Escola de Redes


Estou lendo o maravilhoso livrinho de Deborah Gordon (1999), Formigas em ação: como se organiza uma sociedade de insetos (Rio de Janeiro: Zahar, 2002). Deborah, professora de ciências biológicas em Stanford, pesquisou durante 17 anos colônias de formigas no Arizona.

Deborah Gordon

O primeiro parágrafo da Introdução já diz (quase) tudo: "O mistério básico que cerca as colônias é que nelas não há administração. Uma organização ativa sem que haja alguém no comando é algo tão diverso do modo como os seres humanos operam que chega a ser quase inconcebível. Não há nenhum controle central. Nenhum inseto dá ordens a outro ou o instrui a fazer coisas de determinada maneira. Nenhum indivíduo tem conhecimento do que deve ser feito para levar a cabo qualquer tarefa da colônia. Cada formiga abre seu caminho arranhando e picando através do minúsculo mundo de sua vizinhança imediata. As formigas se encontram, se separam, vão cuidar de seus afazeres. De certa maneira, esses pequenos eventos criam um padrão que engendra o comportamento coordenado das colônias".

No final da Introdução, Deborah reafirma que "não só esse comportamento é complexo, tecido por um sem-número de atos de formigas como todos aqueles eventos minúsculos contribuem para algo diverso do que vemos em qualquer outra sociedade conhecida. Histórias sobre sociedades totalitárias, exércitos implacáveis e monstros vorazes são frequentemente contadas acerca de formigas. Mas elas não têm nenhum ditador, nenhum general, nenhum mentor perverso. De fato, não há entre elas líderes de qualquer espécie".

Isso, por certo, deve aborrecer os adeptos do liderancismo, que às vezes tentam justificar a necessidade da liderança nas organizações sociais fazendo analogias com o comportamento dos animais.

O oitavo e último capítulo do livro, intitulado Sistemas Complexos, é o mais interessante para quem está interessado em descobrir as relações entre pequenas ações simples dos indivíduos e o comportamento coletivo. Deborah investigou como "indivíduos, seguindo regras simples, locais, geram as realizações das colônias". E descobriu "indícios esmagadores de que a alocação de tarefa é afetada por estímulos do ambiente" e não apenas pela interação entre as formigas. Mas o processamento se dá a partir da interação, como ela explica no Epílogo da obra, intitulado Lições das Formigas:

"Uma lição que as formigas dão é que para compreender um sistema como o delas não é suficiente desagregá-lo. O comportamento de cada unidade não está encerrado dentro daquela unidade mas decorre de suas conexões com o resto do sistema. Para ver como os componentes produzem a resposta do sistema global, temos de rastrear essas conexões em situações cambiantes. Poderíamos dissecar um cérebro em milhões de diferentes células nervosas, mas jamais encontraríamos alguma dedicada a pensar sobre a "natureza" ou as "formigas" ou qualquer outra coisa; os pensamentos são feitos pelo padrão em mudança de interações de neurônios. Os anticorpos se formam no sistema imune como consequência de encontros com células estranhas. As formigas não nascem para executar certa tarefa; a função de cada uma delas muda juntamente com as condições que encontra, incluindo as atividades de outras formigas".

O mais revelador, porém, da pesquisa de Deborah Gordon é que ela descobriu que "a decisão de uma formiga quanto a uma tarefa é baseada em sua taxa de interação". Mas "o que produz o efeito é o padrão de interação, não um sinal na própria interação. As formigas não dizem umas às outras o que fazer por meio da transferência de mensagens. O sinal não está no contato, ou na informação química trocada no contato. O sinal está no padrão de contato".

Ou seja, não se trata de uma comunicação de conteúdo, de um código, mas da frequência e das circunstâncias em que se dão os contatos. Para quem sustenta, como eu, que em redes distribuídas o determinante não é o que flui pelas conexões e sim a topologia e a conectividade, o livro de Deborah foi um achado inspirador.

Mas tem mais. Deborah Gordon percebeu que uma "outra característica intrigante dos padrões de interação é que eles dependem do tamanho do sistema (olha aí o fator 'quantidade', que tanto aprendemos a desprezar em prol da qualidade e do conteúdo do que trafega em uma rede). Quanto mais unidades disponíveis para interagir houver, maior a taxa de interação que cada unidade pode experimentar. Como as colônias de formigas, muitos sistemas vivos mudam de tamanho à medida que amadurecem. Se as partes de um sistema ajustam seu comportamento segundo a taxa que interagem com outras, o comportamento do sistema pode mudar à medida que ele cresce, mesmo que as partes continuem elas mesmas operando da mesma maneira".

