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Jesus: um grande netweaver que foi transformado em Ídolo por hierarcas, interessados em "hierarquias e sua reivindicação de autoridade absoluta, pelo culto, idolatria e sectarismo"?

Jesus viveu na índia - [[ PREFÁCIO ]] e [[ INTRODUÇÃO ]] + [[ LIVRO PARA DOWNLOAD ]] - A desconhecida história de Cristo antes e depois da Crucificação


HOLGER KERSTEN

Jesus viveu na índia

A desconhecida história de Cristo antes e depois da Crucificação
Tradução de CECÍLIA CASAS
EDITORA BEST SELLER



Prefácio

Por mera casualidade, em 1973 tomei conhecimento da teoria de que Jesus teria vivido na índia. Não dei crédito, mas senti que não tinha opinião formada sobre o assunto e procurei acompanhar passo a passo a vida real de Jesus. Logo de início deparei com o problema da falta de fontes de informação ao alcance do pesquisador e que pudessem confirmar a existência histórica de Jesus. Quem de fato era esse homem? De onde veio? Para onde foi? Por que parecia tão estranho e misterioso aos olhos de seus contemporâneos? O que, afinal, pretendia?

No curso de minhas pesquisas, cheguei finalmente à índia, entrando em contato com pessoas profundamente interessadas na questão da presença de Jesus naquele país. Delas recebi um número incalculável de surpreendentes e valiosas informações, além de muito incentivo.

Neste livro procurei evitar um estilo demasiadamente acadêmico, para não impedir a compreensão do conteúdo simples e lógico do texto, mas sem perder de vista os detalhes. Muitas de suas declarações podem parecer ousadas e outras até improváveis. Esta obra abrirá um vasto campo de investigações em muitas áreas afins, impossível de ser esgotado pelo trabalho de um só indivíduo.

Além disso, desafia as igrejas institucionalizadas a examinarem ad absurdum — se puderem — as teses nela contidas e a provarem o contrário. Será interessante acompanhar a reação das igrejas diante disso! Meu desejo — e meu objetivo — não é minar o ponto de vista cristão, nem colocar o leitor diante de um amontoado de elementos de uma crença fragmentada.

O mais importante é reencontrar a trilha que conduz às fontes, à eterna e central verdade da mensagem de Cristo, esfacelada pelas ambições profanas de organizações mais ou menos laicizadas, que se arrogam uma autoridade religiosa.

Este livro, portanto, não proclama uma nova fé, mas apenas tenta abrir passagem para um futuro firmemente alicerçado nas verdadeiras fontes espirituais e religiosas do passado.

Introdução

Não penses que estou inventando mentiras, Ergue-te e prova o contrário! A história eclesiástica, em sua totalidade, Não passa de uma trama de erro e de poder.
Johann Wolfgang von Goethe.

Holger Kersten, Freiburg im Breisgau, março de 1983

Levei mais de dois anos para realizar a versão inglesa de Jesus Viveu na índia, uma obra que, na Alemanha, já está na sétima edição. Esta tradução foi revista e atualizada diversas vezes para conformar-se a dados mais recentes. Fui informado de que meu estilo poderia estranhar a um leitor inglês; no entanto, minha única intenção foi apresentar com clareza minhas convicções sem atenuar os fatos. Sei que posso contar com a tolerância e a compreensão desse público. Sobretudo, considerando que a Inglaterra é um país onde um bispo (rev. David Jenkins, bispo de Dur-ham) tem a coragem de discorrer, no sermão da Páscoa, sobre duvidas pessoais a respeito do tradicional dogma da ressurreição do corpo de Cristo. (Daily Telegraph, 30 de março de 1985.)
H. K., setembro de 1986


