Escola de Redes

Quem marca horário jogos noturnos - 21h50 - programadores Rede Globo. Futebol apenas mais um programa emissora - por critérios mercadológicos- transmitido depois da novela.

Car@s.

Esclareço que admiro muito a Rede Globo. Eu a considero a melhor de nossas televisões e rádios (Uso a TV Globo, Globonews e CBN para me informar / divertir).

Mas temos que repensar o excessivo poder de certas Instituições em nossa Sociedade. Repasso esta matéria para reflexão.

Acrescento algumas reflexões de Alexis de Tocqueville (1805-1859) que julgo pertinentes.

Claudio

Colunista:
Laurindo Lalo Leal Filho

23/06/2010


A Inquisição jamais pôde impedir que circulassem na Espanha livros contrários à religião majoritária. O império da maioria faz coisa melhor nos Estados Unidos; ele suprime até mesmo a vontade de publicá–los.
(Tocqueville)

Os habitantes do México, querendo estabelecer o sistema federativo, tomaram por modelo e copiaram quase inteiramente a constituição federal dos anglo–americanos seus vizinhos. Porém transportando para seu país a letra da lei, não puderam transportar ao mesmo tempo o espírito que a vivifica. Ví–mo–los portanto se embaraçarem nas engrenagens do governo duplo. A soberania dos Estados e a da União, saindo dos limites traçados pela constituição, penetram cada dia uma na outra. Ainda atualmente o México é conduzido da anarquia ao despotismo militar e do despotismo militar à anarquia (Tocqueville, 1981, livro I, p. 244).

(...)uma época mais ou menos distante virá sem dúvida na qual os Americanos do Sul formarão nações florescentes e esclarecidas.

Porém quando os espanhóis e os portugueses da América meridional começarem a experimentar as necessidades dos povos organizados, estarão ainda longe de poder satisfazê–las por si próprios; últimos rebentos da civilização, sofrerão a superioridade já adquirida pelos mais velhos. Serão por muito tempo agricultores antes de se tornarem manufatureiros e comerciantes e terão necessidade da intermediação dos estrangeiros para vender seus produtos além dos mares e obter em troca os objetos cuja necessidade nova se fará sentir.

Não tenhamos dúvidas de que os Americanos do Norte da América serão chamados um dia a prover as necessidades dos Americanos do Sul. (...)

Os Americanos dos Estados Unidos encontram–se diante dos povos da América do Sul precisamente na mesma situação que seus pais os Ingleses diante dos Italianos, dos Espanhóis, dos Portugueses e de todos os povos da Europa que, sendo menos avançados em civilização e em indústria, recebem daqueles a maior parte dos objetos de consumo (Tocqueville, 1981, livro I, p. 530).


Temos aqui o conde precursor da Teoria da Dependência ou será do Imperialismo?

Fonte:
A democracia ao sul da América: uma visão tocquevilleana

Democracy south of America: a Tocquevillean perspective

Claudio Vouga

Professor do Departamento de Ciência Política da FFLCH – USP

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20...

DEBATE ABERTO

Futebol, um esporte vendido à TV
Na mesma semana da estreia do Brasil, os vereadores de São Paulo deram uma guinada espetacular e mantiveram o veto do prefeito Kassab à lei, por eles mesmos aprovada, que proibia jogos de futebol na cidade com início depois das 21h15.
Data: 18/06/2010

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=...

Enquanto a Copa segue hegemônica nos noticiários de TV, o silêncio cobre outros fatos importantes ligados ao futebol. Na mesma semana da estreia do Brasil, os vereadores de São Paulo deram uma guinada espetacular e mantiveram o veto do prefeito Kassab à lei, por eles mesmos aprovada, que proibia jogos de futebol na cidade com início depois das 21h15.

Quem marca o horário dos jogos noturnos para às 21h50 são os programadores da Rede Globo. Para eles o futebol é apenas mais um programa da emissora que, por critérios mercadológicos, deve ser transmitido depois da novela.

Em abril, com 43 votos a favor e apenas dois contra a lei aprovada passava a impressão de altivez da Câmara, fato raro na vida política do município. Foi só impressão. Ao invés de manterem seus votos e derrubarem o veto do prefeito, os vereadores paulistanos, com quatro honrosas exceções, curvaram-se aos interesses da Globo. Até um dos autores do projeto, vereador Antonio Goulart, mudou de lado. O outro, Agnaldo Timóteo não apareceu para votar.

E assim os jogos na capital continuam terminando quase à meia-noite. Até pela TV, para quem tem que trabalhar cedo no dia seguinte, como faz a maioria da população, o horário é ruim. Agora para quem gosta de ir ao estádio é um sacrifício desumano.

Os vereadores paulistanos não se dobraram apenas aos interesses da Rede Globo. Eles passaram um atestado de incapacidade absoluta para enfrentar um modelo perverso imposto nas últimas décadas ao futebol brasileiro.