Pois é.

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Comentário de Augusto de Franco em 20 fevereiro 2009 às 4:53
Então você acabou de acordar agora, Osmar (são 05:45). Acordei as 05:00 hoje (infelizmente, he he). Bem, eu não aplico o exemplo das formigas para entender ou explicar a sociedade humana. A minha crítica dirigia-se exatamente a quem faz isso (usa exemplos na natureza para justificar construções teóricas aplicadas à sociedades). Nesse aspecto minha visão é muito próxima a de Humberto Maturana (o ser humano como ser "biológico-cultural"). Também compartilho inteiramente da crítica de Maturana à idéia de liderança. Mas minha abordagem do assunto - envolvendo as redes sociais - foi esboçada no texto Cada um no seu quadrado. Grande abraço.
Comentário de Osmar Araujo em 19 fevereiro 2009 às 23:50
Olá Augusto,
Não discordo da teoria que você está propondo para a compreensão das redes mas entendo que há outros aspectos para serem considerados. Na minha visão, o principal deles é que somos produtores de cultura e as formigas não, ou seja, o padrão biológico pode explicar parte do nosso tipo de sociabilidade e as formigas podem nos ajudar nesta compreensão, mas não abarcará os aspectos culturais e psíquicos. Gosto de me dedicar neste campo das redes sociais pois trabalho com redes eminentemente presenciais e as paixões estão nos corações e mentes do participantes. Neste Âmbito o estudo da liderança é de grande valia. E vou logo explicando, o líder não é o chefe, o dono, quem manda, mas aquele que reuni as condições de provocar mudanças no grupo. O líder não é um cargo ou um título mas um estado. Sempre que falo sobre liderança sinto dificuldade de semear este conceito pois justamente e erroneamente o modelo que adquirimos é o dos leões ( O Rei da floresta), aliás uma projeção humana dos universo dos leões. Até hoje conseguimos identificar um ecosistema/ bioma mas poucos têm a capacidade de pensar desta forma integrada, interdependente.
Gostaria de continuar mas amanhã acordo as 5:30 para ir ao trabalho.
Abs,
Osmar Araujo
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 15 fevereiro 2009 às 22:30
Emergência - A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares.---------- Forwarded message ----------
From: Claudio Estevam Próspero
Date: 2006/2/14
Subject: Emergência - A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares.
To:


Emergência. A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares.

Steven Johnson
Jorge Zahar Editor, 2003.

Por Patrícia Mariuzzo

http://www.comciencia.br/resenhas/2005/10/resenha1.htm

A gigante do comércio eletrônico Amazon.com envia mensagens automáticas para os usuários avisando sobre novos lançamentos que combinam com o perfil do usuário. O sistema consegue "acertar" nas dicas pois usa informações de compras anteriores, que funcionam para traçar um perfil do usuário e gerar um tipo de propaganda personalizada. Sistemas como o usado pela Amazon são baseados em inteligência emergente. Emergência explica os fenômenos emergentes, como surgiram e como podem transformar a televisão, a propaganda, o trabalho, a política e, antes de tudo isso, a tecnologia. O autor mistura biologia, história, literatura e matemática para explicar o que são esses sistemas. Uma passada de olhos pela bibliografia do livro já é suficiente para despertar a curiosidade do leitor: Charles Dickens; Marshall Mcluhan; James Joyce; Fernand Braudel; e Charles Darvin são algumas das referências usadas por Johnson, cuja formação é em semiótica e literatura inglesa. Provavelmente graças a isso, e à abundância de analogias e bom exemplos, a leitura é agradável e simples, mesmo quando o objetivo é entender questões específicas do mundo da programação de computadores.

