Escola de Redes

Escola-de-Redes é uma rede de pessoas dedicadas à investigação teórica e à disseminação de conhecimentos sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving.

A Escola-de-Redes é um misto de escola (ambiente favorável à realização de processos educativos) e think tank, ambos organizados em rede. Ela é uma coligação de pessoas e grupos que integram comunidades de projeto e de prática, de aprendizagem e de pesquisa.

Em um sentido amplo, trata-se de uma não-escola. Como mostra a logo escolhida para a escola: E = R, quer dizer: a escola é a rede. Em palavras: se a escola já é a rede, para que escola? Se a própria rede é uma escola…

A Escola-de-Redes não é uma organização hierárquica nem uma articulação centralizada ou descentralizada de instituições ou organizações formais. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para desenvolver os temas acima, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram.


Constituição

A escola de redes se estrutura como uma rede distribuída de pessoas, que se conectam diretamente à escola ou a nodos locais constituídos igualmente como redes distribuídas.

Pessoas | Pessoas são todos os conectados à escola, seja participando de algum nodo, seja individualmente.

Nodos | Os nodos da Escola-de-Redes são os grupos locais de pessoas conectadas que constituem a escola. A escola é cada nodo e todos os nodos.

Cada grupo de pessoas que, em uma determinada localidade ou em torno de um determinado tema ou atividade, resolver constituir um nodo da Escola-de-Redes, terá total autonomia para estabelecer sua própria agenda de atividades, sua estrutura e seu regime de funcionamento, desde que assuma os objetivos acima, não se organize segundo padrões hierárquicos e conte com a concordância dos que já estão conectados à Escola.


Atividades

A Escola-de-Redes promove estudos e pesquisas, cursos, encontros, conferências e publicações. Organiza bibliotecas físicas e virtuais e espaços de leitura individual (lectoria), de reflexão coletiva e de trabalho conjunto.


Histórico

No dia 20 de junho de 2008, após o encerramento formal do GFAL (Global Fórum América Latina), na Pós-Conferência Aberta Redes Sociais e Sustentabilidade, com a presença de Augusto de Franco, David de Ugarte e Rodrigo Loures, foi lançado, em Curitiba, o primeiro nodo no Brasil da Escola-de-Redes. Em 26 de setembro de 2008 foi constituído o Nodo-São-Paulo. Em 27 de outubro de 2008, foi a vez do Nodo-Porto-Alegre. No dia 5 de dezembro de 2008 foi lançado o Nodo-Brasília. No dia 17 de janeiro de 2009, o Nodo-Pará. Depois surgiram vários outros nodos setoriais ou temáticos.


Publicações

Os nodos da Escola-de-Redes poderão editar publicações abordando diferentes aspectos das teorias das redes: análise de redes sociais, redes como sistemas dinâmicos e redes como estruturas que se desenvolvem. E também aplicando os conhecimentos e as técnicas de netweaving à gestão de redes de stakeholders de uma empresa, de pessoas dedicadas ao desenvolvimento comunitário, de atores sociais e de agentes políticos.


Publicações do Nodo-de-Curitiba

O nodo de Curitiba da Escola-de-Redes lançou, no final de setembro de 2008, dois livros (clique nos títulos para fazer o donwload em PDF):

Escola de Redes: novas visões sobre a sociedade, o desenvolvimento,...

Uma nova escola (mesmo uma não-escola) – em sentido amplo ou estrito – só se justifica se apresentar novas visões e ensejar a sua discussão. Não por acaso, Novas Visões é o primeiro livro publicado pela Escola-de-Redes.

Escola de Redes: tudo que é sustentável tem o padrão de rede. Suste...

Este segundo volume da série Escola de Redes procura mostrar quais são os principais desafios colocados para as empresas que querem se manter na busca da sustentabilidade neste início do século 21. Para tanto, fundamenta-se em uma única constatação básica: tudo que é sustentável tem o padrão de rede.

Embora inaugurais, estes livros são textos autorais e não podem expressar as opiniões de outras pessoas conectadas à Escola-de-Redes.