Até o final dos anos 1960 ainda havia algo de lúdico na prática e no espetáculo futebolístico. Lembro do Torneio Início, jogado uma semana antes da abertura do campeonato paulista, num dia só, com a participação de todos os clubes da primeira divisão. Eram jogos mata-mata, de 30 minutos (15 por 15) de duração onde, em caso de empate, ganhava o time que havia obtido mais escanteios a favor, antes da disputa dos pênaltis se fosse necessária.

Curioso era ver os maiores craques do futebol paulista, em volta do gramado, assistindo os jogos dos outros times enquanto esperavam a vez de entrar em campo. Havia um que de amadorismo resistindo às investidas da profissionalização definitiva. O Pacaembu ainda era, nessa época, uma extensão glamorosa dos campos de várzea que se espalhavam por toda a cidade.

A especulação imobiliária nunca contida pelos vereadores paulistanos – em qualquer legislatura – acabou com a várzea e quase acaba com o futebol na cidade. A sua sobrevivência se deu num outro nível, o da mercantilização absoluta. Dos jogadores e do jogo.

Os primeiros passaram a ser formados pelas escolinhas, acessíveis apenas à classe média, ou pelos centros de adestramento criados por empresários cujo objetivo é preparar os seus “produtos” para vendê-los no exterior.

O futebol assume nesse estágio a forma mercadoria em todas as suas etapas. Do berço do jogador à Copa do Mundo nada escapa. O esporte popular das ruas e das várzeas transformou-se num produto caro e altamente sofisticado, operando num nível elevadíssimo de racionalidade capitalista.

Diferente de outros setores da economia e mesmo da cultura, onde o Estado ainda atua para conter de alguma forma a voracidade do mercado, no futebol isso não acontece. Os objetivos privados são absolutos nem que para serem alcançados sacrifiquem-se atletas, torcedores e, no limite o próprio esporte, reduzido cada vez mais a um espetáculo de televisão.

Perderam os vereadores paulistanos a grande oportunidade de colocar o interesse público em primeiro lugar. Resta agora esperar, com bastante ceticismo, que projeto semelhante, apresentado na Câmara dos Deputados, e válido para todo o Brasil, prospere.

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II

Com o fim da União Soviética e a débacle das teorias políticas de inspiração socialista passou–se por um momento em que se pretendeu o fim da história, o fim da ideologia e, se não o fim, pelo menos a unicidade da teoria política. O velho homo economicus, desmoralizado na economia, porque, hélas, os agentes não se comportam racionalmente no mercado, de repente entra travestido pela porta dos fundos justamente no pensamento político, território tradicional das paixões. Reduzida a mercado, a política passa a ser apenas escolha racional e se ainda apresenta competição, como no processo eleitoral por exemplo, certamente o conflito parece eliminado e o poder, o centro mesmo de toda política e pensamento sobre a política, é dimensão inexistente. E por trás das escolhas, determinando tudo, num mundo em que se vive sem razão sem entretanto se morrer pela pátria3, está o bem estar econômico (That's the Economy, stupid4). A Todo Poderosa Economia determinando as escolhas políticas como jamais poderia ter imaginado em seus piores momentos de paranóico devaneio nem mesmo o mais furioso dos marxistas vulgares.

Mas o século XX marca não só o fim da utopia socialista como também o fim da ingenuidade liberal apodada indevidamente de neo. O que todos os realistas em política, liberais ou não, sempre souberam é que o bom funcionamento do mercado (garantia da propriedade, do cumprimento dos contratos etc.) tem como condição prévia a existência do Estado. O Leviatã é anterior à possibilidade de uma atividade econômica estável que permita ao homem a esperança de uma vida mais cômoda que, como sabemos, ao lado do medo da morte constituía para Hobbes a justificativa da abdicação da liberdade natural e constituição do pacto social.

Por razões que não cabe aqui discutir, muitas das quais certamente ainda não saíram da zona de sombra da proximidade histórica, nem a paz nem a prosperidade vingaram nesse processo que ainda estamos vivendo, de mundialização com hegemonia norte–americana. Se o socialismo acabou e o mercado reina, na verdade funciona com mão única para o fluxo de riquezas e no sul da América não estamos entre os privilegiados. Desgraçadamente nessa época de desilusões o perigo é que valores caros como a liberdade terminem indo pelo ralo com a irracionalidade do sistema capitalista comandado pelos Estados Unidos identificado indevidamente com a democracia.

Certamente é chegada a hora de pensar que Estado, que democracia queremos. É chegada a hora da Teoria Política. Ao lado das alternativas de modelo econômico, devemos pensar as variantes políticas possíveis dentro de um modelo econômico dominante. Quero dizer que, mesmo no capitalismo avançado, o modelo anglo–americano não é a única alternativa de democracia possível.

Hoje na América ibérica o espectro das ditaduras, militares ou não, começa a rondar nossos países: Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Paraguai. É necessário pensar que política queremos para implementar que tipo de sociedade. Ainda que as alternativas não sejam infinitas, ainda que como expressou Tocqueville estejamos presos num círculo fatal de onde não podemos sair, ainda assim temos escolha, ou nas palavras do conde " dentro de seus amplos limites, o homem é poderoso e livre, assim também os povos". E é, justamente, nesse espaço de liberdade que se desenrola a nobre arte da Política.

