
Membrana celular
As pessoas que já estão conectadas aqui há mais tempo, precisam ter paciência. Como está entrando sempre gente nova, é necessário, de quando em vez, relembrar algumas coisas. É claro que nunca é uma repetição pura e simples. A cada rememoração são introduzidas variações que acrescentam novos elementos, novos pontos de vista, novas interpretações.
A entrada constante de gente nova é um prazer para os que já estão conectados. E é um sinal de "vida". Como nos ensina Lynn Margulis, "a vida é reconhecível por sua separação parcial do meio ambiente através de uma membrana translúcida e semipermeável" ao fluxo de energia e matéria... Enquanto esse fluxo permanece, a vida continua (e isso deveria ser um alerta para as organizações fechadas, hierárquicas, protegidas por membranas opacas e impermeáveis).
Neste momento este site no Ning conta com 1.307 pessoas conectadas. Mas este site não é a Escola-de-Redes e sim uma ferramenta de interação - usada no
netweaving na Escola-de-Redes - que estamos empregando há apenas 120 dias. Redes sociais são pessoas conectadas interagindo, não ferramentas.
A ESCOLA-DE REDES É O CONJUNTO FRACTAL DE NODOS FORMADOS POR AGENDAS COMPARTILHADAS
Se é assim, o que é então a Escola-de-Redes? A Escola-de-Redes é uma escola mesmo, que se organiza segundo um padrão de rede distribuída. Não é uma organização hierárquica, nem uma articulação centralizada ou descentralizada de instituições ou organizações formais. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para estudar e desenvolver temas relacionados às redes sociais, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram. Essas pessoas, por sua vez, se aglomeram em nodos para compartilhar agendas.
Sem compartilhamento de agendas não tem nodo. Sem nodos, não há escola. Esse é um dos motivos pelos quais, embora tenhamos mais de mil e trezentas pessoas conectadas aqui, não temos ainda uma Escola-de-Redes com esse "tamanho". O "tamanho" da escola é expressão das suas comunidades de aprendizagem. Essas comunidades são os nodos formados por meio do compartilhamento de agendas.
Qualquer pessoa pode entrar em um nodo existente ou propor a criação de um novo nodo. Estes nodos podem ser organizados por localidade ou em torno de um determinado tema ou atividade. A única condição é que esses nodos tenham a ver com os objetivos da escola e não se organizem segundo padrões hierárquicos.
A ÚNICA REGRA QUE NÃO PODE SER VIOLADA
Portanto, entre as pouquíssimas regras da Escola-de-Redes,
uma é fundamental e não pode ser quebrada: a escola e seus nodos só podem se organizar segundo um padrão de rede distribuída. Não pode haver aqui nenhuma exceção, nenhuma transição. A Escola-de-Redes foi fundada a partir da idéia de que redes distribuídas são aquelas que conectam pessoas com pessoas por meio de múltiplos caminhos diretos entre elas: sem instâncias intermediárias, sem filtros, sem centros de qualquer natureza. Não há, portanto, a menor possibilidade de combinar centralização com distribuição ou de ensaiar redes mistas ou outras estruturas que, sob qualquer pretexto, queiram introduzir obstruções de fluxos ou orientar as fluições a partir de algum padrão não-distribuído de organização. Não vale aqui qualquer justificativa de natureza cultural, funcional ou, mesmo, pedagógica.
Quebrado esse entendimento fundante estará desconstituída esta Escola-de-Redes.
Um padrão distribuído de organização implica não somente estrutura ("corpo", forma de organização), mas também tipo de funcionamento ("metabolismo", modo de regulação). Assim, as redes sociais distribuídas são reguladas pela chamada "
lógica da abundância", segundo a qual se geramos artificialmente escassez em qualquer regulação, produzimos hierarquia (centralização). Portanto,
faz parte do pacto fundante da Escola-de-Redes jamais lançar mão de procedimentos geradores de escassez, como a votação, o sorteio, o rodízio e a a construção administrada de consenso.
Além da óbvia concordância com os objetivos da escola, essa é a única regra que não pode ser violada. É claro que ninguém é obrigado a concordar com essa visão particular que deu origem a esta Escola-de-Redes particular. Quem não estiver de acordo pode fazer outra escola de redes, a partir de outras visões.
Isso é tão importante que não deveríamos permanecer um momento na Escola-de-Redes - nem continuar registrados nesta ferramenta de interação (o http://escoladeredes.ning.com) - sem ler com atenção seus documentos constitutivos. Há uma tentativa de resumo no texto
FAQ | 10 PERGUNTAS FREQUENTES.
