Escola de Redes

Já houve uma longa conversação aqui - entre julho e outubro de 2009 -  sobre Negócios e Escola-de-Redes. Não foi conclusiva, como não poderia mesmo ser. Mas ficou mais ou menos claro que a rede chamada Escola-de-Redes, bem como esta plataforma Ning que utilizamos como ferramenta de netweaving da E=R não deveria ser usada para propaganda de negócios privados de seus membros. 

Também ficou claro que qualquer pessoa pode convidar qualquer outra para quaisquer empreendimentos, de qualquer tipo, forma, modo - desde que não queira associar seu empreendimento ao nome da Escola-de-Redes.

Uma questão que ficou para ser aprofundada foi: como seriam negócios em uma rede propriamente dita?

Aproveitando a conversação que mantivemos, escrevi um pequeno texto sobre o tema, intitulado "Negócios em Rede" que foi publicado aqui e está disponível em seu formato final no Slideshare. E temos já algumas experiências em andamento, que mereceriam ser acompanhadas e estudadas.

 

A experiência mais marcante, pelo menos para mim, é a EMPRESA TEIA, cujos propositores são membros da Escola-de-Redes, mas que nunca foi discutida aqui. Tenho acompanhado com vivo interesse essa experiência pioneira e eu mesmo me associei à iniciativa, ainda que sem ter nela atuado empresarialmente, até agora. Silvio Meira, recentemente publicou, no seu blog DIA A DIA, BIT A BIT, dois posts bem interessantes sobre o case: Empresa "Teia"? Como assim? Parte 1 e Parte 2. Vale a pena ler esses textos e, mais ainda explorar o Ning da Empresa Teia, que tem como lema-subtítulo "A primeira Empresa 100% em Rede do Brasil".

 

 

 

NETWEAVING HCW

 

Pois bem. Quase dois anos depois de iniciada a discussão referida acima, resolvi também propor a criação de um negócio em rede, uma empresa organizada em rede, chamada NETWEAVING HCW. A plataforma Ning que está sendo construída para a empresa pode ser acessada pelo endereço http://www.redes.org.br

Esta nova empresa não vai usar o nome da Escola-de-Redes, nem será articulada pela Escola-de-Redes ou na E=R. Foi uma proposta pessoal. Mas vem a calhar para os nossos propósitos investigativos, como uma experiência capaz de lançar alguma luz sobre a questão que ficou para ser aprofundada pelos que, dentre nós, se interessam pelo assunto ("como seriam negócios em uma rede distribuída?").

A idéia de NETWEAVING HCW  é bem diferente da que levou à fundação da EMPRESA TEIA. Há uma diversidade de possibilidades. E quantos mais formatos diferentes tivermos, mais poderemos aprender observando tais experiências. Se você tiver interesse, veja a seguir as principais definições que estão gerando a nova empresa.

Netweaving HCW  é uma empresa dedicada à realização de programas de aprendizagem sobre redes sociais.

Seu compromisso é com pessoas que desejam aplicar os conhecimentos da nova ciência das redes e as habilidades da arte da articulação e animação de redes na gestão de processos de estímulo à criatividade e à inovação, de indução do desenvolvimento e de busca da sustentabilidade.

Os programas de aprendizagem realizados por Netweaving HCW  são especialmente dirigidos a empresas e instituições interessadas em aumentar suas chances de sustentabilidade por meio da transição do padrão centralizado ou piramidal de organização para um padrão de rede distribuída.

Netweaving HCW  é uma empresa em rede, formada por consultores independentes conectados. Sua experiência é a experiência integrada dos netweavers que a compõem. Seu currículo institucional é o resultado da confluência dos currículos dos generalistas e especialistas que interagem na sua rede.

