Escola de Redes

Senac apóia crescimento e constrói relações no bairro de Pachá, em Catanduva

Os 3 filhos e 2 netos da dona de casa, Eva Quintinno, 49 anos, vivem com ela e o marido em Pachá, bairro da periferia do município de Catanduva (SP), a cerca de 400 km da capital. Ela conta que o bairro estava abandonado, sem espaços de lazer e cultura. "Tínhamos problemas como a sujeira, a iluminação. Antes, crianças e jovens quebravam as lâmpadas."

Esta realidade está mudando graças à união de atores sociais mobilizados pela Rede Social Catanduva, uma das 30 redes do Programa Rede Social do Senac, que promove a articulação e integração de organizações não-governamentais, otimizando recursos, conjugando esforços e favorecendo o intercâmbio de experiências para o crescimento comum. São cerca de 600 organizações trabalhando em rede e mais de 100 projetos em andamento. A metodologia da Rede Social tem como base o Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável (DLIS).

A Rede Social Catanduva tem avançado principalmente com projetos de Desenvolvimento Local, envolvendo os três setores da sociedade (público, privado e sociedade civil). "Hoje temos coleta pública e uma mudança comportamental dos moradores", diz Eva.

A comissão de Desenvolvimento Local (DL) está trabalhando com os cerca de 2000 habitantes de Pachá, isolado geograficamente por um córrego, cuja água não era potável, e áreas rurais, onde existe o plantio da cultura de cana-de-açúcar.

As ações desenvolvidas por esta comissão, geraram vários projetos como levantamento de dados da população do bairro, o trabalho em conjunto dos alunos do curso Técnico Ambiental do Senac Catanduva e da Comissão de DL criaram 4 projetos ambientais para o bairro, como trabalho de conclusão de curso. Aconteceu também um concurso de desenhos e frases para crianças, a 1ª Festa Folclórica do bairro, a Semana de Mobilização pela Limpeza do Bairro, além de encontros com os moradores e professores.

Integrante da Associação Doce Lar Sociedade Amigos do Bairro Pachá e Vizinhos desde sua criação, em 2000, Eva se reúne com os demais associados a cada 15 dias para discutir as necessidades do local e buscar alternativas.

"Desde quando o começou, a rede promove vários eventos, como a Semana de Mobilização que aconteceu em julho de 2006, que serviu para conscientizar os moradores sobre como cuidar do bairro", conta Eva.

Segundo Heveraldo Galvão, 32 anos, mediador da Rede Social Catanduva e Agente de Desenvolvimento Local, a parceria com a Prefeitura Municipal de Catanduva foi importante para a realização do projeto, uma vez que alguns departamentos também efetuaram serviços no bairro como: pintura de guias e sinalização de chão, retirada de entulhos e limpeza de terrenos, limpeza de matos e fornecimento de mudas, pulverização de inseticida e visita nas residências. "Foi realizada também a troca de lâmpadas na iluminação pública feita pela Cia. Nacional de Energia Elétrica também era uma solicitação antiga dos moradores", conta Heveraldo, que nasceu e foi criado no município.

Outro problema era a segurança pública. "Com a mobilização da rede conseguimos melhorar isso. As rondas policiais passam mais vezes. A mobilização tem que partir da gente, a luta para melhorar. Levamos ao prefeito um documento com todas as ações que fizemos enquanto associação dentro de uma rede. Se a gente ficar só no nosso mundinho nada acontece. Temos que buscar e cobrar também", destaca Vera.

"Em razão do envolvimento da população para os projetos e ações da Rede Social Catanduva, conseguimos gerar o desenvolvimento do bairro em vários setores. O primeiro e mais importante foi o sentimento de pertencimento. Antes de nossas ações, as pessoas se sentiam envergonhadas de dizer que moravam no Pachá, pois era tido como um bairro de periferia, feio e sujo", ressalta Heveraldo.

Ele destaca a articulação com a Associação Doce Lar. "Várias ações foram desenvolvidas e hoje o bairro é mais iluminado, mais seguro e mais limpo. Em razão disso, hoje as pessoas sentem orgulho de dizer que moram no Pachá, pois é um bairro em franco desenvolvimento e que já é reconhecido pela população da cidade como um local onde as pessoas são articuladas e preocupadas com o desenvolvimento social integrado e sustentável, não só de sua localidade, mas de todo o município."

Tecendo a rede

A Rede Social Catanduva teve como marco inicial um café da manhã para imprensa e comunidade local no dia 28 de maio de 2004. Participaram diversas entidades, associações, ONGs e demais representantes da sociedade civil organizada, poder público, iniciativa privada e pessoas da comunidade.

Sua missão é mobilizar e articular estes atores para a criação de projetos e ações que promovam o desenvolvimento social de Catanduva e Região. Heveraldo conta que o objetivo é que a rede se torne referência como organização social e democrática geradora do desenvolvimento local, integrado de sustentável, até 2011.

No começo foi feito um levantamento das atividades e necessidades locais. Foram identificadas 191 entidades, entre ONG's, grupos de voluntários, associações de bairros etc. A Rede Social possui quatro comissões temáticas: o Fórum Permanente do Terceiro Setor, Voluntariado (a partir de abril de 2005), Desenvolvimento Local (DL) e Comunicação (criada em outubro de 2006).

A prestação de assistência judiciária gratuita às organizações é feita por alunos da Faculdade de Direito da Fundação Padre Albino, através do Centro de Práticas Jurídicas (CEPRAJUR), que se integraram à Rede em maio de 2006.

O atendimento de saúde a toda população do município e região é feito pelas Ligas de Medicina da Faculdade de Medicina de Catanduva, da Fundação Padre Albino (FAMECA) e pela Secretaria de Saúde do Município, desde agosto de 2006.

