Escola de Redes

Incrível o empoderamento social que estas tecnologias estão proporcionando! Os políticos que se cuidem!


16/06/2009
Redes sociais espalham online o protesto iraniano

Brad Stone e Noam Cohen
Enquanto o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad parece tentar limitar o acesso à internet e as comunicações no Irã, novos tipos de mídia social estão desafiando o controle tradicional da mídia estatal e permitindo aos iranianos encontrar novos meios de contornar as restrições.

Os iranianos estão usando blogs, o Facebook e, mais visivelmente, coordenando seus protestos pelo Twitter, o serviço de mensagens de microblogging. A atividade deles aumentou, e não diminuiu, desde as eleições presidenciais de sexta-feira e as tentativas que se seguiram por parte do governo de restringir ou censurar as comunicações online.

No Twitter, as reportagens e links para fotos de uma marcha pacífica em massa por Teerã na segunda-feira (15), juntamente com relatos de combates nas ruas e vítimas por todo o país, se tornaram o assunto mais popular no serviço em todo o mundo, segundo as estatísticas publicadas pelo Twitter.

Dois feeds do Twitter se tornaram sucursais de mídia virtuais para os seguidores do principal candidato de oposição, Mir Hussein Moussavi. Um feed, mousavi1388 (1388 é o ano no calendário persa), está repleto de notícias dos protestos e exortações à continuidade da luta, em persa e inglês. Ele já tem mais de 7 mil seguidores.

O grupo de Moussavi no Facebook inchou para mais de 50 mil membros, um aumento significativo desde a eleição.

Iranianos vão às ruas para protestar
A rotulação dessas manifestações aparentemente espontâneas contra o governo de "Revolução Twitter" já se tornou um clichê. O rótulo já tinha sido dado aos protestos em Moldova, em abril.

Mas o Twitter está ciente do poder de seu serviço. Reconhecendo seu papel no cenário mundial, a empresa com sede em San Francisco disse na segunda-feira que estava adiando uma interrupção planejada do serviço por um dia para manutenção, citando o "papel que o Twitter está exercendo no momento como importante ferramenta de comunicação no Irã".

Os usuários do Twitter estão postando mensagens, conhecidas como tweets, com o termo #IranElection, que permite aos usuários procurar todos os tweets sobre o assunto. Na noite de segunda-feira, o Twitter estava registrando cerca de 30 novas postagens por minuto com esse tag. Um dizia: "Nós não temos cobertura nacional de imprensa no Irã, todos devem ajudar a espalhar a mensagem de Mousavi. Uma pessoa = um transmissor. #IranElection".

O feed StopAhmadi no Twitter chama a si mesmo de "conta dedicada do Twitter para os que apoiam Mousavi" e conta com mais de 6 mil seguidores. Ele também envia os visitantes ao feed do Flickr das manifestações.

O feed Persiankiwi, que conta com mais de 15 mil seguidores, envia os usuários para uma página em persa hospedada pelo Google que, em seu único texto em inglês, diz: "Devido ao grande número de filtros no Irã, por favor visite este site para receber as mais recentes notícias, cartas e comunicados de Mir-Hossein Mousavi".

Alguns usuários do Twitter também estão partindo para a ofensiva. Na manhã de segunda-feira, um ativista antigoverno usando a conta "DDOSIran" no Twitter pediu aos simpatizantes que visitem um site para participar de um ataque online, visando provocar um crash nos sites do governo ao sobrecarregar seu tráfego.



Na tarde de segunda-feira, muitos desses sites estavam inacessíveis, apesar de não estar claro se o ataque foi o responsável -e a conta do Twitter por trás do ataque foi removida. Uma porta-voz do Twitter disse que a empresa não teve nada a ver com a remoção da conta.

A repressão às comunicações teve início no dia da eleição, quando os serviços de mensagem de texto foram desativados, no que os partidários da oposição dizem ter sido uma tentativa de bloquear uma de suas ferramentas de organização mais importantes. Ao longo do fim de semana, as transmissões de celulares e o acesso ao Facebook e alguns outros sites também foram bloqueados.

Os iranianos continuaram informando na segunda-feira que não podiam enviar mensagens de texto.

Mas parece que eles estão encontrando meios de contornar o Grande Irmão.

Muitos usuários do Twitter têm compartilhado modos de evitar a intromissão do governo, como programar seus browsers de Internet para contatar um proxy -ou um servidor de Internet que desvia sua conexão por outro país.

Austin Heap, um consultor de TI de 25 anos em San Francisco, está operando seus próprios servidores proxies privados para ajudar os iranianos e os está anunciando no Twitter. Ele disse que seus servidores estavam fornecendo conexões de Internet para cerca de 750 iranianos a qualquer momento.

"Eu acho que o ciberativismo pode ser um modo de empoderar as pessoas que vivem sob governos que não são democráticos ao redor do mundo", ele disse.

O Global Internet Freedom Consortium, um serviço proxy de internet com laços com o Falun Gong, o movimento espiritual chinês proibido, oferece software que pode ser baixado para ajudar a evitar a censura. Ele disse que seu tráfego no Irã triplicou na última semana.

Shiyu Zhou, o fundador da organização, não tem ideia de como os links para o software se espalharam dentro do Irã. "Na China, nós enviamos e-mails em massa, mas nada assim no Irã", ele disse. "O povo iraniano na verdade descobriu sozinho e os têm divulgado por boca a boca."

Jonathan Zittrain, um professor da Escola de Direito de Harvard que é especialista em Internet, disse que o Twitter tem se mostrado particularmente resistente à censura porque dispõe de muitas formas para origem das postagens - por celular, browser de Internet ou aplicativos especializados- e muitos espaços para estas postagens serem lidas.

À medida que cada novo lar para este material se torna alvo da censura, ele disse, um sistema repressor enfrenta um verdadeiro jogo de esconde-esconde para tentar bloquear endereço de Internet atrás de endereço de Internet contendo material subversivo.

"É fácil para os feeds de Twitter serem repetidos por toda a parte no mundo", ele disse. "As qualidades que fazem o Twitter parecer pobre e inacabado são o que o tornam tão poderoso."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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Comentário de Augusto de Franco em 18 junho 2009 às 6:12
Vejam a excelente coluna do Silvio Meira sobre o assunto:

Irã: a revolução não será...

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