Os serviços da empresa decorrem diretamente de sua missão: ensejar a aplicação dos conhecimentos da nova ciência das redes e das habilidades da arte da articulação e animação de redes na gestão de processos de estímulo à criatividade e à inovação, de indução do desenvolvimento e de busca da sustentabilidade. Essa missão coloca dois desafios: influenciar os influenciadores e evangelizar (no sentido em que esta palavra foi - e ainda vem sendo - empregada pelos pioneiros da Internet):

Netweaving HCW  está prioritariamente voltada a influenciar os influenciadores que atuam em think tanks de inovação, consultorias estratégicas (e. g., de branding e marketing) e business schools (dedicadas à educação corporativa de alto nível).

Seu papel é desenhar – por meio de consultoria in Office e in Company – juntamente com os responsáveis por essas organizações, programas de auto-aprendizagem e de comum-aprendizagem sobre redes sociais para seus stakeholders, bem como acompanhar os seus desdobramentos. 

De um modo geral, a empresa articula e anima programas de aprendizagem sobre redes sociais e temas correlatos com pessoas de empresas e instituições.

O mais interessante aqui, me parece, foi a forma encontrada de adesão à empresa. A adesão é pessoal, mas sempre por meio de uma proposta de empreendimento, à qual devem aderir, pelo menos, mais duas pessoas além do proponente, formando um cluster, uma comunidade em torno de uma agenda compartilhada (a elaboração e a realização do programa proposto: o programa é o empreendimento e este programa deve ser necessariamente, de acordo com o estrito escopo da empresa, um programa de aprendizagem sobre redes sociais).

Quem se dedica ao assunto (programas de aprendizagem sobre redes sociais) e quer juntar-se à iniciativa - ou seja, se quiser fazer parte da empresa - é aconselhado a ler com atenção as orientações abaixo:

 

SOBRE A FORMA DE ORGANIZAÇÃO E O FUNCIONAMENTO DA EMPRESA

Netweaving HCW  é uma rede de empreendedores autônomos. Os empreendedores se conectam à rede por meio de seus empreendimentos, desde que tais empreendimentos também sejam organizados em rede distribuída.

Para entrar na empresa Netweaving HCW  uma pessoa deve propor um empreendimento (necessariamente um programa de aprendizagem sobre redes sociais) ou entrar em um programa já proposto (desde que seja aceita pelo proponente original). Todos os programas propostos devem estar de acordo com o escopo e a missão da empresa.

Com exceção do PROGRAMA 00 - REDES SOCIAIS | O que são e o que não são - uma palestra de duas horas que servirá também, indiretamente, para apresentar a empresa, dando o pontapé inicial - para cada programa proposto configura-se um cluster, uma comunidade de, pelo menos, três pessoas, capaz de compartilhar uma agenda de realização do programa, com autonomia para definir suas próprias regras de funcionamento, observadas as regras gerais estabelecidas pela empresa.

Programas propostos por uma pessoa que não conseguirem a adesão de, pelo menos, mais duas pessoas, não poderão ser realizados. Neste caso, cancela-se também o registro do proponente na empresa (a menos que ele já esteja em outra comunidade). Um programa cancelado pode ser reapresentado pelo mesmo proponente, na sua forma original ou modificada.

As comunidades devem se articular em rede distribuída, não podendo, portanto, se organizar hierarquicamente. Não há chefes, CEOs, presidentes, vicepresidentes, diretores, gerentes, coordenadores, facilitadores ou assemelhados. A remuneração dos membros será negociada de acordo com seu empenho, trabalho, esforço, dedicação etc, segundo critérios definidos pelas próprias comunidades (de comum acordo: não é permitido o uso de votação ou outros modos de regulação de conflitos que gerem artificialmente escassez).

Empresas hierárquicas não podem se conectar à Netweaving HCW. Terão seus registros cancelados as pessoas que lançarem mão de artifícios ou ardis para inserir na rede empresas hierárquicas já existentes ou em formação, de modo disfarçado, por meio de seus sócios ou funcionários.