DUAS VISÕES INAUGURAIS SOBRE A ESCOLA-DE-REDES

“Não reunir é a derradeira ordenação”

Augusto de Franco (17-20/06/08)

Não estou participando da fundação, para usar a feliz expressão de David de Ugarte, de uma “nova burocracia associacionista” (como a das ONGs). A Escola-de-Redes não é mais uma ONG e nem uma frente ou coligação de organizações hierárquicas da sociedade civil.

Ainda bem. Sim, pois boa parte dessas organizações que se dizem defensoras de uma democracia supostamente mais substantiva, mais social ou mais participativa, raramente pode praticar o que prega no seu interior. Por que? Ora, porque são, via de regra, organizações piramidais, quase sem rotatividade em suas direções: pequenos castelos, igrejinhas, feudos de algum cacique (muitas vezes de famílias), quando não ligadas ao sistema clientelista de governos populistas.

A Escola-de-Redes, no que depender de mim e dos meus parceiros iniciais, não terá financiamentos governamentais. Poderá, sim, sempre por meio de seus membros conectados, prestar serviços a governos, empresas e organizações da sociedade civil. Ainda por meio de seus membros conectados, poderá fazer trabalhos voluntários e trabalhos remunerados. Mas não viverá de verbas públicas conseguidas a partir do apadrinhamento político, do lobby, daquela intermediação profissional de recursos na qual se especializaram os agentes dessas verdadeiras “empresas de coligações” em que se transformaram vários partidos do nosso velho sistema representativo.

Desnecessário dizer que não poderá ser usada para fins partidários ou corporativos, nem mesmo poderá ser, de qualquer forma ou por qualquer meio, direto ou indireto, associada a esses fins.

Não imagino, igualmente, que devamos organizar qualquer novo tipo de “religião laica”, de instituição filosófica baseada em princípios ou valores, como parece estar em voga nos dias que correm. Nada de princípios e valores definidos top down, nem mesmo os chamados princípios de sustentabilidade (tão em moda na atualidade). Nada de divulgar princípios e valores para fazer a cabeça dos outros, para educar os semelhantes ou guiá-los por alguma senda. Nada de possuir a “proposta correta” ou a “ideologia verdadeira” para alcançar qualquer tipo de utopia, seja ela o império milenar dos seres superiores ou escolhidos, o reino da liberdade e da abundância para todos, para redimir a humanidade ou parte dela ou para salvar de algum modo a espécie humana ou o planeta. Quem quer afirmar princípios e valores deve vivê-los na prática da sua experiência social. Já foi o tempo dos proselitismos de qualquer natureza.

Se nos dedicamos à pesquisa e à experiência com redes sociais, temos que tentar nos organizar e trabalhar em rede. Para mim, isso basta.

Não é trivial assumir as conseqüências dessa opção pessoal. Significa banir da “wikipedia memética” aquele conjunto de programas verticalizadores (que fica lá arquivado no subsolo da nossa consciência gerando pulsões de morte: de obstruir, separar, excluir) que infundem virtudes autocráticas, ainda muito valorizadas em alguns meios, como ordem, hierarquia, disciplina, obediência, controle, vigilância (ou patrulha) e punição e fidelidade impostas de cima para baixo. Por incrível que pareça, algumas empresas inovadoras — que não têm vergonha de assumir que o lucro é uma obrigação (não um objetivo) — estão conseguindo se desvencilhar dessa herança cultural autoritária com mais facilidade do que as organizações sem fins lucrativos (ditas progressistas e democráticas) da sociedade civil.

Bom, é isso aí. Para participar da Escola-de-Redes ninguém é obrigado a concordar com meus pontos de vista. Mas cumpro aqui a obrigação de declará-los.

A Escola-de-Redes, no que depender de mim, nunca será um grupo com um propósito que não possa ser público e compartilhado por todos os que dela participam. Já faz muito tempo que não organizo nem me agrego a grupos, patotas, igrejinhas, conventículos que adotam dois programas — um para dentro e outro para fora — e, assim, pensam sua atuação no mundo de forma tática, procurando cativar pessoas ou captar sua confiança, “fazer amigos”, usar a diplomacia para atingir seus objetivos. Depois de muitos anos de batalhas infrutíferas e de algum sofrimento, cheguei à conclusão de que esse tipo de atuação não é, vamos dizer assim (e não apenas porque sustentabilidade seja o tema da hora), eticamente sustentável, pois que leva necessariamente à utilização das pessoas como instrumentos, manipulando-as em prol de desideratos que elas não tiveram a chance de compartilhar.

