Escola de Redes

Pergunta pra quem viu o post do Augusto de Franco hoje no FB "O PLAFT DO SAPO PULANDO NA ÁGUA"

Tava pensando nisso que o Augusto expressou, que pode ser visto como a dificuldade da interação direta com quem não está (ainda) acompanhando as conversas ou domina os conceitos de rede, pra traze-los "up to speed" com o papo, ou com o papo que poderia ser possível se todos dominassem as ideias mesmo que não concordassem. Chegar na abrangência e profundidade de reflexão do Augusto nesse campo é uma tarefa para poucos talvez.

Eu colocaria um ponto "herético" aqui que é a inevitável  centralidade do Augusto na E=R e nessa ampla discussão e pesquisa que é o universo visto do prisma das redes. E penso que esquemáticamente mesmo contra seu desejo ele se encontra mais centralizado(r) desse conhecimento que distribuído (apesar de ser um distribuidor pro qual generoso é adjetivo pequeno)

Eu estou até com medo de receber um "Plaft" aqui, um sapo na fuça, em vista da minha ignorância ou abusice de achar que entendo alguma coisa. Para mim surge o questionamento recorrente da naturalidade que seria essa formação de círculos de amizade, proteção e influencia em torno de uma pessoa que contenha um tipo de informação tão centralizada e em processamento complexo como o caso do Augusto.

Não é um caso de pouca transitividade para aquilo que o Augusto propõe e divulga? E no caso de transitividade (que imagino ser o transito das ideias entre nodos outros que Augusto>Outro, ou seja entre Outro>FulanodeTal) isso não implicaria num tipo de Apostolado, ou proselitismo, com toda a meleca e seitificação que isso pode implicar? (sei que é um questionamento complicado e talvez já ouvido, fico a espera do sapo voador...)

Tenho mais a acrescentar depois (agora minha limitação humana me exige outras interações)

Oi Guga. Reproduzo abaixo o post. Abraços, Augusto

O BARULHO DO SAPO PULANDO NA ÁGUA

Um post dedicado aos meus amigos

O algoritmo do Facebook calculou que sou uma Figura Pública. Não sou. Sou ainda uma pessoa privada tentando ser uma pessoa comum. Nesse caminho fico meio atordoado e, às vezes, desolado.

Acontece o seguinte. Querendo ou não a gente vai se conectando a mais gente diretamente, com 1 grau de separação (mais amigos). Quando isso acontece também aumentam os nodos do nosso emaranhado em 2 graus de separação (os amigos dos amigos), em 3 graus de separação (os amigos dos amigos dos amigos) e assim por diante. Todo esse campo mais próximo a nós (em especial até 3 graus de separação) começa então a interagir com a gente. Bem... aí muda muito a nossa vida.

Como sou um cara aberto à interação com quem não conheço (do contrário não estaria tentando ser uma pessoa comum, no sentido de commons), minha timeline deu para ficar cada vez mais caudalosa. Então, para conversar com todo mundo, gasto horas aqui no Face, no Twitter, na Escola-de-Redes e em outras plataformas, no Gmail etc. Sem falar dos contatos e conversas pessoais que mantenho diariamente com cada vez mais gente também, aqui no LABE=R e em todo lugar onde vou. E por telefone, skype, hangout...

É claro que se eu quisesse continuar sendo uma pessoa privada, incomum, eu selecionaria as minhas interações, usaria as mídias sociais para fazer broadcasting e auto-propaganda. Não responderia a todo mundo. Não entraria em bola dividida, iria só na boa, publicaria só coisas que não despertassem contrariedade, falaria do bem, do belo, do verdadeiro. Espalharia boas vibrações... Falaria, quem sabe, de coisas como o Dharma de Buddah (sem responder como aquela velha pessoa-zen: "Dharma-Buddah? Não passa de esterco seco"). Mas, incorrigível que sou, quando alguém me pergunta coisas assim, retruco como Yun-men: "Bosta". Os caras podem achar que estou xingando, mas não estou: é apenas o barulho da pedra caindo no rio ou do sapo pulando na água...

