Escola de Redes

Governança

Não é uma rede, mas a forma como, em rede, se compartilha o poder

 

 

Pesquisando sobre governança consegui algumas definições e conceitos embasadores que aproveito para compartilhar com a Escola de Redes. Muito tem se falado por aqui sobre Governança em Redes, mas o que é esse conceito e qual seu alcance na sociedade e nas relações de negócios?


Uma definição aceita para Governança é o conjunto de processos, costumes, normas, políticas que regulam a administração ou controle do Estado ou organizações. O conceito tomou forma nos anos 90 nos Estados Unidos para disciplinar e limitar abusos da Diretoria Executiva das empresas. A expressão “governance” ganhou corpo a partir das reflexões conduzidas pelo Banco Mundial “tendo em vista aprofundar o conhecimento das condições que garantem um Estado eficiente”.

 

 

Sociedade e os desafios da modernidade

Um contexto relevante aponta para as transformações da sociedade contemporânea e como elas se relacionam com a ciência e tecnologia de forma interativa, influenciando-se mutuamente.


Os sistemas e tecnologias podem ser entendidos como “sistemas de excelência técnica ou competência profissional que organizam grandes áreas dos ambientes material e social em que vivemos hoje”. Entretanto Governança dedica sua atenção a uma parte desses sistemas, mais especificamente daqueles cuja existência ou operação demandam riscos mais amplos à sociedade.


No entanto para admitir e conviver com tecnologia e seus riscos, cabe à sociedade uma dose de confiança nesses sistemas. Confiança nesse sentido “deve ser compreendida especificamente em relação ao risco, um termo que passa a existir apenas no período moderno. A noção se originou com a compreensão de que resultados inesperados podem ser uma conseqüência de nossas próprias atividades ou decisões. A confiança pressupõe a consciência das circunstâncias do risco, o que não ocorre com a crença.“

 

Governança e Redes Sociais

O aparelho de Estado e a forma como os grupos se organizam em torno de seus interesses vêm acompanhando e refletindo a evolução dessa nova realidade da sociedade contemporânea em  seu processo de modernização.


A evolução recente da organização do Estado, especialmente na formulação e execução de suas políticas públicas, vai ao encontro dos conceitos e das práticas de governança verificados.


Uso aqui o texto do próprio Augusto de Franco (Três Gerações de Políticas Sociais) identificando as Políticas sociais desenvolvidas a partir do século XXI e como elas vêm se desenvolvendo a partir de uma nova relação entre Estado e sociedade configurando uma verdadeira “reforma” nas políticas públicas. Essa reforma vem se configurando com as seguintes características:

  1. A expansão de uma esfera pública não-estatal;
  2. O crescimento de um chamado terceiro setor;
  3. O surgimento de novas idéias e práticas de responsabilidade social por parte de empresas e instituições da sociedade civil;
  4. A progressiva mudança da configuração da sociedade hierárquica para uma sociedade-rede; e
  5. A construção de novos desenhos públicos, mais compatíveis com essa nova configuração da sociedade – os chamados programas inovadores: focalizados, flexíveis, que desencadeiam inovações capazes de alterar seu desenho original, baseados em múltiplas parcerias, preocupados com monitoramento e avaliação constantes e voltados para a conquista da sustentabilidade. (FRANCO, 2003 p.19)

 

Neste ponto chegamos às Redes Sociais e como se expressam no exercício da Governança. Sua operacionalização tem a ver com auto-organização de redes que substituem e complementam as funções das hierarquias e mercados ou co-existem com eles.


Dessa forma não se entende o exercício da Governança sem articulação em Redes de atores sociais e/ou, vá lá, de outras instituições. A forma como se divide o poder, o compartilha e comunica às partes interessadas, os chamados stakeholders, deve se utilizar dos conceitos de redes sociais e capital social estudados aqui na Escola de Redes.


Governança Ambiental e Governança de Riscos

Minha análise e interesse é analisar a governança abrange as questões de risco ambiental e como ela se exerce.

Espero expor essas questões num próximo blog.


Agradeço as críticas e contribuições.

Grande abraço



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Comentário de RICARDO BORGIANNI em 5 abril 2013 às 5:32

Achei suas ideias muito bem organizadas e esclarecedoras. Ótimo texto Gilberto, grato por compartilhar.

Abraço

Ricardo

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