Escola de Redes


Meu nome é Fernanda Maestri Denardin, sou brasileira, nasci no dia três de novembro de mil novecentos e sessenta e oito, estou com quarenta anos. Desses, estou casada há quinze com Luiz Fernando Denardin e há cinco anos me tornei mãe da Marina. Sou licenciada em Pedagogia (com habilitação nas Disciplinas Pedagógicas do Magistério) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, conclui em 1992 e logo depois, cursei Supervisão Educacional, na mesma universidade, concluindo em 1993.

Durante o curso tive a oportunidade de ser monitora do Departamento de Estudos Especializados da FACED-PUC, junto à Professora Doutora Elaine Turk Faria. A experiência e aproximação das atribuições de supervisora educacional, junto a essa profissional, foram decisivas pela opção pela supervisão..

Ainda na PUC, cursei pós-graduação em Psicopedagogia Clinica, sendo aluna na turma inaugural do curso, que concluino ano de 1998. Depois fiz pós-graduação em Interdisciplinaridade no Ensino Fundamental, na Ritter dos Reis, concluído em 2001 e em Cultura Religiosa na modalidade de EAD, promovido pela FONAPER de Curitiba, também concluído em 2001.

Participei de seminários, palestras e grupos de estudos por interesse, ao longo desse tempo e, atualmente, participo de algumas redes sociais na web sobre os mapas conceituais e as tecnologias da informação para educação. Também participo de fóruns sobre arte digital com o Photoshop, hobby que ocupa meu tempo junto às leituras, a música e a ação de escrever, uma das minhas ocupações prediletas.

Há pouco tempo fiz formação reconhecida pela Adobe Authorised Training Centre, no curso de Web Designer em março de 2009, utilizando os programas Fireworks, Flash e Dreamweaver e a formação em Especialista avançado de Photoshop CS4, em junho de 2009. Meu interesse pela tecnologia se instalou faz tempo. Sempre estive vinculada a ela utilizando-a nas minhas necessidades profissionais. Porém, somente agora, dediquei-me a uma formação mais sofisticada e reforcei meu encantamento passando a enxergar um pouco mais adiante das possibilidades que eu antes reconhecia.

Os motivos que me levaram a optar pelos cursos que realizei, sempre estiveram atrelados ao momento profissional que eu vivia. As salas de aulas representam espaços privilegiados para os relatos de experiências e o despertar das inspirações profissionais. Nelas, sempre sinto uma vitalidade, que promove minhas idéias e a minha crença de que as transformações e inovações responsáveis são possíveis em educação, afinal são muitas as pessoas dedicadas a essas realizações. Normalmente, eu as encontro nesses espaços de estudos, muito mais do que as identifico nos espaços profissionais.

Até o presente momento, sempre trabalhei em escolas particulares, apesar de ter prestado por duas vezes o concurso para professora municipal de Porto Alegre e em ambas ter sido convocada. A opção pela escola privada aconteceu pelo fato de eu estar bastante envolvida com as atividades nas instituições para as quais trabalhei.

Quando fiz a Psicopedagogia, eu trabalhava como coordenadora da educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental. Lembro-me que acontecia uma sucessão gradativa de encaminhamentos de estudantes aos especialistas da área da saúde e psicologia, e estes, nos respondiam com diagnósticos que declaravam a necessidade de medicação. A freqüência que isso acontecia, somado a dificuldade em aprender a apatia diante da vida da escola, que se mantinham persistentes, me fizeram buscar fundamentação teórica e a oportunidade de escutar a “vivência de grupos” diferentes daquele que eu pertencia profissionalmente. Tentava tornar legitimamente viável, minha participação profissional na análise dos casos e nas alternativas de superação do mal estar que estava se instaurando no espaço escolar para o qual eu trabalhava e em outros, que eu acompanhava. Lembro que muitas vezes, nós educadoras, debatíamos em detalhes a situação de nossos alunos e já não sabíamos mais se determinados comportamentos eram respostas de uma medicação, da ausência dela ou eram parte do estilo de ser que se formava, por ser invadida ou intocada pela nosso próprio estilo de educação. Na dúvida da ação, a opção era o encaminhamento, mesmo antes do movimento de mudança dos elementos pedagógicos em relação ao estudante. Não me refiro a isso como acomodação ou como delegação de funções, porque olhando pra lá, tudo mais me parece o atendimento e o alivio de um compromisso profissional. E essa questão tem o viés burocrático que não combina entrar em análise aqui.

