Escola de Redes

Reflexões sobre blogs, quadrados, egos e demais nuances

Fico realmente muito impressionada com a capacidade de alguns de produzir ininterruptamente postagens de blog (que necessidade interessante!). O que aliás é muito legal, diga-se de passagem! Mas, o que me parece é que é a troca de idéias, o questionamento, que podem provocar a emergência de um novo esquema de processamento de informações. Gosto muito de seguir "debates", de saber o que uns e outros têm a dizer sobre determinado tema. Vou com isso criando minhas "redes de confiança". Percebo pessoas com as quais alinho meu pensamento e outras com as quais não concordo, mas que me fazem pensar. Fiquei muito incomodada com essa mudança para "1membro comentou...." tirando a personalização que me ajudava a seguir as idéias das pessoas. Agora só quem escreve no blog aparece "personalizado", as pessoas que provocam os comentários passam a ser detalhes irrelevantes: "1 membro comentou", logo abaixo "1 membro comentou" e assim vamos.... Quem comentou? Tem que entrar para ver!

O que alguém escreve, não importa se um livro, ou um post, ou o que seja, é fruto de pesquisas, reflexões, é algo bem pensado, geralmente. Idéias escritas em posts são bons pontos de inicio para discussão, só isso!

Cito aqui o Augusto "Do ponto de vista subjetivo, portanto, o ânimo do reizinho-que-publica-seu-bloguinho não é lá tão cooperativo como se poderia imaginar ou se deveria esperar (ou não?)"
Tenho notado, que discursar é uma coisa e ser coerente com o que se discursa é outra muito diferente... A coerência das ações com o discurso é, para mim, uma questão fundamental.

Outro detalhe que observo aqui é que o Augusto está o tempo todo "monitorando" o desenvolvimento da rede, intervém quando ele acha que estamos nos afastando dos objetivos por ele colocados, ou "deleta" pessoas que não tenham a ver... É meio que um guardião das idéias originais. É interessante essa forma de "netweaving" (existirão outras? tem a ver com o estilo pessoal do netweaver?), como estou aprendendo, fico me perguntando o que aconteceria com a escola sem a figura do Augusto. Como analista de redes sociais, olho o movimento desta rede e acho que se fizessemos uma análise iriamos descobrir alguns poucos nodos centrais, como na maioria das tão mal-faladas instituições... Este processo vai nos levar a uma configuração de rede distribuida, um dia? Talvez!

É importante notar que minha intenção não é crítica, mas reflexiva, embora separar as duas coisas neste contexto possa ser uma temeridade. Sou do tipo que observa, pensa, questiona e se coloca. Vou questionar um rei se achar que devo e vou assumir as "desgraças" que esse comportamento questionador vai me provocar (eminências públicas detestam ser questionadas). Penso que é do diálogo (multiálogo) que um novo mundo pode emergir... Idéias escritas são estáticas, só se tornam dinâmicas e transformadoras quando se estabelece o diálogo, o questionamento e a ação sobre elas. Caso contrário só servem ao ego de quem as escreveu.

É a primeira vez que participo de uma rede social virtual. Estou refletindo e aprendendo demais! Estou muito grata por esta oportunidade e muito grata pela acolhida que tive quando entrei. Estou grata por todas essas novas nuances sobre redes que tenho aprendido por aqui. Mas penso que mais diálogo e menos blogs é que fariam a diferença. Menos preocupação em estabelecer "pais de idéias" e mais vontade de fazer as coisas juntos. Mais vontade de estabelecer novos parâmetros de investigação e menos vontade de seguir a velha academia (a maioria da construção de idéias que vi aqui, até agora, ainda respeita os parâmetros do tradicional discurso científico).

Acho que o nosso principal desafio é o princípio da coerência....

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Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 6 abril 2009 às 14:32
Pois é Haroldo, cá estamos a aprender e a aprender mais um pouco! O netweaving é ainda um processo muito intuitivo... Dentro de pouco tempo vai estar formatado, quadriculado e cheio de regras a seguir. Penso que a sugestão é importante, mas a definição geralmente mata.
Comentário de Haroldo Vilhena em 6 abril 2009 às 14:11
Augusto,

