Escola de Redes

TT versus GoogleTrends, sobre a hashtag #OccupyWallStreet

 

Como estou de férias, resolvi dar uma de investigador destas duas ferramentas que medem a efervescência da rede, "fotografando" os resultados sobre a ocupação de Wall Street, movimento social que vem demostrando uma certa virulência dentro do coração dos EUA, no centro nervoso do capitalismo moderno, para sentir o quanto há de "verdade" nos algorítimos das mesmas e se existe a possibilidade de intervenção humana sobre tais resultados.

Em outras ocasiões, o pessoal do twitter já foi acusado de manipular o TT. Também já deu explicações do porque ocorrem algumas distorções sobre o que as pessoas observam e o que o TT aponta. Eu ainda desconfio da validade destas explicações. 

Mas, teorias conspiratórias existem aos milhões e faltam argumentos fortes para a maioria delas.

Para dar uma pincelada neste quadro surreal, bolei um estratagema.

Em programação, quando se altera uma determinada funcionalidade de um sistema, por uma motivação diferente da projetada, a tal da gambiarra, na grande maioria das vezes deixa-se uma outra funcionalidade que pode dar pistas sobre o objetivo do projeto original. Este é o tal do "bug" que não inviabiliza um sistema, mas deixa ele inconsistente.

No twitter, acredito que uma funcionalidade destas é a totalização de tweets pendentes de leitura sobre um objeto de visualização. Ela mantém um contador de tweets até que o usuário execute a atualização do navegador, quando de fato se obtém a sincronização da visualização com o que ocorreu enquanto o usuário lia a sua tela.

Uma brecha? Pode ser!

Então, com três hashtags é possível verificar se há uma inconsistência. É simples, pega-se duas que estão elencadas como TT e se compara com uma que você acha que poderia ou deveria estar lá, mas não está. Deixa-se o navegador apontando as mesmas por um determinado período, longo de preferência, e se compara os resultados. Em outras palavras, abra um tab do seu navegador para cada hashtag e use a função search do twitter para cada uma delas. Espere algumas horas sem atualizá-las e compare os contadores.

 

O meu teste.

 

Início: 02/10/2011 às 22:00hs

HashTags:

  • #OccupyWallStreet;
  • #ThingsThatGetMePissed;
  • #MeAndYouCantDate;

Minha suspeita era que #OccupyWallStreet deveria estar como TT, mas ela não aparece. As outras duas estão lá até agora, dia 03/10/2011 às 06:20hs, momento em que escrevo este post.

 

Depois de sete horas, o que temos?

 

PrintScreens finais:

 

 

  • #OccupyWallStreet - 3365 tweets;
  • #ThingsThatGetMePissed - 3295 tweets;
  • #MeAndYouCantDate - 3377 tweets;

 

Muito estranho, não é? Até mesmo, a possibilidade de se alegar que estas duas que figuram como TTs, #Things... e #MeandYou..., serem as últimas da lista e que por isso, #Occupy... não poderia aparecer, é invalidada pelos números. Que "sorte", a minha!

 

Com a curiosidade aguçada, resolvi comparar outra ferramenta.

E o Google Trends? O que a ferramenta do Google tem a mostrar?

 

Peguei os 3 #hashtags e pesquisei as trends. 

 

PrintScreens:

 

Deu este gráfico bizarro, aonde, após um crescimento vertiginoso em 15/09/2011, estranhamente há uma interrupção do assunto no dia 18/11/2011 18/09/2011.   

 

Para tentar endender o que significa este gráfico, com mais clareza, pesquisei um outro assunto correlato à crise mundial, juntamente com um conjunto de palavras que estariam vinculadas à hashtag #OccupyWallStreet.

 

Então, no GoogleTrends pesquisei Greece e "Occupy Wall Street", para ter outro referencial cruzado. 

 

Minha impressão é de um gráfico totalmente coerente, com o assunto Grécia caindo em efervescência e a ocupação de Wall Street subindo e ultrapassando a curva "Greece".

Então, minha conclusão é que TT, como indicador de alguma coisa que preste para análise de redes sociais, fora do foco mercadológico e principalmente, quando tem um potencial de desestabilização das estruturas de mercado, não deve ser levado a sério.

 

[]s

 

Paulo Ganns

============== Atualização I ======== 03/10/2011 às 09:11 =============

 

Mais dois gráficos do Google Trends:

 

Com foco nos Estados Unidos, todas as subregiões:

 

Observação: Em 18/09/2011 há uma pequena decaída da eferverscência, o que pode ser uma resposta, um "output", da artificialidade induzida no twitter. Logo, esta artificialidade passa a ser um indutor, um "driver", para a atenuação de força de um movimento social, em uma sociedade hiperconectada.

 

Estados Unidos, foco em Nova York: 

============== Atualização I ======== 07/10/2011 às 13:30 =============

 

Uma pitada de "Steve Jobs" no cenário:

Mesmo com o impacto do falecimento de Steve Jobs dentro das mentes das pessoas, causando um tipo de luto coletivo, pelo gráfico, parece que o movimento "Occupy Wall Street", traduzido no algorítimo limitado do Google, mantém uma força crescente, o que pode caracterizar uma coesão das pessoas, atores deste fenômeno.

 

 

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Comentário de Nilton Lessa em 8 outubro 2011 às 14:52

Muito bacana tuas análises, Paulo! E concordo com  a hipotese que vc levanta: Logo, esta artificialidade passa a ser um indutor, um "driver", para a atenuação de força de um movimento social, em uma sociedade hiperconectada.

Solução para isto só com uma Internet mais P2P mesmo...e com os processos algoritmicos fora de caixas pretas. 

Comentário de Paulo Ganns @pganns em 7 outubro 2011 às 12:46
Post atualizado com o evento da morte de Steve Jobs!
Comentário de Paulo Ganns @pganns em 3 outubro 2011 às 11:34

É Augusto,

 

De férias a gente pode ver novas caricaturas da vida:

Experimente também!

 

[]s

 

Paulo Ganns

Comentário de Augusto de Franco em 3 outubro 2011 às 8:35
Legal, Paulo, hehe. Acho que você deveria ficar sempre "de férias"...

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