Enfim - não é assim que as figuras públicas fazem? - construiria uma persona (sobretudo aqui neste Personabook) para vender geral, calcularia o que pode me dar mais popularidade, aumentar o meu prestígio e influência, eventualmente conquistar mais pessoas dispostas a me seguir ou a me contratar para palestras e consultorias.

Porque, afinal, é disso que eu vivo.

Aí seria só beleza! Uma pessoa que construiu uma persona tão lhana, tão bacana, tem pouco risco de nos trazer problemas (é o que deve pensar, imagino, a média dos contratadores).

Entretanto, não consigo fazer isso. Ou melhor (ou pior): faço exatamente o contrário. Entro em todo tipo de disputa (de ideias) quando acho que é relevante, enfrento os grandes preconceitos e invisto contra tabus: critico a família monogâmica, a escola, a igreja, os sindicatos, os partidos, as empresas-pirâmides, o Estado-nação e as organizações hierárquicas em geral.

Porque, afinal, é disso que eu sou.

"Pô cara! Mas você critica tudo? Assim você vai acabar sozinho". Mas o diabo é que não acabo e cada vez aumenta mais o número de pessoas que interagem comigo.

No entanto, meu tempo para trabalhar (no sentido de ganhar dinheiro para sobreviver) está cada vez mais reduzido. Como prezo demais a interação e mantenho firmemente a decisão de interagir com qualquer pessoa (conhecida ou não) que comenta ou propõe qualquer coisa, a porcentagem da minha atividade pro bono (faço cada vez mais isso também) e das atividades sem perspectiva de lucro (como interagir aqui, por exemplo) tem aumentado bastante. Se já era 90% agora deve estar beirando os 95%. Sim, somente 5% (mais ou menos) do meu tempo é gasto em atividades cujo retorno financeiro me permite pagar as contas.

Até aí tudo bem (ou não, mas vou levando: pelo menos enquanto estiver respirando). O problema é a desolação que surge quando nos desiludimos ao ver que nem todo mundo está mais ou menos sintonizado com a gente. Não está mesmo. Nem era para estar. Mas sempre nos iludimos (e por isso nos desiludimos). Aumentos bruscos do raio da "mancha interativa" que nos afeta (porque nela estamos imersos e somos - o que somos e como somos), acarretam, não raro, desacoplamentos estruturais. Ou seja, um número crescente de pessoas não se comunica propriamente com a gente mas interage adversarialmente, às vezes para provocar ou para assacar falsas acusações e alegações infundadas.

A porcentagem dos que fazem isso, felizmente, ainda é bem pequena. Mas, repito, é crescente. A maior parte desses provocadores é composta por militantes partidários. Não conseguem entender que possa haver alguém que não pratique a política como arte da guerra ou como questão de lado. Então eles dizem:

"De que lado você está afinal? Se não está do nosso lado deve estar do lado dos inimigos (dos exploradores, dos capitalistas, dos neoliberais). Se não é do PT (ou dos partidos de esquerda aliados e subordinados ao PT) deve ser um tucano. Ah! Já sei: você é um tucano disfarçado; se finge de neutro mas é também um militante igualzinho a nós". Como argumentar com essa gente?

Mas o mais angustiante são aquelas pessoas que interagem de boa-vontade, levantando questões que estamos investigando e sobre as quais estamos conversando há anos, quem sabe há décadas. A maneira como os investigadores tradicionais se livravam dessas dificuldades era simples: eles simplesmente não respondiam. Aliás, eles nem tomavam ciência das perguntas. Se você é Carnap no Círculo de Viena só conversa com Tarski, com Quine, com Ayer, com Gödel, com Hempel (vá-lá). As pessoas que não são do seu inner circle nem sabem o seu telefone, seu endereço, seu e-mail (porque você não divulga geral, porque você é um cara diferenciado, porque você não pode perder tempo com qualquer um do povo).