Ninguém, a pretexto de ressarcir custos de infra-estrutura, administrativos, operacionais, remuneração do conhecimento, do capital ou do risco ou, ainda, de outras despesas ordinárias ou extraordinárias, pode se apropriar de sobrevalor extraído do trabalho alheio. Abatidos os custos dos empreendimentos (que deverão ser bancados pelos empreendedores associados para sua realização), os seus resultados financeiros, positivos ou negativos, devem ser distribuídos ou arcados por todos os membros das comunidades, segundo os critérios estabelecidos pelas próprias comunidades.

Cada comunidade é responsável por prover os requisitos legais para seu funcionamento (registros, documentos, notas fiscais etc), se necessário for.

Netweaving HCW  não é uma escola. Quem está interessado em estudar, investigar, experimentar ou vivenciar redes sociais deve se dirigir à Escola-de-Redes ou a outra rede voltada para tais propósitos.

Quem concordar com as disposições acima e quiser mesmo integrar a empresa Netweaving HCW, deve fazer seu registro na plataforma http://net-hcw.ning.com/. Este registro será provisório. Para que o registro seja efetivado a pessoa precisa propor um empreendimento ou ser aceita em um empreendimento já existente. 

Quem quiser propor um novo empreendimento (sempre segundo as regras acima) deve abrir um novo grupo. Pelo menos mais duas pessoas devem entrar neste grupo para que o registro do proponente seja efetivado na empresa.

Quem quiser se juntar a um empreendimento já existente, deve entrar em algum dos grupos que estão abertos. Para que seu registro seja efetivado a pessoa deverá ser aceita pelo proponente do grupo.

Como se trata de uma rede de pessoas-que-propõem-empreendimentos, é necessário haver acordo sobre as adesões. Ninguém pode ser obrigado a trabalhar com quem não quer. Por outro lado, ninguém pode se inscrever para "sapear", "dar pitacos" ou "trocar idéias" sobre o tema. Netweaving HCW  não é uma rede de discussão. É uma empresa mesmo, um negócio, com fins lucrativos. Portanto, é uma rede muito diferente da Escola-de-Redes. É outra coisa. Assim, ninguém deve se conectar à plataforma da empresa a menos que trabalhe ou queira trabalhar com programas de aprendizagem sobre redes sociais, tenha tempo, alguma experiência no ramo, condições e disposição para tanto. Ninguém deve entrar na empresa para se informar melhor ou para conversar sobre o assunto: para isso já temos vários grupos e fóruns abertos aqui na Escola-de-Redes.

 

É difícil saber, sobretudo neste início, se a iniciativa dará certo. Aliás, é meio difícil saber até o que é "dar certo" num terreno ainda tão movediço.

Mas isso é tudo que temos por enquanto. Cumpro aqui o que imagino seja o meu dever de informar as pessoas da Escola-de-Redes que podem se interessar pelo assunto, ao menos como um objeto de estudo-em-processo.

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Comentário de Augusto de Franco em 15 julho 2011 às 9:40

Comentário de Tiago Gouvêa em 27 fevereiro 2011 às 18:14
Acredito no poder de uma iniciativa deste tipo em rede. Com as pessoas certas e o devido envolvimento a "coisa" pode dar certo!
Estou dentro, disponível para ajudar no que me for possível.
Abraços
Comentário de Lilian Langer em 27 fevereiro 2011 às 12:52
Ok, isso já estava claro para mim. Vou deixar rolar mais um pouco e enquanto isso vou formatar o que venho desenvolendo nesta área e volto para ver como vou encaixar as coisas aqui. De qualquer modo,  a

NETWEAVING HCW  me interessa muito. abç

Comentário de Augusto de Franco em 27 fevereiro 2011 às 11:29

Lilian, pertencer à empresa-em-rede Netweaving HCW é estar desenvolvendo um empreendimento (desde que tal empreendimento seja um programa de aprendizagem sobre redes sociais). Uma pessoa pode se registrar provisoriamente na plataforma usada pela empresa, mas só pode permanecer na empresa se conseguir propor um empreendimento que conte com a adesão de mais duas pessoas ou se for aceita em um empreendimento já proposto.

