Escola de Redes

“Viver é contato. E o foco em Gestalt-terapia está na qualidade de contato, isto é, na precisão, na energização, na fluidez, na disponibilidade e abertura, no ritmo e na discriminação. Ver é contato, ouvir é contato, pensar é contato, ter consciência é contato sempre que se tem consciência de alguma coisa; mover-se é contato, manipular, falar, lutar, qualquer tipo de relação viva que ocorre na fronteira do eu - não eu. Contato é o processo contínuo de reciprocidade em que o homem e o mundo se transformam. O contato é uma ocorrência de fronteira, fronteira eu-não eu, conhecido-desconhecido, velho-novo. A fronteira de contato é dialeticamente ao mesmo tempo o ponto de divisa e o ponto de união, uma fronteira que nada tem de físico, que não é fixa mas que, à medida que delimita, possibilita o encontro com o novo, o diferente. É na fronteira que pode ocorrer mudança, transformação. Contato e fronteira de contato dizem respeito ao campo organismo / ambiente no qual o homem é uma parte. Visto em si mesmo, o campo organismo / ambiente por sua vez, é um todo composto de partes ou dimensões que podemos chamar de orgânica, emocional, cultural, intelectual. O campo organismo / meio ambiente tem memória, isto é, acesso a experiências passadas; tem imaginação, isto é, acesso a experiências virtuais; tem inteligência, isto é, acesso ao abstrato, ao simbólico. O campo organismo / meio ambiente é um sistema onde as partes são inter-relacionadas dinamicamente numa perspectiva de organização e auto-regulação que visa um equilíbrio também dinâmico. Suporte é a inter-relação desse todo. Para poder exercer, por exemplo, a função de contato que é falar, preciso de um substrato anatômico de boca, língua, cordas vocais, de um substrato fisiológico de respiração e circulação, de um substrato cultural que é uma língua que saiba falar, de um substrato intelectual que possibilite a articulação do meu pensamento e, finalmente, de um outro que se dispõe a me ouvir. Suporte é tudo isto. Inclui fisiologia, postura, coordenação, equilíbrio, sensibilidade, mobilidade, linguagem, hábitos, costumes, habilidades e aprendizagens, experiências vividas e defesas adquiridas ao longo da vida. Este é o suporte, o auto-suporte, essencial para o contato. Se o contato sempre se dá no aqui e agora, o suporte se fundamenta no conjunto dos recursos desenvolvidos ao longo da história pessoal de cada um. O contato se passa na fronteira eu - não eu; o suporte é tudo que se tem à disposição para este contato ser pleno e vivificante.” Therese A. Tellegen, em As Psicoterapias Hoje, 1982.

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