E isso vale para todo mundo que se diferenciou, que alcançou o que chamam de sucesso porque fez seu próprio açude para acumular poder, riqueza, conhecimento atestado por títulos e fama. Não, eles não podem se misturar, não podem se aproximar dos outros depois de todo esforço que fizeram para se diferenciar, para não-ser pessoas comuns.

Mas para quem quer pular no abismo do fluxo interativo, tal fórmula não funciona. Se você quiser viver no fluxo, não lhe resta alternativa senão tentar ser uma pessoa comum. E aí não pode se fechar ao outro-imprevisível.

Mas permanecer aberto ao outro-imprevisível incomoda quando o outro incomoda.

Posso dar alguns exemplos, diretamente ligados aos meus principais temas de interesse nas duas últimas décadas mais ou menos: rede (distribuída) como movimento de desconstituição de hierarquia e democracia como processo de desconstituição de autocracia. Sim, tudo que penso, estudo, investigo, falo e experimento é sobre isso.

É disso, afinal, que eu trato. Nesta altura da minha trajetória de adaptações (ou da minha história fenotípica) este é o resultado da minha alostase cultural: é isso que eu sou agora.

Primeiro exemplo. Há 5 anos venho tentando refutar a visão (generalizada ou quase) da hierarquia ser uma coisa que advém da natureza ou que sobrevém de alguma instância super-humana (divina, angélica), a hierarquia como algo imanente ou transcendente. A conversa não tem fim. Você acaba de argumentar com um e vem outro em seguida expondo as mesmas alegações do primeiro, as mesmas concepções primárias, as mesmas crenças, os mesmos exemplos furados, as mesmas hipóteses que a ciência já desmascarou... dizendo que se a hierarquia não fosse natural as abelhas não tinham rainha e outras tolices (como a daqueles caras que acham que o pássaro que vai na frente num voo em formação delta está liderando o conjunto). Não tem fim.

Como o programa (da Matrix realmente existente) foi carregado em todo mundo (o mesmo programa, ressalto), a rigor você teria que argumentar durante milênios, com 1000000 de pessoas (para ficar ainda nos três graus de separação).

Outro exemplo é o da democracia. Chega a ser cruel. Noventa por cento (ou mais) das pessoas parecem estar convencidas de que democracia é sinônimo de eleição ou que democracia é a prevalência da vontade da maioria. E quando você mostra que não é, com argumentos racionais, pouco importa. Para cada pessoa que é capaz de refletir sobre os argumentos e evidências que você apresentou aparecem centenas, milhares, que voltam com as mesmas e surradas questões. 

Sei que é assim mesmo. A gente não sentia tanto quando nosso emaranhado era menor porque o mundo era menos distribuído, menos conectado e menos interativo. Mas agora, que aquele manso córrego virou uma enxurrada avassaladora, faz muito barulho. Chega a ser ensurdecedor. 

A solução que encontrei - quando a conversação racional não tem mais chances de progredir - foi a seguinte. Digo: não importa o que você pense, no que você acredita, não importam os seus valores. Estaremos de acordo se você se recusar a estruturar ou a operar ambientes configurados para mandar nos outros (ou para obedecer a alguém). Você concorda?

Sim, como ideias não mudam comportamentos (só comportamentos mudam comportamentos), isso para mim - que estou dedicado a desconstituir hierarquias e autocracias - é o fundamental: deixar de mandar nos outros e não obedecer a ninguém.

Em geral, porém, quando faço tal proposta, "ouço" do outro lado apenas o silêncio. Um silêncio desolador.

