Escola de Redes

Minha formação acadêmica é artística, sou bacharel em direção teatral (acreditem, existe a graduação), no entanto, fui conduzida para o caminho do marketing e trabalhei com criação e planejamento de ações promocionais nos últimos 8 anos.
Vou tentar contar minha trajetória de forma a tornar-se uma exposição produtiva a esse sítio que se destina a interrogar a organização em rede.
O meu interesse intelectual pelo teatro começou no dia em que li “200 exercícios e jogos para o ator e não-ator com vontade de dizer algo através do teatro”, de Augusto Boal. Eu era muito pequena, tinha uns 11 anos, e encontrei o livro na estante da minha irmã mais velha. A primeira vista, aquele pareceu um livro de exercícios para o trabalho de ator, não tinha como ter consciência que estava diante de uma importante metodologia de animação de coletivos: o Teatro do Oprimido. Bem mais tarde, já na faculdade, participei de um grupo de estudo sobre Bertolt Brecht, quando passei a me aprofundar na técnica de jogos teatrais e retornei ao Boal e suas propostas de criação coletiva. Apesar de termos formado um núcleo dentro da universidade, não se tratava de uma proposta curricular, portanto éramos livres para qualquer tipo de ação que partisse das nossas pesquisas. Posso dizer que essa foi minha primeira experiência de organização não-hierárquica, no entanto, durou apenas o tempo necessário para se perceber que havia uma cadeira de líder que ninguém tinha ocupado.
Quando o grupo acabou, decidi-me por multiplicar o conhecimento.
Como voluntária, dirigi vários grupos amadores em comunidades que tinham um espaço físico em que o trabalho pudesse ser realizado. Não tinha o objetivo de realizar uma montagem, mas me preocupava em conduzir um treinamento de criação coletiva: o importante era fazer com que as pessoas conseguissem se observar e se respeitar o suficiente para criar coletivamente e de improviso.
Esse processo durou de 91 a 95 quando percebi que essa podia ser uma ferramenta poderosa no treinamento de executivos.
Foi assim que começou o meu namoro com o meio corporativo.
Paralelamente a isso conduzia uma carreira como dramaturga especializada em textos para crianças.
Neste momento eclodiu o mais poderoso movimento teatral dos anos 90: o Arte contra a Barbárie. Não saberia precisar um percentual, mas posso dizer que uma parcela significativa da classe artística paulistana passou a se reunir regular e agressivamente para propor soluções que viabilizassem a produção teatral de forma digna, como obra de arte e não como bem de consumo. O movimento resultou em manifestos que formataram uma política articulada com o poder público que resultou o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.
A estrutura dessas reuniões era descentralizada e, como era de se prever neste tipo de organização, cada centro, levou proveitos para seus respectivos nodos.
Não demorou muito tempo para surgisse aquela sensação de “A Revolução dos Bichos”, do George Orwell.
A partir de 2000 comecei a trabalhar com teatro em várias ONGs, sempre como voluntária: organizava oficinas, dava palestras, mediava a formação de grupos e às vezes criava pequenos roteiros educativos.
Em maio do ano passado, abandonei minha carreira de executiva em busca de qualidade. Precisava de algo que desse mais que retorno financeiro.
Em setembro, mudei para o interior de São Paulo, para a cidade de Catanduva, comecei a animar um grupo de estudos sobre a arte, com a organização de encontros e cafés filosóficos em uma livraria da cidade.
Em novembro fui contratada pelo Senac Catanduva como mediadora da Rede Social, para trabalhar com a metodologia de Desenvolvimento Local.
Em dezembro, já munida de algum conhecimento sobre redes, promovi um ciclo de leituras dramáticas chamado “Relações Degeneradas” com o objetivo de localizar as pessoas que se interessam por arte na cidade.

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Comentário de Ivo Martins Cambuí em 19 junho 2009 às 12:21
Muito interessante sua história... migrando do capital financeiro para o capital criativo e humano. Que tal o uso do psicodrama com os grupos de nossa comunidade?
Um enorme abraço.
Ivo
Comentário de Osmar Araujo em 12 fevereiro 2009 às 14:29
Gostaria muito de conhece-la pois trabalhamos o mesmo tipo de teatro.
Entre em contato.
Abs,
Osmar

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