Escola de Redes

A experiência de gerar uma "ideia semente"para o Festival de Ideias 2013 foi libertadora. Venci o medo de compartilhar e de interagir . Melhor ainda : está produzindo interações amorosas e  colaborativas aqui em casa .  Amigos e gente que não conheço continuam curtindo e colaborando com a ideia "O Último Round: Codependência Nunca Mais. Para que esse material não se perca , nada mais apropriado que guarda-lo aqui  :) .

"O Último Round" : Codependências Nunca Mais

Rio De Janeiro, Rio de Janeiro
Sala de cocriação


A proposta é a cocriação de uma rede social e de pesquisa-ação, de caráter interativo, com o objetivo de trabalhar junto às organizações e movimentos sociais que buscam a elucidação do crescimento das violências contra a mulher, intrafamiliar e a possível relação com uma das Dependências Afetivas: a Codependência. A Lei Maria da Penha, quando aplicada ao cônjuge agressor, tem operado de forma geral e com olhar meramente punitivo em relação ao homem e também à mulher, isto é , quando chega a punir o homem. A forma atual da aplicação da lei está comprometendo a eficácia da mesma. Nas delegacias o procedimento é vexatório e induz a desistência da denúncia. Quando o inquérito chega a virar processo , os juízes estão pressionados pelo tempo e pela produtividade. Em numerosos casos os familiares também pressionam para a retirada do processo. Os filhos não querem ver o pai na cadeia. É uma trajetória árdua! Essa mulher precisa de apoio e se fortalecer para que possa ir até o final dessa estrada para realizar uma próxima jornada mais feliz. A lógica dualista que prevalece nos tribunais, homem/algoz, mulher/vítima, além de não contribuir para desconstrução do comportamento violento, em alguns casos, amplia o número de vítimas envolvidas, o que resulta em tentativa frustrada de busca por ajuda no Poder Judiciário. A violência intrafamiliar é considerada reflexa e um dos pilares da violência estrutural. A “obediência”, por sua vez, sistematizada e difundida pelas diversas instituições, reforça a negação da corresponsabilidade pela violência cíclica que pontua boa parte dos relacionamentos conjugais e familiares. Cabe destacar que não se trata de replicar o trabalho realizado por irmandades e outras instituições hierárquicas que investem em "metodologia sistêmica" (culto rígido de passos) e participação.

Para facilitar a cocriação do objetivo geral e específico da Rede de Pesquisa-Ação vou listar informações sobre literaturas e fontes que podem ser úteis:

1 - O que é codependência? (Fonte de pesquisa":http://www.codabrasil.org/o-que-e-codependencia-2/) Codependência é a inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo. Nos relacionamentos codependentes não existe a discussão direta dos problemas, expressão aberta dos sentimentos e pensamentos, comunicação honesta e franca, expectativas realistas, individualidade, confiança nos outros e em si mesmo. Em algum momento da vida, aprendemos sobre codependência. Ouvimos falar dela em conversa com um amigo ou um terapeuta. Ouvimos sobre ela no noticiário. Muitos de nós nos perguntamos se também não somos codependentes. Codependência é uma disfunção comportamental que afeta nossa vida pessoal, familiar, amigos e parentes; nossos negócios e carreira; nossa saúde e o nosso crescimento espiritual. Ela nos enfraquece e se não for tratada fará com que sejamos mais destrutivos conosco do que com os outros.

1.2 - Definição de Haaken ,1993 : "Codependência é uma patologia do vínculo que se manifesta pela excessiva tendência a se encarregar ou assumir responsabilidades dos outros "

1.3 - Codependência : a base da relação violenta (Fonte:http://www.elizabethzamerul.com.br/artigos.php?id=20)

No último século, houve importantes mudanças no mundo ocidental, que resultaram numa razoável independência financeira e maior individualidade da mulher. Porém, houve uma defasagem nesta evolução, com a manutenção da crença compartilhada de que pessoas precisam da companhia, da atenção e do amparo umas das outras, como se fossem frágeis por natureza. Isto resultou na manutenção da imaturidade emocional de muitos adultos, especialmente no ambiente familiar, o que é definido como dependência emocional.

E por que isto é um problema? Porque quanto mais severa a dependência, mais a pessoa tende a colocar as suas possibilidades de escolha e ação nas mãos do outro. Um segundo motivo é que, assim como a criança se fixa na mãe, o dependente tende a se fixar num companheiro, como se este fosse a sua salvação e passa a exigir que este supra as suas necessidades. Além disto, ele sofre de baixa autoestima, sentimento de inferioridade e de não merecimento, baixa autoconfiança, pouco autoconhecimento e incompetência para administrar as próprias emoções, etc. Sintetizando, esta é uma composição “altamente explosiva”, pois suas conseqüências nas relações, especialmente nas afetivas, podem ser graves.

