Escola de Redes

Prefácio
Quando eu era universitário, tínhamos um grupinho que adorava conversar: em casa, no almoço, nos cafés, em baixo das árvores, na beira da lagoa, no bar, em qualquer lugar. Eram conversas sobre as disciplinas, os filmes, as músicas, o dia, o tempo, a comida, e tudo o mais que desse na telha. Morávamos na cidade de Viçosa, no interior de Minas Gerais, uma cidade pequena, estruturada em cima de uma universidade que dava o sustento da população e ao mesmo tempo a excluía do ensino.

No meio das tantas conversas sempre reclamávamos da falta de eventos nos quais pudéssemos conversar com pessoas que não conhecíamos sobre temas diversos. Idealizávamos como seria bom ter na cidade eventos como os cafés filosóficos, dos quais só havíamos ouvido falar.

Em janeiro de 2006 fomos para Tiradentes, participar da Mostra de Cinema, e na volta ficamos “presos” na cidade de Barbacena, entre conexões de ônibus. Como teríamos que permanecer umas 6h na cidade, fomos passear. Caminhamos até a praça central, e sentados num banco do qual podíamos ver os jovens setentões jogando xadrez e as crianças e os pombos brincando, pusemos a cuca pra funcionar. E idealizamos um projeto de debates culturais e apresentações artísticas em praça pública.

Apresentamos a proposta para uma professora que topou nos orientar na execução do projeto, e conseguimos uma bolsa da pró-reitoria de extensão e cultura da universidade para executar o projeto. Colocamos um bilhete no mural do curso convidando quem quisesse participar da organização dos eventos, e fomos surpreendidos quando seis pessoas toparam participar da idéia.

No segundo ano de projeto fomos contemplados pelo Proext Cultura 2007, programa do Ministério da Cultura e da Fundação de Apoio a Universidade Federal de São João Del Rey, patrocinado pela Petrobras. A seguir, um texto de minha autoria, publicado ano passado no Catálogo do Proext Cultura.

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COMO FAZER UM “CAFÉ COM PAPO”

Muitas pessoas nos perguntam como fazer um “Café com Papo”. Tome nota, pois a receita é muito simples. Junte em uma equipe diversas pessoas com idéias diferentes, mas com pelo menos um objetivo em comum. Acrescente criatividade, disposição, paciência e força de vontade. Deixe descansar uma semana por mês, e durante as outras coloque para produzir as atividades. Alegria é sempre um ingrediente importante, use sem moderação. E não se esqueça: uma grande quantidade de participação da comunidade é essencial para que o resultado seja grandioso.

Essa brincadeira tem tudo a ver com o “Café com Papo: Comunicação e Cultura para a Cidadania”, um projeto de extensão universitária da Universidade Federal de Viçosa que está no terceiro ano de atividades. A proposta central é resgatar o espaço público como local de discussão e aproximar a comunidade viçosense com a universitária.

Através de debates culturais e apresentações artísticas em praça pública, temos a preocupação de não promover uma ilha acadêmica na praça e respeitar os diversos saberes, considerar desde a fala do mais simples ao mais letrado e buscar sempre trazer informações relevantes, prestando assim um serviço aos viçosenses.

O nome do projeto tem origem nos Cafés Filosóficos, mas no nosso caso estamos falando de um café com discussões mais populares, e o fato de estarmos em Minas Gerais, onde as pessoas possuem uma doce mania de tomar um cafezinho papeando, motivou a inclusão da palavra papo, surgindo então o “Café com Papo”. E antes que alguém pergunte, sim, durante os debates é servido gratuitamente a todos um delicioso café expresso, acompanhado de biscoito com requeijão.

O “Café com Papo” acontece na praça Silviano Brandão, no centro da cidade de Viçosa – MG, aos sábados, as 10h da manhã, uma vez por mês, abordando temas de interesse da comunidade. O projeto conta com uma equipe de mais de vinte pessoas.

Para melhorar a organização das atividades foram criados seis núcleos: Praça, Revista, Rádio, Vídeo, Educomunicação e Multimídia, cada qual com um estudante responsável.

