Escola de Redes

MAIS UMA VEZ SOBRE OS NODOS DA ESCOLA-DE-REDES

A Escola-de-Redes não pode ser reduzida a um site de relacionamento, onde ficamos mandando bilhetinhos uns para os outros e postando vídeos, imagens e mensagens mais ou menos interessantes que guardem apenas uma vaga relação com o tema principal que motivou a sua articulação. A Escola-de-Redes é uma rede de comunidades de aprendizagem e de investigação e experimentação sobre redes sociais. Ela só se justificará se houver investigação e experimentação coletiva ou individual compartilhadas. É claro que, para fazer isso, não somos necessariamente obrigados a formar grupos presenciais. Mas é inegável que a proximidade ajuda bastante.

Hoje, quando as pessoas ouvem falar de redes sociais, pensam logo em sites de relacionamento ou assemelhados, que permitem interatividade e compartilhamento de conteúdos ou ensejam a experimentação de algum grau de identidade coletiva, como Bebo, hi5 e Orkut, para citar apenas três exemplos diversificados de ambientes de troca pessoal ou de prestação de serviços personalizados que permitem, de alguma forma, a publicação de conteúdos no mesmo endereço e a conexão virtual de pessoas com pessoas por meios digitais.

Todavia, as redes sociais não estão propriamente no mundo digital. Como o nome está dizendo, elas estão no mundo social...

A Escola-de-Redes não está neste http://escoladeredes.ning.com/ Este é apenas um meio tecnológico que utlizamos para facilitar o netweaving. Como escreveu David de Ugarte, no post "Mi comunidad no participa" (26/05/08):

“El conjunto de usuarios de un servicio no forma una comunidad. Para que un grupo de personas formen una comunidad tiene que existir una identidad común, una definición clara de quien forma el demos y un conocimiento mutuo entre ellos (tienen que formar una red distribuida). Luego la comunidad podrá crecer, pero lo que es claro es que las comunidades humanas no se forman alrededor de servicios y aún menos alrededor de webs. Las comunidades usan los servicios, no se definen por ellos. Del mismo modo que no hay una comunidad de usuarios de la seguridad social o del transporte público, no hay una comunidad de usuarios de feevy, flickr, blogger ni de nada que podamos crear, siquiera sea pensando en un perfil muy determinado... Las comunidades no nacen artificialmente simplemente porque se nos ocurrió hacerles una plataforma. Si queremos crear una comunidad no nos pongamos a crear servicios porque no funcionará. Los servicios sirven a una comunidad, no la generan. Crear una comunidad es construir una identidad. Tiene que ver con valores y experiencias compartidas. Algo que se desarrolla y crece con la interacción. Es entonces cuando los servicios son útiles, pero no antes. ¿Quieres crear una comunidad? Vuelve al off-line o encuentra una causa puntual tan potente que tras hacer una campaña virtual sus protagonistas se sientan emocional e intelectualmente tan ligados entre si como para querer seguir haciendo cosas juntos todos los dias”.

Ugarte fala de um conceito "forte" de comunidade. No caso dos nodos da Escola-de-Redes, talvez não seja necessário chegar a tanto. Basta que exista compartilhamento de um objetivo e de uma agenda.

Temos agora 376 pessoas conectadas à Escola-de-Redes e 4 nodos (Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Brasília). Há um nodo em processo de organização no Rio de Janeiro. Observando a lista dos conectados que se registraram aqui NING (312), podemos notar que existem 12 de Cuiabá, 10 de Belo Horizonte, 8 de Belém, 6 da região Londrina/Maringá, 4 do Recife e 3 de Fortaleza - todas essas localidades (com exceção de BH e Recife) onde já se cogitou a articulação de um nodo (além, é claro, de São Luiz e do interior de São Paulo: Sudoeste, Alto Tiete, Catanduva e região).

