Escola de Redes

Número de Dunbar confirmado em redes sociais telemáticas


Saiu na BBC, matéria sobre pesquisa atual de Robin Dunbar, professor de antropologia evolucionária que
nos anos 90, desenvolveu a teoria batizada de "Número de Dunbar", que estabelece que o tamanho do neocortex humano - a parte do cérebro usada para o pensamento consciente e a linguagem - limita a capacidade de administrar círculos sociais a até 150 amigos, independente do grau de sociabilidade do indivíduo.
Os estudos atuais, focados nas plataformas de redes sociais na internet confirmam o tamanho do círculo social que cada pessoa pode administrar. Leia tudo
Conversando com Fabiano sobre as interações telemáticas, o que é para mim a grande novidade da relação remota é a liberdade que temos agora de estabelecer relacionamentos e produzir juntos sem tanta necessidade de vinculação. A quantidade de livros de auto-ajuda sobre o tema relacionamento, frases como "o inferno são os outros" me fazem pensar que o alívio será generalizado. Podemos agora escolher com mais liberdade com quem de fato queremos nos vincular de forma mais profunda, mais intensa. A aproximação identitária tem diversos graus. Fabiano chamou a atenção para as possibilidades que a comunicação assíncrona traz aos relacionamentos: um tempo maior para elaborar as respostas, escapar do circuito vicioso de ação-reação do diálogo síncrono, maior cuidado nas interações. Entre outras.
Tudo isto já existia (cartas, telefone, telégrafo) mas não com a velocidade e com a facilidade de acesso que internet nos oferece hoje, em que cada um é (pode ser) um produtor de conversas, sem as limitações do tempo e do espaço. Pelo que tenho lido, logo as limitações relativas ao domínio de idiomas serão diminuídas por programas tradutores. Em pauta a capacidade humana (biológica e cultural) de adaptação e mudança diante das novas possibilidades comunicacionais.

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Comentário de Ronaldo Richieri em 6 fevereiro 2010 às 7:29
hehehehe queria muito saber quantos sobraram nesta lista dele!
Comentário de Vivianne Amaral em 5 fevereiro 2010 às 20:15
Por acaso, encontrei um texto antigo (2008) que mostra como esta história dos limites de capacidade de gestão dos relacionamentos acontece no cotidiano.

QUEM É ESSE NO SEU MSN?
Por: MICHEL LENT SCHWARTZMAN

A pergunta poderia ser feita por um namorado ciumento ou por um pai preocupado, ou, no meu caso, por mim para mim mesmo.

É assim: hoje em dia temos tanta, mas tanta gente que encontramos pela internet, que a nossa lista vai crescendo, crescendo e um dia simplesmente não sabemos direito mais quem são aquelas pessoas naquelas listas de contatos. É claro que tudo depende do quão seletivo você quer ser. É bem possível que você seja uma pessoa organizada e consiga manter suas listas, mas, ao menor descuido, pimba, tá lá aquele contato que você não sabe bem quem é.

Tem a lista do seu próprio messenger, os contatos do Orkut, Facebook, Twitter, Plaxo – enfim, redes sociais não acabam mais. E tem ainda sua agenda de contatos digital, aquela que substituiu o seu, um dia organizado, caderninho de telefones. Daí, uma hora dessas você pára para olhar e percebe que sua agenda de contatos tem quase mil pessoas; começa a reparar no que tem lá dentro e a pergunta vem na sua cabeça repetidas vezes: “Mas quem é esse mesmo?”. E resolve começar a árdua tarefa de limpar sua agenda. Porque tem todas as redes sociais e sites pra você manter ali uma série de contatos de pessoas mais ou menos conhecidas, mas às quais você quer se manter conectado. Só que na sua agenda de telefones – aquela que você sincroniza com seu celular e carrega no bolso –, convenhamos, dá pra ser mais econômico, não é?

Pois eu resolvi então passar o pente fino na minha agenda de telefones e sair deletando. Fiz assim: se a pergunta “quem é esse(a) mesmo?” passava pela minha cabeça, era motivo pra detonar na hora – afinal, para que carregar na agenda o contato de alguém que eu nem lembro quem é? Conhecidos com os quais eu não faço contato regularmente, fora também – pra isso tem as redes sociais. O mesmo para ex-clientes, ou prospects – se preciso lembrar deles, existem formas mais profissionais de manter o contato.

E depois de tanta peneira e limpeza, finalmente deixei minha agenda organizada e me dei conta de que nela ficaram os amigos, família, médicos e clientes com quem eu lido no dia-a-dia. Exatamente como era o meu caderninho de telefones antes dessa loucura toda começar.

