Escola de Redes


Em relação à cooperação como derivada do padrão organizativo, uma idéia forte que circula aqui, tenho procurado observar nos processos sociais em que estou interagindo.

Minha percepção atual é que se tratando de redes sociais o padrão rede “aparece”, se atualiza socialmente nos padrões de comunicação. Nas redes humanas conexão é comunicação. É possível que esta seja a raiz da baixa colaboração espontânea quando estamos em padrões organizativos verticais. Não é por acaso que nestas situações temos a impressão que “nadamos contra a correnteza” quando se trata de cooperação.

Nas estruturas verticais, o padrão das conexões entre os elementos não favorece a distribuição do poder, uma conversa fluída, atual (conversar sobre o que se está vivendo). A energia se perde (ou fica represada) nos estrangulamentos dos fluxos. Estrangulamentos derivados das funções, das regras, dos ressentimentos relativos a permissões, vantagens e distribuição das oportunidades e benefícios que são administrados na ótica da geração de escassez.

Como na rede distribuída o padrão de conexão entre elementos é de distribuição e compartilhamento, a comunicação se desenvolve também de forma distribuída, não criando concentração nem escassez de oportunidades, e esta experiência possibilita em nós a emergência de sentimentos, emoções mais positivas em relação uns ao outros, de confiança, desejo de operar junto =cooperar (aqui na dimensão psicológica). O padrão rede “oferece” experiências cooperativas.

Durante 4 meses trabalhei na implantação de um programa de RS e as técnicas que adotamos, eu e o outro facilitador, deveriam oferecer uma experiência de conversação distribuída, favorecendo a interação pelo menos durante as atividades mensais que duravam um dia inteiro. Mesmo com todas as condicionantes hierárquicas que rondam o processo, surgiram ricas conversas: eram cidadãos conversando sobre sua cidade, durante horas, tomando decisões, se envolvendo. Grupo de +- 23 pessoas. Usamos o word café (café com prosa), algumas coisas da Investigação Apreciativa.

Avalio que a qualidade coletiva do que produzimos deveu-se ao design que imprimimos à experiência de interação/comunicação.

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Comentário de Mila San em 1 maio 2011 às 16:02
Espero poder conversar com você pessoalmente sobre este tema que venho aprofundando nos últimos 3 anos, na CIRS2. Bjs
Comentário de Vivianne Amaral em 6 junho 2010 às 20:17
Ok Fabio, continuamos conversando...
abraços
Comentário de Fabio Henri em 6 junho 2010 às 19:50
Viviane,

Obrigado pelas dicas! Estou em vias de criar uma rede social na internet e pretendo promover a interação de pessoas preocupadas com o desenvolvimento sustentável e projetos voltados á educação entre outros em Brasília. Minhas habilidades vem da fusão de trabalho voluntário e projetos sociais e marketing online. Quero agora encontar forma de reunir voluntários e talvez agentes pedagógicos como na proposta do Augusto dentro de um AEL. Vamos ver se futuramente posso levantar questões mais específicas para que vocês possam me indicar alguns caminhos. obrigado pelos links, irei estudá-los.
abraços
Comentário de Vivianne Amaral em 6 junho 2010 às 18:55
Oi Fabio, acho que não tem formula, pois sempre temos que proporcionar uma experiência que faça sentido para as pessoas, ou seja, o "como fazer" é muito situacional, local, difícil dar palpite sem estar envolvida. Tn acho que não dá reproduzir e não acredito em "multiplicação". A gente cria tudo de novo cada vez q faz, mesmo que utilize referências. Uma referência legal é aquela proposta do Augusto para formação de Arranjos educativos locais . Não sei se conhece. Não tive a oportunidade de experimentar , mas acho que é um bom jeito de fazer. A dinâmica da rede distribuída é aquela.
veja em http://www.slideshare.net/luisguggen/arranjos-educativos-locais-ael
No trabalho que relatei no blog eu utilizei word cafe a maior parte do tempo. O importante é oferecer experiências de conversação e encontros humanos. Para isto acho ótimo a Investigação Apreciativa http://tinyurl.com/28nqrwe

abraços
Comentário de Fabio Henri em 2 junho 2010 às 22:11
Vivianne,

Na sua opinião, como posso reproduzir uma experiência de netweaving dentro do contexto de cidadania dentro de uma cidade?
Estou idealizando uma rede social local com este intuito e preciso muitíssimo de ideias e sugestões.
há muito pouco tempo que estou digerindo as ideias aqui da escola de redes e tenho muito chão pela frente.

Obrigado

Fabio Henri

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