Escola de Redes

Congresso KM Brasil 2011

O Congresso KM BRASIL 2011, organizado pela SBGC – Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, aconteceu na Amcham em São Paulo, nos dias 5, 6 e 7 de outubro de 2011, tendo como tema principal “Gestão do Conhecimento  Alinhada à Cultura Organizacional e Rede Social”.

No primeiro dia, a palestra internacional com Jay Cross, “Aprendizagem informal”, deu início às atividades. Muito poucas vezes refletimos a respeito de nosso conhecimento e de que percentual nos foi transmitido de maneira informal. Nossa fala, comportamento, cultura e valores são, na sua maioria, influenciados e aprendidos no dia-a-dia, observando nossos pares, familiares, amigos e nossos colegas de trabalho. Copiamos comportamentos e bons desempenhos para desenvolvermos nossas tarefas. De acordo com Jay, “A aprendizagem informal é a forma não-oficial, não programada e não pré-definida de como as pessoas aprendem a realizar seus trabalhos. O aprendizado é uma adaptação. Beneficiando-se do duplo sentido da palavra rede, aprender é otimizar a qualidade da nossa rede de relacionamentos (de alguém). Nós aprendemos uns com os outros.” Uma das maneiras pelas quais as empresas podem promover a inovação é oportunizando a conversação oferecendo espaços onde os empregados possam “bater-papo”, criar e transmitir conhecimentos (conducentes à conversação). 

Comparativamente, o treinamento é algo sempre “empurrado”, diferente do aprendizado informal, onde os profissionais sentem-se inseridos e têm a liberdade de decidir como farão o que lhes é solicitado. Além disso, temos também o papel da WEB 2.0 no aprendizado. A Rede é, e continuará crescendo como um grande conversor de conhecimento. Jay chama a atenção a respeito do que ela pode fazer e de sua contribuição para reunir pessoas e facilitar a informalidade na disseminação de conhecimento. A aprendizagem pode e deve evoluir de um treinamento rígido para algo mais flexível, uma plataforma onde as pessoas possam se servir do conhecimento de que necessitam.  O que muitos bons gerentes têm feito pode ser continuado e ampliado.

O foco apresentado por Nick Milton, que se apresentou no dia 06 de outubro, foi a “Construção de uma Cultura Organizacional Favorável à Gestão de Conhecimento”. Faz-se importante compreender que compartilhar conhecimento e promover questionamentos (perguntar) enfrenta resistência nas organizações por vários motivos. Podemos citar, por exemplo, o argumento de empresários e empregados quanto à sobrecarga de trabalho devido à aplicação da gestão de conhecimento na empresa. A resposta a essa questão é bastante simples. É importante buscar, compartilhar e re-usar o conhecimento para o próprio bem da organização. Mas as melhores ferramentas não irão funcionar se as pessoas não estiverem dispostas a usá-las.

Há uma urgência em se mudar a ênfase que se dá ao conceito de conhecimento dentro das organizações, e isso só poderá ser feito levando-se em consideração os indivíduos que dela fazem parte, suas crenças, e fazer uma mudança de modelo mental. No modelo antigo, o conhecimento é relacionado à propriedade, à vantagem pessoal. Logo, o “novo” pode ser percebido como ameaça frente ao que já “tenho”, com o “meu conhecimento”. Além disso, perguntar quando há dúvida ou desconhecimento de determinado assunto também pode denotar fraqueza – admitir que “não sei” algo. A mudança de cultura organizacional para “nós sabemos”, perceber o conhecimento como propriedade coletiva, comunitária, fará com que as pessoas percebam que compartilhar conhecimento as ajuda, que o novo melhora ou aumenta o conhecimento individual e que admitir o não-conhecimento é o primeiro passo para o aprendizado.

 Nick também apresentou um vídeo (Leadership from a dancing guy, disponível no You tube) muito apreciado pelos participantes. Mostra a criação de um movimento e a importância de se aderir ao novo. Para se implementar ou criar algo, o líder deve tratar seus seguidores como iguais e ser fácil de ser seguido – até instrucional. Porém, sem seguidores, não há a criação nem do novo, nem do líder. Fica claro durante a apresentação do vídeo que a liderança tem sido super-estimada. Todos são importantes para a criação de uma cultura organizacional favorável à gestão de conhecimento. Ninguém pode ser deixado de fora.

Bob Boiko, nosso terceiro palestrante, apresentou o tema ‘Estratégia Informacional de Mídias Sociais’. De maneira muito inteligente, mostrou a importância da informação, de que modo pode e deve ser tratada estrategicamente nas organizações e como incorporar a mídia social nessas estratégias.

Lembrou que a importância da estratégia de informação é como qualquer outra estratégia. Precisamos descobrir como usar nossos recursos principais para atingir nossos objetivos, e reforçou: “ Se entregarmos a informação correta às pessoas certas e da maneira apropriada, ela nos ajudará a atingir nossos objetivos”.

Para utilizarmos a mídia social de maneira estratégica com sucesso, precisamos conhecer o comportamento do nosso público alvo, ou seja, identificar qual ou quais dos quatro tipos de usuários das redes sociais estamos nos referindo: os que falam (criadores de informação); os que ouvem (consumidores de informação); os que respondem e os que repetem informações. Após essa etapa, a escolha do canal de mídia social apropriada (facebook, twiter, wikipedia, linkedin,blogs, etc) poderá ser alinhada ao comportamento desse(s) usuário(s): informar os ouvintes, promover os produtores de informação, possibilitar respostas para aqueles que respondem os ‘posts’ e fornecer material para aqueles que replicam, se for o caso. Foi muito esclarecedor perceber que é possível, de maneira prática, utilizar novas ferramentas novas de modo efetivo.

 

Foram três dias intensos e especiais. Os três palestrantes apresentaram temas distintos porém complementares, deixando grandes contribuições para os congressistas e associados da SBGC. Do conhecimento informal, presente desde o momento em que nascemos à importância da participação de todos na gestão de conhecimento dentro das organizações e às novas técnicas e mídias sociais que nos fascinam e intrigam. Saímos todos motivados para criar, compartilhar e aprender.

 

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Comentário de Liane Grassi em 16 novembro 2011 às 6:08

O video do "dancing guy"  foi, sem dúvida, divertido e surpreendente para todos. Acho que podemos chamar de enxameamento sim. Dentro ou fora de sala de aula, formal ou informalmente, o aprendizado acontece mais facilmente e de maneira inesquecível quando estamos nos divertindo, quando é agradável ou quando nos fala diretamente. Então gravamos.... senão é "chato" mesmo e ficamos aguardando o recreio.... um abraço!

Comentário de rafael ferreira de paula em 15 novembro 2011 às 20:59

Liane, legal a sua partilha.

Eu tenho, e acredito que muitos tenham na memória escolar, aquela sensação de prazer que era a hora do recreio. Acho que muito aprendizado foi feito nesses momentos, mais do que muitas horas passadas sentado atrás de uma carteira ouvindo professor chato falar um monte de inutilidades. As organizações continuam considerando isso 'um momento menor' no percurso do conhecimento.

Deve ter sido divertido o momento da apresentação do vídeo do 'dançarino líder'. Aquilo teria sido um enxameamento?

Abs.

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