Michel Lent Schwartzman é publicitário, interativo e diretor da 10‘ Minutos
Comentário de Vivianne Amaral em 5 fevereiro 2010 às 12:57
Ronaldo, tb me perguntei sobre isto qdo li a noticia. Acredito q o conceito deve estar esclarecido na pesquisa. Li ontem um texto muito interessante de uma antropóloga sobre a próxima fase das redes sociais em q a tônica vai ser a classificação dos graus de relacionamento e um processo q ela chama de dessocialização e q esta relacionado a nossa capacidade de gerir relacionamentos (entre outras coisas). Como o texto é em inglês e fiz tradução mecânica, sugiro ir à fonte: http://tinyurl.com/yzcalxb
abraços
Comentário de Ronaldo Richieri em 5 fevereiro 2010 às 10:02
Alias Vivi, muito bacana ter compartilhado esta conversa com o Fabiano. Valeu!
Comentário de Ronaldo Richieri em 5 fevereiro 2010 às 10:00
Isso tudo pra mim é tão distante... O que seria a "capacidade de administrar círculos sociais a até 150 amigos"? Digo, do que é que estamos falando?

Conseguimos lembrar de 150 pessoas? Conseguimos conviver com elas mantendo um relacionamento recursivo?

Provavelmente Dunbar deve ter explicitado isso. Vou procurar, mas se alguém tiver a resposta...

Dependendo do que for, vou ficar muito triste, por que hoje sinto que tenho no máximo uns 30 amigos com os quais me relaciono "semanalmente" e então tenho um slot de 120 vagas que não preenchi eheheheheh.

Talvez ele esteja falando de pessoas das quais a gente já se relacionou e então mantemos uma lembrança e um fácil acesso a estas pessoas se precisarmos. Enfim, gostaria de sabir qual foi o recorte que Dunbar fez para explicar este número.

Abraços!
Comentário de Angela Regina Pilon Vivarelli em 2 fevereiro 2010 às 18:23
O neurocientista Gary Small no seu livro, “Brain: Surving the Techonological Alteration of the Modern Mind”, relata estudos muito interessantes revelando que a internet não muda somente a forma como interagimos, produzimos, criamos e nos comunicamos. Ela altera o funcionamento do cérebro:
“If you think our incessant use of the Internet, Blackberrys, iPods, text-messaging and video games has changed our lives and our children’s lives, here’s some breaking news: Technology has not only altered our lives, it’s altered our brains”

(escrevi mais sobre isso no blog ontem...facinante a revolução que creio está por vir...)
Comentário de Augusto de Franco em 27 janeiro 2010 às 6:48
Acho que o software modifica o hardware. T. Deacon parece ter constatado isso estudando o processo de aprendizagem de línguas em crianças. Emprestei o livro para o Osmar Terra. Vou recuperar pois o estudo é interessante.
Comentário de Vivianne Amaral em 26 janeiro 2010 às 18:39
Intensificando cada vez mais a comunicação distribuída, não poderá o neocortex se desenvolver?
Comentário de Augusto de Franco em 25 janeiro 2010 às 15:49
+
BBC Brasil

Atualizado em 25 de janeiro, 2010 - 09:28 (Brasília) 11:28 GMT

Cérebro só consegue administrar 150 amigos em redes sociais, diz estudo

O cérebro humano é capaz de administrar um máximo de 150 amigos nas redes de relacionamento disponíveis na internet, como os sites Facebook e Orkut, revelou uma pesquisa realizada na Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.

Segundo Robin Dunbar, professor de antropologia evolucionária na entidade, este número é praticamente o mesmo que se via antes da existência desses sites.

Nos anos 90, o cientista desenvolveu uma teoria batizada de "Número de Dunbar", que estabelece que o tamanho do neocortex humano - a parte do cérebro usada para o pensamento consciente e a linguagem - limita a capacidade de administrar círculos sociais a até 150 amigos, independente do grau de sociabilidade do indivíduo.

Sua experiência se baseou na observação de agrupamentos sociais em várias sociedades - de vilarejos do neolítico a ambientes de escritório contemporâneos.

Segundo Dunbar, sua definição de "amigo" é aquela pessoa com a qual outra pessoa se preocupa e com quem mantém contato pelo menos uma vez por ano.

Homens e mulheres

Ao se questionar se o "efeito Facebook" teria aumentado o tamanho dos círculos sociais, ele percebeu que não.

"É interessante ver que uma pessoa pode ter 1,5 mil amigos, mas quando você olha o tráfego nesses sites, percebe que aquela pessoa mantém o mesmo círculo íntimo de cerca de 150 pessoas que observamos no mundo real", afirmou Dunbar, em entrevista ao jornal The Times.

"As pessoas se orgulham de ter centenas de amigos, mas a verdade é que seus círculos são iguais aos dos outros."

Ainda segundo Dunbar, o comportamento de homens e mulheres em relação às amizades é diferente.

"Elas são melhores em manter as amizades apenas conversando com os amigos. Os homens precisam fazer alguma coisa juntos para se manterem em contato", explicou.

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