A emergência da ciência e da tecnologia foi acompanhada por uma rápida secularização do nosso mundo e por uma recessão religiosa. A glorificação do racionalismo e o desejo de encontrar uma resposta para cada aspecto da existência humana levaram, inexoravelmente, a graves perdas no campo da vida mística, religiosa e emocional, inclusive em termos de "humanidade". Dentre os responsáveis pelo aumento do abismo entre religião e ciência, fé e conhecimento, está a postura das igrejas institucionalizadas. Temendo perder influência nas esferas seculares, impuseram abusivamente sua autoridade no campo do conhecimento empírico. Este fato aprofundou ainda mais a necessidade de uma maior diferenciação no campo da autoridade. O cisma entre pensamento científico e fé colocou o homem moderno diante de uma dicotomia aparentemente intransponível.

Os sentimentos espirituais se restringem cada vez mais com o crescimento do contingente daqueles que duvidam da verdade da mensagem de Cristo, e das discussões em torno da doutrina cristã. Até mesmo dogmas fundamentais sustentados pela tradição eclesiástica, como Deus, Cristo, Igreja e Revelação se transformaram em objeto de veementes debates entre leigos e teólogos, indistintamente. Quando o cerne e a base dos ensinamentos religiosos não são mais aceitos como pura verdade, nem mesmo pela própria elite e direção da Igreja, o cristianismo tradicional caminha, indubitavelmente, para o seu fim. É sintomática a realidade dos bancos vazios apontada por uma estatística de 1979: somente um em três cidadãos da República Federal da Alemanha concorda com os ensinamentos das igrejas cristãs, ao passo que 77% acham possível ser cristão sem pertencer a nenhuma igreja. Dentro dos segmentos da população consultada, a maioria não acreditava em Cristo como o "emissário divino" enviado por Deus. E isso ocorre porque as igrejas institucionalizadas, por medo, falharam, deixando de informar seus fiéis sobre os progressos no campo do cristianismo e de dar um enfoque histórico e crítico à religião. A insistência na interpretação literal da Bíblia e na cega observância dos dogmas propiciou o declínio do cristianismo eclesiástico, mesmo entre aqueles que não tinham uma postura frontalmente anti-religiosa ou anticristã.

Realmente, o que chamamos hoje de cristianismo tem pouco a ver com os preceitos de Jesus e as idéias que ele desejava difundir. O que temos atualmente seria melhor designado pelo nome de "paulinismo". Muitos princípios doutrinários não se conformam absolutamente com a mensagem de Cristo. São, na verdade, antes de tudo, um legado de Paulo, que tinha um modo de pensar radicalmente oposto àquele de Jesus. O cristianismo que conhecemos desenvolveu-se a partir do momento em que o "paulinismo" foi aceito como religião oficial. O teólogo protestante Manfred Mezger cita, a respeito, Emil Brunner: "Para Emil Brunner a Igreja é um grande mal-entendido. De um testemunho construiu-se uma doutrina; da livre comunhão, um corpo jurídico; da livre associação, uma máquina hierárquica. Pode-se afirmar que, em cada um de seus elementos e na sua totalidade, tornou-se, exatamente, o oposto do que se esperava". Por isso é válido questionar as bases que alicerçam a legitimidade das instituições vigentes. Uma pessoa que freqüenta uma igreja cristã não pode deixar de assumir uma postura crítica, frente à proliferação de obscuros artigos de fé, e dos deveres e obrigações que a envolvem. Sem termos tido outros conhecimentos, e por termos crescido sob a única e exclusiva influência do estabelecido, somos levados a acreditar que, por subsistirem a tanto tempo, devem, necessariamente, ser verdade.

Um homem surgiu no horizonte sombrio, trazendo uma mensagem cheia de esperança, de amor e bondade, e o que a humanidade fez com isso? Transformou tudo em papel, verbosidade, negócio e poder! Será que Jesus quis que tudo isso fosse feito em seu nome? Dois mil anos transcorreram desde que o audacioso Jesus tentou, pela primeira vez na história da humanidade, libertar os homens do jugo oficial das igrejas, caracterizado por burocracia, leis e figuras eminentes, por inflexibilidade, conflito em matéria de exegese, por hierarquia e sua reivindicação de autoridade absoluta, pelo culto, idolatria e sectarismo. Jesus queria uma comunicação direta entre Deus e a humanidade e nunca tencionou patrocinar ambiciosas carreiras eclesiásticas.