A prevalência é maior entre as mulheres porque elas aprendem a dar mais importância às relações desde criança. No início de um namoro, a dependência pode parecer natural, inofensiva e até mesmo agradável. Num plano consciente ou não, esta mulher tem a expectativa de ser cuidada e protegida pelo parceiro, ou seja, deposita nele as funções de um pai, o que demonstra a sua imaturidade. Mais adiante, um sinal do distúrbio se dá quando ela freqüentemente faz jornada dupla de trabalho, tendo que cuidar da casa, dos filhos e da alimentação da família, além do seu trabalho externo. Este é um exemplo de quanto o machismo ainda está presente na sua intimidade.

Mas, o que explica isto? Por que esta mulher não negocia firmemente com seu companheiro a administração da casa e da família? Parece um direito tão óbvio! Aparentemente, ela nem se dá conta de quanto compactua com o machismo, oferecendo estas vantagens ao companheiro. Analisando-se, nota-se que este esforço ou sacrifício já é um fruto da dependência emocional, da sua crença de que precisa daquele homem para ser feliz e do seu medo de perdê-lo. Este transtorno se chama Codependência ou Dependência Afetiva. Isto também faz com que ela ceda a outras vontades, jogos ou imposições do companheiro. Assim, colocando-se como dependente ou infantil, ou seja, numa posição hierarquicamente inferior na relação, ela abre uma brecha perigosa para o abuso de poder por parte do parceiro, isto é, o início do processo da violência psicológica e/ou física.

Por outro lado, o preço que ela cobra para ceder tanto são as exigências citadas anteriormente, de cuidados, proteção, fidelidade e amor. No entanto, ele tem condições de supri-la?

Observando-se a dinâmica do homem que se torna violento na relação afetiva, o que talvez seja mais difícil de notar, especialmente no início da relação, é que ele também é emocionalmente infantil. O fato é que ele assume defensivamente um papel de superior ou arrogante, visando justamente esconder esta fragilidade ou dependência. No entanto, uma análise mais acurada mostra que ele também vive a crença de precisar “daquela mulher” para se sentir bem e seguro.

Um sinal desta dependência é o processo constante de dominação da parceira à sua vontade. Quando ela cede, ele se sente confortável, o que funciona como prova de que ela continua nas mãos dele e vai continuar atendendo às suas necessidades. Porém, o alívio é momentâneo, pois a insegurança dele vai ressurgir e ele vai pedir outra prova. O processo vai se agravando, especialmente quando ela “acorda” e tentar escapar das suas garras. Por tudo isto, nota-se então que ele, não só não tem condições psicológicas para suprir sua companheira, como funciona como egoísta e carrasco, para manter este status de comandante e superior na relação.

As conseqüências destes desencontros entre expectativas e ações são muitas frustrações, confusão, sentimento de injustiça, medos, ressentimentos, conflitos, ódio, hostilidades, desespero, competição pelo poder ou pela posse desta mulher e um contexto absolutamente favorável à violência física. Quando a situação chega a este nível de gravidade, o mais comum é que os dois sofram de séria dependência emocional e isto explica por que nenhum deles consegue sair da relação doente, mesmo quando notam que ela pode levá-los a um fim desastroso.

A boa notícia é que é possível curar este distúrbio. Para isto, uma pessoa precisa reconhecer que o problema está em si mesma e poderá procurar ajuda através de psicoterapia especializada neste tema. Um passo fundamental é que deverá aprender a tirar o parceiro do centro da sua atenção e a centrar-se mais em si mesma e a suprir as suas necessidades de cuidados e de realização com seus próprios recursos, em vários aspectos da vida, não só no amoroso e no familiar. Assim, ela poderá iniciar um caminho de autodescoberta, especialmente do seu próprio poder para sentir mais prazer em viver independentemente da pessoa que se tornou o centro da sua vida.

A saída está em permitir o amadurecimento emocional, responsabilizando-se pela própria vida e não pela do outro, comprovando que uma pessoa pode viver bem, independentemente do outro. Uma pergunta-chave que ela passará a fazer, quando se sentir desconfortável é "o que posso fazer por mim" diferentemente da ladainha mental anterior de "o que ele(a) deve fazer por mim".