O título é provocativo: o que poderiam ter com comum colônias de formigas, o cérebro humano, grandes cidades e softwares? Todos usam, em menor ou maior grau, de sistemas auto-organizados, nos quais é dispensada a presença de controle centralizado. Nos sistemas emergentes, também chamados bottom-up (de baixo para cima), agentes que residem em uma escala começam a produzir um comportamento cujo padrão reside em uma escala acima deles: formigas criam colônias, cidadãos criam comunidades, um software simples de reconhecimento de padrões aprende como recomendar novos livros. O movimento das regras de nível baixo para a sofisticação do nível mais alto é o que o autor chama de emergência. O sistema só é emergente quando todas as interações locais resultam em algum tipo de macrocomportamento observável. Deve ainda ter os seguintes componentes: interação entre vizinhos, reconhecimento de padrões, feedback e controle indireto.

Na primeira parte do livro, Johnson procura desmontar o que chama de "mito da formiga-rainha". A existência desse mito explicaria a dificuldade que as pessoas têm em aceitar a hipótese bottom-up , um mundo sem líderes ou os fenômenos coletivos. O estudo das colônias de formigas - demonstra que não há nada de hierárquico na maneira como ela funciona. A rainha não é uma figura de autoridade, ela não decide o que cada operária faz. O comportamento das formigas - proteger a rainha, buscar alimento etc -, proviria de uma instrução genética, cujo objetivo é a preservação da colônia. Não é a matriarca que treina as operárias, a evolução fez isso.

Nas cidades, da mesma maneira, haveria um tipo de organização espontânea, independente de planejamento ou de uma liderança. Isso conferiria a elas uma "personalidade", que se auto-organiza por meio de milhões de decisões individuais, uma ordem global construída a partir de uma interação local que o autor chama de "nível da rua". O que ocorre é a repetição de padrões que "ficam guardados na textura dos quarteirões..." para usar as palavras de Johnson. Segundo ele, desse mecanismo viriam as separações de bairros ricos e pobres, comerciais e residenciais etc. Prevendo a estranheza do leitor depois de tal afirmação, admite que também existem diversos padrões nas cidades ditados via top-down, como as comissões de planejamento ou as leis de zoneamento. Porém, forças bottom-up desempenhariam um papel fundamental na formação das cidades, criando comunidades distintas e grupos demográficos não planejados. Para isso, bastam milhares de indivíduos e regras simples de interação.

Em seguida, temos a discussão sobre modelos emergentes artificiais. A primeira descrição prática de um programa de software emergente data da década de 1940. O objetivo era criar processos capazes de aperfeiçoarem-se a si mesmos e assim conseguirem reconher padrões que não podiam ser determinados por antecipação. A partir daí, torna-se concreta a possibilidade de criar programas onde as interações dos componentes desencadeiam conseqüências no sistema como um todo ao serem repetidas milhares de vezes. Aqui o exemplo é SimCity ( Simulation City, Cidade Simulada), jogo eletrônico cuja primeira versão, surgida em 1990, tornou-se campeã de vendas. No jogo, o autor usa um truque de programação que permite que a cidade evolua de forma semelhante a um ser vivo. Com a série SimCity, os sistemas bottom-up deixam de ser objeto de estudo para se tornarem um produto comercializável. Apenas dez anos depois o mundo dos sistemas emergentes está em lojas on-line, que dele se utilizam para reconhecer gostos como no exemplo dado no início deste texto; em sites da web que ajustam comunidades on-line; no marketing, que o utiliza para detectar padrões demográficos no público etc. A lição é que, embora nossa primeira reação seja procurar por líderes, estamos aprendendo a pensar bottom-up.

Uma das teses interessantes levantadas no livro é sobre como esses sistemas aprendem. As cidades aprendem, o corpo humano aprende, as formigas aprendem, sempre a partir da interação com vizinhos, por meio de feedbacks positivos e negativos, que determinam as modificações e adaptações no sistema. Mas, "a web também está aprendendo?", pergunta Johnson. Existe a chance das grandes redes de computadores se tornarem auto-conscientes? Antes que sejamos levados por fantasias embaladas por filmes como Matrix, Johnson adianta-se: a resposta é não; e o que vale a pena entender é porque não. A diferença é que os sistemas emergenciais, na cidade e no cérebro, têm conexões e organização, gerando espontaneamente estruturas à medida que aumentam de tamanho. A web, no entanto, não está se tornando organizada, ao contrário, é um espaço em que a desordem cresce com o aumento do volume total. Yahoo e Google são sistemas criados pelo homem para funcionar como um antídoto, para dar sentido a um sistema que não gera organização por si mesmo. Uma tentativa de aperfeiçoar esse modelo é o Alexa, software que usa um tipo de tecnologia de filtragem colaborativa para construir conexões entre sites baseadas no tráfego de usuários. A ferramenta acompanha o usuário enquanto ele navega na internet, aprendendo padrões de tráfego.