Publicado no Facebook em 15 de agosto de 2013

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Comentário de Guga Casari em 17 agosto 2013 às 18:33
Sobre o mesmo assunto, no FB: Entendo, vale essa colocaçāo, e muito. Augusto de Franco, realmente é um vicio que compartilho com tantos outros essa coisa de tentar esticar algo que funciona muito bem em sua esfera para outras onde isso nāo é tāo aplicavel. Tipo pouca manteiga e muito pāo. É coisa de poeta obssessivo, um fascinio pelos novos entendimentos, somado de um certo pendor religioso que me fazem querer ver a cosmologia em todas as coisas, uma busca provavelmente tola da Teoria de Tudo, do Graal e da Pedra de Toque.
Comentário de Guga Casari em 17 agosto 2013 às 18:32
Eu sinto que precisaria ter um rigor e profundidade de pesquisa muito maior para colocar esse tipo de questāo que insisto em colocar. Eu sou meio franco atirador e antes de ver a coisa toda já saio dando meus tiros e chutes. Infelizmente acredito que essa estruturaçāo do pensamento é algo que vai sempre me escorrer pelos dedos, pois de um certo modo ainda nāo consegui ver exatamente qual é o "objeto" de minha busca, ou a finalidade de meu questionamento. Mesmo enquanto escrevo esses meus textos que contem uma esperteza aqui ou ali ainda nāo existe realmente uma coerencia maior no meu pensar. Mente indisciplinada e voluvel...
Comentário de Augusto de Franco em 17 agosto 2013 às 12:12

Na verdade, Guga, não existe uma teoria das redes com escopo explicativo tão ampliado, quase uma filosofia das redes. Pouca gente trabalha com isso (eu, o Pierre Levy - que está registrado aqui na E=R, Humberto Maturana de 1973 a 1993 e mais meia dúzia, se tanto). Os pesquisadores da nova ciência das redes, em sua maioria, são cientistas stricto sensu (no sentido hard do termo) e não fazem estas ilações generalizantes, nem têm tal preocupação: são físicos, matemáticos, biólogos, imunologistas, epidemiologistas, comunicólogos, psicólogos sociais etc. (e, relativamente, muito poucos sociólogos e politólogos, por incrível que pareça) dedicados a investigar aspectos específicos da fenomenologia da interação (muita vez sem nem saber que estão investigando a fenomenologia da interação). As teorias das redes não são meta-explicações, sistemas ontológicos gerais. São apenas teorias duras (apoiadas em formalismo matemático sofisticado, muitas vezes). Eu também não pretendo construir qualquer sistema desse tipo, no máximo derivo máximas aplicáveis a várias circunstâncias. Como investigo, porém, a democracia, então às vezes sou exigido pelo meu próprio objeto, a fazer transposições entre campos epistemológicos distintos (mas evito polir a ontologia com a epistemologia e vice-versa, para não construir uma escola de pensamento ou um sistema auto-referente).

Comentário de Guga Casari em 17 agosto 2013 às 11:09

Entretanto essa coisa que pensei "que os humanos tema possibilidade de comunicar em níveis mais básicos de troca, emoções, sexualidade, troca comercial, de alimentos etc." pode ser um vies do meu olhar que não cabe na toeria das redes ou uma realidade estrutural mais profunda. A de que existem níveis de desenvolvimento e de acoplamento, aninhamentos, holarquias... 

Que eu a grosso modo identificaria com os niveis de desenvolvimento do humano em crescimento, aos niveis energéticos dos chacras etc.

Por exemplo grosseiramente redes de humanos conectados por:

Necessidade de sobrevivencia

Reprodução da espécie

Gregariedade e sentimento de grupo

Domínio de um território fisico

Domínio de um território cultural

Trocas numa dimensão conceitual/espiritual

Comentário de Guga Casari em 17 agosto 2013 às 10:58

Eu tendo a pensar que a linguagem como SW (rigido nesse meu pouco entendimento) é um aspecto importante do acoplamento/conversa. Mas de fato quem já se virou sem falar a língua num pais estrangeiro entende que além do domínio dos símbolos o que conta é a vontade de se ligar ao outro pra ajudar (ou o desprezo p/ exemplo).

