Escola de Redes

Sería o grau de distribuição das redes, função da materialidade dos objetivos e atividades da rede?

Obrigado pela atenção, os que aceitaram o convite feito no grupo Desistência como Ativismo, após as emoções de ter pela primeira vez, interagido inteligentemente em rede. Foi marcante e delicioso. Alô para quem atraiu-se para o tema por outros caminhos.

Respondendo a questão, afirmo que assim me parece. Ou melhor, esta perspectiva resolve muitos impasses em meu raciocínio, o que me recomenda colocar em quarentena, exposto as opiniões.

A Escola de Artes e Ofícios (vejas os links na minha apresentação) ainda é um projeto. Seus conceitos, idéias e propostas foram criados, desenvolvidos e testados ao longo dos últimos anos, mas a experiência da sinergia destas idéias trabalhando juntas ainda não aconteceu. Entender porque e o que tem de ser modificado para que isto aconteça é o conhecimento que procuro na E=R. Estamos indo muito bem.

Observando o canteiro onde tenho plantado as sementes que colho pela E=R, encontro alguns debates que poderão fazer uma sintonia fina no entendimento das novas formas de aprender.

Gostaria de participar da proposta dos Buscadores e Polinizadores. Refletir sobre a transição, é melhor espaço de construção do novo; é a melhor ferramenta para se pressentir os rumos da transformação. Desbravar os limites entre o mundo dominado pelo que era e nossa capacidade de entender e cooperar com as forças de transformação, é meu esporte radical.
Gostaria de adicionar um sub-tema atentado para uma “classe especial” de conhecimentos práticos relacionados ao trato das matérias primas, desenvolvidos e aperfeiçoados ao longo dos últimos milênios. Como sou marceneiro, e desenvolvi estas idéias ensinando marcenaria, gostaria de discutir “a aprendizagem do conhecimento arquetípico” ou “como ensinar a colocar o ovo em pé”. Acho interessante também refletir sobre as decorrências e implicações de nosso trato com as matérias primas naturais. Novamente, no universo da madeira, o contato com detalhes e segredos que se revelam na EXPERIENCIA de trabalhar com a marcenaria, são referências pessoais importantes para retemperar nossa expressão pessoal.

Outro eixo que gostaria ver considerado neste debate, é uma urgência em compreender o funcionamento de um equipamento produtivo ajustado a nossa condição de “transeuntes” ou seja, procurar soluções ainda que intermediárias, competentes para sustentar a transição entre nosso envolvimento com a vigente sociedade industrial e as novas formas associativas. Se estruturas hierárquicas conseguem com engodos e pressão usurpar direitos individuais, e concentrar os frutos do trabalho, é admissível que a organização de nossos empreendimentos (refiro-me a todos que já esgotaram o ego) contemplem novos valores já incorporados. Portanto, gostaria de imaginar uma moldura mais pragmática capaz de gerar eficiência e produtividade na geração de nossa renda, o desenvolvimento local do meu local, e lucros ou sobras em meu bolso para investir no que mais me aprouver. Considero isto uma condição básica para atingirmos a perspectiva correta para inventar o próximo passo.

O terceiro eixo que gostaria de acrescentar, são os caminhos para universalizar a experiência. Esvaziar a experiência dos personalismos e circunstâncias particulares, para torná-la útil para outras pessoas e locais. Considero razoável estabelecer uma política de expansão e mesmo uma forma publicitária de atrair pessoas e alargar as bases da experiência, ao mesmo tempo em que se procura otimizar o processo. Penso que as dificuldades de articulação das economias comunitárias possam ser diluídas por uma sóbria observação do jogo bruto e tosco das formas vigentes. Parafraseando um antigo netweaver. Dar a Ceaser o que é de Ceaser e as redes o que são das redes, pode ser um vigoroso caminho de encurtar as aflições.

Creio que na intercessão destes três eixos, exista uma solução simples e possivel para resolvermos o impasse entre o estômago e a mente.

Já dá para começar
Um abraço
Paulo Vargas

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Comentário de Paulo Vargas de Oliveira Jr em 2 julho 2010 às 10:07
Paulo

Legal que você já saiba que florestas são assim mesmo, cheias de novidades. Acho fantástico existir um sitio, onde exploradores se encontrem por sintonias e afinidades.

Sinto que vibram na E=R várias persepções que nos conduzem a conclusões semelhantes. Sem pretender unanimidade, acredito que seja um reflexo de nossas mutações enquanto espécie humana.

As idéias estão harmonizadas, mas ainda temos de gerar a centelha, que me parece produzida mais pelas vísceras que pela cabeça, capaz de articular este processo de colocar mãos a obra, de romper a inércia, e imprimir um equilíbrio dinâmico em nossa forma de viver.

Aprender Artes e Ofícios, me parece uma boa estratégia. Se quizer continuar a conversa pessoalmente, te convido para se iniciar na marcenaria. http://escoladearteseoficios.com.br/cma. Libere o popup que tem um filminho.

Um abraço
Paulo
Comentário de Paulo Ganns @pganns em 1 julho 2010 às 10:29
Paulo e amigos aprendizes(todos),

Explorando uma floresta, encontrei uma nova espécie de árvore! Quase tudo nela é diferente. Já nem sei se é árvore. Desconfio que ela caminha! Mas ela tem algo que me é comum. Sei disso por instinto e intuição!

Então, entendo quando você diz:

"creio que é possível criar uma forma de se manter com menos sacrifícios se conseguirmos inventar esta nova fabrica!"

