Escola de Redes

NÓS JÁ DESCOBRIMOS A "FÓRMULA" II (A "CONTINUATIVA")


Postei ontem uma mensagem sobre iniciativa e "acabativa". Marcelo cunhou um novo termo - "continuativa" - que expressa melhor o que eu queria dizer.

No post referido acima dizia que temos uma agenda pendente. No segundo ponto dessa agenda coloquei o trabalho do grupo Transição Organizacional. Para justificar a necessidade de "continuativa" em relação a essa tarefa, escrevi:

"Nós já temos as ferramentas conceituais e podemos criar as metodologias (sociais) e as tecnologias (interativas) para substituir processos de gestão organizacional baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede".

A questão é: temos ou não temos? Penso que temos. Vou tentar dizer por que.

Antes, porém, uma colocação preliminar.

Um "programa" para a transição organizacional não é nada mais do que está expresso na frase acima. Podemos ter vários programas para fazer isso porque os caminhos da transição são múltiplos. De certo modo, tudo que substitui processos de gestão organizacional baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede, entra - quer dizer, coloca a organização - no processo da tal transição.

Não vamos perder muito tempo com controvérsias semânticas. Quando dizemos "fórmula" (entre áspas), isso significa que não há uma fórmula. Quando dizemos "programa" (entre áspas), isso significa que não há um programa. Os caminhos para a rede como padrão de organização são múltiplos, como são as redes (por definição = múltiplos caminhos).

A frase replicada acima contém vários elementos: sobre os meios e sobre o objetivo do processo (de transição). Mas nada fala sobre o processo de transição em si.

SOBRE OS MEIOS

Ferramentas conceituais | Já temos tais ferramentas? Sim. São as idéias sobre a topologia e a fenomenologia das redes que estão surgindo a partir da nova ciência das redes: o que é uma rede, o que é uma rede social, o que é uma rede social distribuída (a rigor, mais distribuída do que centralizada), o que é uma rede social centralizada (a rigor, mais centralizada do que distribuída ou hierarquia), como calcular o índice de distribuição de uma rede, como mapear uma rede organizacional formada pelas conexões entre o pessoal interno e, mais amplamente, pelas conexões com uma parte mais próxima de todos os stakeholders da organização, quais os fenômenos que se manifestam na rede em função dos seus graus de distributividade e conectividade (clustering, swarming, crunching, dentre outros) e qual a relação desses fenômenos com a auto-organização, com a auto-regulação emergente, com a produção de ordem bottom up a partir da interação et coetera. Parte desses conhecimentos - não há porque esconder isso, a pretexto de vender uma imagem de modéstia - foram desenvolvidos por pessoas conectadas à Escola-de-Redes.

Metodologias sociais | Já temos tais metodologias? Em parte, sim: por exemplo, as metodologias de diálogo. Tem gente na Escola-de-Redes que trabalha diariamente com isso (como o pessoal da Papagallis). E em parte ainda não. Pois não temos completamente desenvolvidas metodologias de netweaving. Podemos desenvolvê-las? Sim, podemos.

Tecnologias interativas | Bem, aqui entramos no terreno das ferramentas tecnológicas stricto sensu. Já temos plataformas interativas - como o próprio Ning, o Elgg, o Noosfero - que poderiam ser adaptadas para o propósito da transição organizacional. Não foram feitas para isso, mas podem ser desenvolvidas com tal propósito. Por exemplo, podemos organizar uma empresa no Ning, substituindo os departamentos por grupos, as reuniões por fóruns, os chefes por administradores e netweavers, a ligação com stakeholders por conexões à plataforma, as pautas gerais de serviço por avisos, mensagens de blog e novas páginas e assim por diante. Não temos ainda um software adequado e customizável para tanto. Mas já temos na Escola-de-Redes pessoas capazes de trabalhar nisso.

SOBRE O OBJETIVO DO PROCESSO DE TRANSIÇÃO

Substituir processos de gestão organizacional baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede | Está claro o objetivo. O problema é mostrar as vantagens dessa substituição para os potenciais interessados na transição (dirigentes de organizações hierárquicas empresariais, sociais e governamentais). A razão principal é aumentar as chances de sustentabilidade (e já existem algumas argumentações estruturadas sobre isso, como, por exemplo, a que está no livro Tudo que é sustentável tem o padrão de rede). Mas há também outras razões que precisam ser estruturadas: aumentar a capacidade de inovar e aumentar a produtividade (ambas ligadas, cada qual de uma maneira ou a seu modo, à temática da sustentabilidade organizacional). Faltam também os famosos cases para apresentar. Bem, isso não temos, não pelo menos como casos bem-sucedidos de transição organizacional. As organizações em rede que conhecemos, na maior parte dos casos, já surgiram assim (lançando mão de padrões mais distribuídos do que centralizados de organização). Mas temos exemplos pontuais, envolvendo em geral a peer production e o crowdsourcing.