Heveraldo lembra os demais integrantes da rede em todos os setores. "Temos o Primeiro Setor, ou seja, a Prefeitura através de várias de suas secretarias e coordenadorias, tais como, Assistência Social, Fundo Social de Solidariedade, Emprego e Relação do Trabalho, Coordenadoria de Esportes e Cultura. No Segundo Setor, ou seja, na iniciativa privada, temos vários parceiros que se articulam com a Rede quando desenvolvemos projetos específicos. E, finalmente, no Terceiro Setor, temos em média de 40 a 50 entidades e organizações que participam ativamente."

O mediador da Rede costuma produzir notícias sobre as atividades da rede. Numa delas o prefeito Afonso Machione Neto diz: "Acreditar neste tipo de trabalho feito pela Rede Social e ser parceiro em suas ações é sempre muito valioso para a Prefeitura, pois gera desenvolvimento. E, além de nos ajudar, mostra-nos as reais necessidades do bairro".

O balanço de atividades da Rede em 2006 apresentou números como: 600 participantes nos 7 Fóruns realizados; 1010 Kg de alimentos arrecadados e doados; 12 projetos realizados ou em andamento; 60 pessoas capacitadas ? Formatos Brasil; 200 participantes em festa local do bairro Pachá, 60 moradores mobilizados em limpeza, 30 árvores plantadas no bairro Pachá, 12 pessoas capacitadas para o Diagnóstico Participativo nos bairros do Parque Flamingo, Vila Paulista, Jardim Gavioli e Parque Ipiranga. Nestes bairros será trabalhado também o Desenvolvimento Local (DL).

Para Heveraldo, muitas lições podem ser apreendidas no convívio da rede. "Os desafios de convivência estão a participação voluntária, no respeito à diferença, na multi-liderança, na desconcentração de poder, na cooperação, no auto-governo, na sua autonomia e Empoderamento."

"No ano de 2007 que se aproxima, teremos ainda muitos desafios, mas também temos a certeza de que contaremos com a energia e solidariedade de todos, para juntos, construirmos um mundo melhor", conclui Heveraldo.

Doce Lar

O administrador Vasco P. Da Gama, 35 anos, é presidente da Associação Doce Lar Sociedade Amigos do Bairro Pachá e Vizinhos e professor de Cabeleireiro. Passou a integrar a Rede Social Catanduva começou depois de participar do Programa Formatos Brasil, do Senac, que forma atores sociais, lideranças comunitárias. "Descobri, através da Rede Social e do Formatos, que os trabalhos desenvolvidos em conjunto com a comunidade podem levar ao desenvolvimento social", ressalta.

Ele conta que após o programa foi instituída uma comissão para a realização e criação de uma agência de DLIS. "O Senac abraçou a nossa causa, nos orientando para a formação de uma comissão de DL através da Rede Social dentro da Rede Social Catanduva. Esta comissão então decidiu que deveríamos levar o nosso conhecimento e a começar a desenvolver os trabalhos em algum local. Decidimos pelo Pachá, pelo bairro ter uma população pequena, boa localização e ser um bairro novo", conta Vasco.

Sobre a história da Doce Lar, Vasco lembra que o nome surgiu em eleição com os próprios moradores e integrantes da associação. "Meu papel é descobrir as necessidades dos moradores e providenciar o seu desenvolvimento através de trabalhos com a participação da própria comunidade. São 10 integrantes, moradores do bairro, e, sempre que possível, incluímos em nosso trabalhos empresas da cidade ou bairro, a Prefeitura e suas secretarias e o Senac", explica.

Vasco revela que a consciência da população com a sua participação nos trabalhos do bairro é um dos resultados do trabalho em rede. "Neste ano, estaremos desenvolvendo duas semanas de Mobilização e Ação com a limpeza das ruas, matos, retiradas de entulhos, plantio de árvores e praças, trocas de lâmpadas em conjunto com a população. Os moradores se mobilizam para participar limpando as suas casas, calçadas, podando as árvores etc."

Mas ele afirma que a rede ainda não é auto-suficiente. "Temos a consciência de nosso trabalho na comunidade, mas esta é a fase mais difícil de integração. Muitas vezes desanimamos, ainda temos muita coisa para conseguir e muita coisa precisa ser mudada no bairro para que os moradores que não acreditam nesta forma de trabalho se conscientizem da importância de sua participação."

Para ele, o Senac deu muita credibilidade para os trabalhos. "Toda semana nos reunimos (a comissão de DLIS) no Senac para discutirmos o que é Desenvolvimento Local e de que forma trabalhar na comunidade. Isto foi muito produtivo, pois fizemos uma avaliação no bairro, um questionário socioeconômico e um trabalho ecológico. Isto nos deu argumentos e nos fez conhecer o local que estaríamos trabalhando."

Vasco ressalta a importância do conhecimento do conceito de DL. "É uma área nova e a população não está acostumada com esta forma de trabalho. Geralmente vão à Prefeitura e pedem as suas necessidades ao invés de se reunirem e tentarem em grupo resolver o problema", justifica.

O maior problema, segundo Vasco, é a participação integral da população. "Sei que isto é um trabalho mais lento. O maior sucesso é quando olhamos para o nosso bairro e vemos que ele está mais bonito, mais limpo, mais organizado, quando nossas festas geram lucros e uma grande participação da população e servimos de exemplo para outros bairros da cidade. Hoje somos referência."


Texto de Juliana Rocha Barroso.
Disponível em: http://www.setor3.com.br/jsp/default.jsp?tab=00002&subTab=00000&newsID=a4183.htm&template=58.dwt&testeira=33&sectid=186

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