Núcleo Praça
Coluna cervical deste projeto, este núcleo tem como principal atividade a produção do evento e a escolha dos participantes que integrarão os debates, de acordo com o tema proposto. Os debates são organizados de forma que em média quatro pessoas, que tenham diferentes relações com os temas, os discutam na praça com a ajuda de dois mediadores e da comunidade.

O convite às apresentações culturais, que iniciam e encerram o evento atraindo ainda mais a atenção do seu diversificado público, também é função desse núcleo; além da divulgação do evento, que ocorre através da distribuição de panfletos e cartazes pela cidade, e do envio de releases para os principais meios de comunicação do município.

Neste ano [2008] já foram realizados seis eventos do projeto: uma exposição fotográfica, quatro debates e uma mostra de filmes. Os debates na praça contaram com os seguintes temas: Mulheres de Viçosa (05 de abril), Feliz idade (26 de abril), Meio ambiente (17 de maio) e Formas de amor (07 de junho).

O primeiro deles abordou o universo feminino na cidade de Viçosa. Foram discutidos assuntos como autonomia e representatividade da mulher na sociedade, e a violência existente contra ela. Entre os debatedores, apenas mulheres: uma vereadora, uma oficial da polícia militar, uma microempresária, uma economista doméstica e uma integrante da Marcha Internacional das Mulheres. Na abertura do “Café”, a Orquestra de Violas do Centro Experimental de Artes prestou sua homenageou. Houve ainda a apresentação de um solo de Danças Brasileiras, desenvolvido por uma estudante do Curso de Graduação em Dança da UFV.

O “Café” “Feliz Idade” abordou a terceira idade, refletindo e considerando-a como melhor fase da vida. Ao debate, foram convidadas pessoas pertencentes a projetos sociais que beneficiam a terceira idade, desenvolvidos tanto pela prefeitura quanto pela universidade e idosos ativos. Entre eles, Seu Salvador Pena, mágico e artista plástico, que além de falar sobre sua vida, proporcionou a todos números descontraídos de mágica. A participação de uma enfermeira foi essencial para destacar a inclusão social e a saúde do idoso, promovendo inclusive a campanha de vacinação contra a gripe, que tinha como seu público alvo justamente os idosos. Para encerrar, o Pé-de-Serra no Campus, outro projeto de extensão da Universidade Federal de Viçosa, foi convidado a envolver o público com o seu forró.

O terceiro assunto foi “Meio ambiente”, e a proposta era abordar a consciência ambiental, o saneamento básico e a coleta seletiva. Professores e estudantes foram convidados a participar, e discutiram educação e preservação ambiental, além de práticas de preservação aliadas à produção agrícola e inovações tecnológicas na área, assim como o conhecimento de uma ciência que tenta visualizar o homem como um ser integrado à natureza, a chamada “permacultura”. Para animar o evento, houve a apresentação de maculelé, seguida de roda de capoeira, executadas por crianças e adolescentes.

O tema do último “Café” do primeiro semestre de 2008 foi escolhido pela própria população, através de uma caixa de sugestões colocada na praça durante os eventos: o amor. O fato de ser mês dos namorados ajudou a conquistar o público e realizar o debate.

O intuito não era focar somente no amor existente entre homem e mulher, mas as diversas formas de amar. Para isso, foi convidada uma mãe adotiva, que falou do amor que sente por seu filho; uma professora, que relatou o amor à sua carreira; um marido apaixonado; e uma psicóloga que faz terapias de casal. Outra professora convidada, que falaria sobre o amor entre amigos, teve que cancelar sua participação em cima da hora, para socorrer um amigo que passava por um grave problema. Complementando o tema, a abertura do “Café” contou com uma apresentação de bolero, e novamente a equipe do Pé-de-Serra no Campus levou o forró à praça, com a apresentação musical do Trio Kalundu.
Além dos debates, o núcleo praça teve como responsabilidade a produção de dois outros eventos. Um deles foi a exposição fotográfica alusiva aos dois primeiros anos do projeto, realizada em abril, que contou com 26 fotos que ilustravam o cotidiano do “Café” na praça. Para a exposição, que aconteceu no Hall da Biblioteca Central da UFV, caixotes de feira amarrados por cizais criaram a ambientação necessária para trazer a praça para dentro da biblioteca.