SOBRE O PROCESSO DE SUBSTITUIÇÃO

Bem, este é o programa! O que chamamos de programa de Transição Organizacional nada mais é do que o conjunto de novos procedimentos que serão introduzidos para realizar a substituição de processos de gestão baseados em comando-e-controle por processos emergentes articulados em rede. Como será feita tal substituição? Quais as metodologias sociais e as tecnologias interativas que serão introduzidas e quando isso será feito? Qual a "passologia" (o passo-a-passo) customizável para cada organização, a partir do mapeamento da sua rede interna e da rede dos seus stakeholders? Essa substituição - necessariamente progressiva? - será feita na organização como um todo ou, para começar, apenas em algum(uns) departamento(s) escolhido(s)? Quem serão os agentes de tal processo? Como garantir que a organização que, mal ou bem, já está funcionando, não se desestruture completamente ao passar por essa experiência?

Mas essas são as questões que estão pautadas - desde o início de abril de 2009 - no grupo Transição Organizacional.

Parece tudo tão complexo... Mas, talvez não.

POR QUE PODEMOS AFIRMAR QUE NÓS JÁ DESCOBRIMOS A "FÓRMULA"

Uma resposta em 6 palavras: porque a mudança é a rede! Ou seja, a transição de um padrão hierárquico para um padrão em rede é a rede. É impossível atingir esse fim por quaisquer outros meios. Porque, aqui, o fim é o meio.

Para compreender o que vem abaixo é recomendável ler o post NÓS JÁ DESCOBRIMOS A "FÓRMULA", de 4 de julho de 2009, bem como todos os 102 comentários. Pelo menos até chegar na página 9 dos comentários, onde postei o seguinte:

De que transição se trata? Da transição da organização hierárquica para a organização em rede (entendendo-se por isso, a rigor, o aumento dos graus de distribuição-conectividade).

Transição evoca caminho. Mas não existe um caminho, em primeiro lugar, porque os caminhos são múltiplos (aliás, rede é, por definição, múltiplos caminhos).

Mas também não existe caminho para se chegar a um padrão de rede, em segundo lugar, porque a maneira de ter +rede é tendo +distribuição.

Em outras palavras: a rede é o caminho!

Não é possível chegar às redes a não ser pelas redes.

Mohandas Ghandi disse certa vez que "não existe caminho para a paz: a paz é o caminho". John Dewey, antes de Ghandi, já havia sugerido que não existe caminho para a democracia a não ser a própria democracia. Com as redes é a mesma coisa: 'não existe caminho para as redes: as redes são o caminho'. A paráfrase não é apenas literária. Há uma relação intrínseca entre essas realidades processuais - paz, democracia e redes: na verdade não há paz, senão +pazeamento; e não há democracia, senão +democratização; e não há redes, senão +enredamento ou +reticulação ou, ainda, +distribuição.

Entendida assim, processualmente, a problemática da transição deixa-se ver sob nova luz. Trata-se de aumentar os graus de distribuição-conectividade na rede social conformada pelas pessoas afetadas, de algum modo, pela vida orgânica: não só os empregados e os gestores, mas também os donos ou acionistas, os fornecedores, os clientes, usuários ou consumidores e todas as outras pessoas concernidas na atividade da organização (os chamados stakeholders, lato sensu).

Qual é a novidade aqui? E qual é o sentido deste post que gerou tantos comentários?

A novidade é a seguinte: isso tem que ser feito agora, não depois. Não pode haver uma transição para uma organização em rede mantendo-se intocado o padrão centralizado atual (+centralizado do que distribuído, entenda-se) em nome de um futuro padrão de rede (+distribuído do que centralizado). Essa é a desculpa para não mexer nos graus de centralização e é por isso que uma transição assim não costuma dar certo.

Na transição não existe o futuro a não ser na medida que o antecipamos. Se não anteciparmos padrões de rede, nunca teremos um futuro de rede.

Este é o sentido do post: se queremos chegar às redes, temos que começar, aqui-e-agora, a fazer redes; quer dizer: netweaving. A rede é o caminho!

