Escola de Redes

Redes sociais são redes de pessoas. O principal motor destas é o interesse comum e a liga, a confiança.

Tecnologias de informação e comunicação são ferramentas que podem ajudar no desenvolvimento de redes sociais, mas não são a rede em si, do mesmo modo como uma malha viária não é ou representa uma viagem, ou da mesma maneira como um edifício e sua mobília, eles próprios, não contam a história de uma organização.

Como o chamado capital social, as redes sociais têm caráter transitório. São intangíveis e não gerenciáveis, porquanto são fruto de interações momentâneas entre pessoas e não o resultado de ordens emanadas em uma cadeia de comando.

Assim, redes de organizações não são redes sociais, uma vez que os programas verticalizadores resultantes das estruturas institucionais piramidais impedem o livre fluxo de idéias e ações, gerando
escassez artificial de recursos e de capacidade de incidência. Isso redunda em
desconfiança e ineficiência.

Gestão e controle - Ainda que não se possa gerenciar as redes, pode-se gerenciar com elas. A idéia é buscar, na relação com as redes, o capital social e conhecimento gerados, a oportunidade de
comissionamento e mensuração da capacidade que uma dada organização tem de induzir e manter processos de mobilização. Também se pode muito bem validar a pertinência e sustentabilidade de estratégias. Mas, sempre “controlando o bicho do controle”, pois a tentação de verticalizar é sempre muito grande.

Uma organização produz uma interface com uma rede quando um de seus membros passa a dela ser parte ou nodo. Nodos com grande capacidade de conexão são conhecidos como hubs, sendo relevantes vetores de mensagens e mobilização. Esses têm papel fundamental nas estratégias de informação e comunicação.

A base tecnológica - Nos últimos 8 anos, houve uma aceleração vertiginosa da adesão de pessoas a sistemas eletrônicos de redes sociais. Isso não necessariamente, significa que os cidadãos estejam mais comissionados, mas indica que estão de fato mais conectados. Portanto, tem-se um contexto mais favorável à rápida transmissão de idéias e mobilização, uma vez que essa conectividade significa ampla desintermediação e destituição de nodos, sobretudo comerciais, que atuavam como filtros, gerando escassez artificial de oportunidades de informação e comunicação.

Esse fenômeno emergente, pela sua brutalidade, foi comparado a uma turbulência ou súbita ondulação, seja no mar ou em terra, capaz de desestabilizar os que a ele estiverem sujeitos. O termo mais comumente usado em inglês, e que originou um best seller da literatura técnica, é groundswell.

Segundo os autores do mencionado livro, Charlene Li e Josh Bernoff, a situação, ainda que configure fenômeno disruptivo, favorece o empreendimento. Valendo-se desse estado das coisas e das
tecnologias disponíveis, uma organização poderia ouvir seus clientes, conversar com eles, energizá-los e, mesmo, abraçar suas causas, trazendo verdadeira inovação aos processos de negócio.

Um desafio, entretanto, é bastante notável: ao decidir navegar por esses mares, uma organização aceita gerenciar sua marca em uma estrutura aberta, em que o controle sobre ativos ligados a imagem
diminui bastante. Como estamos em um mundo ainda bastante piramidal em termos de governança organizacional, nem todos parecem dispostos - ou prontos - a aceitar esse tradeoff no momento.

Importante notar que se trata de um processo de mudança sem escapatória, que vem vindo de fora para dentro. Enquanto as organizações discutem o quando e o como, as pessoas estão se conectando e, simplesmente, achando um jeito de fazer o que deve ser feito.

Um excelente sitio para se ler mais sobre o tema é o da Escola de Redes.

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