Escola de Redes

Este texto foi escrito para uma Oficina de Formação de Facilitadores de Redes pela Educação Infantil.
Gerir é administrar, dirigir, governar. Então seria este o termo mais apropriado para as redes sociais? Do mesmo modo que “governança”, este termo está muito associado a organizações com outro tipo de estrutura, a piramidal, em que as ações são geridas a partir de referenciais instituídos, tais como: funções das pessoas (quem é chefe de quem), departamentos ou áreas de atuação, metas institucionais estabelecidas. Quanto mais rígida é uma organização, mais ela é instituída, burocrática e resistente a mudanças. Por isso, neste tipo de organização as mudanças acontecem somente quando se instaura alguma crise institucional.
Já as organizações que optam por um modelo colegiado, com decisões compartilhadas e incentivo à autonomia e participação, têm um movimento instituinte e, nelas, as mudanças acontecem de modo natural sem grandes traumas e conflitos.
E as redes? As redes têm um movimento permanente de criação e mudança, em que acordos vão sendo decididos a partir de necessidades identificadas pelos integrantes, as quais sempre estão relacionadas com a realização de seu propósito, sua idéia-força. Na verdade, as redes são a mudança, como diz Augusto de Franco , justamente porque nascem e se desenvolvem a partir de novos referenciais, opostos aos das organizações piramidais. Nas redes não há chefes, há multiliderança, o processo decisório é coletivo e consensual; portanto, participação, cooperação e autonomia são primordiais.
Pode parecer ilusório, utópico, mas não é.
Leia o texto completo e dê sua opinião. Gestao_Redes_Celia.pdf

Exibições: 57

Comentar

Você precisa ser um membro de Escola de Redes para adicionar comentários!

Entrar em Escola de Redes

Comentário de Claudio Estevam Próspero em 12 setembro 2009 às 22:23
Comentário de Sergio Storch em 11 dezembro 2008 às 14:50
Oi Célia
Acho que você trouxe à superfície a premissa que nos faz discordar:
" as redes sociais são, em minha opinião, sempre regidas pela ética."
Acho que não necessariamente. E acho que não há "a ética", e sim "éticas" (uma rede de pedofilia tem também a sua ética, fundamentada em princípios aos quais você e eu não aderimos.


Lamento ter chegado tarde nesta discussão.

Mas acho que aqui cabe a visão de ètica do Paulo Freire, a ètica Humana, que entendo se aproxima do defendido pelo Silvio.

Um abraço.
Claudio
Comentário de Célia Schlithler em 15 dezembro 2008 às 7:20
Oi Vivianne! Eu também estou gostando de voltar a conversar com você! Gosto muito deste seu olhar atento para as questões da comunicação nas redes. As redes comunitárias com que trabalho utilizam pouco a comunicação virtual e este uso está associado ao contexto das comunidades. Em comunidades que estão em municípios bem pequenos, onde pouquíssimas pessoas têm computador e acesso à Internet, os integrantes das redes se encontram "na rua" com facilidade e chegam a ir de casa em casa para comunicar quando será a próxima reunião (quase sempre mensais). O que tem sido interessantíssimo nestes casos, é que os gerentes dos projetos que estão no Idis aqui em São Paulo penaram para manter a comunicação com eles que estão lá no sul da Bahia - o acesso por telefone também não é tão simples. Porém, se tem uma coisa que existe em todos os lugares que vou, mesmo os mais encondidos, é uma Lan House! E, apesar dos comunitários não terem o hábito de acessar e-mail, eles estão no Orkut! O gerente de um dos projetos descobriu que a melhor maneira de conseguir efetivar um contato era deixando um recado na comunidade que eles criaram no Orkut para a Rede...
Em casos de comunidades que estão em cidades mais desenvolvidas, há mais comunicação por e-mail, a maior parte destinada a dar avisos. A comunicação por e-mail para a construção coletiva é pouco frequente - há casos de faciltadores que combinam pautas de reuniões por e-mail, por exemplo. Os grupos de faciltadores têm o hábito de se reunir pelo menos uma vez por mês (veja um exemplo no site da Rede Sementeira - que ajudei a formar quando era consultora do Instituto C&A.
As redes comunitárias não são redes que têm por principal objetivo a construção de conhecimento, embora todas valorizem muito seu processo de aprendizagem. Acho que este é um dos motivos de haver necessidade de encontros presenciais, onde são avaliadas as ações realizadas e planejadas as seguintes, o que, em minha opinião, é mais difícil fazer virtualmente. Há um forte vínculo entre os integrantes das redes e atribuo aos encontros presenciais boa parte deste resultado. Na verdade, não consigo imaginar as redes com que trabalho tomando decisões e fortalecendo-se para agir em prol de suas causas sem este processo de contrução coletiva presencial. Um beijo!
Comentário de Vivianne Amaral em 14 dezembro 2008 às 20:04
Corrigindo:
Comparando as redes predominantemente presenciais com aquelas cuja comunicação é em grande de parte mediada pelas tecnologia da internet que diferenças vc vê nos processos de articulação e sustenção da produção coletiva?
abraços
Vivianne
Comentário de Vivianne Amaral em 14 dezembro 2008 às 20:02
Célia, poder conversar com vc sobre redes é uma opottunidade :-).
As redes com que trabalho, que chamo de redes operativas, tem a comunicação mediada pela internet(pensando no conjunto de tecnologias de comunicação e interação disponíveis). Estas redes comunitárias com que trabalhas têm a internet como suporte da comunicação? Em que grau a conversa é telemática, virtual? Me pergunto sobre as intervenção que a tecnologia faz no processo de interação social.
Comparando as redes predominantemente presenciais com aquelas cuja comunicação é em grande de parte mediada pelas tecnologia da internet vc vê nos processos de articulação e sustenção da produção coletiva?
abraço
Vivianne
Comentário de Sergio Storch em 12 dezembro 2008 às 16:18
Oi Célia e Sílvio
Grato pelos comentários. O tema da ética vs moral é uma das questões filosóficas sobre as quais quero aprender mais. Mas continuo achando que ética é uma construção social, e assim pode variar de grupo para grupo, mesmo que possam conter alguns ingredientes universais. E considerá-la como absoluta me parece trazer o perigo de manipulação, pois restringe o espaço de negociação do entendimento do que é certo ou errado. Por exemplo, lembram do "ame-o ou deixe-o"? Em nome do patriotismo, muitas pessoas verdadeiramente éticas foram ao sacrifício.
Acho que, em se tratando de horizontalidade e justiça, que são imprescindíveis para a sustentabilidade de redes sociais, o quanto menos usarmos conceitos que se prestam a jogos de poder, melhor.