Pois bem: sustento - pelas razões fartamente expostas no texto principal e nos comentários (e que podem ser resumidas na sentença 'só redes podem gerar redes') - que não conseguiremos fazer isso se, nós mesmos, que queremos ser agentes, indutores, facilitadores, promotores da mudança não nos organizarmos em rede (ou seja, de modo +distribuído do que centralizado).


Essa, para mim, é uma daquelas argumentações evidentes por si mesmas, das quais falava Wittgenstein (1931) em conversa com Friedrich Waismann (e narrada por este último em Ludwig Wittgenstein and the Vienna Circle: conversations recorded by Friedrich Waismann. Blackwell: 1979), que seriam capazes de provocar no interlocutor uma reação do tipo: "Ah, sim, isso é evidentemente óbvio".

CONCLUSÕES

Então, qual é a "fórmula", afinal?

1) Convencidos os decisores da organização hierárquica de que devem realizar a transição, eles devem constituir, convidar ou contratar um agente capaz de induzir, facilitar ou mediar o processo.

2) Tal agente provocador da mudança deve estar organizado, ele mesmo, em rede (a semente de rede é rede). Se for um grupo de pessoas da própria organização, elas devem ter a liberdade de se estruturar em rede para fazer tal trabalho e não podem ficar subordinadas aos mecanismos de comando-e-controle (ganhando uma espécie de carta-branca para fazer o que deve ser feito). Se for um grupo de pessoas de fora da organização, esse grupo - além de estar organizado em rede - deverá aceitar fazer parte da organização (em sentido ampliado) que resultará desse processo. Ou seja, esse grupo fará parte da rede de stakeholders da nova organização. Em outras palavras, esse trabalho não poderá ser conduzido como se fosse uma prestação desinteressada de serviços (ou interessada apenas no lucro): haverá, por parte do grupo externo, um compromisso de fazer parte da organização-do-futuro que surgirá do processo de transição. É uma interação vital: os destinos desse grupo e da organização estarão ligados daqui para frente.

3) Do que se trata em seguida é de antecipar o futuro desejado. Queremos +rede (amanhã)? Muito bem: então vamos fazer +rede (hoje). A tarefa é ir criando, onde for possível, zonas autônomas (autônomas em relação aos mecanismos de comando-e-controle) - estruturadas em rede - onde isso for possível. Isso pode ser feito em uma parte da organização ou em várias partes simultaneamente. Depende de como está estruturada a organização e do que ela faz. Cada caso é um caso. Não há um modelo único, uma receita geral. Isso pode valer para um departamento de delivery, de controle de qualidade, de informática, de inovação, de divulgação... Não importa. O que importa é que, inicialmente, aquela parte da organização envolvida na transição consiga fazer as mesmas coisas que fazia, porém agora reestruturada segundo um padrão de rede. Para tanto, pode-se seguir um roteiro como o que foi sugerido naquela Proposta Inicial do grupo Transição Organizacional. Ou não. Isso não é o mais importante. Possivelmente cada organização exigirá um roteiro diferente, uma nova sequência de passos e, ademais, novos passos metodológicos.

4) Um amplo processo de conversações - usando as metodologias sociais mencionadas acima - deverá ocorrer dentro da organização, mesmo naquelas áreas que ainda não estão sendo imediatamente afetadas pela experiência. Esse processo de conversações deverá atingir toda a organização (diretores, acionistas, conselheiros, funcionários) e o seu "ecossistema" (fornecedores, usuários, clientes e consumidores, parceiros etc., enfim, pessoas representativas - da futura rede - de seus stakeholders).

5) Para permitir, potencializar e agilizar o netweaving que substituirá os métodos e normas do velho sistema de gestão baseado em comando-e-controle, algumas ferramentas tecnológicas interativas deverão ser introduzidas aqui. Diferentes softwares de gestão em rede serão exigidos, de acordo com a natureza e as funções da parte da organização em processo de transição.

Mas de todas as tarefas listadas acima só há uma realmente decisiva e fundamental: "fazer" redes! Ou, dizendo de modo mais preciso, aumentar os graus de distribuição e conectividade das redes que já existem conectando as pessoas da organização (que são mais centralizadas do que distribuídas, do contrário não seria necessário fazer a transição).