Claro que os humanos tem a possibilidade de comunicar em níveis mais básicos de troca, emoções, sexualidade, troca comercial, de alimentos etc. Mas quando a gente fala dessa comunicação mais especifica, a gente fala de trocas em que não havendo o compartilhamento da linguagem e dos conceitos ficam impossíveis. De novo esse compartilhamento só é possível se existe a base emocional de boa vontade e abertura pra interação (emoção cooperativa).

Comentário de Augusto de Franco em 17 agosto 2013 às 10:34

Babel... os construtores não se entendiam não porque falassem línguas diferentes e sim porque não conseguiam, numa estrutura hierárquica como a que estavam erigindo, realizar acoplamentos estruturais entre si. Havia linguagens - pessoas que falam línguas diferentes sempre acabam se entendendo - mas o que não havia era a emoção cooperativa associada ao linguajear, quer dizer, o  conversar.

Comentário de Guga Casari em 17 agosto 2013 às 10:01

Legal Augusto, fica mais claro c/c do texto do Plaft. É eu estava falando de centralidade e não de centralização. Que entendo como a relevencia ou o numero de links diretos que algum nodo tem, que o colocam em alguns sistemas de representação mais no centro que na periferia duma rede.

Na minha vida já me vinculei a muita coisa, e me desvinculei também, principalmente no campo temático daquilo que acredito e sustento e do que não acredito tanto, ou em só condicionalmente e em parte. Uma das coisas mais criticas foi nos Estados Unidos numa época de carencia e juventude ter me vinculado e ido viver num importante centro de Cientologia do Ron Hubbard. Proselitismo, captação de acólitos (A palavra acólito vem do verbo acolitar, que significa acompanhar no caminho), convencimento e envolvimento dentro dum ambiente onde tudo é a cultura da seita, eram coisas comuns. E agora com essa coisa do FDE com todas as criticas que recebe, e essa evidente complexidade de diálogo na amplitude de uma sociedade do tamanho e diversidade (e conservadorismo e ignorância pura e simples, e de histórico escravocrata e indiocida e senhorial) da nossa fazem desse seu post algo que toca em várias veias minhas.

Acho interessante essa partida de tantas bolas que você consegue ir sustentando, coisa que com certeza é energéticamente exigente. Transformar essa visão que você propõe em cultura, no caso uma rede aberta de conversantes fraternais e heterogêneos, realmente originais (sendo eles mesmo a origem do que propõe - autênticos e flexíveis não papagaios) leva a um questionamento do quanto "sacudir a rede" pode de fato levar ao emergir de um novo estado.

Se a questão de mudança de estado é por exemplo uma de vibração, ou de temperatura, de onde vem essa onda, é da gente (eu causo algo, ou participo?). Ao "entrar em fase" com esse novo emergente de que modo eu realmente ajudo no processo sem me fraturar em excessos (do tipo se colocar a serviço de uma causa - agora sou pelas redes!) ?

O envelope temático que pode acabar fazendo um border line dos "de dentro" e dos "de fora" deve ser algo tão espontâneo como culturas. Por isso hesito em pensar que a distribuição completa é possível, ou até interessante, pode ser a negação dum flow, uma falta de DDP. Pode ser um estado materialmente "desinteressante" (não geraria fascinio, envolvimento, karma). Ou seja a lucidez de uma sabedoria de "entre as rachas" não vem diretamente da lida com o mundo, não existirão equações e interações que em si nos tragam "satisfação", mesmo que certamente um entendimento mais aprofundado do tecido em que dançamos a realidade seja sempre muito interessante. Ainda que o questionamento do que é a manipulação do flow colocando-o a serviço de elites é fundamental. Me lembra a musica do Bob Dylan (Gotta Serve Somebody http://vimeo.com/64128565)

No sentido de uma "clareza e paz de espírito" essa lente cientifica sempre mais potente que temos a disposição pode ser apenas o nosso condutor apenas a mais um Kali Yuga (uma época de fascínio com as superfícies e não com as essências).  Bósons e o Ruído de Fundo, a introjeção e ampliação das individualidades (o individuo tambem é uma evolução e uma introjeção) complicando as interações humanas, contempla-los não nos traz em si sabedoria.

