Escola de Redes

Distance Is Not Dead: Social Interaction and Geographical Distance in the Internet Era

O “mundinho” da internet

Estudo defende que, embora tenham acesso a um mundo de culturas e povos, os internautas usam a rede é para se comunicar com quem está bem perto

Felipe Polydoro / AMANHÃ

Um estudo divulgado na semana passada pela universidade Hebrew, de Israel, comprova algo que muitos pesquisadores da cibercultura vêm repetindo há tempos: os usuários de internet se comunicam, via web, principalmente com pessoas que estão próximas deles. A pesquisa vai mais longe: evidencia estatisticamente que a comunicação online é diretamente proporcional à distância física. Quanto mais proximidade há entre os internautas, maior a chance de que se comuniquem via e-mail, Messenger, Skype, Facebook, Twitter - ou qualquer outra das incontáveis ferramentas e redes de comunicação digital.

O resultado contradiz a máxima, repetida desde o advento do ciberespaço, de que o grande papel da internet é eliminar as distâncias e possibilitar a interação entre pessoas espalhadas pelo globo. Ok, a rede de fato tem um quê de "aldeia global" - expressão cunhada por Marshall Mcluhan nos anos 60 em obra em que o famoso teórico da comunicação antevia uma maior integração planetária com as tecnologias da eletrônica. Na prática, porém, as pessoas se comunicam mesmo é com os colegas de trabalho, familiares, cônjuges e amigos mais chegados.

"A revolução da internet fez da comunicação de longa distância dramaticamente mais rápida, fácil e barata do que em qualquer outro tempo. Tem-se argumentado que isso diminuiu a importância da proximidade geográfica, transformando o nosso mundo em uma ‘aldeia global' ou uma ‘sociedade sem fronteiras'. Nós argumentamos o oposto: se a tecnologia sem dúvida aumentou os níveis de comunicação, este aumento foi mais significativo em âmbito local", escrevem os autores do estudo, os pesquisadores Jacob Goldenberg e Moshe Levy, da universidade Hebrew. 0906.3202.pdf

A conclusão dos pesquisadores veio do exame do fluxo de e-mails e do comportamento de 100 mil membros da rede social Facebook - análise que evidenciou um trânsito intenso entre internautas geograficamente próximos e esporádico entre membros distantes entre si. "Geralmente, a tecnologia da informação não nos serve para gerar novos relacionamentos, mas nos ajuda a se comunicar com pessoas com quem já nos relacionamos", dizem os cientistas sociais.

De certa forma, a pesquisa abala outro mito: o de que as novas mídias levam as pessoas a trocar os encontros "reais" pelos "virtuais". Praticamente todos os pesquisadores da cibercultura rechaçam essa tese. Pierre Levy, pensador pioneiro das mídias digitais, desde os anos 90 insiste que os indivíduos que mais conversam em ambientes online são os que mais se encontram em espaços offline. Dito de outra forma: o sujeito que mais acumula amigos no Orkut e no Facebook é aquele com mais amigos na "vida real".

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Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 18 novembro 2009 às 12:16
Faz muito sentido! Todos tendemos à clusterização...

Mas, creio que a tecnologia nos ajuda sim a criar novos relacionamentos, talvez vínculos fracos, que como sabemos podem se tornar essenciais!

Obrigada por compartilhar!

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