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Você já imaginou Osama Bin Laden junto com o personagem Beto da Vila Sésamo numa parceria improvável para uma propaganda da Al-Qaeda? Pois isso aconteceu em 2001, repare na imagem a seguir:


Esse é um exemplo do caos de possibilidades infinitas, surpreendentes e contraditórias que qualquer coisa pode ter dentro do mundo virtual, onde informações e conexões estão sempre acontecendo dentro de uma ordem momentânea providas de sentido ou não...

O que tornam significativas e enriquecedoras as convergências possibilitadas pela web são as intersecções de sentidos dentro desse mar de possibilidades infinitas. E o “sentido” é o significado que damos às coisas de acordo com a nossa consciência sobre elas.

A característica de caos e ordem dentro da internet nos remete à dinâmica do pensamento complexo de Morin, onde o universo “se organiza se desorganizando”, numa dança sem fim, onde intuo que o aparente caos precisa da ordem para encontrar o sentido e a ordem precisa do caos para encontrar novos sentidos...

"Um mundo absolutamente determinado, como também um mundo absolutamente aleatório, são pobres e mutilados; o primeiro é incapaz de evoluir e o segundo é incapaz de nascer". (“Introdução ao Pensamento Complexo” – E. Morin)

As pessoas sentem-se seguras e confirmadas na sua maneira de ser quando pertencem a comunidades homogeneamente organizadas, mas, com o passar do tempo a rigidez e a separatividade passam a nortear as relações: Idéias diferentes são recusadas de antemão, o que acaba por tornar remota a possibilidade de transformação e evolução das pessoas e da comunidade que se auto-isolou. Um ponto de vista deve ser visto como ele é: Um ponto num infinito de sentidos.

Comunidades heterogêneas e desorganizadas por outro lado, parecem estar sempre cheias de novas idéias que não conseguem, por falta da organização necessária, fazer com que seus projetos progridam e, muitas vezes, acabam se diluindo e dispersando com o tempo.

A eficácia das relações está antes dentro de nós mesmos. Assim como na web, toda a vida está imersa tanto no caos como na organização e, conseqüentemente, na complexidade. Para que possamos sintonizar com esse processo complexo da vida, temos que trazer e fazer a síntese do paradoxo complexo (caos e organização) primeiro dentro de nós mesmos para iniciarmos nossa relação com o outro e com o novo (aparentemente caótico) que ele trás.

Uma ferramenta extremamente eficaz para a prática da complexidade é o diálogo. A comunicação humana devido suas características, pode se tornar uma reflexão conjunta e uma observação compartilhada de realidades interiores e exteriores de cada um. O principio dialógico permite manter a unidade, ainda que na dualidade de idéias. Ao mesmo tempo em que mantemos a abertura para o outro (“caos”) permanecemos em nós (“organização”), e desta forma evoluirmos. O outro pode ser um grande agente transformador na nossa vida, como sabiamente as religiões orientais pregam: “O outro sempre é meu mestre.” Nunca no sentido de uma relação de poder, mas no sentido de uma relação de aprendizagem.

Mas, se não possuímos uma suficiente organização interna, que nos permita uma desorganização temporária diante da realidade do outro (para uma reorganização posterior), o outro nos desestabiliza e confunde. Para não nos sentirmos ameaçados nos tornamos impermeáveis, o diálogo é então interrompido, transformando-se apenas numa discussão estéril (e solitária) que na sua mais intima finalidade, busca apenas manter o outro sob nosso domínio e nos deixar livres de sua ameaça. Apesar deste esforço de domínio, essas atitudes no decorrer do tempo se mostram ilusórias, assim como os sentimentos que a suscitam. Isso porque a “dança” da complexidade nunca pode ser feita de um único passo. Sozinhos, vamos perdendo nossa capacidade de vivenciar a complexidade e a aparente segurança dada pela a rígida organização interna se transforma em desorganização caótica diante do confronto com o mundo externo.

Para ilustrar a riqueza do diálogo cito a recente publicação das cartas entre duas pessoas que no seu tempo revolucionaram as ciências: Darwin e Einstein. Eles trocaram correspondências durante muitos anos e respondiam suas cartas num prazo médio de 10 dias! "O fato de responderem tão rapidamente à maioria das cartas revela a importância que atribuíam a essas trocas intelectuais", consideram os autores de um estudo sobre essas correspondências: João Gama de Oliveira e Laszlo Barabasi.

Para o autoconhecimento precisamos de nós, do outro e precisamos também dos dois ao mesmo tempo. É necessário peneirar as convergências e verificar se a aparente falta de convergência não pode se transformar em uma convergência mais abrangente em outro paradigma de pensamento.

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