O outro foi o “Café com Papo” CineArte Sarau Petrobras, que aconteceu na praça em agosto, com um telão inflável de 16x9m, com exibições de longas, média e curtasmetragens, documentários, ficção e os vídeos-registros do “Café com Papo”, com direito a pipoca de graça. Foi uma oportunidade ímpar, na qual a comunidade pôde assistir a documentários que registraram seu cotidiano, mostrando o congado, as histórias relacionadas à linha férrea e relações familiares que se fortalecem através da posse de terras na região.

Núcleo Revista

Desde o início do projeto, um grande desafio é a publicação da “Revista Café com Papo”, exigindo um núcleo de produção só para ela. Com o objetivo de preparar o público ao debate, através de uma revista impressa, com tiragem de 1000 exemplares e distribuição gratuita. A equipe deste núcleo edita e publica a revista, procurando produzir um jornalismo mais informal, mesclando textos literários com outros de caráter informativo. A estética da revista procura favorecer a leitura e conquistar o público.

Núcleo Rádio

Criado em 2007, o Rádio realiza entrevistas com os convidados ao debate. Aos participantes são feitas perguntas relacionadas ao tema que será discutido de acordo com a afinidade de cada um com o assunto. Essa entrevista prepara o convidado, deixando-o mais a vontade com o que vai dizer no debate diante do público, uma vez que ele, de alguma forma, interage com uma parte do grupo do projeto. Antes de conduzi-los ao estúdio de gravação, a produção do núcleo rádio aproveita para conversar mais sobre o
projeto e fala sobre os outros convidados que vão participar do “Café”.

A entrevista auxilia também o mediador do “papo” na praça, que recebe as respostas e tenta co-relacionar os assuntos criando uma rede entre os diálogos para conduzir de forma mais eficiente o debate. A entrevista é editada no formato do programa chamado “Café com Papo no Rádio”, transmitido durante a programação da Rádio Universitária 100,7 FM, ao longo da semana que antecede o evento na praça e ainda reforça o convite ao público sobre a data, local e tema discutidos na próxima edição do “Café”, sendo ferramenta importante de divulgação à comunidade.

Núcleo Vídeo

Desde o surgimento do projeto, as atividades na praça são registradas em vídeo, mas tinham permanecido em estado bruto. Através do ProExt Cultura 2007, foram criadas condições para a edição do material coletado, gerando vídeos-registros de cada “Café”.

Os debates, que haviam sido capturados na íntegra, foram assistidos com atenção especial, buscando coletar os momentos mais significativos dos mesmos. Assim, pudemos vislumbrar um roteiro que conjugasse os melhores flagrantes dos debates, de forma que os vídeos posteriormente representassem, em alguma medida, a riqueza das temáticas abordadas durante cada debate.

Depois da seleção desses “melhores momentos”, foi escolhida uma trilha sonora que oferecesse identidade ao projeto. Encontramos nas músicas do grupo pernambucano “Banda de pau e corda”, o lirismo que procurávamos. Com a autorização para a utilização das músicas, teve inicio o processo de edição, bem como o tratamento do áudio e das imagens. Buscando evitar a monotonia nos vídeos, optou-se por criar os créditos, patrocínios e legendas através de animações que chamariam a atenção dos expectadores.

Os vídeos foram editados, levando em consideração que seriam disponibilizados e executados no site do “Café”, e que portanto, o tempo de execução deveria ser mais curto. Foi estabelecido um padrão médio de cinco minutos para cada um deles, incluindo-se aí os créditos de abertura e encerramento.

Alguns dos vídeos produzidos foram exibidos durante o “Café com Papo” CineArte Sarau Petrobras, possibilitando que a comunidade se visse nos vídeos, e se sentisse de fato integrante do projeto.

Núcleo Educomunicação

Este núcleo começou a caminhar sem saber exatamente onde queria chegar. O nome Educomunicação não significava nada de concreto, muito menos trazia uma fórmula mágica que ensinasse como trabalhar a comunicação na educação. Foi preciso experimentar e pesquisar para se ter um entendimento de como a Educomunicação é um campo vasto de objetivos, que vai desde a conscientização das pessoas para se
relacionarem com a mídia de uma maneira geral, passa pelo uso de recursos multimídia em sala de aula e aborda também a produção midiática feita dentro da escola, por estudantes ou professores.