Hoje já não ouvimos diretamente a voz de Jesus em sua forma natural. Ela é mediada por especialistas privilegiados e pela arbitrariedade de um corpo profissional. Jesus foi gerenciado, mercadejado, codificado e virou livro. Onde a fé viva e verdadeira foi substituída por crenças mesquinhas e intolerantes, baseadas num racionalismo clerical, os mandamentos de Jesus, de tolerância e amor ao próximo, desapareceram, assomando, em seu lugar, o dogmatismo e o fanatismo. A luta pela supremacia de uma "fé verdadeira" exclusiva deixou um rasto de revezes, violência e sangue no caminho percorrido pelas igrejas. Luta sem tréguas, desde o tempo dos apóstolos até nossos dias, e que ainda constitui o maior empecilho à reconciliação entre os vários credos cristãos.

O teólogo protestante Heinz Zahrnt escreveu: "Fiquei profundamente traumatizado em minha carreira de teólogo. Sinto-me aviltado, humilhado, insultado, desonrado, mas não por ateus, que negam a existência de Deus, nem por gente zombeteira ou incrédula, que, embora indiferente religiosamente, conserva no coração um sentimento de humanidade, mas sim por dogmatistas. Por eles e por seus pastores que seguem apenas a letra dos ensinamentos que consideram ser o único caminho para chegar a Deus. Fui ferido no ponto mais central, no ponto que, apesar de uma profunda melancolia, tem me mantido vivo: minha crença em Deus..."

A confiança no valor das experiências religiosas tende a decrescer com o desenvolvimento das capacidades intelectuais. A crença no racional e no provável ocupou o lugar reservado à fé luminosa e profunda como meio de captar a realidade. No processo de "amadurecimento" da sociedade moderna, o sentimento religioso é relegado ao âmbito do irracional, do improvável e, conseqüentemente, do irreal. Somente o pensamento lógico e a ação parecem determinar a realidade. A medida que cresce o nível educacional, as categorias transcendentais decrescem, deixando de ser objeto de experiências profundas. A principal causa desse equívoco é uma má interpretação do conceito de Deus. O divino não se coloca a uma distância utópica, mas dentro de cada um de nós, inspirando uma vida em harmonia com o Infinito e o reconhecimento de que nossa curta existência não passa de um momento da eternidade, da qual faz parte.

Durante séculos, o homem ocidental foi induzido a considerar-se uma criatura separada de Deus; e hoje, no "esclarecido" século 20, esse mesmo homem parece mais do que nunca incerto quanto às possíveis respostas às mais antigas questões sobre Deus e sobre o sentido da vida. Atualmente florescem em todo o mundo novos centros espirituais que, diante dessas questões, procuram oferecer uma solução não encontrada em uma igreja oficial intransigente. Está surgindo uma espécie de religião universal sincrética que se move na direção de uma plena auto realízação, através da contemplação, autoconhecimento e meditação em busca da iluminação religiosa e do entendimento místico-global da natureza cósmica que existe dentro de cada indivíduo.

O impulso decisivo para esse intimismo da religião nos veio, como sempre, do Oriente, e sobretudo da índia. A humanidade precisa, agora, "reorientar-se", no verdadeiro sentido da palavra; o Oriente é o berço de nossas mais profundas experiências.