Ora, se sabemos disso parece óbvio que nós já descobrimos a "fórmula". O que falta, é saber como reinventá-la em cada caso concreto (cada processo de transição é único). O que falta são os meios adequados para aplicá-la em cada caso concreto (desenvolvendo as metodologias sociais e as tecnologias interativas adequadas). O que falta é "vendê-la", "embrulhá-la" e "entregá-la".

Então vamos nos concentrar agora no que falta?

SOBRE O QUE ESTÁ FALTANDO

Continua... (para desespero do Marcelo, hehe)

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Comentário de Marcelo Estraviz em 8 agosto 2009 às 21:44
tindi. gora tindi. :)
Comentário de Augusto de Franco em 8 agosto 2009 às 18:58
É isso aí, Maria Thereza.

Bem, sobre o que disse o Marcelo. Sim, também. Mas as agendas compartilhadas são coisas muito simples. Já tivemos aqui agendas compartilhadas.

Um grupo pegou e traduziu uma excelente entrevista concedida pelo Capra. Gol!

Outros três ou quatro grupos discutiram, discutiram e marcaram várias reuniões locais (por cidade) e realizaram as reuniões. Gol!

Outros grupos estão estudando textos.

Existe um grupo para tirar dúvidas sobre o Ning. Já ajudou muita gente.

Há um grupo novo que vai fazer um primeiro audio-livro. E vai sair logo. Legal!

Existem grupos com tarefas - e agendas - mais complexas: escrever um livro, elaborar um programa. Aí vai demorar um pouco.

Então. Agenda compartilhada é isso: várias pessoas realizando coisas juntas.

Nada disso é contra a "flanação". Mas a E=R não poderá subsistir apenas com base numa grande discussão geral. Com 2 mil e tantas pessoas não se faz comunidade (não, pelo menos, segundo um padrão distribuído e altamente conectado: todos-com-todos). Tem que clusterizar.
Comentário de Maria Thereza do Amaral em 8 agosto 2009 às 18:41
Marcelo,

Liberdade as vezes limita mais do que se tivessemos limitações ... acho que a gente se acostumou a pensar em liberdade como "pegadinha de vestibular", nós sempre ouvimos falar que este tipo de liberdade não era real, era só utopia ...

Com tudo que já li por aqui, na comunidade como um todo, e nas coisas que o Augusto tem colocado aqui e no Twitter, cada vez mais acho que a principal mensagem dele é esta, liberdade de fazer as coisas existe sim, desde que você se disponha a sair da segurança da sua caixa...
.
Comentário de Maria Thereza do Amaral em 8 agosto 2009 às 18:34
Augusto,

Minha observação sobre a "indagação existencial" vai além da 'escola de redes' e eu estava fazendo uma reflexão mais que um comentário, várias pessoas estão no meio de um crise deste tipo, não só aqui.

O que faz diferença, e porisso que a comunidade faz cada vez mais sentido para mim, é o "em rede".

As pessoas que estão se colocando em nodos, redes, comunidades, e cia estão se saindo melhor no caminho. As que não estão, estão se perdendo.

Pelo menos é o que eu estou observando, não sei se "bate" com a observação de vocês.
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Comentário de Marcelo Estraviz em 8 agosto 2009 às 18:00
Eu acho essa discussão muito boa. As vezes, como já disse, é bom enrolar o novelo de lã um pouco, dar um passo atrás pra só assim dar mais mais dois pra frente. Eu estava mesmo começando a sentir uma confusão conceitual entre, por um lado o Boyle e o Augusto defendendo uma "construção institucional" (enormes aspas aí), e por outro, nós que estávamos "flanando" por aqui (eu, Clara, Maria Thereza...). Existia uma certa queixa velada no que estávamos fazendo. Mas parece que agora ficou mais claro pra mim, ao entender um pouco melhor as tais "agendas compartilhadas"

E posso afirmar que elas ainda não são compartilhadas. Mas já são boas agendas unitárias. Ou seja, falta mais um pouco.

M´explico:

Isto aqui ainda é um enorme agendão do Augusto. E acho que tod@s, de uma forma ou de outra, temos que confessar, mais tiramos lasquinhas do que oferecemos lasquinhas. Posso dizer por mim: Já tive vários insights lendo coisas aqui que já foram parar em minhas palestras. Ou seja, estou, como ningueiro da escola de redes, criando minha própria agenda de sobrevivência. Ainda não fiz uma agenda compartilhada com nenhum de vocês. Por exemplo, fazer uma consultoria contando comigo, Algarra e Augusto. Ou eu, Maria Thereza e Clara. Ou (mais improvável) eu e Boyle.