O mundo da programação está se tornando cada vez mais darwinista e menos criacionista. Se antes a boa programação era aquela em que havia total controle do autor, hoje avança uma forma mais oblíqua, na qual os desenvolvedores fazem o programa amadurecer, um resgate dos conceitos da seleção natural. Nos jogos baseados em inteligência emergente, programar as regras faz parte do jogo e tomará um tempo considerável do jogador. Nesse momento o autor arrisca prever algumas mudanças de comportamento resultantes do convívio com o novo paradigma. Para ele, crianças familiarizadas com jogos emergentes podem se tornar mais tolerantes com a fase exploratória que precede o jogo em si, e na qual nem os objetivos nem as regras ainda estão claros.

Na terceira e última parte do livro estão algumas questões sobre o futuro da emergência artificial. O que acontecerá quando as experiências em mídia e os movimentos políticos forem delineados por forças bottom-up e não top-down? A emergência segue na direção de melhorar cada vez mais aplicações de software capazes de desenvolver uma teoria sobre nossas mentes. Os programas que fazem um levantamento dos nossos gostos e interesses são o começo de um mundo em que poderemos interagir mais regularmente com a mídia, pois o software reconhecerá nossos hábitos, antecipará nossas necessidades e se adaptará às nossas mudanças de humor. O software, assim como o cérebro, será capaz de reconstruir estados mentais, quase leitores de mentes.

No capítulo final, fica clara a visão otimista de Jonhson e sua crença em um mundo onde a lógica bottom-up se espalha por todos os cantos. Algo que parece questionável pois se os sistemas emergentes estão presentes na lógica de desenvolvimento das cidades, com a eficiência para organizar e estruturar a vida dos homens no caos urbano, porque essas cidades nunca abandonaram as formas top-down de organização? A conclusão do livro, entretanto, é de que a emergência está se expandindo pouco a pouco para ocupar várias, senão todas, as instâncias das nossas vidas. A propaganda, o trabalho e a política ganham outra face influenciados pelo modo bottom-up.


Atualizado em 10/10/2005

11/01/2002
Cidades, formigas e internet são semelhantes
Novo livro de Steven Johnson explica a emergência, quando um sistema interconectado de elementos relativamente simples se auto-organiza para formar um comportamento mais inteligente e adaptável.

Fábio Fernandes

http://webinsider.uol.com.br/vernoticia.php/id/1129


Colônias de formigas, cérebros, cidades e software: o que coisas aparentemente tão diferentes podem ter em comum? Segundo Steven Johnson, todos são sistemas que seguem as regras da emergência. O que é isso? A resposta pode ser encontrada em seu último livro, Emergence - the connected lives of ants, brains, cities, and software.

Autor do genial Cultura da Interface (Jorge Zahar Editora, 2001), em que analisava como a tecnologia altera a maneira como criamos e nos comunicamos, Johnson dá um passo ousado à frente e explica o que há por trás de conceitos como inteligência coletiva através da emergência, ou seja, o que acontece quando um sistema interconectado de elementos relativamente simples se auto-organiza para formar um comportamento mais inteligente, capaz de se adaptar às circunstâncias sem ajuda externa. É o que ocorre com as formigas, os neurônios do cérebro humano e até mesmo, em uma escala maior, com os indivíduos que habitam uma grande metrópole.

Em uma matéria escrita em outubro do ano passado para o jornal inglês The Guardian (leia leia aqui), Johnson resume seu livro em uma frase: "A regra mais simples de todos os sistemas sobre os quais falo no livro é: aprendam com seus vizinhos."

Johnson explica que, assim como uma formiga altera seu comportamento com base no encontro com outras formigas, fazendo assim com que uma espécie de nível superior de consciência (ou, em suas palavras, "a ordem de nível superior da colônia") predomine, o mesmo ocorre com os neurônios em nosso cérebro (um neurônio não funciona sozinho, mas depende do input dos neurônios com os quais está conectado para trabalhar). Essa organização de sistemas funciona até mesmo com as grandes cidades, que parecem se auto-regular com base no comportamento de seus indivíduos, compondo uma espécie de organismo vivo.