Não devemos temer nem a morte de Deus, nem o declínio definitivo da espiritualidade e da moral. Ao invés, devemos aguardar a germinação da semente do espírito, a emergência do interior transcendental que até agora nos tinha sido prometido somente para depois da morte. Não devemos temer o fim da religiosidade, porque está se abrindo silenciosamente em nós a flor de uma consciência mística que não abrange apenas uma elite ou uns poucos "privilegiados", mas todo o contexto ecumênico de uma religião universal. A meta dessa religião não será um mundo "superficial" e transitório, nem colocará excessiva ênfase em aparências, mas se ocupará, inteiramente, em despertar uma espiritualidade baseada em valores transcendentais. Este é o verdadeiro caminho que nos "libertará do mal".

O conhecimento da verdade
destrói todo o mal.
Como o sol que brilha num céu sem nuvens,
o verdadeiro iluminado permanece firme,
apartando os véus da ilusão

Buda

Livro para download:

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Jesus Viveu na Índia - Innovation Webservices
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Comentário de Marcelo Estraviz em 25 maio 2010 às 23:44
hehehe, o "grande" aqui, agradece e retribui!
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 25 maio 2010 às 17:17
Comentário de Marcelo Estraviz 17 horas atrás
Querido Claudio, a título de provocação, retorno ao que comentei e que é o começo do título deste seu post: "Jesus: um grande netweaver...". Ao considerá-lo grande, estamos novamente hierarquizando-o. Deixe-o ser só mais um. Ou continuaremos repetindo o meme verticalizador, entende?


Marcelo, "embarcando na provocação":

E se pensarmos em grande como muito bom no ofício, um ótimo amador, nos termos do Fabiano e não como maior que alguém. Foi este o sentido do "grande" do título, que não impede a grandeza de muitos outros... Nem diminuí os demais....

Um GRANDE abraço.

Claudio
Comentário de Marcelo Estraviz em 24 maio 2010 às 23:47
Querido Claudio, a título de provocação, retorno ao que comentei e que é o começo do título deste seu post: "Jesus: um grande netweaver...". Ao considerá-lo grande, estamos novamente hierarquizando-o. Deixe-o ser só mais um. Ou continuaremos repetindo o meme verticalizador, entende?
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 24 maio 2010 às 18:34
Mais uma "Linkania" (gostei deste sinônimo do Estraviz para minhas "sinapses virtuais"):

Comentário de Augusto de Franco em 11 fevereiro 2010 às 8:16
Transcrevo abaixo o tópico intitulado Cultura Patriarcal do capítulo Conversações Matrísticas e Patriarcais do livro de Humberto Maturana e Gerda Verden-Zöller (1993): Amor y Juego: Fundamentos Olvidados de lo Humano - Desde el patriarcado a la democracia, traduzido e publicado no Brasil como Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano - Do patriarcado à democracia (São Paulo: Palas Athena, 2004).

CULTURA PATRIARCAL

Ler em:
http://escoladeredes.ning.com/group/bibliotecahumbertomaturana?comm...

Abraços.
Claudio
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 24 maio 2010 às 17:32
A motivação para propor “multiálogos (multi-diálogos)” sobre assuntos mitológicos / religiosos, ou os arquétipos de Jung, é por acreditar que formam a base Intangível / Tácita (em oposição ao que é Tangível / Explicito) dos Programas Verticalizadores, que “contaminaram” a Rede Mãe, usando a analogia informacional do Augusto de Franco. [1]

Parto da percepção de que foram as Mitologias / Ideologias (Lógicas baseadas em Mitos / Ídolos) criadas pelos Hierarcas / Reis / Sacerdotes – e, mais importante, conforme já observou o Marcelo Straviz, aceitas pelos seguidores destes Hierarcas / Reis / Sacerdotes - que viabilizaram as estruturas Palácios / Templos, expressões arquitetônicas, das Hierárquias que passaram a “parasitar” as Redes Sociais Naturais – a Rede Mãe.