Não temos nem que ganhar as pessoas para a nossa causa, nem de usá-las como escadas para a realização de nossos objetivos. Para quê? Isso é uma ilusão egóica: não vamos mesmo a lugar nenhum sem os outros. Por isso, imagino que devamos sempre estimular a diversidade de opiniões, de visões, de pontos de vista. O objetivo coletivo deve ser a polinização mútua de idéias e comportamentos. Somente assim será possível permanecermos abertos à mudança das nossas próprias opiniões, visões e pontos de vista e atitudes.

Não-alinhar. Não-reunir (como dizia Frank Herbert, numa passagem do “Messias de Duna” que não me canso de citar: “Não reunir é a derradeira ordenação”). Não criar espaços internos mais-estratégicos do que os externos (ou seja, não-separar).

Não traçar caminhos para os outros. Não criar sulcos para fazer escorrer por eles as coisas que ainda virão. Não tentar administrar o futuro. O desafio do novo nomadismo que está emergindo – não o nomadismo de grupos, de pessoas reunidas, e sim o nomadismo de pessoas conectadas em rede – é saber aceitar ou suportar a incerteza e a imprevisibilidade.

Toda rede é um conjunto de caminhos. Todo caminho é uma caminhada para o futuro. E cada caminho é uma possibilidade diferente de futuro. Se alguém está conectado a duas pessoas, tem dois caminhos, duas possibilidades diferentes de futuro. Se estiver conectado a dez pessoas, são dez possibilidades de inovação, são dez oportunidades, são dez portas diferentes para o futuro. São dez pílulas de cores diversas que — para lembrar a excelente metáfora do filme The Matrix — Neo pode tomar.

Ainda que a Escola-de-Redes possa ter nodos formados por grupos locais de pessoas, penso que a conexão mais importante — o principal constituinte da escola — é aquela feita por pessoas dispersas que querem cooperar.


Cinco claves para trabajar en red fructíferamente

David de Ugarte (22/06/08)

Mi aporte a la inauguración del primer nodo de la Escuela de Redes, ayer en Curitiba:

1 - No hay que construir organización, no es necesario — ni positivo — fijar estructuras en una red distribuida. Es justo el modelo contrario al del activismo de los siglos XIX y XX, la organización preexiste y es la propia red distribuida.

2 - Cuando la comunidad emerge, no existe para ningún fin distinto del de la propia interacción de sus miembros. No tiene sentido por ejemplo hablar de lo que debería hacer u ofrecer la Escola de redes. Como dice nuestro amigo Augusto de Franco, la escuela es la red: no hay una institución que ofrezca o “haga” nada, no hay un sujeto colectivo, aunque se comparta una identidad, el proceso de aprendizaje emerge de la propia interacción, no de la participación en proyectos lanzados de arriba a abajo. Así que si queremos aprender o investigar sobre, pongo por caso, bibliotecas en red, lo mejor que podemos hacer es documentar por nuestra cuenta y abrir un debate en la red sobre ello.

3 - Las algaradas francesas del 2005 nos enseñaron que una red distribuida puede crecer extendiendo el conocimiento que ya ha alcanzado, sin tener que repetir una y otra vez su debate interno y el proceso de aprendizaje original. Para ello tan sólo es necesario que el crecimiento no sea una mera interconexión entre nodos sueltos o representantes de subredes por muy distribuidas que sean cada una de estas. Si la red crece de forma distruida, no conectando líderes, sino un número amplio de nodos entre si, las experiencias de cada red pasan a formar parte del conjunto de experiencias de cada una de ellas.

4 - En ningún caso este conocimiento es único, tiene una única posición. La plurarquía que mueve la capacidad adaptativa, innovadora, de las redes, se basa en la diversidad. Esa diversidad, esa divergencia de pareceres, es fundamental para la sostenibilidad de la red. ¿Por qué? Porque cuantas más alternativas sean exploradas más aumentarán las probabilidades de supervivencia ante cambios en el medio.

5 - Las redes que no celebran, no merecen tener nada que celebrar. La celebración, la fiesta, lo lúdico y lo lírico es fundamental para la generación de confianza… y la confianza es el capital de las redes sociales, la base del capital social de una red.