Neste emaranhado de conexões da E=R, existem pessoas que querem ser aprendizes! Outros querem ser artesãos! Alguns atuam como filósofos! Outros como historiadores! Poetas e sonhadores também temos!


Meu filho de 3 anos, tem um canção amiga de suas brincadeiras criativas: "Misture tudo, juntos!"
Eu, como desistente, me dei um ano para tornar isso o meu "motto"!

"Misturemos tudo, juntos!"

[]s

Paulo Ganns
Comentário de Paulo Vargas de Oliveira Jr em 1 julho 2010 às 0:42
Marcelo, você é mesmo um romântico.

Criei dois filhos trabalhando como marceneiro, e não sei te dizer quantas vezes conquistei um parceiro/aprendiz, ou mesmo outros marceneiros que se empolgaram com estas idéias. Mas sei exatamente onde TODAS estas experiências travaram. No final do mês quando se apurava que a grana que sobrava não iria pagar todas as contas. FATAL, FIM DE LINHA PARA A EXPERIÊNCIA.

Mas como sou "muito" teimoso, e vislumbrava um solução mais definitiva, persisti ainda que isolado. Afirmo, apoiado nos 20 anos de profissão, que este artesanato, ainda que providencial para te manter vivo, não evolui sua condição, a menos que se disponha a explorar mão de obra alheia, como um empresário convencional, e não mais como um artesão. Como sempre me imaginei educador, não pude aceitar esta opção. Entendo que a relação do artesão com o cliente, entre quem compra e quem precisa vender para sustentar a casa, lei da oferta e procura, o escasso é o cliente. Desta hierarquia só pude desistir quando meus filhos ficaram independentes.

O truque da produção em escala, motor do capitalismo, é banal, pura engenharia, calculo, e totalmente sem ideologia, o nos torna "inadequados" enquanto seres rebeldes, pensantes, que sonham um mundo sustentável e democrático.

Não sei de que você (e todos outros) vive, como paga suas contas, o padrão de consumo a que se habituou, se já logrou conseguir uma posição capaz de harmonizar sua maneira de pensar com tua ação cotidiana. Para quem já conseguiu meus sinceros parabéns, mas para os demais, creio que é possível criar uma forma de se manter com menos sacrifícios se conseguirmos inventar esta nova fabrica.

Paulo
Comentário de Marcelo Estraviz em 30 junho 2010 às 10:41
Começa com um pequeno grupo conversando, e como virus isso se amplia. Busca mais 1 ou 2, artesãos ou aprendizes. E dessa experiência real, no convívio, aparecerão os problemas e as soluções. Encontra um lugar pra que vocês 3 façam um banco, a primeira mesa, um armário ou um violino. Dessa realidade sairá algo. Tudo isso me lembrou um livro do Herman Hesse, lembro do título em espanhol pois li lá: Narciso y Goldmundo. Eu tinha 19 anos e sonhei achar um artesão um dia. Busquei durante anos, como aprendiz, alguem. Enontrei um monte de gente. E hoje sou um artesão. Por vezes aprendiz. E nem me sinto esquizofrenico por isso. hehe!
Comentário de Paulo Vargas de Oliveira Jr em 30 junho 2010 às 9:37
Marcelo
você está enganado. Não é um pequeno detalhe, é circunstância básica para este projeto encontrar-se com a realidade. Mas seguindo seu conselho, e meu instinto, entendo que a E=R reúne meus pares, e creio que localizei o ponto em que gostaria de colocar em debate.

Não acho que as pessoas tenham que concorda com as idéias apresentadas, nenhuma delas propriamente minhas. O arranjo destes conhecimentos tradicionais, ocultados de nossa percepção por nossas práticas de consumidores, talvez seja a inovação que imagino trazer . Entendo que este "corpo de conhecimentos" oferece a possibilidade de ajustar-se a circunstâncias do mundo contemporâneo, e ainda preservar espaço para rearticular o "modo de produção" a nosso favor.

Percebo que discussões nas redes transcorrem com o sentimento que as idéias estão claras e as pessoas motivadas, mas infelizmente, os empregos, as velhas formas de relacionamentos acabam estragando tudo. Acho que podemos desistir de evoluir o mercado para que ele absorva as ofertas de trabalho, entrar na concorrência com nossos melhores recursos, e recriar um processo de fabricação industrial a luz de nossas novas ambições.

Eficiência financeira é virtude, o pecado é apropriação do lucro por "direitos hierárquicos", e mais, pode significar trabalhar menos horas. o que me parece uma "carta de Alforria" frente as ofertas de trabalho remunerado convencionais.

Está em nosso alcançe. O Augusto diz que seria impossível criar uma estrutura hierárquica com sósias de Guandi. Pergunto e nós que fervorosamente debatemos estas questões. Seríamos capazes de produzir sem qualquer hierarquia?. Num empreendimento de boa rentabilidade, estamos prontos para distribuir a grana ? Já temos algum critério que possa iluminar a questão?

Digo que precisamos tentar. Quem fizer primeiro descobriu a pólvora.


um abraço
Paulo
Comentário de Marcelo Estraviz em 27 junho 2010 às 21:13
Caro Paulo, senti falta em seu texto de um pequeno detalhe: gente!

Como pretendes fazer tudo isso que citaste? As pessoas terão que concordar com todas as tuas ideias aqui expostas? Então o que queres, a meu ver, é uma escola da tua arte e do teu ofício. Nada contra, pelo contrário. Acho poética a ideia do artesão e seu aprendiz.

Mas parece que buscas por redes, queres polinizações. Então busca pares, meu amigo. Começa com a conversa, no papel vazio, para ser preenchido na ação das várias mãos que chegam e chegarão!

abs,

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