Com base nesta percepção, só conseguiremos nos libertar da “Prisão Cultural” em que estamos, nos termos de Daniel Quinn, criada pelos Hierarcas / Reis / Sacerdotes, se identificarmos e revisarmos as Mitologias / Ideologias Hierarquizantes, as “Barras de nossa Prisão” (Quinn). Precisamos desistir destas Mitologias / Ideologias para reavermos nossa liberdade original.

Identificando-as e substituindo-as por Mitologias / Ideologias Conectivas e Diversificantes, ou em termos da Ciência da Complexidade, Holísticas / Sistêmicas (Capra), onde as Relações Sociais ocorram em um Ambiente com abundância de Atratores, nos libertaremos da ilusão que nos tem aprisionado, retornando ao convívio harmônico com Rede Mãe.

Ou, em termos do Augusto de Franco, quem conseguir propor Atividade / Tema que atraia colaboradores terá criado uma nova Agenda Compartilhada, uma nova Rede Social, que existirá enquanto a Atividade / Tema for um Atrator para colaboradores. Não existe limite para a quantidade de Redes Sociais convivendo => abundância. [1]

[1] Recuperei o trecho abaixo de um post do Augusto que acredito estar relacionado ao tópico que aqui proponho:

Memes e programas verticalizadores

Trecho de:
O OLHO DE HORUS
Postado por Augusto de Franco em 8 junho 2009 às 7:39
http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/o-olho-de-horus

Se os seres humanos deixados a si mesmos tendem a estabelecer laços horizontais entre si (assumindo a hipótese de Maturana, segundo a qual o humano, como tal, é inerentemente cooperativo, de vez que o que propriamente o constitui depende, para se constituir, de interações que exigem a coordenação mútua de ações e a interação amigável, baseada da aceitação do outro, como o linguagear e o conversar) então parece ser razoável afirmar que a origem das centralizações que foram introduzidas na rede social tem alguma coisa a ver com a replicação de comportamentos instruídos por programas verticalizadores.

É evidente que nem todos os memes são programas verticalizadores, mas todos os programas verticalizadores são memes. Não copiamos somente aquilo que desejamos. Freqüentemente, aliás, copiamos padrões de comportamento que não desejamos. Padrões que impedem o desenvolvimento (social) vêm se replicando há milênios por si próprios (ou como se assim fosse, quer dizer, uma vez usinados eles ganharam algum tipo de autonomia e se transmitiram). O ‘cetro’, a ‘coroa’, o ‘bastão’ e a ‘espada’, constituem exemplos de símbolos de padrões que se replicam há pelo menos seis milênios e que comparecem, por incrível que pareça, na maioria das atuais projeções futurísticas contidas nos romances e nos filmes de ficção ambientados em milênios vindouros... Sobre isso recomendo vivamente que você consulte o capítulo 8 do meu livro “Capital Social” (Brasília: Instituto de Política, 2001), intitulado “Sociedades de dominação e sociedades de parceria”, disponível on line no seguinte link: http://contexto2.blogspot.com

Temos dificuldade para entender essas coisas em função da cultura que carregamos. Nossa “wikipédia memética” está lotada de significadores replicadores que privilegiam e propagam determinadas interpretações baseadas na inevitabilidade da centralização, tais como as de que o homem é por natureza competitivo, de que sem hierarquia nenhuma sociedade ou organização poderia funcionar, de que a guerra é algo que se pode superar com mais-civilização (quando, na verdade, o que chamamos de civilização nasceu com a militarização e suas formas de estruturação do poder – como o Estado-nação – são frutos da guerra). E o problema é que essa “wikipédia” não está arquivada somente nos nossos cérebros e sim na rede social que foi vítima de seguidas centralizações, em razão, justamente, da replicação de memes verticalizadores.

O “computador” de que fala Dawkins (naquela sua metáfora do hardware/software que citei acima) não é o cérebro do indivíduo da espécie humana (cuja construção foi instruída pelos genes) e sim a própria rede social (que foi invadida e modificada sob instrução dos memes). Sim, o software modificou o hardware de uma maneira mais profunda do que perceberam os neodarwinistas. O processo não teve como resultado apenas a inflação do cérebro e sim a mudança da estrutura do que chamamos de sociedade, impondo uma nova dinâmica às fluições.

Mas ao contrário do que se acredita, os softwares não são “menos reais” do que os hardwares. Tudo o que “roda” na rede social existe. E todo esse processo é material, no sentido de que uma modificação no espaço-tempo dos fluxos (no multiverso das redes sociais) envolve alguma modificação no comportamento de partículas mensageiras de algum campo de força no espaço-tempo físico (a menos que queiramos considerar que bósons sejam menos reais do que átomos, o que seria uma tolice). Em outras palavras, qualquer transmissão de informação pressupõe uma partícula mensageira (como um fóton, por exemplo, no campo eletromagnético) “deslocando-se” do emissor ao receptor. Sem ele eu não posso ver o Olho de Hórus e ele também não pode me “ver”, quer dizer, me incomodar. E não pode – eis o ponto – transmitir informações capazes de construir e replicar comportamentos coletivos que alteram a dinâmica social.

Assim, por exemplo, os deuses – como Hórus – existem sim, e não apenas na mente dos crédulos. Como memes, os deuses são softwares que “rodam” na rede social (modificando sua estrutura e sua dinâmica).

Não cito os deuses antigos por acaso. Eles são exemplos dos primeiros memes como programas verticalizadores. Eles foram necessários à ereção do poder vertical (como os deuses sumérios, que se replicaram em todos os panteões posteriores das civilizações patriarcais e guerreiras, como a egípcia ou faraônica, em cujo panteão Hórus tinha assento). Deuses não-humanizados levam necessariamente à sistemas de dominação.

Os milênios se passam e o Olho de Hórus continua lá nos olhando... e incomodando. Não é incrível?

Abraços.
Claudio
Comentário de Claudio Estevam Próspero em 24 maio 2010 às 12:59
Marcelo, olá.

Obrigado pelas "trilhas de pesquisa":

>>>> Os Cristãos Primitivos Tinham uma Organização Central e Dominante?

>>>> Primeiro Concílio de Niceia

Primeiro Concílio de Niceia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Primeiro Concílio de Niceia ocorreu em 325, durante o reinado do imperador romano Constantino I, o primeiro a aderir ao cristianismo.

Considerado como o primeiro dos três concílios fundamentais na Igreja Católica[1], foi a primeira conferência de bispos ecuménica (do Grego oikumene, "mundial") da Igreja cristã. Lidou com questões levantadas pela opinião Ariana da natureza de Jesus Cristo: se uma Pessoa com duas naturezas (humana e Divina) como zelava até então a ortodoxia ou uma Pessoa com apenas a natureza humana.

Índice

• 1 Localização e participantes
• 2 As questões doutrinárias
• 3 Historiadores do Concílio de Niceia
• 4 O carácter, a sociedade, e os problemas
• 5 Os procedimentos
• 6 A profissão de Fé e os cânones do Concílio de Niceia
• 7 Notas
• 8 Ver também

Data: 20 de maio de 325 - 19 de junho de 325

Aceito por Católicos, Ortodoxos e Protestantes

Concílio anterior Concílio de Jerusalém

Concílio seguinte Primeiro Concílio de Constantinopla

Convocado por : Imperador Constantino

Presidido por Bispo Alexandre de Alexandria ou Osio Bispo de Córdoba

Afluência 250-318

Tópicos de discussão Arianismo, celebração da Páscoa, cisma deMilécio, batismo de heréticos e o estatuto dos prisioneiros na perseguição de Licínio.

Documentos O Credo Niceno original, os cânones

Todos os Concílios Ecuménicos Católicos

Creio que o Jesus histórico era um Netweaver [1] pois suas idéias não eram Inovadoras: para mais detalhes ver:

>>>> História do conceito de Deus - Qual a relação entre Moisés e Akhenaton ?
http://sinapsesgaia.blogspot.com/2010/03/historia-do-conceito-de-de...


>>>> "Jesus Viveu na Índia": A desconhecida história de Cristo antes e depois da crucificação
http://sinapsesgaia.blogspot.com/2010/04/jesus-viveu-na-india-desco...

Ressalto os pontos abaixo:

Trecho sobre o livro:
KERSTEN, Holger. Jesus viveu na Índia: A desconhecida história de Cristo antes e depois da crucificação. Rio de Janeiro: Editora Best Seller, 2005.

Os livros falam sobre o nascimento de um menino "divino" em Israel chamado Issa, que aos catorze anos chega à região do Indo a fim de estudar o budismo. Por criticar a sociedade de castas do Hinduísmo é pressionado a sair, e segue para o Nepal (onde passa seis anos) e para a Pérsia.
(...)
A seguir, faz considerações sobre Moisés, a origem e evolução histórica dos hebreus, e, baseado em livros de Helena Petrowna Blavatsky, levanta a hipótese de os israelitas terem chegado à Índia, possivelmente durante o reinado de Salomão, o que explica o conhecimento que a população da Caxemira tem de sua passagem, bem como os costumes em comum que eles possuem com os judeus, como não usar gordura animal e vegetal para frituras e assados, preferência por peixe cozido, o hábito de as mulheres passarem quarenta dias sem tomar banho ao gerar um filho, os homens usarem o solidéu judaico, e a língua falada na Caxemira foi fortemente influenciada pelo hebraico, o que a diferencia das outras línguas indianas.

Traça também um paralelo entre a vida de Buda e a de Jesus, mostrando profunda semelhança entre seus modos de vida e ensinamentos, como o fato de ambos começarem a pregar com aproximadamente a mesma idade, escolherem a pobreza como modo de vida, pregarem através de parábolas, terem como primeiros seguidores dois irmãos, ambos foram traídos por um discípulo; como Cristo criticava os fariseus, Buda criticava os brâmanes, ensinam a pagar o mal com o bem, não acumular riquezas, entre outras semelhanças.

O fato dos evangelhos nada narrarem sobre a vida de Jesus entre seus doze e vinte e nove anos, torna possível que nesse ínterim ele tenha adquirido vastos conhecimentos sobre filosofia oriental. O mundo helenizado de sua época também favorecia isso, já que em Alexandria, no Egito, haviam mestres budistas. O batismo por imersão na água também é uma tradição que provem da Índia, cuja prática era comum na Judeia, onde antes a remissão de pecados era obtida através do derramamento (sacrifício) de sangue.

Também é feito um paralelo entre Jesus e krishna (um dos principais deuses do hinduísmo). Krishna ensinava por parábolas, pretendia reformar a religião existente assim como Jesus queria fazer em relação ao judaísmo; ele ensinava amor ao próximo, falava da misericórdia de um deus criador, vivia na pobreza e levava uma vida de peregrino. Alem dele, a religião persa de Zaratustra e o culto a Mitra, deus morto e ressuscitado, também exerceu ampla influência sobre o Cristianismo.
(...)



Trecho sobre o livro:

Anos Perdidos De Jesus, Os

Autor: CHOPRA, DEEPAK
Tradutor: MORAIS, FABIANO
Editora: SEXTANTE FICÇAO

Este livro não é sobre o Jesus presente no Novo Testamento, mas sobre o que ficou de fora da narrativa bíblica. Os autores dos evangelhos nada falam sobre “os anos perdidos” de Jesus – como é conhecido o período compreendido entre os 12 e os 30 anos de sua vida. Na realidade, Jesus desaparece antes disso, pois o único incidente relatado após as narrativas de seu nascimento (encontrado apenas no evangelho de São Lucas) é o de que, aos 12 anos, ele se perde dos pais durante a Páscoa, em Jerusalém. José e Maria já estavam no caminho de volta para casa quando deram pela falta do menino. Ansiosos, eles refizeram seus passos e encontraram o filho Yeshua (como ele era chamado em hebraico) debatendo sobre Deus com os sacerdotes do templo. Salvo esta menção extraordinária, a infância e a juventude de Jesus são praticamente uma incógnita.

