Escola de Redes

Só entre familiares ou amigos muito íntimos, não é constrangedor ficar calado quando não se tem nada pra dizer. E, se formos ver com atenção,
muito pouco do que falamos diariamente está à altura da grandiosa faculdade humana da fala.
O silêncio é socialmente tratado como falta de educação – podendo passar até por mau-humor – que nos força a ter de ter assunto até dentro de um elevador.
Esse culto à fala desnecessária estimula o culto ao EU já que, falando tanto, desaprendemos a ouvir e nos tornamos nossa principal fonte de informação e assunto.

E assim, pra sustentar esse EUmismo, começamos a caprichar em alguns detalhes já que nossa vida, apesar de interessantíssima, é muito parecida com a do vizinho. Temos de nos diferenciar para garantir a atenção no meio do barulho.

Tal capricho vai reforçando não só para o outro, mas principalmente para nós mesmos, uma auto-imagem a qual temos de passar a acompanhar, praticamente a obedecer.
Assim passamos a viver mais para fora, antecipando os quereres do mundo para que essa brincadeira séria
se sustente. Perdemos o caminho de volta e ficamos à deriva dentro da nossa própria existência. Vê se pode!

Pensando numa metáfora à altura dessa “infelicidade” me lembrei de um cientista dizendo o quanto é desproporcional as distâncias que o homem já conseguiu percorrer para fora da Terra em relação à distância que já conseguiu entrar pra dentro do planeta.

São anos luz versus quilômetros e o “fora” sempre parecendo mais interessante que o “dentro”
demandando enormes quantidades de energia.

Por isso, eu acho que Mestre é também o cara que consegue interromper nossa auto-reflexão, pois ela nos leva a lugares bem menos interessantes do que o somos nós mesmos.

Enfim, isso foi o que EU consegui produzir hoje tendo uma britadeira ligada há uma semana destruindo uma guarita no prédio ao lado que parece ter sido construída pra ser um abrigo anti-aéreo.

fabíola

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Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 23 janeiro 2010 às 10:00
Fabio, interessante reflexão.

O que me lembra que estamos agora não na ditadura do ter que falar, mas do ter que escrever. Nosso viver em rede ainda está muito incipiente... ainda valorizamos muito mais os monólogos dos livros que os "multiálogos" criativos de uma conversa em rede.

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