A partir do momento em que você se registra na plataforma, pode interagir com os que já estão lá, sobretudo com os que estiverem no mesmo empreendimento.

A guia do menu Contato serve apenas para quem quer contratar os serviços da empresa.

Comentário de Lilian Langer em 27 fevereiro 2011 às 10:29
Augusto, a proposta é muito nova e as perguntas estão ainda sem resposta, é claro. Mas como estou muito interessada nesta rede de negócios, vê se podes me orientar um pouco mais. Quando alguém como eu, que sou consultora independente...  tenho experiência e interesse em projetos no escopo da  Netweaving HCW  com foco na transição organizacional para organização em rede e também tenho alguma experiência com desenvolvimento local:   1o) se eu não tenho um empreendimento formal, devo aguardar para me "inscrever" em algum projeto inscrito  e negociar minha aceitação como partner... ou já posso inscrever meu "interesse em fazer parte de...? e 2o)  já imaginas como acontecerá essa negociação ou acordo sobre as adesões, ou seja, a rede vai facilitar essa interlocução ... vai haver um espaço na rede para isso ou vai ser direto com os proponentes do empreeendimento através do menu contato...? abç
Comentário de Lilian Langer em 27 fevereiro 2011 às 9:29
Compartilho a curiosidade do Augusto!
Comentário de JOSÉ MARIA QUADROS DE ALENCAR em 27 fevereiro 2011 às 7:08

Augusto.

 

Muito legal!

Não posso participar, por vedação legal (sou magistrado, como sabes).

Mas torço pelo êxito da iniciativa, que acompanharei atentamente.

 

Abraços do

 

JOSÉ DE ALENCAR

Belém - Pará - Amazônia - Brasil

Comentário de Augusto de Franco em 27 fevereiro 2011 às 6:40

Legal, Vinicius. Mais uma experiência para a gente conhecer e estudar. Tentei colar abaixo a apresentação que você linkou. Nos dê mais detalhes. Como se organiza a empresa? Tem chefes (sob qualquer nome)? Sendo uma empresa, como se distribuem os superavits?

Comentário de Sergio Storch em 27 fevereiro 2011 às 5:59
Augusto, parabéns por mais esta iniciativa! Muito estimulante!
Comentário de Vinicius Braz Rocha em 26 fevereiro 2011 às 20:08

CONTINUA ....

 

2 Autodisciplina: gestão profissional individual em prol de um coletivo temporal

Não existem cobranças por resultados, o que existe é o engajamento natural onde cada parceiro deixa claro, desde o princípio, quais entregas se responsabiliza dentro de um consenso de prazos & resultados que se deseja com determinado projeto, consultoria ou investimento.

Neste sentido,  a autodisciplina é uma competência fundamental.

 

3 Dinâmicas diferenciadas de trabalho

 De uma forma geral numa “organização tradicional” o conhecimento existente é funcional e encapsulado por áreas de trabalho que conversam protocolarmente entre si. Não existe transversalidade no fluxograma para desenvolver talentos, no máximo “task forces” seja para pensar/desenvolver soluções, seja para lidar com crises/problemáticas diversas. Na VR  cada parceiro se envolve com quantas “worknets” quiser, desde que o mesmo de forma consciente, entende que tem lastro-expertise para lidar com as diferentes demandas & dinâmicas de trabalho

 

Vantagens > mobilidade, transversalidade, aculturalidade & instabilidade

Desvantagens > ser a exceção à regra que acaba exigindo esforço/trabalho redobrado junto a interlocutores “tradicionais” hierarquizados.

 

Confiram o CORPUS projeto oriundo da visão dos parceiros da VR, tendo a consultoria Meridiano Digital à frente mas ainda em fase de formação de worknet.

http://www.slideshare.net/MeridianoDigital/corpos-corporate-open-so...

 

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