Diante dos materiais que já vinham sendo produzidos pelo “Café com Papo”, desde seu primeiro ano de existência, percebemos que seria importante pensar como essas mídias poderiam ser instrumentos de aprendizagem, na rede pública de ensino da cidade.

Além disso, pensar como esses recursos midiáticos poderiam estimular a percepção crítica dos estudantes na forma com que esses são apresentados, em comparação às mídias tradicionais que os estudantes têm acesso.

Nas primeiras reuniões decidimos escolher uma escola para iniciar uma aproximação. A primeira intenção era interagir com professores, através da apresentação das mídias produzidas pelo “Café com Papo” e com os estudantes, através da avaliação que estes fariam das mídias, principalmente das revistas.

Para dar início aos trabalhos, três professoras dos ensinos fundamental e médio, da rede pública de Viçosa, que se mostraram dispostas a encarar o desafio desse primeiro contato entre as escolas e o “Café com Papo”, integraram as discussões do projeto. As reuniões do núcleo de Educomunicação buscaram a troca de experiência entre as professoras e os estudantes envolvidos neste núcleo do Projeto, além da análise crítica dos recursos de áudio, texto e vídeo, tendo em vista a necessidade dos alunos dos ensinos fundamental e médio.

Cada professora realizou ao seu modo a vivência da revista em sala de aula. Basicamente, algumas edições foram apresentadas aos estudantes que elegeram temas de maior interesse dentre os já abordados pelos debates do “Café com Papo”. As turmas trabalhadas foram a sexta e a sétima séries da Escola Municipal Coronel Antônio Bernardes e o primeiro e segundo ano do ensino médio da Escola Estadual Effie Rolfs.

Para os estudantes de ensino médio o tema “A Dança e a Música” despertou mais interesse. Já no ensino fundamental, foi o “Meio Ambiente”. Além dos temas, foram votadas as mídias que despertam maior interesse entre os jovens, tendo sido a internet a mais votada. Das reuniões com as professoras chegou-se ao consenso de que seria muito importante um acompanhamento de algumas aulas nas quais os recursos multimídia do “Café com Papo” fossem aplicados, e elaboramos critérios de avaliação da recepção desses materiais.

Kit “Café com Papo nas Escolas” – O Núcleo Educomunicação passou a exigir uma interação com os demais núcleos, sobretudo com vídeo e rádio, e juntos desenvolveram o kit “Café com Papo nas Escolas”. Serão 400 Kit`s, compostos por um guia, revista especial, CD e DVD, que serão disponibilizados para secretarias de cultura e escolas municipais de Viçosa e região.

Diante da vivência das professoras com as mídias em sala de aula, elas produziram um relato de experiência pessoal, que possibilitou a elaboração do Guia que acompanhará o Kit, com informações sobre áudios, vídeos e revistas. Através desse relato, elas observaram que linguagens poéticas e alternativas chamavam mais atenção de seus jovens alunos, identificando os textos que mais interessaram aos estudantes em sala de aula, dentre os já publicados em revistas do “Café com Papo”. A partir disso foi editada uma edição especial da revista “Café com Papo” para ser trabalhada em outras salas de aula.

Para a criação do CD, percebeu-se a necessidade de expandir o formato dos áudios de entrevistas dos debatedores para programetes com os temas do “Café”, de modo a utilizar recursos sonoros e linguagens experimentais e mais atrativas. Em parceria com o núcleo Rádio, a equipe de Educomunicação desenvolveu uma série de programas educativos a serem utilizados como suporte de ensino nas escolas que mantém parceria com o projeto. Os programas levam o nome de “Expresso Papo” e tratam de forma
concisa, informativa e descontraída os temas debatidos desde o ano de 2007. Os roteiros foram cuidadosamente elaborados por se direcionarem a um público específico e possuem um caráter didático com o objetivo de serem trabalhados em sala de aula, auxiliando na formação da consciência cidadã dos estudantes.

Sobre o DVD, a partir de uma proposta interativa entre os núcleos Vídeo e Educomunicação, primou-se pelo didatismo, de forma que os profissionais da educação que fossem utilizar os vídeos-registros como material didático em sala de aula, encontrassem neles uma maneira atrativa de ensinar sobre cada tema.

