Escola de Redes

Educação - Um Tema para Debate aqui na Escola de Redes.

Segue o relato de uma professora do ensino primário que elucida de forma clara e até bem humorada, porque têm sido péssimos os resultados do Brasil nas avaliações internacionais em matemática.

Semana passada comprei um produto que custou R$ 1,58.
Dei à balconista R$ 2,00 e peguei na minha bolsa 8 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar 50 centavos de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.
Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950 até os dias atuais:

1. Ensino de matemática em 1950:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de
venda ou R$ 80,00.
Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO
6. Ensino de matemática em 2008 :

Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

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Comentário de Nilton Lessa em 23 dezembro 2008 às 16:44
Olá Maria e Raulino,

Complementando o pensamento de Raulino sobre o “ desafio pra quebrar a hierarquia no aprendizado”, a ação que julgo essencial é pautar o processo do “educar-se” nas escolhas e interesses das crianças e jovens, que é o que fazemos aqui na Moleque de Idéias há 12 anos, com excelentes resultados. Pode-se construir um modelo de aprendizagem mais eficiente, quando às pessoas que desejam aprender é dado o direito de expressarem “o que querem aprender”. O direito de serem protagonistas do seu processo de formação; usufruir do prazer de aprender ou construir algo que os interessa; e serem capazes de superar todas as dificuldades e obstáculos que surgem quando qq pessoa quer dominar ou aprender algo.

De fato, um ambiente de criação e aprendizagem baseado neste pressuposto se auto-organiza essencialmente como uma rede, evidente está. Se olharmos este ambiente educacional sob os olhos de um engenheiro de produção, revela-se que o modus-operandi, as necessidades de gestão, e as formas de comunicação entre os atores constituintes da rede( crianças, adultos-pais, adultos-tutores/colaboradores) são muito diferentes de um ambiente hierarquizado.

Abraços, e um Feliz Natal!
Comentário de Raulino Oliveira em 17 dezembro 2008 às 19:58
Maria, é isso aí. Pensar formas criativas na educação! Derrotar todas as alternativas disciplinares nos processos educacionais. Usar muito vídeo. Vídeos de pequena duração. Estimular os que estão aprendendo a que tb façam vídeos.
Imagino um projeto com estas intenções na chamada educação fundamental.
Criar vídeos do tipo: "Aprendendo a Ler"; "Aprendendo a Fazer Contas", "Como é o nosso Bairro?", etc.
Seria um desafio pra quebrar a hierarquia no aprendizado.
Enfim, sonhar tb é preciso.
Abraço

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