Mas será que, para a nossa aprendizagem coletiva sobre redes sociais, precisamos concordar nisso? Acho que não. Por outro lado, é uma polêmica bem bacana, e estou bem gratificado em participar dela.

Abraços
Comentário de Célia Schlithler em 12 dezembro 2008 às 14:13
Oi Silvio! Enquanto você escrevia seu comentário, eu respondia ao da Vivianne...
Eu concordo com sua visão sobre a ética e gosto da afirmação do Bernardo Toro: "ética é a arte de escolher o que convém a vida digna de todos, isto é, é fazer possíveis todos os direitos humanos".
Será que meu texto deu a impressão de que considero que onde há gestão há hierarquia? O texto é sobre a gestão das ações das redes, que são horizontais e, portanto, podem geri-las sem cair no padrão das organizações piramidais.
Abraço!
Comentário de Célia Schlithler em 12 dezembro 2008 às 14:03
Oi Vivianne! Obrigada por opinar! Suas ponderações são muito interessantes.
De fato, tudo que diz respeito às redes está em construção. E os diferentes objetivos das diversas redes demandam diferentes visões de gestão.
Meu trabalho tem sido com a formação de facilitadores de redes comunitárias, que têm objetivos expressos em idéias-força (a causa ou bandeira), definidas a partir de um processo de construção coletiva muito rico. É muito importante que eles percebam as muitas possibilidades de ações em prol deste grande objetivo e como é possível geri-las fortalecendo os princípios democráticos de uma rede.
Um abraço!
Comentário de Vivianne Amaral em 12 dezembro 2008 às 10:39
OLá Célia,o texto é bem interessante e expressa uma metodologia para acionamento de redes.
Na minha abordagem do tema, os processos demandam coordenação e facilitação, que deve ser qualificada e superar o par dominação-subordinação, atuando numa dinâmica de autonomia-interdependência; os participantes são assimétricos tanto nas habilidades e conhecimento, quanto nos interesses de adesão.
Tenho observado que entre as potências que o padrão rede traz aos processos coletivos, aquelas que serão acionadas e desenvolvidas numa determinada rede dependem muito do contexto, da cultura dos participantes e dos objetivos de quem aciona.
No TS, aparentemente as questões relativas à democracia e horizontalidade, são elementos muito importantes, apesar de que muitas vezes não realizados. Em outros contextos, a facilidade que a estratégia rede traz para a gestão do conhecimento e da informação são mais importantes, em alguns, a possibilidade de coordenação à distância é o grande atrativo.
Penso que temos princípios que vão se atualizando ou desenvolvendo de forma muito plástica, em situações reais, no aqui e agora.
abraços
Vivianne
http://nutriredes.wetpaint.com/
Comentário de Sergio Storch em 11 dezembro 2008 às 14:50
Oi Célia
Acho que você trouxe à superfície a premissa que nos faz discordar:
" as redes sociais são, em minha opinião, sempre regidas pela ética."
Acho que não necessariamente. E acho que não há "a ética", e sim "éticas" (uma rede de pedofilia tem também a sua ética, fundamentada em princípios aos quais você e eu não aderimos.
Mas desculpe: não quero esticar a discussão. Gostei muito do artigo, e acho que ele traz elementos enriquecedores para uma governança em rede.
Aliás, o tema "governança em rede" merece uma discussão bem aprofundada. Que tal em fevereiro?
Comentário de Célia Schlithler em 11 dezembro 2008 às 14:15
Olá Sérgio! Que bom que você gostou do artigo!

Então... você está tocando em questões que são sempre discutidas. Entendo o que você quer dizer com "do bem" e "do mal", mas não compartilho muito desta forma de dividir as coisas.

Quanto a Al Qaeda e o PCC - outra pergunta que sempre me fazem - eu não vejo como compará-los com as redes sociais. Antes de tudo por que as redes sociais são, em minha opinião, sempre regidas pela ética. Depois, justamente porque esses dois exemplos são de organizações altamente hierárquicas, com evidentes relações de poder.

Sobre os termos gestão e governança não tive intenção de estigmatizá-los, pois sou muito favorável a que sejam feitos investimentos para melhorar a gestão de organizações sociais. Por querer marcar as diferenças, acho que acabei dando um tom meio radical. Foi bom você ter me alertado.

Agora, nesta questão sobre alguém ser chefe de alguém nas redes, mesmo que seja uma chefia situacional, não concordo não.

Obrigada pela dica do livro. Vamos nos falando e espero que você possa ir ao encontro de fevereiro.

Abraço,

Célia

© 2017   Criado por Augusto de Franco.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço