Escola de Redes

Hoje, entre 09:30 e 11:30, li, aleatoriamente, em jornal esquecido na sala de embarque e revistas, 4 notícias que envolvem redes e impacto da internet na vida social. Ou eu atraio o tema ou ele deixou de ser emergente e parece estar entrando naquela dinâmica de circularidade absoluta que em algum momento leva à saturação midiática.

Achei todas as informações muito interessantes.


Sob nova geração - Mercado Aberto - FSP: a empresa de consultoria Hay Group revela q a chamada geração Y (a dos nascidos após 1980 e, segundo outros, em meados da década de 1970 até meados da década de 1990) já ocupa 18% dos cargos de gestão nas companhias. “A geração Y é uma geração questionadora, que espera mais espaço e abertura. Os gestores têm dificuldades em lidar com essa relação tão horizontal." A pesquisa foi realizada com 5 568 representantes da geração Y que trabalham em companhias de grande porte com atuação no Brasil. Outros dados: 7% dos estagiários e 3% dos trainnes também são da geração Y.

Percebi que a transição das organizações verticalizadas para as horizontalizadas, da mudança da pirâmide para a rede vai acontecer (ooops! já está acontecendo) numa dinâmica interna nas organizações, à medida que esta geração Y passa a fazer parte do processo produtivo. Assim, a transição não depende tanto de consultores externos (apesar de poder contar seu apoio), mas vai acontecendo pela integração de pessoas q se desenvolveram e vivem e produzem de forma colaborativa, e usam a comunicação distribuída de forma espontânea.


Professor quer extra por trabalho on-line. (Cotidiano - FSP) A principal reivindicação de professores da rede particular de ensino em SP é a remuneração por trabalho em dispositivos como blogs e twitter para atendimento de alunos e atividades de aprendizagem. "Os alunos de hoje são integrados as novas tecnologias. Trabalham em rede. Se lançam uma pergunta numa rede social, estão ligados a centenas de pessoas e têm esta resposta num piscar de olhos... Ele quer do professor um contato, uma integração". A educadora entrevistada considera que o problema está nos professores, principalmente os mais velhos que têm muita resistência. "Mas isto tende a desaparecer". Fiquei com a impressão que quem vai desaparecer são os professores tecnologicamente obsoletos, verdadeiros bodes expiatórios de um sistema educacional que enfrenta grandes dificuldades em se atualizar. Reconhecer e remunerar o trabalho de produção de conhecimento e aprendizagem telemática pode ser o começo para uma transição.


Bússola virtual - Entrevista com Charlene Li, especialista em tecnologias sociais. Charlene, uma das autoras de Fenômenos socais nos negócios, revela como as estratégias de negócio q aproveitam da cultura de
compartilhamento posicionam marcas, desenvolvem produtos e fecham vendas. "Tudo o que faz uma empresa pode ser levado a cabo por indivíduos que colaboram entre si, fora da companhia". Isto experimentamos aqui na Escola de Redes, organizando a CIRS com o princípio de "organizar sem organizações". Acho que li a entrevista na revista de bordo da TAM.


Onde está o balão vermelho? Época Negócios - Em dezembro passado, dez balões atmosféricos vermelhos foram espalhados em lugares públicos nos Estados Unidos, com o seguinte desafio lançado pelo DARPA, departamento de pesquisa militar ligado ao Pentágono: a primeira pessoa ou equipe a informar a localização
exata dos balões - em altitude e longitude - ganharia US$ 40 mil. O objetivo era desvendar os mecanismo de colaboração e cooperação presentes nas redes sociais. Usando redes sociais a equipe do MIT, liderada por Riley Crane, encontrou os balões em apenas 8 horas e 52 minutos, batendo 4 367 concorrentes.

Conclusões do experimento:

  • a força das redes: impressionou a rapidez com q as equipes angariaram colaboradores graças às redes sociais. Sites como Facebook e o Twitter foram instrumentais. O tráfego do Twitter ficou congestionado durante o concurso. O DARPA conclui que o Facebook e o Twitter poderão ser indispensáveis à comunicação durante uma crise.
  • interesse - segundo Riley Crane, os colaboradores mais bem sucedidos agiram em interesse próprio, ou seja, ganhar o prêmio. O experimento mostrou que a colaboração desinteressada funciona menos.
  • objetivo claro - para Crane, do MIT, existem 3 pré-requisitos para o sucesso da colaboração nas redes sociais: um objetivo claro, custo zero aos participantes, e uma solução verificável.
  • filtro: lidar com as informações falsas exigiu desenvolver filtros: os dados mais confiáveis vinha de fontes conhecidas ou de pessoas q tinham relacionamento com a equipe. Percebeu-se q conhecer a fonte
    era praticamente tão importante qto o dado em si.
  • códigos: para tirar vantagem dos sistemas abertos da internet, sem dar vantagem para a concorrência, as equipes desenvolveram códigos rapidamente assimilados.

Imagino que o mantra dos próximos anos será: Colabore ou desapareça!


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Comentário de Vivianne Amaral em 22 fevereiro 2010 às 9:12
Só neste final de semana (19.02-20.02), na mídia de massa: na Carta Capital, matéria de capa As comunidades virtuais vieram para ficar ou são apenas uma nova bolha da internet - matéria especial The Economist - paginas 25-39;
Caderno Mais - FSP, matéria de capa - A face oculta, sobre Facebook, as duas páginas centrais.
People&Arts - série: Os seis graus de separação. A chamada fala em mundo pequeno, no sentido em q usamos a expressão nas redes sociais .É isto, saturação mediática
Boa semana!
Comentário de Vivianne Amaral em 15 fevereiro 2010 às 18:26
O q achei interessante foi a abundância de informações sobre redes. Antigamente eu precisa procurar. Outro aspecto que me chamou atenção foi a variedade de contextos em que o tema está sendo tratado: uma pesquisa militar procurando entender como as rede sociais podem contribuir em situação de segurança (ou insegurança); na área organizacional das empresas; na área de gestão de pessoas na empresas; na educação e nas relações de trabalho de educadores com as empresas privadas de educação. São contextos bem variados.
Em 97 qdo comecei a trabalhar com redes se conversava sobre o tema entre as ongs ou entre pessoal de TI. Hoje, a grande maioria dos espaços da vida contemporânea estão se contaminando com o padrão rede ou já pegaram a onda.
Do ponto de vista biológico, do fenômeno da vida, a rede é um padrão predominante, mas culturalmente, historicamente, desenvolvemos padrões de organização bem verticalizados. Desde q li Castells ( A sociedade em rede) fiquei com a idéia de q haveria um momento em q o padrão rede seria hegemônico na sociedade. Acho q estamos nos aproximando disto. Penso que a velocidade da transição está relacionada aos grupos sociais começarem a operar a vida a partir das plataformas de compartilhamento e comunicação distribuída. Esta experiência qdo cotidiana, recorrente, transforma nossa relação com os outros e com a vida. Bem, foi assim comigo :-) abraços
Comentário de Vivianne Amaral em 15 fevereiro 2010 às 17:46
Acho q o fato de ser um experimento militar influenciou nas conclusões. abraços
Comentário de Fabiano Morais em 14 fevereiro 2010 às 21:08
'conhecer a fonte é tão importante quanto o dado em si' .. sei não. desconfio desta conclusão. a apropriação do conhecimento vai acontecendo de uma forma tão dinâmica que os símbolos identitários se dispersam. o conceito de 'fonte' vai sendo re-assimilado pela relação de confiança que vc tem com quem repassou a notícia.

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