Tem gente que olha as redes e pensa marketing, manipulação. O Augusto (voce) graças ao Grande Sufi no Céu vê a patologia das hierarquias e propõe modos de diminuir sua influencia.

O que sempre surge para mim, e cada vez mais, é como o olhar influencia o "experimento" que é viver. A sensibilidade para ver os links, para perceber as conexões é como o gato na caixa, mais que nunca é a qualidade da pergunta (do experimento e da sondagem propostos) que fornece o resultado. Entender o que são caracteristicas mais ou menos duradouras da realidade e das coisas é sempre um fio da navalha entre relatividades que se equilibram num vácuo, principalmente quando essas relatividades se chamam José ou João e são primatas pelados com cerebros que os convencem que o Universo é assim, desse tamanho, com esse peso, com esses prazeres e esses dissabores.

Pra esses primatas, que se acham o ó do bobó, os verdadeiros seres superiores reis da cabeleira roxa, existe esta coisa da linguagem em palavras, essa invasão dum sistema operacional virulento em cima dum wetware que não foi desenvolvido exatamente pra isso. Babel...

Comentário de Augusto de Franco em 16 agosto 2013 às 6:53

Reproduzi acima no seu post o que foi publicado no Facebook ontem, Guga Casari :)

Centralidade é um daqueles conceitos difíceis da SNA (Social Network Analysis). Porque as vezes pode ser confundido com centralização. Nodos mais conhecidos têm mais centralidade no sentido em que são mais acessados do que outros. Ou têm mais influência (outro conceito difícil). É um pouco diferente de hubs (que são conectores), na medida em que as pessoas podem se conectar umas com as outras sem passar por alguém que tem mais influência. Assim como centralidade só virará centralização se o caminho de um nodo para outro passa necessariamente por algum centro.

Todas essas funções são funções de graus de centralização ainda presentes em uma rede. Em uma rede totalmente distribuída esses papeis destacados (hubs e filtros = estações intermediárias obrigatórias) não existem. Mas mesmo em uma rede totalmente distribuída permanecerá existindo influências distintas das pessoas. Só que não será influência todo o tempo exercida pela mesma pessoa.

Redes temáticas, tecidas voluntariamente em torno de um objetivo, tendem a prorrogar a influência dos mesmos. Por exemplo, se Einstein faz uma rede sobre teoria da relatividade é difícil que ele não permaneça com um grau singular de influência.

No entanto, redes que surgem da convivência são open spaces (sem tema e propósito definido fora da convivência). Redes formadas para brincar, por exemplo. Nestes casos, a questão da influência diferenciada de um ou outro nodo permanece, mas tende a ser mais móvel.

Comentário de Guga Casari em 15 agosto 2013 às 21:06

Continuando,

Então surgem outras questões que podem ser o cumulo do plaft. Uma é a dificuldade de se linkar a alguém que fala "outra língua", ou seja a seu modo o conteúdo informacional tem peso, no mínimo na estabilidade da conexão... Outra no caso de um conhecimento especifico como o das redes é a dificuldade de se linkar com quem não está no mesmo nível de domínio do conhecimento. Ou seja é mais fácil manter links estáveis e produtivos com quem está próximo na linguagem, mais custoso com quem está mais distante na linguagem. O "contágio" das idéias e comportamentos pode ser mais dificil atravez de grandes distancias conceituais.

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