Enfim, o roteiro para sair desta relação violenta é a pessoa retomar o seu poder para se cuidar, assegurar-se em si mesma e achar seus próprios caminhos para tornar-se realmente realizada. Assim, tornando-se emocionalmente independente e adulta ela não mais precisará da companhia, da atenção e do amparo de um parceiro e sim quererá usufruir destes aspectos de um bom relacionamento porque são muito bons e saudáveis.

2 - Dica de literatura (apenas sugestão) : www.lpm.com.br "Amores que matam" é de Patrícia Faur e editado pela L&PM POCKET. A autora destaca que um relacionamento inadequado pode ser tão perigoso quanto usar uma droga, ou seja , um vício sem substância. Não raro os terapeutas ouvem dizer: "sem você, eu morro; com você, também". “É um livro que fará muito bem a quem estiver preso numa armadilha afetiva sem saída aparente.” Sergio Sinay Obsessão. Violência. Desespero. Dependência. Trauma. Palavras que não são normalmente associadas ao sentimento amoroso, mas que caracterizam muitos relacionamentos destrutivos. Por que as relações se desgastam a ponto de se tornarem prejudiciais? Quais são os efeitos emocionais, psicológicos e físicos disso? Como romper um vínculo doentio? Estas são apenas algumas das perguntas que a psicoterapeuta Patricia Faur responde em Amores que matam. Aliando seus estudos sobre codependência e estresse conjugal à experiência com grupos de ajuda, a autora traça o desenvolvimento das principais dependências afetivas bem como a transformação delas em violência psicológica e física. Por meio de exemplos extraídos de casos célebres, ela mostra como estes amores são um risco à saúde física e emocional e ensina lições valiosas para superar a dor e recuperar a autoestima.

2.1 - A dependência emocional: características y tratamiento. Madrid: Alianza Editorial , 2005. Autoria de Castelló Blasco, J. ( Em cocriação )

2.2 - las dependências relacionales: dependencia emocional, codependencia y bidependencia. Primer Symposium Nacional de Adicción en la Mujer.( Em cocriação)

2.3 -Características da Codependência na relação com os filhos: Selecionando dicas de literatura ( Em cocriação)

2.4 - Abuso verbal. Autoria de Evans P. Buenos Aires: Javier Vergara Editor, 2000. ( Em cocrição) 2.5 - O que é Alexitimia ? Selecionando dicas de leitura (Em cocriação)

2.6 - Assédio moral : a violência perversa no cotidiano. Autoria de Hirigoyen, M.F. São Paulo: Bertrand Brasil,2009. Tradução de Maria Helena Kuhner.

2.7 - As Dependências Afetivas no Contexto Científico ( sexta parte : Amores que Matam: Quando um relacionamento inadequado pode ser tão perigoso quanto usar uma droga. Autoria de Patricia Faur( Em cocriação )

2.8 - O caminho da recuperação: deixar de ser vítima! Compartilhar e interagir para ser Fluzz!

   2.8.1 - Fluzz Book + e-Book… Fluzz: vida humana e convivência social nos novos mundos  

altamente conectados do terceiro milênio (Book + e-Book de Augusto de Franco: 2011. Fonte:http://escoladeredes.net/

   2.8.2 - PESSOA COMUM 

por Augusto de Franco (Notas) em Domingo, 31 de março de 2013 às 07:06 Quando uma pessoa se relaciona com outras pessoas em uma rede mais distribuída do que centralizada ela vai aprendendo a se tornar uma pessoa comum. Mas na Matrix realmente existente as pessoas, em geral, não são pessoas comuns (no sentido de commons) e sim pessoas privadas (fechadas à interação com o outro-imprevisível). A Matrix é uma espécie de fábrica de pessoas privadas.

As pessoas privadas poderiam virar pessoas comuns a não ser enquanto não almejassem ser pessoas incomuns. Mas imersas numa corrente vertical que tudo arrasta para cima, as pessoas querem ser incomuns (e se comportam condizentemente com tal desejo). Por isso se fecham à interação e, então, não podem mais ser pessoas comuns.

Sim, pessoa comum. Este talvez seja o conceito de mais difícil apreensão em virtude de sua desconcertante simplicidade. Ele surgiu a partir da constatação de que, em estruturas hierárquicas, não somos pessoas comuns na medida em que lutamos para ser pessoas incomuns, para nos destacar dos semelhantes (em vez de nos aproximar deles).