Os nodos são (e aí dou toda a razão ao Augusto) o locus para que essas agendas ocorram. Voltando a usar meu exemplo, meu nodolapa é um fiasco comprovado, com mais de 30 figurinhas de colecionador. Na prática, posso citar 5 das 32 pessoas onde de fato ensaiamos alguma agenda. Mas (não riam!) consegui isso individualmente. Mesmo essas 5 não tem uma agenda comum entre si.

E foi por isso que fiz provocações sobre os nodos. Pois acho que temos que mudar a proposta deles. Eles devem ser isso basicamente isso que o Augusto falou: agendas compartilhadas. Então eu posso amanhã, criar uma agenda (nodo) chamada "consultoria para a coca cola" por exemplo. E convidar o Augusto, o huguinho e o luizinho. E ela é, ao mesmo tempo, aberta para outras pessoas. E sabemos que pelo menos os que convidei terão mais atividade do que os visitantes. E vamoquevamo. Seria isso, eu acho. Se for isso, começo amanhã. :)

E se é isso, posso ficar mais em paz e trabalar mais fortemente com esses 5 (e não com os 30) do nodolapa. E se é por aí mesmo, posso dispor de mais material meu aqui, pra pensar junto com alguns e fazer com isso negócios.

O que quis ressaltar é que ainda não é assim pra mim e imagino que pra todos. E foi importante eu fazer essa reflexão pública assim, porque isso pode ajudar na reflexão dos outros. Não temos agenda compartilhada ainda, mas podemos ter uma reflexão compartilhada. :)
Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 8 agosto 2009 às 17:47
Sim Maria Thereza, quem quiser ser "reformatado" será bem vindo... Apenas acho que o foco talvez não esteja na "reformatação" do que está aí... E, certamente, cada um vai trabalhar do jeito que acha que deve!

Enfim, estou tentando digerir tudo isto, mas confesso, estou tendo algumas dificuldades!
Comentário de Augusto de Franco em 8 agosto 2009 às 17:37
Certo Maria Thereza,
longe de mim propor que todos se dediquem com o mesmo afinco - ou com muito afinco - à Escola-de-Redes. Estava falando dos grupos formados em torno de agendas compartilhadas, que exigem algum empenho coletivo que vai além de comentar eventualmente um post.
Comentário de Maria Thereza do Amaral em 8 agosto 2009 às 17:11
"A maioria esmagadora das pessoas aqui, também certamente tem sua fonte de recursos em outro local, então, porque exatamente elas deveriam se dedicar com todo esse afinco à Escola?"

Clara ... acho que isso é uma indagação praticamente existencial de muitos daqui.
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Comentário de Maria Thereza do Amaral em 8 agosto 2009 às 17:10
Pegando "pedaços" da Clara:

"Então, quando o Marcelo disse que estava voltando sua atenção para as empresas nascentes e não para as que estavam aí, pra mim fez muito sentido. Talvez o foco não esteja em transformar o que já está "solidamente estruturado" mas em criar algo novo e mostrar que esse novo funciona e que é alternativa."

Clara e cia: isso não parece um pouco a discussão se é melhor atuar com crianças, adolescentes ou adultos ? A minha resposta seria que cada um trabalha com a faixa que tem mais afinidade.

Não será assim também com as empresas ? Por que por mais que os modelos das organizações tradicionais esteja falido, o material humano ainda pode ser aproveitado (ou pelo menos uma parte, sendo realista). Mas também, sendo realista, vários destes precisarão ser "reformatados".

Para isso, escolas-de-rede , em rede, serão essenciais.
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Comentário de Augusto de Franco em 8 agosto 2009 às 16:33
Reconheço que Leonardo da Vinci pintou a Mona Lisa e esboçou o esquema de um helicóptero primitivo. Não imagino que ele tenha feito isso por desejo de aparecer e ser contratado pelo próximo príncipe. Seria uma visão miserável da humanidade.

Uma pessoa ser reconhecida pelo quadro que pintou ou pelo livro que escreveu ou pela descoberta científica que fez é legítimo em qualquer circunstância. Direito autoral (moral) não é a mesma coisa que direito sobre o uso patrimonial - privado, quer dizer, excluindo os demais de tal uso - de um produto do conhecimento e não faz parte da mesma "lógica".

Mas creio que devemos nos manter no foco propositivo. Muitas vezes a controvérsia retroalimentada pode nos desviar do propósito. Estamos todos em buscas de respostas para questões novas.

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