Talvez um bom caminho seja abrir um grupo para cada uma dessas cidades ou regiões aqui no NING, como fez o Rio de Janeiro, usando esse mecanismo para articular o nodo. Como sabemos, um Nodo da Escola-de-Redes é uma rede de pessoas articulada em uma localidade (cidade, estado, país) como comunidade de aprendizagem em torno de uma agenda de atividades coletivas ou individuais compartilhadas. Essa agenda pode compreender conferências, seminários, palestras, cursos, publicações ou, simplesmente, encontros para bater-papo sobre o assunto. Não é obrigatório (nada é obrigatório em uma rede distribuída). Às vezes, porém, a vizinhança é muito importante: learn from your neighbours ou I store my knowledge in my friends...

Em geral andamos todos muito ocupados e avaliamos que não temos condições de assumir mais uma tarefa. Mas para abrir um nodo da Escola-de-Redes não é necessário fazer muita coisa. Não é necessário, nem mesmo, destacar alguém para coordenar ou secretariar nada. A única coisa realmente necessária é ter uma agenda de atividades. Cada nodo decidirá as atividades que pretende realizar. Pode ser, no limite, apenas uma atividade por ano (um encontro, quem sabe, ou um curso).

Portanto, recomendo a todos os conectados à Escola-de-Redes que morem ou trabalhem em Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Brasília, que se registrem nos respectivos Nodos já existentes (que figuram aqui no NING no formato de Grupos). E aos demais, como já estão fazendo alguns conectados do Rio de Janeiro - sobretudo os de Cuiabá, Belo Horizonte, Belém, Londrina e Maringá, Recife e Fortaleza - que abram grupos para começar a articular o lançamento de novos nodos nessas cidades.

