Escola de Redes

A escola é a rede

Muitos internautas, sobretudo os da primeira geração, os que vieram dos movimentos literários libertários, como os ciberpunks, mas também os hackers e, em parte, a turma do software livre, têm um certo pavor do que chamam - muitas vezes com bastante razão - de "Sociedade de Controle".

Sob certo aspecto esse medo é positivo, faz parte daquela saudável vigilância que, tantas vezes na história, contribuiu para a garantia de liberdades fundamentais.

Grande parte da cruzada desses ciberlibertários se dirige contra as ferramentas tecnológicas produzidas pelas novas mega-empresas da área do conhecimento: a Microsoft, a Apple e, como não poderia deixar de ser, o Google - o exemplo mais eloqüente da hora. Em alguns casos eles temem mais essas corporações que, mal ou bem, contribuem para aumentar a conectividade da rede social ou reduzir os graus de separação entre as pessoas, do que os governos despóticos, as ditaduras que - como a China, Cuba ou Myanmar que, de forma permanente ou intermitente (toda vez que se sentem ameaçadas) - fazem exatamente o inverso: vigiam, controlam ou proibem a internet, o SMS, o e-mail, o Twitter e as plataformas interativas.

Buuuuuu! Que medo! O Google - com seu Wave ou Chrome OS - vai nos controlar a todos. O Twitter é um perigo para o ciberativismo.

"Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", reza um ditado popular brasileiro. E é bom que existam pessoas antenadas para perceber indícios de superavits de ordem produzidos por grandes corporações.

Todavia, há um problema na raiz dessa concepção que vê a tentativa de controle como sendo promovida apenas pelas grandes corporações e - no caso dos grupos que não estão intoxicados por ideologias estatistas (paradoxalmente temos muitos nessa condição) - pelo Estado. E o problema é o seguinte: eles (os que adotam tal concepção) não vêem que a sociedade de controle é esta que eles reproduzem no seu cotidiano, que o "grande irmão" não está lá no topo de uma grande pirâmide corporativa ou estatal, mas, talvez, sentado na cadeira ao lado... quem sabe na sua própria cadeira, naquela pequena pirâmide que modela o padrão de organização da sua ONG, da sua microempresa, da sua "cooperativa", do seu partido ou grupo político ou, ainda, das suas (em mais de 90% dos casos incorretamente chamadas de) "comunidades" ou "redes sociais".

Comando-e-controle é atributo de organizações hierárquicas, grandes ou pequenas. Se você se organiza hierarquicamente, não há como escapar disso. Desse ponto de vista não há diferença entre o grande poder e o pequeno poder. Todos evocam o mesmo padrão recorrente de interação que está baseado na não-aceitação e na não-validação do outro a não ser na medida em que ele serve aos propósitos pré-determinados pela "organização". Todos invocam um ethos ancestral de desconfiança e inimizade. O poder daquele presidente de ONG de bairro, que está há 20 anos no comando, tentando matar no embrião as novas lideranças emergentes para se manter na posição, é - desse ponto de vista - o mesmo poder do chefe de governo populista que altera a Constituição do seu país para abolir o princípio democrático da rotatividade ou alternância. A diferença está na escala, não na estrutura e na dinâmica.

Mas esse pessoal, que leu e recomenda Hakim Bey, não é capaz de ensaiar uma TAZ quando se trata da sua própria organização e da sua sobrevivência. Talvez tenha faltado Maturana, quem sabe? Quando criticam a sociedade disciplinar e invectivam contra os poderes que querem vigiá-los, fazem-no pelos bons e pelos maus motivos. Assim, freqüentemente olham com desconfiança a popularização das ferramentas que, antes, só eles sabiam manejar.

Parece que se constituiu um novo sacerdócio entre os pioneiros da Internet e a turma do software livre, incluindo boa parte dos hackers. Eles se erigiram - disfarçadamente - como uma nova elite. Olham os que entram em sua área e não dominam seu jargão técnico como espécies de usurpadores, invasores da sua praia (privada). Em geral cultivam uma opinião muito favorável sobre si mesmos. Não gostam muito de serviços web. Preferem sistemas menos amigáveis e que exigem instalação de programas em algum servidor (desde que tenham código aberto, ou sejam “livres” – o software livre virou um mantra – o que é bom, mas não justifica o seu esoterismo digital e sua aversão às ferramentas abertas ao “vulgo”). É como se exigissem dos outros um passaporte – um conhecimento prévio dos assuntos recorrentes em suas conversações – para participar do seu seleto clube.

Todavia, esoterismo digital, elitismo free software e pedantismo hacker não vão nos salvar da sociedade de controle. Eles são parte dos mecanismos de controle desta sociedade cujas raízes brotam do velho tronco enterrado na noite dos tempos em que foram forjadas as matrizes míticas, sacerdotais, hierárquicas e autocráticas cujo propósito e obstruir, separar e excluir.