Núcleo Multimídia
A intenção inicial era desenvolver um suporte que integrasse diversas mídias (áudio, texto, vídeo, animações), que permitissem contemplar o conteúdo produzido durante o projeto, resultado de atividades dos núcleos Praça, Rádio, Vídeo, Revista, Educomunicação e do próprio Multimídia. Esse conteúdo acrescenta informações a cada debate, tornando-o permanente e virtual, de modo que um número cada vez maior de pessoas possa acessar as informações do “Café” e construam opiniões sobre os debates.
Com essa finalidade, diversas ferramentas da área de comunicação são aplicadas: uso de programas de design e animação; cobertura jornalística e fotográfica; elaboração e edição de vídeos, áudios e textos. Elas possibilitam o desenvolvimento de um conceito estético que representa a Praça, identifica o “Café com Papo” enquanto projeto de extensão integrado à comunidade, é convidativo e divulga as atividades para além da UFV e de Viçosa.

Design e conteúdo – O site http://www.cafecompapo.ufv.br tem como base de construção ferramentas que proporcionam ao público interatividade na medida em que o considera como portador de ação. Assim, exibe o mínimo de pré-determinações para que o público tenha liberdade ao explorá-lo. Quem acessa o “Café com Papo” virtual também tem a oportunidade de construí-lo on-line e aprender como realizar o modelo do projeto.

O design foi pensado para simular um cyber café localizado na praça, o que permite uma descontração com o nome do projeto e também a valorização do espaço público enquanto fomentador de atividades culturais e educacionais. Devido à especificidade dos elementos desenhados – coreto, igreja, banca, bancos e disposição das árvores - a Praça Silviano Brandão, de Viçosa, é identificada facilmente, o que não deixa de ser uma assimilação visual da importância do espaço público em geral para quem não a conhece.

Com o uso de softwares de animação e design gráfico, foram elaboradas galerias de fotos com os registros realizados durante as atividades do primeiro semestre de 2008.

O espaço agrega, ainda, informações sobre todos os convidados que participaram enquanto debatedores a partir de temas pré-determinados. É um espaço no qual tanto o público que acompanha o “Café com Papo” quanto aquele que não tem acesso ao evento pode escutar os áudios produzidos pelos núcleos Rádio e Educomunicação (entrevistas com debatedores e programetes). Há, também, link para os vídeos-registros produzidos pelo núcleo Vídeo, em que constam compilações dos debates e apresentações culturais filmados durante as edições do projeto na praça Silviano Brandão.

Há possibilidade de manter contato visual e conhecer os integrantes da equipe a partir de uma biografia descontraída, com o objetivo de aproximar o público a quem está envolvido no processo de execução do “Café”.

O núcleo Revista também tem a publicação mensal disponibilizada no site, de modo que o leitor tem a possibilidade de interagir com o produto como se estivesse manuseando a revista em papel. Informações e tema dos debates próximos também são disponibilizados no site, assim como textos sobre os prêmios já conquistados pelo projeto.

O núcleo Multimídia trabalha em duas vertentes com o núcleo Educomunicação: além de agregar os elementos produzidos em função do relacionamento com professores e alunos, o site também será divulgado como ferramenta multimídia educativa, para aquelas escolas e professores que têm acesso a computadores. Essa atividade tem ênfase na inclusão digital e educação para as Novas Mídias.

O “Café com Papo” on-line é também uma oportunidade de divulgar quem apresenta, patrocina e apóia o projeto, agregando valor de responsabilidade cultural e cidadã tanto àqueles que participam ativamente do debate quanto àqueles que contribuem com serviços e financeiramente para que a realização do projeto seja viável.

Navegabilidade – O “palco” do cenário é móvel, de forma horizontal, o que atribui dinamismo ao site. O internauta controla a movimentação através do mouse e escolhe o link que quer acessar. O conteúdo está “escondido” e atrelado a determinados desenhos representativos, que têm um destaque discreto para facilitar a navegabilidade. O endereço do site é de fácil assimilação, já que ele está integrado à UFV on-line.