Tocqueville, ao estudar a América inglesa em meados do século passado, lançou as bases de uma reflexão sobre as sociedades democráticas, suas virtudes e seus horrores que parece hoje mais válida do que nunca. Por isso nossa proposta é a de lançar uma mirada tocquevilleana sobre a América portuguesa, sobre o Brasil.

Desde a publicação de sua obra, ou mesmo antes, desde a chegada de Tocqueville acompanhado de Beaumont, ao continente americano, são mal interpretadas, com boa ou má fé, suas idéias sobre os Estados Unidos, nos Estados Unidos. Longe de admitir a América inglesa como um modelo para a Europa, Tocqueville na verdade mostrava como era possível a eventualidade de manutenção da liberdade, mesmo quando a sociedade não tinha nem jamais tivera aristocracia como era o caso das antigas colônias, que se formam negando o passado e pretendendo refundar o mundo e o homem, contra a tradição, apenas baseando–se nas escrituras sagradas. Essa sociedade que faz tábula rasa de tudo, guardadas as devidas distâncias, se assemelharia à Rússia do início da Revolução, ou ao Iram dos aiatolás. Não vou me estender sobre o horror da América na visão de nosso aristocrata, que na verdade pensava (gloso e interpreto): se até na América (isto é, USA) a liberdade pode subsistir então com mais facilidade onde a aristocracia moldou o mundo embora não mais existam as suas instituições políticas ela poderá vir a se manter.

Fonte:
A democracia ao sul da América: uma visão tocquevilleana

Democracy south of America: a Tocquevillean perspective

Claudio Vouga

Professor do Departamento de Ciência Política da FFLCH – USP

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20...

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Comentário de Gabriel R. de Andrade Silva em 2 julho 2010 às 12:39
Deu na mídia mais porcaria sobre um jogador de futebol, esse goleiro do fluminense... isso só serve pra nos desmoralizar.

E Holanda ganhou! Jogo comprado? Possível. Como é possível que a copa anterior também tenha sido. Como é possível que muitos jogos de clubes também sejam. O bom é que essa cambada volta logo pra casa e pára de gastar nosso dinheiro!

Aliás, parabéns para quem gastou comprando camiseta, bandeira, corneta, pintando rua....

Humilhação garantida mesmo seria a Argentina ganhar esse mundial.

Mas tudo bem, da próxima possivelmente o Brasil vai pagar mais, afinal, não vai querer dar vexame em casa...
Comentário de Gabriel R. de Andrade Silva em 24 junho 2010 às 13:58
De minha parte tenho cada vez menos interesse em assistir um bando de marmanjo correndo atrás de uma bola. O chamado "esporte nacional" é de origem britânica. Por quê a capoeira não foi considerada "esporte nacional"?

Vejo meu país inteiro parar para assistir, sofrer, brigar e exultar por de pessoas que não nos representam. Querem é o $$$ deles. Estão nem aí com a nação ou com o torcedor: trocam de clube qdo lhes aprouver, jogam na Europa se lhes pagam melhor... A grande maioria de nós tem de ralar muito pra conseguir algo, enquanto eles ficam milionários de um dia para outro. Não sabem nem lidar com o dinheiro, depois ficam dando vexame... endividados, sem pagar pensão alimentícia, bêbados, drogados, saindo com putas, travecos... Isso acrescenta alguma coisa pra nós? Essa riqueza beneficiou o Brasil? É esse tipo de gente que deixa uma marca histórica, de construção de civilização, de legado ao seu povo?

Por quê o Brasil não pára para assistir jogos de vôlei? É a mesma coisa. Haverá o dia que daremos aos jogos a importância que eles tem: nenhuma. São só um entretenimento, nada mais.

Esse ufanismo de ostentar banderinhas e vestir amarelo na copa é legado de uma intensiva política Panis et Circencis que esvaziou o Brasil dele mesmo, empobreceu a educação, a cultura, o patrimônio imaterial... O povo foi tão esvaziado que não teve nem mais pelo quê brigar, então foi-lhe ofertado o futebol como meio de canalizar suas paixões. Afinal, pode-se tanger o gado melhor se ele estiver distraído...

Foi onde entrou o famigerado canal de TV cujas novelas, telejornais ou jogos não merecem a audiência de qualquer brasileiro que se preze. Um grupo de comunicação oligarca e monopolizador que ainda ousa intitular-se como "rede", vampirizador do povo, e mesmo destruidor de famílias. Afinal, se as pessoas estão olhando para a TV, elas não estão olhando umas para as outras.

Digam os "jornalistas" lá empregados o que quiserem. Nada dura para sempre, logo, o legado maldito do Rupert Murdoch tupiniquim começa a dar sinal de sua ruína...

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