Através desse seu projeto e de seu próprio depoimento, podemos dimensionar o que é trabalhar em rede, e o efeito multiplicador que este formato tem.
Acredito que todos nós teremos muuuito a aprender com esta experiência tão rica.
Do meu lado agradeço a oportunidade de participar e ter uma dimensão maior do que é gerenciar redes sociais que tem sido tanto foco dos meus estudos.
Comentário de Haroldo Vilhena em 6 abril 2009 às 13:56
Clara,
Gostei muitos de sua reflexão.
Acho que é muito interessante a reflexão sobre capacidade de que um membro de uma sociedade seja capaz de transformá-la de forma radical, pois, a final, é submetido a aquelas regras diariamente.
Durante o encontro em SP com o criador da Wikipedia, Jimmy Wales, houve um debate bem intenso entre um representante da USP e outros convidados sobre a relevância e a veracidade das informações que constavam na Wikipedia. Basicamente era o representante da USP defendendo a instituição academia como geradora do conhecimento e da verdade, e outros falando da criação do conhecimento na própria sociedade. O Jimmy Wales falou que seu objetivo é que houvesse a sinergia destes conhecimentos, onde sociedade e academia compartilhassem a criação do conhecimento. A academia foi convidada a participar mais da Wikipedia.
Na minha concepção, nada melhor do que o confronto respeitoso de idéias para a criação do novo. Muitas vezes a idéia ou opinião que me incomoda é que vai me fazer melhor, me tirar de uma zona de conforto.
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 6 março 2009 às 10:09
Mário, olá!

Também acho, o ponto focal é a mudança de estado mental. Eu costumo chamar de lógica, mas dá no mesmo! De qualquer forma é bom compartilhar essas angústias, levantar poeira, ver o que dá para fazer para melhorar.

Tem razão você (e o Augusto) talvez o segredo seja não querer necessariamente chegar a algum lugar, mas apenas estar em movimento... Vamos aprendendo!

Abraços
Comentário de Mário Salimon em 6 março 2009 às 9:50
Muito prazer Clara. Acho que nossa angústia de netweaver tem a ver com a necessidade de nomear as coisas ou fazer coincidir nossos significados com os nomes que aceitamos. Andei angustiado com o rumo do Nodo Brasília mas, ao pensar em algumas conexões que ocorreram desde o lançamento - ainda que não estivessem carimbadas com o nome da iniciativa ou qualquer institucionalidade, vi que, sim, o trabalho estava fazendo efeito. O importante parece ser a mudança de mindset, de estado mental. O resto vem. Por vezes mais devagar que gostaríamos, mas vem. Abraços.
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 1 março 2009 às 8:55
Tem razão Augusto, acho que o compartilhamento de agendas é essencial. Quando abri o grupo nem considerei que estaria me transformando num netweaver! Vou ter que aprender, então.
Por favor, conto com sua ajuda para criar alguma iniciativa. Boyle, ajude também!
Comentário de Augusto de Franco em 1 março 2009 às 7:21
Tudo isso é um aprendizado, Clara. Para mim também. Estamos todos aprendendo. Proponho que discutamos as questões substantivas que nos conectam aqui. Por exemplo, quanto ao grupo que você abriu: o simples fato de ter tomado a iniciativa já a transforma em netweaver. Acho que você poderia propor uma atividade para esse grupo. Um grupo é uma ferramenta de interação de um Nodo da Escola-de-Redes. Estou convencido de que um Nodo só se forma pelo compartilhamento de agendas. Quem sabe você, que tomou a iniciativa, possa propor aos demais alguma agenda de atividades que todos os que pertencem ao grupo possamos compartilhar.
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 28 fevereiro 2009 às 22:32
Na verdade eu não me vejo como netweaver (abri o grupo, mas não sei que fazer com ele e nele) e nem é minha pretensão. Não posso deixar de olhar tudo isto com olhos de investigação enquanto participo. Nunca consegui fazer esse tipo de distinção. Sempre procuro abranger o máximo de perspectivas possíveis. Eu diria que essa "tendência" é meio "automática". Estou sempre saltando para níveis mais amplos e englobando aspectos que parecem periféricos. É meu jeito. Que pena que você vê nisso drama e peso! Que interpretação pitoresca você fez!

Vamos deixar as pessoas escreverem blogs? E quem seria eu para proibir! Apenas emiti a opinião de que diálogos são mais producentes que textos de blog, nada mais!

Quanto a participar de outros grupos.... podemos? Óbviamente! Devemos? Oras, poupe-me!

Quanto à coerência... na minha percepção é a única coisa que faz sentido, caso contrário estamos falando de discursos vazios e hipócritas. E com isso não digo que eu sou totalmente coerente, mas me esforço, também estou aprendendo.

Nesta pequena e riquissima troca de opiniões, te conheci muito mais que lendo teus textos. Agradeço! E certamente, me caro, estou deixando fluir, sem stress....

Grande abraço
Comentário de Augusto de Franco em 28 fevereiro 2009 às 21:15
Sou apenas um dos netweavers da Escola-de-Redes, assim como você também é na medida em que cumpre essa função. Também sou administrador deste site, assim como você é administradora do Grupo Analise de Redes Sociais (onde, por certo, existirão outros netweavers que não são administradores e outros membros que não são netweavers, como eu mesmo, que estou inscrito mas não cumpro lá tal função). Os netweavers não são as funções mais importantes: há os hubs, os inovadores...