PERTENCER À ESCOLA-DE-REDES É REALIZAR AS SUAS ATIVIDADES
No texto linkado acima, há também uma descrição das atividades realizadas pela Escola-de-Redes, em uma seção intitulada "Mas, afinal, o que faz a Escola-de-Redes?". Ensaiou-se uma resposta em cinco itens:
a) conectamos pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais (seja pelo estudo, pela investigação teórica, pela experimentação ou, inclusive, pela vivência-em-rede) e em compartilhar tal conhecimento com outras pessoas interessadas em conhecer mais sobre redes sociais;
b) facilitamos a livre interação horizontal entre as pessoas e estimulamos a criação de nodos (
clusters territoriais ou temáticos) voltados aos objetivos da escola, os quais – em virtude do compartilhamento de agendas – podem vir a se tornar verdadeiras comunidades de aprendizagem (de vez que a rede geral composta por todos os seus conectados não conseguirá ter a densidade de interações suficiente para gerar comunidade);
c) organizamos uma biblioteca
on line que contém textos e vídeos de estudiosos das redes, itinerários pessoais ou coletivos de leitura e histórias de vida com depoimentos de nossas relações pessoais com as redes;
d) Promovemos cursos (inclusive
on line) e atividades presenciais como encontros, simpósios e conferências sobre redes sociais e temas diretamente relacionados; e, por último,
e) estimulamos a conexão de uma pequena multidão de pessoas de sorte a criar uma efervescência capaz de ensejar a eclosão de certos fenômenos próprios de redes altamente distribuídas (um desses fenômenos, por certo, é o
clustering, mas há outros, como o
swarming, o
crunch, a autoregulação emergente e, quem sabe, a capacidade de multiplicação em cadeia de
hubs, inovadores e
netweavers) e, ainda, a criação de uma base potencial de
crowdsourcing que consiga intensificar a criação de novas tecnologias de
netweaving.
Portanto,
ninguém pode dizer que pertence à Escola-de-Redes apenas pelo fato de estar registrado neste site. É necessário realizar suas atividades.
Para ajudar essa inserção efetiva na escola, propusemos as
5 "TAREFAS" INICIAIS SUGERIDAS AOS MEMBROS DA ESCOLA DE REDES. Essas 5 "tarefas" são:
1 - Contar um pouco a HISTÓRIA de como você chegou até aqui, ou seja, de como começou a se interessar por redes sociais.
2 - Elaborar o seu próprio ITINERÁRIO DE LEITURAS, listando e eventualmente comentando as publicações que leu e os videos que assistiu sobre o assunto (redes sociais).
3 - Apresentar um resumo da sua BIOGRAFIA e, se for o caso, da sua BIBLIOGRAFIA sobre o tema.
4 - Disponibilizar para download (ou colocar um link para) TEXTOS ou VÍDEOS com resultados de suas investigações ou experiências ou vivências com o tema.
5 - Entrar em um dos NODOS existentes ou propor a criação de um novo.
A ESCOLA-DE-REDES AINDA ESTÁ EM CONSTRUÇÃO
Como se pode depreender analisando o exposto acima, a Escola-de-Redes ainda está em construção.
Das mais de 1.300 pessoas conectadas, a maioria ainda não conseguiu iniciar as tarefas acima.
Muitos nodos foram abertos, mas a porcentagem de pessoas que se inscreveram nesses nodos é ainda muito pequena. Alguns nodos não têm muito ver com o escopo da escola. E, o que é mais relevante, os nodos ainda não conseguiram compartilhar agendas com os seus membros.
Aliás, assim como é fácil confundir a Escola-de-Redes com esta ferramenta interativa (este site), também se confunde facilmente um nodo com um grupo (uma das funcionalidades desse site). Os grupos aqui do Ning são ferramentas interativas para articular e animar nodos, mas não são os nodos. Os nodos são aglomerações de pessoas em função de agendas compartilhadas.
Pouca gente está se empenhando na construção da biblioteca
online. É claro que essa constatação, aqui na escola, tem que levar em conta o estágio de aprendizagem de cada um. Vários conectados, por mais boa-vontade que tenham, não conseguem ainda contribuir. Mas entre os 1.307 registrados aqui já existe um número ponderável de pessoas que tem plena condições de fazê-lo.
O que é mais grave, porém, é que pouca gente está se dedicando à leitura dos textos (é fácil ver isso pois os textos estão pendurados no site www.4shared.com, que conta o número de dowloads). Ora,
sem ler pelo menos alguns textos é impossível entender a escola e, portanto, pertencer de fato a ela. Sem ler os textos fundamentais, é impossível inclusive entender este artigo. Ou seja, nessas condições, a interação substantiva com os membros registrados neste site não existe e, assim, não pode mesmo se efetivar a rede chamada Escola-de-Redes: nem hoje, nem nunca.
A despeito dessas dificuldades, normais em qualquer processo de construção, estamos caminhando. A entrada de novas pessoas e a atividade regular de pessoas já conectadas (o número dessas pessoas mais ativas, vamos dizer assim, já ultrapassa 1% dos conectados) são sinais de que a coisa está "viva". Se conseguirmos atingir o patamar de 10% das pessoas interagindo regularmente (diariamente ou, no mínimo, semanalmente) talvez a dinâmica desencadeada seja irreversível. São especulações. Não se pode saber.
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