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Comentário de Sérgio Luis Langer em 6 agosto 2009 às 18:32
O rumo definido e especificado pela contemporaneidade social (onde nos inserimos como indivíduos), em inobservância a determinados preceitos organizacionais configurativos, como unidade funcional constituída, institui maneiras de adequação à proposição interpretativa do comportamento humano, no decorrer da sua existência biológica. A dinâmica contemplativa das diferentes realidades e experiências evidenciadas, sobre os parâmetros da inclusão e exclusão, instigam a personificação dos fatos como congruentes à imposição e inadequação de metodologias focadas aos pragmatismos educacionais; porém, suavizadas pela compaixão postulada em sua pedagogia de formação conferida nas análises antropológicas delineadas segundo o histórico das civilizações, então formadas. A pertinência da sociedade é estendida à condição dimensionada de seu desenvolvimento ecossocioeconômico; sendo, permanentemente, considerado íntimo de sua particular criatividade, na qual "o ser humano deve ser senhor do seu conhecimento, e não, escravo do mesmo". Assim sendo, a instrumentalização chama-se possibilidades ... uma vez que, a sua flexibilidade nunca deverá vir a ser proibitiva da consciência, responsabilização e mutualidade interpretativa da construção ética de uma ideologia em sua essência.
Comentário de Lía Goren em 28 julho 2009 às 1:28
Hace dos días estaba mirando una serie policial en TV que trataba de un experimento con estudiantes en una prisión (o algo así) y el que dirigía la experiencia decía "en realidad todos los participantes podían salir afuera, porque nunca hubo una puerta cerrada con el objeto de impedir la salida". Preguntó entonces el detective policial: "¿por qué no se salían de la experiencia los estudiantes si es que tenían la posibilidad de hacerlo?" El director responde entonces: "No lo pensaban como posibilidad". "¿Por qué?" Vuelve a preguntar el detective. "Porque en una prisión, ellos eran prisioneros".
Entonces pensé en este blog.
Comentário de Andre Stangl em 27 julho 2009 às 21:56
Comentário de Lía Goren em 26 julho 2009 às 0:11
Agradecida por este aporte.
Coincido en que el problema, como dice Augusto, no es el patrón no está en la escala sino que la clave está en la estructura y en la dinámica.
En este sentido, y desde mi personal experiencia, considero que lo que hace tan resistente estas estructuras y dinámicas radica en el hecho de que "la sociedad de control... no sólo está sentado na cadeira ao lado...", sino que "está cómodamente sentada en nuestras propias cabezas". Se instala desde que nacemos a partir de la propia dinámica jerárica de la familia nuclear que terminó de prevalecer en el tiempo en que la sociedades industriales florecieron.
En cuanto a que no existe constructo teórico para dar respuesta a que es cerrado y abierto, disiento en ello. No soy bióloga ni matemática y me cuesta mucho entender algunos conceptos de Gregory Bateson en "Pasos hacia una ecología de la mente", pero a partir de sus desarrollos y de la mano del enfoque de la psicología gestáltica que nace con Fritz Perls más todos los humanistas y sistémicos que han seguido estas y otras huellas, Carl Jung incluido, creo que sobran enfoques teóricos para sostener planteos como el de Augusto.
Algunas de estos enfoques guían mi actividad cotidiana. Día a día veo al controlador y prestidigitador sentado en nuestras cabezas, agazapado, como un cristal que al primer descuido distorsiona nuestra mirada interior, nuestra percepción y nuestra manera de estructurar cada paso que damos y nuestras relaciones.
El cambio, decimos los gestálticos, empieza en uno mismo puesto que, en realidad, es el único cambio del que realmente me puedo ocupar y el único cambio del que realmente nos podemos responsabilizar plenamente.
Me encantó la "hormiga"!!! y gracias por movilizar mis propias ideas.
Comentário de Marcelo Estraviz em 24 julho 2009 às 18:44
boyle querido, tampoco coincido contigo pero decia voltaire: "Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo...."

(y dile al tal gordon que un "hormigo" y una hormiga si que hacen hormigas!)

:)
Comentário de Carlos Boyle em 24 julho 2009 às 18:06
Recordá lo que dice Gordon "las hormigas no hacen hormigas, los hormigueros hacen hormigueros" Jeje
Comentário de Carlos Boyle em 24 julho 2009 às 18:02
Sigo sin coincidir con vos Marcelo, esa idea de bazar, tal cual la planteas se hacerca mucho a la idea de los libertarians, o sea anarquistas de derecha, un neoliberalismo ortodoxo donde no tenes una comunidad, sino un conjunto de individualidades.
Esto es el pensamiento smithsoniano llevado a un extremo, yo estoy de acuerdo mas con Johnn Nash que si bién respeta aquello de todos para si mismos y de alli surge el bienestar general, adisiona siempre y cuando se tenga en cuenta el crecimiento del grupo o comunidad, o construcción colectiva.
Incluso creo que un Bazar es un tipo de construcción "Um constructo social ou construção social é qualquer entidade institucionalizada ou artefato num sistema social "inventado" ou "construído" por participantes numa cultura ou sociedade particular, e que existe porque as pesoas concordam em agir como se ela existisse de facto ou seguem determinadas normas. Um exemplo de constructo social é o status social."
Institución quiere decir in stature, erigirse a si mismo, dar estatura a algo por sus propios medios, por lo que creo en las cosntrucciones colectiva, hay que tener mucho cuidado con esto y no confundir un bazar con algo anárquico. Esto me recuerda a Augusto, tratando de marcar lo que se puede hacer y lo que no se puede hacer dentro de las Escola de Redes. Aquí no se puede hacer cualquier cosa, de lo que se puede hacer sí cualquiera puede hacer lo que quiera, pero es lo que todos pactamos o instituimos como norma de la Escola. Hay que ser muy cuidadosos con esto.
Un abrazo
Comentário de Marcelo Estraviz em 24 julho 2009 às 17:15
hehehe. chamei a formiguinha prum chopp pra trocarmos umas idéias... :)
Comentário de Nilton Lessa em 24 julho 2009 às 17:09
Incluí em vídeos da ER uma palestra da Deborah Gordon no Ted.
Comentário de Augusto de Franco em 24 julho 2009 às 16:43
E a "formiguinha" da foto aí acima, está braba com você!

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