Penso que a gente deve desdramatizar um pouco as coisas, torná-las mais leves, senão vamos acabar perdendo oportunidades de usufruir o aspecto lírico dessa nossa experiência. A Escola-de-Redes é apenas um punhado de pessoas que se conectam para estudar redes sociais. Nada muito além disso. Não vai resolver todos os nossos problemas, não vai responder nossas questões essenciais ou existenciais e nem aplacar nossas ansiedades.

Acho difícil participar como netweaver aqui e, ao mesmo tempo, querer estudar a Escola-de-Redes como quem examina uma experiência. Pode-se até questionar a necessidade de distanciamento com base na idéia de que sujeito e objeto estão intimamente relacionados e que, de certo modo, o sujeito cria o objeto conhecível (ou o modifica) ao interagir com ele. Mas posso dar o testemunho de que toma muito tempo executar a tarefa de netweaving: tenho trabalhado aqui - pro bono - bem mais de 8 horas por dia e não tem sábado e nem domingo. Muitos trabalhos que tenho que fazer para sobreviver ficaram para trás por causa dessa atividade. Confesso que não teria condições de estudar - com alguma isenção - a experiência da Escola-de-Redes (que, repito, ainda é muito nova, tem pouco mais de 100 dias).

Com pouco mais de 100 dias seria uma loucura tentar decretar qualquer juízo sobre essa experiência. Vamos deixar fluir. Em tudo aquilo que não for fundamental, vamos deixar as pessoas fazerem o que estão a fim de fazer: se querem escrever duas mensagens de blog por dia, qual o problema? Se não querem comentar e sim escrever, botar prá fora (até como meio de aprender ou de se predispor para formulações mais profundas), tudo bem.

Assim como a Escola-de-Redes não é uma rede onde cabe tudo, assim também ela não vai ser capaz de responder a tudo que nos atormenta, intriga, incomoda, aborrece ou encoraja. Podemos (e devemos) participar de outras redes simultaneamente: nossos amigos e familiares, nossos colegas de trabalho ou estudo, nossos companheiros do chopp ou do futebol, do cinema ou do teatro, da caminhada de domingo. Isso é o que penso, embora tenha, confesso, dificuldade de aplicar essa orientação à minha própria vida.

No mínimo estamos prestando um serviço: estamos juntando e disponibilizando publicações importantes, estamos estimulando as pessoas a escreverem suas histórias (nas redes) e seus itinerários (de leituras sobre o assunto). Estamos construíndo um acervo que servirá inclusive para quem não se conectou aqui. E os que se conectaram estão se vendo, estão se falando, estão combinando fazer coisas juntas. Isso é muito bacana. Por isso não acho muito positivo ficar cobrando o tempo todo coerência dos outros.

Se disso tudo vai sair alguma coisa que nos satisfaça inteiramente, como projeto de vida, não sei dizer. Vai depender do nosso grau de expectativa, de exigência, de ansiedade. Sou tentado a dizer que devemos diminuir esse grau.

Engraçado como só agora, nesta experiência, está ficando claro para mim o sentido daquela máxima zen: deixar ir...
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 28 fevereiro 2009 às 18:50
Augusto, desculpe-me, não quis dizer que você estava "exagerando na apliação do poder" como administrador da plataforma. De forma alguma! Você, por exemplo, não modera comentários (como vc já fez notar), o que acho muito coerente (e corajoso)!

De qualquer forma, o que você disse me pôs a refletir sobre como a tecnologia pode modelar a dinâmica de interação dos grupos que dela se utilizam. O fato de que os desenvolvedores/donos não respondem a e-mails e não levam em consideração a opinião dos usuários me deixou muito intrigada. Uma variação sutil provoca um movimento adaptativo.... a dinâmica muda! A tendência agora vai ser seguir blogs e não diálogos... Hum! Ocorreu-me agora (outra nuance significativa) pode ser também um estímulo à clusterização por idéias. A estrutura muda, os processos mudam e vice-versa, como sabemos.
Administração centralizada de ferramentas de redes distribuídas parece mais uma coisa de ficção tipo Matrix...

Para mim toda esta dinâmica já é um estudo. O processo todo me interessa muitíssimo em todas as suas nuances. Lamento, inclusive, não ter mais dados sobre o movimento estrutural ao longo do tempo.

Fiquei com uma dúvida... Achei que a atividade de netweaving era algo que podia acontecer independente de se ser um administrador de rede! Ou as duas coisas estão ligadas?

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