A Psicopedagogia me indicou o suporte teórico renovando minha possibilidade de selecionar bibliografias para o apoio nos debates reflexivos sobre determinadas situações de aprendizagem. Junto ao meu grupo de trabalho sentia-me mais autorizada a apontar os encaminhamentos e a entender os diagnósticos dos especialistas e, também colaborar mais efetivamente nesse diagnóstico e na avaliação realizada pela escola e também na avaliação da própria escola. A coerência entre a equipe pedagógica, os professores e os especialistas, externos ao espaço escolar, consolidava a segurança das famílias, das crianças e dos profissionais. Tornava-se visível a harmonização das relações e, consequentemente, aparecia um caminho de superação e esse, era para todos. A mudança desejada nunca poderia ser suficiente se acontecesse somente em um, desses envolvidos. Não havia o lugar do morto. Nesse mesmo nível de importância, a Psicopedagogia me libertou de algumas amarras que estavam se formando na minha prática e pior, na minha forma de cooperar na prática dos professores. Uma fidelidade teórico/metodológica não pensada como merecia e merece, porque revelada em incessantes apresentações de tantas outras “culturas escolares” e assumida com certa pressa, por todos e de todas as culturas escolares, sem se diferenciarem, sem se olharem. Um movimento rápido, que por vezes parecia repentino ( em alguns lugares não era, de fato) que sufocava a reflexão urgente com a repetição e o apelo ao atendimento a meros aspectos de recortes teóricos. Uma questão complicada que mistura tempo cronológico, tempo emocional, tempo profissional e daí a questão da gestão do tempo pessoal e institucional.

Percebi que a variedade das estratégias pedagógicas, que a abordagem globalizada dos conteúdos, que o enfoque nos procedimentos e que a variedade de formas possíveis destes se apresentarem, são fundamentais para revelar a formação do estilo de aprender. Fator que tenho hoje como mais que importante. Reconhecer seu estilo de aprender é o que anuncia a autonomia de aprender do sujeito para toda a sua vida.

O curso sobre a interdisciplinaridade aconteceu devido ao meu interesse pelos estudos curricularistas e foi intensificado pelo fato de eu trabalhar para níveis escolares diferentes num determinado período. Atuei como coordenadora pedagógica, concomitantemente, em duas escolas particulares, numa na educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental, em outra, nas séries finais do ensino fundamental.

Os discursos dos professores por mais novidades que apresentassem, sempre passavam pela queixa acerca dos prejuízos de aprendizagens. E o que parecia estar mais ao alcance, ou como a opção, quase que unânime para foco da discussão era o currículo formal. Apesar de algumas transformações necessárias e também interessantes, ainda não foram suficientes para a transformação das formas de apresentação e de vida desse currículo. Algumas, claro, sempre acontecem é com elas que justifico e reforço meu interesse nos estudos curriculares, para inová-los em toda sua amplitude e para além do seu registro.

Mas, apesar da vontade pessoal de desenvolver mais sobre esse assunto, que me fascina, ficarei restrita a comentar que o curso de interdisciplinaridade aprimorou o conceito que eu mantinha acerca do currículo globalizado e das suas “disciplinaridades”. Também me fez romper com algumas fixações e somou muito, no meu entendimento sobre as redes dos saberes. Logicamente, que uma nova linha de estudos se apresentava, sem romper com as que eu já havia feito, pelo contrário, me convidando a re-visitar as leituras e as vivências da minha própria construção e me aproximei dos estudos da complexidade. E na complexidade, muita coisa fez sentido pra mim e isso nunca se esgotará.

As leituras sobre currículos escolares, em sua abordagem ampla, continuaram me acompanhando por necessidade e por interesse. Estive como coordenadora pedagógica geral –de todos os níveis de ensino – numa mesma escola e pude transitar entre discursos e ideais mais aproximados de professores com sentido de pertença a uma cultura escolar. Foi um momento profissional bastante revelador e positivo, depois disso, voltei a coordenar as séries iniciais do ensino fundamental em outra escola.

No curso de EAD, sobre Cultura Religiosa, além do interesse universal que existe sobre o assunto, a proposta de participar de uma formação à distância me motivou. Aconteceu em seis meses e com apenas um encontro presencial e no virtual prevalecia a consulta sem uma reciprocidade efetiva, um banco de tarefas e informações no formato de texto. Mas, posterior a essa experiência e com total livre arbítrio, estudei à distância. Nenhum com o vínculo formal, como este curso citado, porém com o vínculo do interesse e da vontade. Então, experimentei a reciprocidade na rede e me senti envolvida e comprometida com os estudos disparados nesse espaço.

O que busco agora, é justamente o espaço formal de estudos, de olhares e escutas, que me possibilitem organizar e revelar informações sobre o uso da tecnologia na educação. Quero a aproximação necessária para me apropriar deste conhecimento e, em sua amplitude, encontrar ou criar o espaço que me possibilite dinamizar minhas aprendizagens e promover as daqueles que eu encontrar presencial ou virtualmente.

Exibições: 3494

Comentar

Você precisa ser um membro de Escola de Redes para adicionar comentários!

Entrar em Escola de Redes

Comentário de Patricia Grasel Silveira em 19 agosto 2009 às 9:07
Fê querida

Adorei conhecer um pouco mais de ti, através de seu memorial consegui indetificar os desejos que te levaram a fazer boas escolhas em sua trajetória profissional. Espero estar ao seu lado quando voares mais alto, quando vc descobrir novos caminhos.
Parabéns !!!

© 2019   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço