Escola de Redes

Na recente ação policial nos principais redutos do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, chamou-me a atenção a fragilidade que essa organização criminosa, que tanto assustava a população e as autoridades locais, demonstrou frente ao poderio da polícia e das forças armadas.

Surgiu, então, um questionamento em especial que me chamou a atenção: aonde foi parar toda aquela FORÇA dessa organização que muitos temiam, mas TODOS respeitavam?

Inúmeras são as organizações que fazem parte da nossa vida. São tantas que muitas vezes nem as percebemos. Mas elas estão lá, nos servindo, nos suprindo, nos empregando, nos subjugando. Somos reféns das organizações, e nem nos tocamos disso.Só que o problema reside no fato de que essas organizações são baseadas no modelo hierárquico-burocrático típico, que dá ênfase à cadeia de comando/controle, modelo este incapaz de satisfazer as demandas da nova sociedade em rede que começa a surgir.

E quando se fala em rede, falamos, em outras palavras, de não-hierarquização. Ou seja, para construir uma rede, precisamos abandonar o velho padrão hierárquico.

Não pretendo agora discutir o assunto redes versus hierarquia, até porque não pretendo prolongar este post, mas era preciso citar esse ponto para que fique claro um insight que tive ao analisar um pouco a ação à qual me referi no início do texto: não importa qual seja a organização, se ela for baseada em um padrão hierárquico, ela não é tão forte quanto se pensa – ou quanto ela diz ser.

Conforme diz Augusto de Franco no seu livro Tudo o que é sustentável tem o padrão de rede, o padrão hierárquico tem características que o impedem de tornar qualquer organização sustentável. Portanto, uma hora ou outra, por mais ou por menos, essa organização pode ruir.

Respondendo ao questionamento que fiz no início: a força dessa organização criminosa não foi para lugar nenhum. Ela simplesmente nunca existiu na forma como se acreditava. Era apenas uma ilusão das pessoas que vivem numa sociedade que pensa que as suas organizações são imortais. E essa, definitivamente, é outra ilusão.

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