Contudo, outro Jesus foi deixado de fora do Novo Testamento – o Jesus iluminado. Sua ausência, a meu ver, debilitou de forma profunda a fé cristã, pois, por mais singular que seja Cristo, fazer dele o único Filho de Deus deixa o restante da humanidade desamparada. Um grande abismo separa a santidade de Jesus da nossa mediocridade. Milhares de cristãos aceitam essa separação, porém, ela não precisa existir. E se Jesus desejasse que seus seguidores – e até mesmo nós – desfrutassem a mesma comunhão com Deus alcançada por ele?

Minha história parte da premissa de que esse era o seu desejo. Ao acompanhar a busca do jovem de Nazaré em seu caminho para se tornar o Messias, pude traçar um mapa da iluminação. Não precisei, no entanto, inventá-lo. A iluminação sempre esteve presente em todas as eras. O caminho que leva do sofrimento e da separação à glória e à comunhão com Deus é bastante conhecido. Coloquei Jesus nesse caminho por acreditar que ele o trilhou. Obviamente, inúmeros cristãos convictos discordarão de mim, às vezes com veemência. Eles fazem questão de que Jesus permaneça singular, o único homem que também era Deus. No entanto, se Jesus pertence ao mundo – como eu acredito que pertença –, sua história não pode excluir todas as outras pessoas que alcançaram a
consciência divina. Neste romance, Jesus continua sendo um salvador, mas não é o salvador.

Jesus como netweaver:

Segundo esta concepção:

Comentário de Claudio Estevam Próspero em 12 setembro 2009 às 13:33
Augusto e demais pares envolvidos com este assunto (uma de nossas agendas compartilhadas?).

Estive meditando, no sistema Anhanguera/Bandeirantes, esta manhã, enquanto dirigia no caminho para Ribeirão Prêto [1], sobre o que é ser NETWEAVER.

Uma frase se apresentou e parece-me muito relacionada ao assunto:

"Em Redes Sociais não se caça borboletas (amigos, parceiros, potenciais clientes, etc.), o que se faz é cuidar bem do Jardim."

Ouvi esta frase em uma apresentação do José Moniz, da ICS, alguns dias atrás.

http://escoladeredes.ning.com/profiles/blog/show?id=2384710:BlogPos...

Sem dúvida as reais mensagens de Jesus "continuam atraindo borboletas"

Um abraço.
Claudio
Comentário de Marcelo Estraviz em 23 maio 2010 às 9:12
Claudio, em conversas com um amigo meu achei este link: http://www.adventistas.com/fev2000/art02020002.htm (Os Cristãos Primitivos Tinham uma Organização Central e Dominante?) Tudo leva a crer que o concílio de niceia foi mesmo um momento centralizador e hierarquizante. Também vale citar que isso não fazia dos cristãos primitivos uns bacanas. Eram misóginos, discutiam se os gentios antes de cristãos, deveriam converter-se primeiro ao judaismo, e os evangelhos, todos escritos após a morte de jesus, resultado da tradição oral, geravam informações bem hierarquizantes. Eu diria que jesus, se é que existiu nos termos do que lemos sobre ele, era antes de tudo um inovador, pensando as 3 hipóteses que augusto comenta (netweaver, hub ou inovador). jesus soltou ideias na rede á época. E essas ideias foram esparramadas por outros. Ele não foi um tecelão, muito menos um conector. Aliás, ao alçar jesus ao "cargo" de grande netweaver, estamos hierarquizando-o, diminuindo-nos. Eis o contante erro que cometemos, plugados no software que gera hierarquia.

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