Lançamento e resultados – O “Café com Papo” on-line foi lançado no início de setembro como site oficial do Projeto. Ainda sem contemplar todas as informações produzidas, a ferramenta foi implantada para que se avaliasse a opinião do internauta antes do lançamento oficial, programado para o dia 20 de outubro, durante o Simpósio de Extensão Universitária da Universidade Federal de Viçosa. Além de ser montada uma praça no local, será desenvolvida uma estrutura com diversos computadores interligados
onde o público presente no evento poderá ter acesso ao site completo. O trabalho em conjunto foi o principal fator de agregação de idéias, de modo que os núcleos de trabalho estiveram sempre interligados e trocando opiniões sobre a melhor forma de mostrar os produtos de todo o projeto à comunidade virtual. A partir de estudos sobre a linguagem de programação utilizada, a intenção é que o site seja continuamente atualizado para permitir ao leitor uma infinidade de novas possibilidades em navegação e
conteúdo. O planejamento do site foi feito há mais de um ano, mas foi adiado devido a necessidade de aproximá-lo cada vez mais dos novos modelos de suportes interativos e alternativos ao html básico.

Ao longo desse tempo, tivemos algumas certezas: o projeto “Café com Papo” é reconhecido e aguardado pela comunidade, suas iniciativas são prestigiadas e elogiadas pela população, e só temos condições de seguir a diante, se continuarmos sendo uma equipe.

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Posfácio
No fim de 2008, já havia terminado a graduação, me mudei para São Paulo e acabei por encerrar minha participação no projeto. O evento no Simpósio de Extensão Universitária, foi um sucesso. Ao invés de criar um ambiente de praça, fizéssemos uma vídeo-instalação que “transportava” as pessoas ao espaço da praça para ver a movimentação ou participar de debates passados. Nossa equipe chegou a contar com vinte alunos e cinco professores, e um inestimado número de participantes na praça.

Pelo que fiquei sabendo, nesse semestre a equipe que lá ficou conseguiu organizar mais um debate, sobre tradições juninas, e parece que foi muito bem sucedido.

Naquela época [é incrível como o ontem já faz tempo] eu não sabia direito o que era rede. Hoje penso que o café constituía uma rede. Ele possuía seus nodos, que tinham iniciativas e “acabativas”. E sempre se conectava com que estivesse disposto, seja quem estava passando pela praça, seja quem procurava nossas produções multimídias ou quem esperava ansiosamente para interagir com os debates na praça.

Esse projeto é parte da minha história. E em partes, minha experiência de agir em rede.
Qual a sua história?

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Comentário de Fernanda Maestri Denardin em 16 agosto 2009 às 18:32
Rafael, obrigada por partilhar sua experiência. Ela é inspiradora.
Comentário de LEILA DE ALMEIDA RAMOS em 7 agosto 2009 às 22:44
Olá Rafael! Desde Campos que fiquei apaixonada por sua experiencia, agora que está todo relatada, "tim tim opr tim tim", fico sonhando como é maravilhoso poder realizar esse Cafés. Sonho por que moro em frente a uma grande praça... Entedeu a proposta? Posso contar com você? Bjs!
Comentário de Luiz Algarra em 7 agosto 2009 às 3:11
Bem legal! Já conhecia esta tua iniciativa desde a Teia 2007, quando nos conhecemos, e achei super-inovadora a proposta desde o início. Muito bom ver o caso narrado agora aqui na Escola de Redes pois creio que tem tudo a ver com o resgate dos espaços público da cidade como áreas de convivência humana livres de hierarquias e exigências. Juntando gente desse jeito só sai coisa boa, certo?
Comentário de Rafael Munduruca em 6 agosto 2009 às 15:05
os links do site do café (www.cafecompapo.ufv.br) estão locados nos personagens.
Comentário de Rafael Munduruca em 6 agosto 2009 às 14:40
hehehehehe... o site eh de ir pra lá e pra cá mesmo... rs... ele tah desatualizado...
para conhecer mais acessem www.youtube.com/cafecompapo
Comentário de Patricia Yoshioka em 6 agosto 2009 às 14:24
Amei Amei Amei!!
Parabéns!!!!!! Muito legal!
Mas tentei acessar o site, e navegabilidade é meio complicada, eu passo o mouse e vai pra lá e pra cá...vixe!! rs
Comentário de Ronaldo Richieri em 5 agosto 2009 às 16:14
Bacana Munduruca. Legal conhecer mais da tua história. Grande abraço!

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