para apresentar o conceito :
A EAM - Experiência de Aprendizagem Mediada tem raízes filosóficas - a maiêutica socrática - e neurocientíficas- a modificabilidade cognitiva ( característica do cérebro humano ).
Da maiêutica a EAM aproveita o estilo, a técnica de instigar a reflexão, com perguntas. Na EAM não há uma exposição de temas ou conteúdos, mas o estímulo à investigação, ao estabelecimento de relações, de comparações, pelas perguntas que o mediador formula.
Das neurociências a EAM se nutre das pesquisas sobre o desenvolvimento e funcionamento cerebral, sobretudo no que diz respeito ao potencial que a espécia tem para aprender continuamente, o que torna seu desenvolvimento imprevisível, pois não é possível se prever um caminho, uma trajetória para o desenvolvimento humano, já que quando pensamos em um determinado estado de desenvolvimento, logo descobrimos uma saída em outra direção e aquele desenvolvimento ao invez de seguir o curso previsto, toma outra direção. Daí, a imprevisibilidade contida na espécie humana, conceito ratificado pelo novo paradigma científico.
Feuerstein diz que não inventou ou criou nada novo ! Que a mediação é uma característica da espécie, desenvolvida nas relações sociais. Considera que todo ser humano é, naturalmente, um mediador. O que ele fez foi tornar possível- com os critérios que criou-que este comportamento espontâneo, se tornasse consciente para quem os conhece e pudesse ser praticado intencionalmente de maneira a facilitar e possibilitar a ampliação da capacidade de aprendizagem das pessoas.

Sugiro, para aqueles que quiserem conhecer mais sobre o assunto, o livro de Vitor da Fonseca, editado pela Artes Médicas, intitulado " Aprender a Aprender: a educabilidade cognitiva".
Um abraço,

Júlia
Comentário de Augusto de Franco em 2 dezembro 2008 às 4:34
OK, Júlia. Compartilhe conosco algum material da EAM.
Comentário de Júlia Eugênia Gonçalves em 1 dezembro 2008 às 19:11
Caro Augusto,

Conte comigo e com a Fundação Aprender , no sul de Minas, para que este novo projeto se viabilize de forma participativa e construtiva em nossa região.
Gostaria de sugerir que a EAM- experiência de aprendizagem mediada- seja estudada pelos interessados em ter uma participação ativa,o que podemos viabilizar pela web na plataforma da Fundação, sem nenhum custo. Esta metodologia poderia ser utilizada nos sete tipos de alfabetização sugeridos, contemplando o autodidatismo, pois um dos principais objetivos da EAM é a aquisição da metacognição, sem a qual o autodidatismo não se torna possível.Poderíamos abrir uma turma para os membros da escola de redes, caso você considere viável e justificável esta proposta, baseada nos critérios de cooperação que embasa a escola de redes. A decisão sobre sua aplicação ou não neste novo projeto poderia ser decidida depois do estudo realizado.
Fique à vontade para decidir.
Um abraço,
Júlia
Comentário de Guaracy Pinto Calaza em 1 dezembro 2008 às 10:22
Caro Augusto,

Como entusiasta e estudioso ( autodidata ) dos APLS ( Arranjos Produtivos Locais ), achei muito interessante e oportuno o codinome de AELs ( Arranjos Educaticos Locais ) para este seu projeto. Esperamos todos mais detalhes de como será viablizado este projeto e como poderemos contribuir para que seja um grande passo na "construção" das cidades educadoras.
Comentário de Raulino Oliveira em 28 novembro 2008 às 14:53
Augusto, do ponto de vista do Nodo-Curitiba, o projeto visa crianças, adultos, ou todos?
Já existe algum espaço onde possamos navegar no Projeto?
Abç
Comentário de Sandra Alves da Cruz em 27 novembro 2008 às 18:27
Genial Augusto. Estamos discutindo a questão das redes sociais na Internet com os professores municipais de Niterói. E essa idéia das sete alfabetizações pode dar "panos para mangas". Vou levar a temática para o grupo de professores discutir. Acho que será muito bom,
Abraços fraternos,
Sandra.
Comentário de Lía Goren em 27 novembro 2008 às 1:53
En la línea de lo que aquí se propone, teóricos del Proyecto Zero de Harvard hablan de "cogniciones distribuidas" y "del conocimiento más".
Visualizo a la concepción de "alfabetización democrática" como una red de ideas-nodos que vinculan el "aprender a convivir", la "alfabetización social", las "competencias comunicativas", etc.

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