UMA NOTA INTRODUZIDA POSTERIORMENTE

(15/12/08)

Desde o início, os promotores da Escola-de-Redes evitaram estabelecer qualquer tipo de regimento. No entanto, o crescimento exponencial do número de conectados parece exigir algumas (poucas) regras de funcionamento. Eis abaixo um exemplo que pode ser refinado e melhorado com o tempo:

1 – A Escola-de-Redes é apartidária e não poderá ser usada como meio ou alvo de campanhas partidárias ou eleitorais.

2 – A Escola-de-Redes defende e valoriza a liberdade de opinião, respeita a divergência de pontos de vista e promove o debate democrático travado com urbanidade e gentileza.

3 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes (inclusive este site no NING) para difundir idéias que firam os direitos humanos ou que promovam exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação baseados em diferenças de etnia, raça ou cor, gênero, orientação sexual, idade, nacionalidade, naturalidade, língua, costumes, credo, convicção religiosa ou filosófica, cultura, situação econômica ou funcional, posição hierárquica, grau de instrução ou condição física ou psíquica.

4 – É vedado usar os instrumentos de conexão e interação da Escola-de-Redes para fazer qualquer tipo de propaganda (de produtos comerciais, de instituições privadas - sejam empresariais ou sociais - e de pessoas).

Exibições: 76

Comentar

Você precisa ser um membro de Escola de Redes para adicionar comentários!

Entrar em Escola de Redes

Comentário de João Paulo Brandão Barboza em 7 março 2009 às 21:01
Acredito que aqui vou poder crescer coletivamente com os colegas conectados, as compreensões da rede como escola !

Saudações Fraternas,

João Paulo
Comentário de Luiz Carlos Torres em 1 março 2009 às 13:46
Tudo que vem a contribuir referente ao conhecimento e a cultura(o Saber) é muito bem vindo.
Comentário de MARIA EDINA PEREIRA CAVALCANTE em 26 fevereiro 2009 às 19:28
Aprender é o meu Lema!!! Tenho certeza que aprenderei muito. Duas palavras mágicas: Escola e Rede.
Edina - Arapiraca AL
Comentário de Josiane Bezerra em 26 fevereiro 2009 às 9:48
Penso que a vida tem variadas dimensões........precisamos saber como diferenciá-las e trabalhar em equilibrio. Concordo que a rede deva ser Apartidária.......embora cada um e cada uma de nós termine por se posicionar em relação a algum partido, pois, a politica partidária é uma dimensão da vida que não podemos simplesmente ignorar. Enfim, costumo dizer que sou eterna aprendiz.......Se Deus permitir ficarei velhinha aprendendo sempre..............abraços e vamos adiante.
Josiane Bezerra - Parnamirim/RN
Comentário de Fernando Tatagiba em 26 fevereiro 2009 às 8:54
Que bom conhecer este espaço de não-grupos! Vislumbrar inúmeros e inesperados caminhos... cada qual com seu pote de conhecimento. Vivamos as maravilhas das interrelações. Viva as interações positivas!
Comentário de Alex Walber em 25 fevereiro 2009 às 10:50
Fazer parte da rede é um passo muito importante que vai requerer compromissos e cuidados. Compartilhar conhecimento e trabalhar em equipe multidisciplinar, romper as fronteiras, trocar idéias, experiências e vivências para melhorar a qualidade de vida, vai acabar mechendo com as atuais estruturas políticas e sociais.
Gosto destes desafios.
Um grande abraço e sucesso a todos.
Alex - Campo Grande - MS
Comentário de NILTON DOS SANTOS em 25 fevereiro 2009 às 8:35
O Doar-se, o sacrificio em prol de pessoas, e principalmente o servir sem esperar absolutamente nada em troca, é o desafio para prática da socialização.
Comentário de Jayme Pinent em 24 fevereiro 2009 às 18:06
A troca permanente de informações e experiências é o melhor caminho para o desenvolvimento da rede e dos que dela participam.
Comentário de Eunice Odete Walter em 24 fevereiro 2009 às 17:52
É ótimo estar neste grupo
Comentário de ederson em 19 fevereiro 2009 às 13:53
gostei, tem alguem de belém do pará ai?

© 2017   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço