Escola de Redes

Egeu me Convidou porque eu comentei o Post dele

Egeu

O texto modificado ficou muito bom. Você acaba de introduzir na nossa comunidade o tema das redes tecnológicas e isto é de fundamental importância.

Vou acrescentar alguns aspectos que acredito significativos na discussão levantada por vc. Faço via mail, porque não conhecia o dispositivo “overBlog”, o qual navegarei para curtir, e acho que ficou grande para um comment.

1- Algumas características dos nós das redes tecnológicas, (redes distribuídas e conectadas de forma permanente).

- A crise do Iluminismo fortemente marcada no final do Séc. XX com o fim da experiência do Socialismo Real, levou a pensamento humano a se perguntar pela questão da História. O trabalho de Francis Fukuyama em seu consagrado livro “O Fim Da História” levantou o tema em todo o mundo contemporâneo e mostrou de forma aguda, alguns pressupostos de um comportamento pós-moderno em nossas sociedades.

- A Pós-modernidade passou a se constituir numa expressão de sentimentos e atitudes onde a temporalidade deixava de ser considerada. O pós-moderno é de fato, a manifestação de sentimentos e ações instantâneas, sem compromisso com o que as engendrou antes e muito menos com as conseqüências que delas poderão surgir.

- Tais comportamentos encontraram nas redes um lócus satisfatório para se manifestarem em torno de um mundo dos interesses. O que mobiliza nas redes é o INTERESSE. As tribos se formam ou se diluem em função do menor ou maior interesse que propiciam em suas configurações e motivos, explícitos ou não. A irrefutável prova se dá pelo volume de insucessos ocorridos na Internet nesses menos de vinte anos de existência: muitos milhões de iniciativas paralisadas, mortas, abandonadas, sejam em sites, comunidades, Blogs, etc.

- Os indivíduos digitais, como os chama Nicholas Negroponte, os agentes desta nova cidadania, em sua ampla maioria sequer percebem o fenômeno da COLABORAÇÃO! É na colaboração que as redes distribuídas forjam sua própria maneira de existir, que o processo civilizatório se reconstrói em busca de ineditismos ainda não vivenciados.

- Faço estas considerações para chamar atenção ao termo CAUSA. Lá colocado como um ideal, projetos a serem alcançados, etc. Coisa que seria muito próxima do nosso iluminismo agonizante.

- Nenhum problema com esta nova contradição dialética entre interesse e colaboração. Ao contrário, vejo como um processo de resolução dos próprios processos que a rede possibilita. As interfaces se produzem e se reproduzem a partir desta contradição.

2- Neste Processo dialético as Redes já são Poder.

- Claro que ainda não são Poder político, mas a apropriação do tempo muito próxima do tempo real, faz com que a geração de valor para a nova sociedade já esteja colocada, propondo um novo Modo de Produção Social. Estamos diante de uma nova base técnica que “empurra” a produção social para uma nova forma de organização e conseqüentemente engendra uma nova sociedade e uma nova Polis. Curiosamente, quando se cria e agrega valor consistente nas redes, os seus resultados são produtos e serviços sem precificação, eh eh! (O Google é de graça).

- Estamos nestes dias vivendo a maior crise financeira que jamais existiu na História devido a capacidade que os capitais financeiros conquistaram, graças ao uso intenso das redes distribuídas, de decisão em tempo real sem qualquer empecilho da Geografia. Aquilo que a velha mídia chama de Globalização, sem perceber, ou desconfiando, mas escondendo que o fenômeno da Globalização é muito maior que o Jogo dos títulos financeiros.

- As tribos formadas são demografias, onde cada vez mais importa menos a geografia que os contém. (na nossa tribo, por exemplo, as pessoas se imaginam organizadas em torno de questões pertinentes ao Rio de Janeiro).

- O grande desafio de nossa comunidade é exatamente a Política. É nisto que está contido todo o seu potencial e ao mesmo tempo toda a sua dificuldade. Fazer a nova Política em rede é uma proposta ainda muito complexa pelo pouco tempo de experiência e convivência nas redes. (algum sucesso com Obama e Gabeira, não conheço outros cases).

- A Ética iluminista é com certeza inócua para sustentabilidade das comunidades virtuais. As decisões e movimentos éticos serão construídos na colaboração que as redes impõem às comunidades. No nosso caso, novos comportamentos civilizatórios ainda inimagináveis.
Grande abraço e parabéns

Raulino Oliveira

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