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Comentário de Maria Augusta de Almeida Halec em 12 dezembro 2008 às 13:12
Querido Augusto
Creio que a medida que os temas forem aparecendo e os nodos se formando em torno de idéias concretas o nosso interagir alcançará os objetivos propostos. faço parte do Verde Sudoeste Paulista e percebo que a Escola de Redes poderá nos ajudar muito, por isso estou passando-a para meus parceiros.
Comentário de Rafael em 11 dezembro 2008 às 22:59
Viva a seleção natural.
Comentário de Augusto de Franco em 11 dezembro 2008 às 21:28
Acho que é uma boa possibilidade, caro Rafael, que, entretanto, a meu ver, não é colidente com a outra (territorial). Ambas, a meu ver, são locais, no sentido de que se pode definir local do ponto de vista da rede (como cluster, ou seja, comunidades). Penso que o melhor é deixar abertas todas as possibilidades. As pessoas se clusterizem do jeito que quiserem: por proximidade ou vizinhança que enseja uma interação presencial, por tema ou ação et coetera. Grande abraço.
Comentário de Rafael em 11 dezembro 2008 às 17:59
Caro Augusto, minha sugestão é pensar os nodos vinculados a ações, os "NODOS AÇÕES" ou nodos campanhas serão mais ágeis e mais aglutinadores em sua soma que os nodos geográficos. Podem ser pequenos, ter data para acabar, se dividirem, se somarem e serem tantos quantos ações sejam propostas. Ações estão ligadas a interesses, mobilizam mais e são selecionadas naturalmente como tudo na rede deve ser.
Comentário de Augusto de Franco em 10 dezembro 2008 às 14:23
UM NOVO CICLO SE ABRINDO
Concordo com a Célia. Aliás, eu não diria que o ciclo de explorações da Internet social está se fechando. Pelo contrário, acho que somente agora esse ciclo está se abrindo para uma verdadeira exploração das redes sociais. Talvez os sites de relacionamento e prestação de serviços - tipo Orkut, que se autodenominaram indevidamente como "redes sociais" - não contenham mais novidades para os que querem ficar na vanguarda das explorações eletrônicas. Mas essas são ferramentas, não redes. Redes são pessoas. Há um imenso campo de investigação se iniciando, investigação que tem a ver com a transição do atual padrão organizativo piramidal para um padrão em rede distribuída (quer dizer, em redes com mais de 50% de distribuição, para usar o índice que formulei). 98% (uma estimativa) das nossas organizações governamentais, empresariais e, inclusive, sociais, ainda se organizam com graus de centralização (ou descentralização, é a mesma coisa) predominantes em relação aos seus graus de distribuíção (ou com distribuição inferior a 50%). Isso ocorre inclusive com aquelas organizações empresariais (ou ditas empresariais) constituídas em torno do proselitismo das redes distribuídas… Além disso, há um outro imenso campo de exploração conexo que diz respeito àquilo que chamamos de cultura (encarando os memes como softwares que "rodam" na rede social). Para não falar do conectivismo como teoria da aprendizagem (e da sustentabilidade ou do desenvolvimento). Enfim… as explorações no multiverso de conexões ocultas que configuram o que chamamos de social estão apenas começando! E a "Internet social" (seja lá o que isso for) acabou tornando visível uma região importante do espaço-tempo dos fluxos até então desconhecida, permitindo que se abrisse agora um novo ciclo de explorações do social propriamente dito.
Comentário de Augusto de Franco em 10 dezembro 2008 às 9:20
Ainda não conheço o NING suficientemente para descobrir como segmentar por localidade. Fiz o levantamento no olho mesmo. O pessoal de BH e adjacências: João Pedro, Cássio, Pepe, Dolabela, Tcharles (Betim), Emerson, Athos (Sabará), Andrea, Walmir e Rudá. Forte abraço.
Comentário de João Pedro Torres em 10 dezembro 2008 às 9:14
Uma pergunta: qual o meio usado para obter a lista de conectados por cidade? Procurando um por um em todas as páginas de "membros"? Uma vez que todos nós registramos nossa localização ao nos cadastrarmos, me parece estúpido que o Ning não consiga listar os participantes baseado em um critério de busca. Se for isso mesmo, Augusto, será que sua listagem não pode ser publicada para contornar essa dificuldade? Sim, eu sei que posso criar um grupo de Belo Horizonte e esperar as adesões, mas (desconfiança de mineiro) quem sabe eu já não conheço alguém?
Comentário de Augusto de Franco em 10 dezembro 2008 às 5:42
Você tem razão, caro Belbute. Mas, pensando melhor, o Carlos Boyle também tem razão ao fazer o alerta de que as formas de interação são diversificadas e não podemos predeterminar o que é (será) uma realidade em constante fluição (pois assim são as redes). Creio que as agendas de debates capazes de orientar postagens poderão ficar no âmbito dos nodos. Na rede geral que se expressa aqui no NING talvez a melhor coisa a fazer seja deixar rolar... Eu confesso que nunca participei de um tipo de organização assim, em rede distribuída. Daí minhas angústias e perplexidades. Estamos todos aprendendo.
Comentário de eunice schueler em 9 dezembro 2008 às 18:43
Estou feliz em estar participando aqui nesta sociedade, escola virtual de rede junto a voces. Aos poucos vou me interando e logo, logo, chego mais proxima. Com certeza ha uma grande e vasta variedade de interessantes assuntos que podemos deixar rolar nesta interatividade virtual. Obrigada por me receberem. Eunice Schueler/alemanha/munique
Comentário de Augusto de Franco em 9 dezembro 2008 às 15:12
Acho que está tudo indo muito bem. Não é aqui que se vai forçar ninguém a fazer nada, nem mesmo pressionar os conectados a abrirem nodos. As configurações coletivas vão caminhando - como disse o Boyle, a rede é um devir... - e as pessoas vão caminhando no seu próprio passo, como deve ser. O depoimento da Cynthia é muito esclarecedor das condições favoráveis e desfavoráveis nas quais as pessoas se conectam, por motivos diversos, em uma rede.

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