O grande mérito de Steven Johnson é que ele é um misto de historiador da ciência com detetive: para explicar o fenômeno da emergência, ele desenterra conceitos e estudos antigos (como o interessantíssimo livro de Jane Jacobs sobre o conceito de cidade grande nos Estados Unidos, The Death and Life of Great American Cities, que completou 40 anos em 2001) e investiga suas conexões com pesquisas que estão sendo realizadas neste exato momento, como o trabalho de Deborah Gordon com colônias de formigas na Universidade de Stanford ou a contribuição de jogos como The Sims para as pesquisas sobre inteligência artificial.

Emergence não é exatamente um livro de futurologia; o próprio Johnson dá o alerta ao falar sobre o "funcionamento" das cidades, lembrando que há menos de dez anos os futurólogos mais badalados proclamavam o fim da vida urbana, que seria provocado pela internet e sua capacidade de unir as pessoas nos pontos mais distantes do planeta. Como sabemos, isso não só não aconteceu como a vida urbana ficou ainda mais agitada.

Mas é claro que, mesmo com esse aviso ao leitor, Johnson não resistiu à tentação de dar o seu pitaco e lançar algumas previsões sobre o futuro próximo graças ao aumento das pesquisas sobre a emergência. Algumas delas - como o aumento da inteligência de sistemas de busca na internet - não chegam a ser profecias, mas extrapolações de situações que já acontecem no cotidiano dos usuários de computadores e equipamentos eletrônicos de última geração.

Outras, no entanto, como a previsão de que as emissoras de TV como nós a conhecemos irão acabar em aproximadamente cinco anos graças ao surgimento de novos aparelhos como o TiVo, uma mistura de videocassete com computador que pode não apenas salvar programas para serem assistidos no horário em que o espectador desejar como também pode filtrar a programação e eliminar comerciais, por exemplo (da mesma maneira que hoje em dia filtramos determinados endereços de e-mail em nossos browsers), não parecem lá muito viáveis.

Johnson parece se esquecer, ainda que apenas por um momento, de um fenômeno que não tem muito a ver com ciência mas tudo a ver com política: a formação de cartéis e a globalização da economia. Mas se Johnson talvez exagere nesse aspecto, compensa de sobra no resto.

Mais do que cientistas-escritores como Carl Sagan (que, apesar de todas as suas indiscutíveis qualidades, era um divulgador científico por demais concentrado em uma área de interesse - a astrofísica, com eventuais mergulhos na biologia), Steven Johnson abre o leque das ciências sem medo de misturar neurociência, teoria da evolução e estudos urbanos, demonstrando na prática que o discurso das últimas duas décadas sobre integração e interdisciplinaridade de fato funciona. O resultado é um livro curto e finíssimo, um verdadeiro mind-opener, como se diz em inglês: se você achou que Cultura da Interface mudou sua visão de mundo, espere para ler Emergence. [Webinsider]





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Atenciosamente.
Claudio Estevam Próspero

http://pt.wikipedia.org/wiki/Usuário:ProsperoClaudio (Apresentação pessoal)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aliança_para_uma_Nova_Humanidade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecocidade
http://www.criefuturos.com.br/criefuturos.html
http://www.nef.org.br (Núcleo de Estudos do Futuro)
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/
http://www.portalsbgc.org.br/sbgc/portal/ (Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento)

Antes de imprimir, pense em sua responsabilidade e compromisso com o MEIO AMBIENTE.
Nosso Planeta Agradece!
Comentário de Carlos Boyle em 14 fevereiro 2009 às 13:27
De Formigas e Guerrilheiros era un post de João Pedro Torres en donde comentaba este video de la Dra Gordon y de un extracto del post que mencioné mas arriba
Comentário de Carlos Boyle em 14 fevereiro 2009 às 13:13
HAce un tiempo ya que analizábamos estos procesos de las homidas y los relacionábamos con el concepto de búsqueda y de volatilidad ( que tengo para publicar mañana o pasado en español) y además cpn el concepto de sincronización.
De todo esto resultó este post un poco loco pero vistoso
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 14 fevereiro 2009 às 12:52
"Ou seja, não se trata de uma comunicação de conteúdo, de um código, mas da frequência e das circunstâncias em que se dão os contatos. Para quem sustenta, como eu, que em redes distribuídas o determinante não é o que flui pelas conexões e sim a topologia e a conectividade"

Também compartilho dessa sua visão. Adorei este post.

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