O termo ‘comum’ tem aqui o sentido de commons, de bem comum, de algo compartilhável por uma comunidade (e não de ordinário, normal ou não notável, nem de medíocre, como em geral se atribui pejorativamente). Assim, pessoa comum é aquela que mantém as mesmas condições de compartilhamento das outras pessoas do seu emaranhado, embora cada uma seja, nas suas particularidades, totalmente diferenciada, sempre unique.

A pessoa comum é a que compartilha (ela é realmente o que compartilha, ao se deixar varrer pelo sopro, ao ser permeável ao fluxo interativo) e não aquela que alcançou o sucesso em virtude de suas características herdadas (do “sangue” ou do “berço”) ou adquiridas pelos esforços que fez para subir na vida ou para progredir ou evoluir em seu caminho espiritual. Ela é alguém que logrou viver a sua convivência, que conseguiu antecipar a plenitude do com-viver ou do viver em rede prefigurando um simbionte social.

As pessoas comuns não são santos ou heróis fracassados. Ao contrário, santos e heróis fracassaram ao não conseguirem ser pessoas comuns. Santos e heróis são pessoas incomuns, resultados de escapadas da humanidade, tentativas de transformação individual por fora do fluxo interativo e são, nesse sentido, seres humanos fugidos da interação e não o contrário, como tentou inculcar a cultura hierárquica, segundo a qual pessoas comuns não são boas o bastante, como se fossem santos ou heróis fracassados ou, simplesmente, perdedores (loosers, como gosta de dizer a cultura americana, que associa sucesso à virtude) – porque não conseguiram vencer acumulando fortuna, poder ou muitos títulos. O mesmo se pode dizer das chamadas celebridades que, de um ponto de vista coletivo ou da rede, são sintomas de uma patologia da interação.

Quando questionadas, as pessoas que acreditam nesse tipo de coisa – e são muitas – costumam dizer que a vida é assim mesmo. É uma luta. E que é preciso vencer na vida. Mas vencer quem? Por acaso estamos em uma guerra? O problema é que estamos. A Matrix só existe porque as pessoas se comportam como se estivessem em uma guerra.

É possível sair da Matrix, sim, mas é difícil. Porque não é fácil ser uma pessoa comum, ao contrário do que parece. Na Matrix somos induzidos a conquistar algum diferencial para nos destacarmos das pessoas comuns. Quando interagimos com alguém em qualquer ambiente hierárquico somos avaliados por esses diferenciais e começamos então a cultivá-los. Como reflexo dos fluxos verticais que passamos a valorizar, nossa vida também se verticaliza. É como se importássemos a anisotropia gerada no campo social pela hierarquia. Nessa ânsia de subir, começamos a imitar os de cima e a desprezar os de baixo. Ao fazer isso, porém, replicamos a Matrix.

Razão tinha James Joyce (1902) ao escrever, em carta a Augusta Gregory, que “não há heresia ou filosofia que aborreça mais à igreja do que um ser humano” . A igreja é um exemplo de como Matrix pode se tornar realmente existente. Não há nada mais perigoso para a Matrix do que uma pessoa comum. Ela é mais perigosa, infinitamente mais perigosa, do que um santo ou um herói. Esse é o motivo do discurso religioso de desvalorização da pessoa comum em prol das pessoas incomuns (como os santos e aqueles que receberam a unção divina por meio da intermediação da hierarquia: os sacerdotes que foram sagrados como membros plenamente docentes por meio de operações rituais praticadas por outros sacerdotes de mesmo status hierárquico: metástase).

Examinar o comportamento das pessoas privadas é uma maneira de desvelar a Matrix realmente existente. Elas querem ser poderosas, ricas, muito tituladas, famosas. Em geral, não são nada disso, mas se comportam segundo a ilusão (não declarada, muitas vezes inconsciente) de que poderiam ser. Na verdade há um desejo de imitar as pessoas poderosas, ricas, muito tituladas ou famosas. E aí se fecham, sendo seletivas nos relacionamentos (o que – do ponto de vista da rede – constitui o fracasso de todas as chamadas “pessoas de sucesso”).

Se você quer “fazer sucesso”, vá em frente. Mais saiba que sucesso é um indicador de adequação à Matrix realmente existente.

Mas se você não quer se adequar, se você quer ser um revolucionário ou um reformador das instituições, se você quer salvar a família, melhorar a escola, reformar a igreja, modernizar a empresa hierárquica, democratizar as instituições do Estado tornando-as mais participativas, fique tranquilo. Saboreie com Cypher aquele suculento bife virtual. E esqueça que você continuará na Matrix. Será mais fácil suportar.

https://www.facebook.com/notes/augusto-de-franco/pessoa-comum/55864...


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