Escola de Redes

Dediquei grande parte de minha vida a imaginar uma Escola de Artes e Ofícios; uma atualização a nossos tempos, das milenares tradições no tratamento das matérias primas naturais. Em particular a madeira, pois criei meus filhos trabalhando como marceneiro. Me considero portanto um intelectual amador. Minhas idéias refletem uma lógica de quem lida com a matéria e com o conhecimento e habilidades manuais necessárias para trabalhar.

Faço esta apresentação pessoal pela percepção de que todo o debate sobre negócios em rede tem como premissa que o único PRODUTO que temos a oferecer e negociar é o conhecimento que, pelas convicções que nos unem, deve estar livre e sob domínio público.
A outra ponta, o mundo industrial, criador e produtor dos bens com os quais interagimos, se desenvolve seguindo a lógica da acumulação de riquezas, determinando o VALOR de seus produtos, pelos quais pagamos como consumidores bem treinados.

Abrindo o raciocino, afirmo que existe um ponto entre estes dois cenários que está em sincronia com a etapa e o momento de nosso tempo. Que o trabalho manual e intelectual, harmonizados e equilibrados, podem resultar em produtos que agreguem em si, valor para disputar diretamente o mercado.
Duas observações antes de apresentar meu convite.

A expectativa que temos (os intelectuais) sobre trabalho, está profundamente emaranhada com os conceitos da sociedade escolarizada, sobre carreira profissional, vocação, e outros conceitos que na pratica definem o nicho de cada um no mercado de trabalho. Em todos, é rápido o encontro com a regra básica de oferta e procura, da escassez e outras manipulações que o poder nos impõe. Por outro lado, ganhar a vida com as mãos, operando a matéria, se refere apenas a imagens de exploração de mão de obra operária ou prestadora de serviços braçais. Em contraponto, para o mundo corporativo, que manobra a produção, extrair maiores lucros, está diretamente ligado a redução de custos e aumento de produtividade. Uma engenharia básica, simples, mas perversa pelo foco único na acumulação e centralização das riquezas.
Entendo que podemos ajustar esta contradição a nosso momento, quando a realidade sob nossos pés se comporta em desacordo com os caminhos das idéias.

A Escola de Artes e Ofícios, é uma proposta para tratar estas questões. Acredito que a interação entre aprendizagem e produção tal como crescimento pessoal e sustentabilidade, libere uma potente fonte geradora, capaz de suprir os recursos necessários para recriar nossos velhos conceitos. Explorar essas possibilidades para realizar uma reengenharia empresarial ,focada no desenvolvimento local e na evolução pessoal dos envolvidos, é o trabalho do momento para o qual convido os amigos conectados .
O Curso de Marceneiro Amador é o “produto” que tenho a oferecer. Todo conhecimento está disponível na rede, livre para copiar e modificar, assim como os planos de produção do material didático especialmente desenvolvido para cada etapa do curso. Portanto, tanto ofereço o Curso para quem quer ser marceneiro, como também ensino e habilito o aprendiz a fabricar o material para que possa repassar seu conhecimento recém adquirido.
Para trazer o debate para o concreto, convido os 5000 aprendizes da E=R a se iniciarem nas artes da marcenaria. Faço a seguinte proposta a todos:


Este quebra cabeça é uma lição preparada por antigos marceneiros japoneses para treinar aprendizes em encaixes precisos. Lixar estas seis peças para que o jogo fique justo, remete aos fundamentos básicos para o marceneiro no que se refere a paciência, a perseverança, aos limites de coordenação motora. A postura do aprendiz frente a estas questões, além do resultado final,revelam ao mestre o diagnóstico e o perfil de trabalho com cada um.
Construirei uma série especial de 200 unidades destes Kits, identificados com a marca E=R. Vendo esta Iniciação a Marcenaria por R$15,00. De cada um vendido na mídia E=R, reservo R$ 5,00, para criar um fundo de manutenção da Escola de Redes (O Augusto fica encarregado de bolar como) . A distribuição via correios fica com R$ 2,00, e os R$ 8,00 restantes me remuneram. Ou seja: se 200 dos 5000 toparem minha proposta, poderei demonstrar que o truque do mundo industrial, é a produção em escala, com máquinas e gabaritos.
Aposto que o tempo de trabalho que despenderei para cortar, embalar e remeter este 200 Kits de Iniciação da Marcenaria, divididos pelos R$ 1600,00 que me cabem no projeto, será uma remuneração maior que hora aula para professores, netweaves, e todos os outros tipos de esquisitos que não se enquadram nas hierarquias
Contabilizarei detalhadamente os custos do processo e manterei transparente em meu espaço de blog. Um documentário apresentando a idéia estará sendo produzido e postado no YouTube. O primeiro já está lá veja
http://www.youtube.com/watch?v=j1SEBnUPmKE

Para se inscrever, entre no grupo marcenaria e mande uma mensagem com seu nome, e o endereço de entrega.

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Comentário de Paulo Vargas de Oliveira Jr em 22 setembro 2010 às 15:16
Augusto
Seus elogios são sustentadores; em particular neste momento em que estou apresentando um antigo projeto reformatado pela existência da rede. Imagino que um dos temas transversos a esta proposta é justamente delinear as implicações da rede virtual sobre a realidade concreta de seus nodos, e vice versa.

Esperava sua "reclamação" quanto a batata quente que joguei em suas mãos. Mas não se preocupe, assumo pessoalmente as implicações burocráticas. Entretanto, mantenho a idéia que o "trabalho" realizado pela E=R estabelecendo a rede e no caso também o "mercado", gera valor, e a questão que apresento ao forum, é justamente definir como ele será utilizado. Pode ser para pagar os custos do ning, ou organizar uma festa, mas acho que podemos imaginar outras aplicações deste capital coletivo. Seu valor monetário, simbólico ou qualquer outro.

Quanto a criar uma plataforma própria, por ora, vou desobedecer seu conselho. Interagir no ambiente da E=R, é a condição que me dá acesso direto a colaboração de todas as inteligências plugadas nestas questões. Percebo que esta costura entre os ideais de vida distribuída e a sustentação do dia a dia, estão em franca oposição, tornando a discussão meio esquizofrênica. Creio que a inovação que pretendo, é apresentar uma alternativa capaz de conciliar esta falsa oposição. Este debate é sobre o funcionamento de redes e não sobre marcenaria.

No mais, ...encomende seu kit e tenha uma experiência que pode abrir um rico processo de crescimento pessoal. O encontro com a madeira e o estado de arte atingido pelas ferramentas e técnicas milenares, são de grande poder transformador.

Outro abraço
Comentário de Augusto de Franco em 22 setembro 2010 às 8:01
Muito bacana sua proposta de marcenaria, Paulo. Em vários sentidos, inclusive no simbólico... No entanto, a E=R, como tal, não pode fazer negócios nem recolher fundos para sua manutenção (pelo simples motivo de que nela não há alguma instância dirigente que possa falar em nome da rede, administrar fundos etc.). Abri esta plataforma, mas não sou o seu dono nem representante (embora o Ning exija um "criador"). Todos os negócios envolvendo administração de recursos ou representação que eventualmente forem originados aqui deverão ser assumidos pelas pessoas (físicas) envolvidas e em seu próprio nome.

Como sua proposta é muito bacana mesmo, sugiro que você abra uma plataforma para viabilizá-la. E convide as pessoas da E=R que quiserem ir lá e compartilhá-la. Existem muitas plataformas semelhantes ao Ning que podem ser usadas (várias delas gratuitas, você só gastará alguns poucos minutos = clique aqui para escolher).

Forte abraço!

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